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Dólar dos Estados Unidos

O dólar dos Estados Unidos, chamado em inglês de United States dollar e também conhecido como dólar americano, é a moeda oficial dos Estados Unidos e de outros países. Seu símbolo é $, frequentemente escrito US$ para distingui-lo de outras moedas chamadas dólar, e seu código na norma ISO 4217 é USD. A Lei da Moeda de 1792 estabeleceu o dólar como unidade monetária básica, dividida em cem cents, ou centavos, representados pelo símbolo ¢. As cédulas são emitidas como Notas da Reserva Federal, chamadas Federal Reserve Notes em inglês e conhecidas informalmente como greenbacks, devido à cor predominantemente verde.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/11/2026
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Características gerais

Na Constituição

O artigo I, seção 8, da Constituição dos Estados Unidos atribui ao Congresso o poder de cunhar moeda[nota 1]. O título 31 do Código dos Estados Unidos regulamenta essa atribuição. Sua seção 5112 define quais moedas podem ser emitidas e reconhece como moeda de curso legal as peças metálicas usadas para pagar dívidas, do centavo às moedas de cem dólares. Entre elas estão o dólar Sacagawea, produzido em liga de cobre, e a American Silver Eagle, feita de prata. A seção 9 do mesmo artigo determina a publicação periódica das receitas e despesas públicas. Esses valores são contabilizados em dólares[nota 2], que funcionam como unidade de conta do governo federal. A própria Constituição emprega a palavra dollar em referência ao dólar espanhol, moeda de oito reales que circulava no país antes da criação do dólar estadunidense.

Lei da Moeda

O Congresso aprovou, em 1792, a lei que autorizou a cunhagem de moedas de diferentes valores. A seção 9 determinava que o dólar teria o mesmo valor do dólar espanhol então em circulação e conteria 24,057 g de prata pura, em uma moeda de prata de liga[nota 3] com aproximadamente 26,96 g. A seção 20 determinava que os valores das contas públicas e dos processos judiciais federais fossem expressos em dólares ou unidades equivalentes.

Subdivisões decimais

Diferentemente do dólar espanhol, subdividido em oito reales, o Congresso Continental e a legislação de 1792 adotaram o sistema decimal. O mill era[nota 4] a milésima parte do dólar, o cent equivalia à centésima parte e o disme,[nota 5] depois chamado de dime, correspondia a um décimo[nota 6]. Na época colonial, a divisão do dólar espanhol em oito reales favorecia a contagem em partes de 12,5 centavos, chamadas bits[nota 7]. O costume persistiu após a adoção do sistema decimal. Nas bolsas de valores dos Estados Unidos, inclusive na Bolsa de Valores de Nova Iorque, as cotações em frações de dólar[nota 8] persistiram até a transição para preços decimais, concluída em 2001.

Etimologia

No século XVI, o conde Hieronymus Schlick, da Boêmia, começou a cunhar moedas chamadas joachimsthaler, denominação derivada de Joachimsthal, vale de onde se extraía prata e onde fica a atual cidade de Jáchymov. O nome do vale, associado a São Joaquim, incorporava a palavra alemã Tal ou Thal, que significa "vale". Joachimsthaler foi abreviado para táler, termo do qual derivaram nomes de moedas em outros idiomas, entre os quais tolar em tcheco, eslovaco e esloveno, daler em dinamarquês e sueco, talar em polonês, dalar ou daler em norueguês, daler ou daalder em neerlandês, talari na Etiópia, tallér em húngaro, tallero em italiano e dollar em inglês.

Apelidos

O termo coloquial buck[nota 13], empregado para designar dólares de diferentes países, já era usado nesse sentido em meados do século XIX. Sua origem é incerta. Uma hipótese o relaciona às peles de cervídeos, chamadas buckskins, utilizadas em transações comerciais na América do Norte colonial. Outra associa o nome a marcadores empregados no pôquer, embora essa explicação seja especialmente ligada à expressão inglesa pass the buck[nota 14]. O termo tem sentido semelhante ao de quid[nota 15] para a libra esterlina no Reino Unido. Greenback[nota 16] era inicialmente um apelido das cédulas de demanda do século XIX, impressas em verde e preto no verso. Essas cédulas foram emitidas pelo governo de Abraham Lincoln para financiar as forças da União durante a Guerra de Secessão. O apelido passou a designar o dólar em geral e é usado também no noticiário financeiro da Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Índia. Outras expressões coloquiais incluem green, greenmail, dead presidents[nota 17], ou "presidentes mortos", em referência aos retratos nas cédulas, bones, bigface e Monopoly money[nota 18]. No francês usado em partes da Luisiana, da Nova Inglaterra, do Haiti e do Caribe, a moeda também pode ser chamada de piastra.

Símbolo do dólar

O símbolo $ é escrito, em geral, antes do valor numérico[nota 22] e também aparece em muitas outras moedas. Uma explicação para sua origem é a evolução, no fim do século XVIII, da abreviação manuscrita ps, utilizada para o peso espanhol. As letras p e s acabaram sobrepostas, formando o cifrão. Outra explicação relaciona o símbolo às Colunas de Hércules representadas nas moedas espanholas, com duas barras verticais envolvidas por uma faixa ondulante[nota 23] semelhante à letra S. A terceira hipótese, divulgada por Ayn Rand no romance A Revolta de Atlas, deriva o cifrão das letras U e S sobrepostas, embora o símbolo já fosse empregado antes da independência dos Estados Unidos.

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História

Embora o dólar só tenha sido formalmente vinculado exclusivamente ao ouro em 1900, a era do bimetalismo terminou, na prática, com a Lei da Moeda de 1873, que suspendeu a cunhagem livre do dólar de prata de 26,73 g. A produção de prata no Comstock Lode crescia naquele período, e os opositores da lei a chamaram de "crime de 1873". O dólar comercial, de 27,216 g, podia ser cunhado com prata fornecida por particulares, mas era destinado sobretudo à exportação e tinha limitações como moeda de curso legal nos Estados Unidos. A Lei do Padrão-Ouro de 1900 fixou a unidade monetária em 1,505 g de ouro fino, equivalentes a US$ 20,67 por aproximadamente 31,103 g de ouro[nota 41]. Em 1933, o presidente Franklin D. Roosevelt determinou o recolhimento de moedas de ouro por meio da Ordem Executiva 6102. Em 1934, a equivalência passou a ser de US$ 35 por aproximadamente 31,103 g de ouro, o que representava cerca de 0,889 g de ouro por dólar.

Origens: o dólar espanhol

Na criação da moeda estadunidense, o dólar recebeu valor equivalente ao dólar espanhol de prata, também conhecido como peso espanhol, peso de oito reales ou peça de oito[nota 24]. Essas moedas eram produzidas a partir da prata extraída nas colônias espanholas da América e cunhadas na Cidade do México, em Potosí, Lima e em outras cidades. Entre os séculos XVI e XIX, circularam amplamente nas Américas, na Ásia e na Europa. A cunhagem mecanizada do dólar espanhol[nota 25], iniciada em 1732, ampliou seu uso no comércio internacional e fez dele uma referência para a criação da moeda dos Estados Unidos. Mesmo depois de a Casa da Moeda dos Estados Unidos começar suas atividades, em 1792, as moedas locais de dólar e centavo eram menos abundantes do que os pesos e reales hispano-americanos. Dólares espanhóis, mexicanos e estadunidenses continuaram a ser aceitos como moeda de curso legal no país até a Lei da Moeda de 1857. Como a população já conhecia a moeda espanhola de dois reales, equivalente a um quarto de peso, adotou-se a moeda de 25 centavos em vez de uma de vinte centavos. A relação do dólar espanhol com as moedas das antigas colônias pode ser examinada nas histórias das libras de Connecticut, Delaware, Geórgia, Maryland, Massachusetts, Nova Hampshire, Nova Jérsei, Nova Iorque, Carolina do Norte, Pensilvânia, Rhode Island, Carolina do Sul e Virgínia.

Lei da Moeda de 1792

Em 6 de julho de 1785, o Congresso Continental decidiu que a unidade monetária dos Estados Unidos seria o dólar, contendo aproximadamente 24,34 g de prata pura. Em 8 de agosto de 1786, confirmou a definição e aprovou a divisão decimal em milésimos, centésimos e décimos, respectivamente chamados de mills, cents e dimes. Após a adoção da Constituição, a Lei da Moeda de 1792 definiu o dólar pelo conteúdo de prata do dólar espanhol, com 24,057 g de prata pura ou 26,957 g de prata de liga com teor de 89,24%. A lei também criou a moeda de ouro denominada eagle, com 16,038 g de ouro puro, ou 17,496 g de liga de 22 quilates[nota 26], com pureza de 91,67%. Hamilton baseou os valores em análises feitas pelo Tesouro do conteúdo de prata de moedas espanholas já desgastadas, que apresentaram média próxima de 24,04 g de metal fino[nota 27]. Com a relação de 15 partes de prata para uma de ouro, calculou-se o equivalente em ouro de 1,602 g de ouro puro, ou aproximadamente 1,748 g de liga de 22 quilates. O arredondamento para aproximadamente 1,750 g de ouro de liga resultou em um padrão de cerca de 1,604 g de ouro puro por dólar, equivalentes a 24,057 g de prata fina.

Desenho

As primeiras moedas estadunidenses não traziam retratos de presidentes, ao contrário do que se tornou habitual no século XX. O governo do novo país rejeitava a reprodução de governantes em moedas por associar essa prática às monarquias europeias. As moedas traziam, em seu lugar, personagens alegóricos da Antiguidade greco-romana[nota 29] e figuras que representavam povos indígenas. A legislação federal só permite retratar pessoas falecidas no papel-moeda. Entre as últimas moedas de circulação a receber retratos de figuras históricas americanas estavam as de dez centavos, em 1946, meio dólar, em 1948, e um dólar, em 1971.

Moeda continental

Durante a Revolução Americana, as Treze Colônias passaram a emitir papel-moeda denominado em libras, xelins e pence, para financiar despesas militares. O Congresso Continental também emitiu a chamada Continental Currency[nota 30], denominada em dólares espanhóis. As cédulas perderam muito valor durante a guerra, num episódio de depreciação monetária do qual surgiu a expressão inglesa not worth a continental[nota 31], ou "não vale um continental". A desvalorização foi agravada pela falta de coordenação entre a política monetária do Congresso e as emissões dos governos estaduais. Nem o Congresso nem os estados possuíam recursos suficientes para retirar o excesso de cédulas de circulação por meio de impostos ou venda de títulos públicos. A moeda continental acabou substituída por dólares de prata, à razão de um dólar de prata para mil dólares continentais. A experiência influenciou a inclusão, no artigo I, seção 10, da Constituição, de uma proibição aos estados de declarar moeda de curso legal, para pagamento de dívidas, qualquer coisa que não fosse moeda de ouro ou prata.

Padrões de prata e ouro no século XIX

Da Lei da Moeda de 1792 até a implantação do padrão-ouro em 1900, o dólar permaneceu vinculado a um padrão bimetálico[nota 32], correspondendo a 24,057 g de prata pura ou 1,604 g de ouro puro, numa proporção de quinze para um entre os dois metais[nota 33]. A Lei da Moeda de 1834 reduziu o conteúdo equivalente em ouro para 1,503 g e, em 1837, o fixou em 1,505 g, elevando a proporção entre prata e ouro para aproximadamente dezesseis para um. A legislação de 1837 também ajustou a liga das moedas de prata para 26,73 g e teor de 90%, preservando os 24,057 g de prata fina. As moedas de ouro passaram a ter 90% de pureza, com 1,672 g de massa total e 1,505 g de ouro puro.

Emissões de papel-moeda no século XIX

Para financiar a Guerra Anglo-Americana de 1812, o Congresso autorizou a emissão de títulos do Tesouro de curto prazo[nota 36], remunerados com juros e aceitos no pagamento de tributos. Esses títulos eram instrumentos da dívida pública, mas também eram aceitos em pagamentos. Novas emissões ocorreram durante as crises financeiras de 1837 e 1857, a Guerra Mexicano-Americana e a Guerra de Secessão. Em 1861, o Congresso autorizou o Tesouro a obter empréstimos de US$ 50 milhões por meio de Demand Notes[nota 37], títulos sem juros que podiam ser resgatados por metais preciosos a pedido do portador. Em dezembro de 1861, os pedidos de resgate superaram as reservas em moeda metálica do governo da União, e a conversibilidade foi temporariamente suspensa[nota 38]. Em fevereiro de 1862, a Lei de Curso Legal permitiu a emissão das chamadas United States Notes, não remuneradas e não resgatáveis à vista, mas de aceitação obrigatória na quitação de dívidas, com exceções para tarifas de importação e juros da dívida pública. A circulação simultânea de moedas de ouro e prata favoreceu a desvalorização do papel-moeda, fenômeno relacionado à lei de Gresham.

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Moedas metálicas

A Casa da Moeda dos Estados Unidos produz moedas de curso legal desde 1792. A partir de 1934, as denominações destinadas à circulação foram o centavo, chamado penny[nota 47], cinco centavos, chamados nickel[nota 48], dez centavos, chamados dime, 25 centavos, chamados quarter[nota 49], meio dólar e um dólar. Em 2025, terminou a produção de moedas de um centavo para circulação, mas elas continuam tendo curso legal. Em 2026, nos 250 anos da independência estadunidense[nota 50], as moedas de dez, 25 e 50 centavos receberam desenhos comemorativos temporários. O desenho de Roosevelt retorna à moeda de dez centavos em 2027. A tabela reúne imagens de moedas de anos anteriores e informa, nas descrições, as mudanças de 2026. Retrato e ano do desenho: Abraham Lincoln (1909) Motivo do reverso: Escudo da União (2010) Massa: 2,50 g Diâmetro: 19,05 mm Composição: 97,5% zinco, revestido de 2,5% cobre Borda: Lisa Circulação: Ampla, embora a produção para circulação tenha terminado em 2025

Moedas para colecionadores

Moedas especiais possuem curso legal pelo valor facial, mas geralmente são negociadas por quantias maiores[nota 54], devido à raridade, ao valor numismático[nota 55] ou ao teor de metal precioso. Entre elas estão:

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Cédulas

A Constituição atribui ao Congresso o poder de tomar empréstimos em nome dos Estados Unidos. O Congresso exerceu essa competência ao autorizar os bancos integrantes do Sistema de Reserva Federal a emitir cédulas. Elas são obrigações dos Estados Unidos e podem, conforme a legislação, ser resgatadas em moeda de curso legal no Departamento do Tesouro, em Washington, ou em qualquer banco da Reserva Federal. A legislação federal também reconhece expressamente as Federal Reserve Notes como moeda de curso legal para o pagamento de dívidas. O Congresso autorizou historicamente mais de dez modalidades de papel-moeda, entre elas as United States Notes e as Federal Reserve Bank Notes[nota 58]. Desde a década de 1970, as notas da Reserva Federal são a única modalidade produzida para circulação corrente. Elas são impressas pelo Departamento de Gravura e Impressão em papel feito predominantemente de fibras de algodão, diferentemente do papel comum, produzido com fibras de madeira. As cédulas anteriores a 1928 mediam cerca de 188,5 por 79,4 mm. As de formato menor, introduzidas naquele ano e ainda utilizadas, medem aproximadamente 156 por 66,3 mm, com espessura em torno de 0,11 mm. O formato menor correspondia ao das cédulas do peso filipino emitidas durante a administração dos Estados Unidos nas Filipinas desde 1903. As antigas cédulas de grande formato receberam os apelidos de horse blankets[nota 59] e saddle blankets.

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Países e territórios que utilizam o dólar dos Estados Unidos

Utilização oficial

O dólar dos Estados Unidos é moeda oficial ou legalmente autorizada nos países e territórios abaixo[nota 61] nos termos indicados:

Utilização não oficial

Nos países e territórios abaixo, o dólar é aceito em pagamentos sem substituir formalmente a moeda local[nota 64]:

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Política monetária

A Lei da Reserva Federal criou, em 1913, o Sistema de Reserva Federal como banco central dos Estados Unidos. A instituição conduz a política monetária com os objetivos de alcançar o máximo emprego, manter os preços estáveis e assegurar taxas de juros moderadas no longo prazo. Também atua na estabilidade financeira, regulamenta instituições financeiras e funciona como emprestador de última instância. A política monetária é definida pelo Comitê Federal de Mercado Aberto, conhecido pela sigla FOMC e composto pelos membros do Conselho de Governadores da Reserva Federal e por cinco dos doze presidentes dos bancos regionais, sendo implementada pelos doze bancos da Reserva Federal[nota 65]. As decisões do banco central afetam o crescimento da oferta de moeda e são tomadas com metas de inflação baixa, desemprego reduzido e estabilidade do sistema financeiro. A oferta monetária pode ser acompanhada por medidas que abrangem diferentes formas de dinheiro:

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Utilização internacional como moeda de reserva

Ascensão

Entre os séculos XVI e XIX, o dólar espanhol de prata foi uma das principais moedas utilizadas no comércio entre a Europa, a Ásia e as Américas. A prata extraída da América espanhola abastecia o comércio internacional que utilizava essas moedas. O dólar dos Estados Unidos surgiu a partir desse padrão monetário. No último quartel do século XIX, com a disseminação do padrão-ouro internacional, o dólar espanhol foi superado pela libra esterlina britânica. A partir da década de 1920, o dólar estadunidense também começou a substituir a libra como moeda de reserva internacional. Os Estados Unidos sofreram perdas relativamente menores na Primeira Guerra Mundial e receberam grandes quantidades de ouro durante o conflito. O Acordo de Bretton Woods, de 1944, estabeleceu a ordem monetária internacional do pós-guerra e fez do dólar a principal moeda de reserva para o comércio entre países, com conversibilidade em ouro à razão de US$ 35 por aproximadamente 31,103 g de ouro.

Reservas internacionais

O dólar integra, ao lado do euro, da libra esterlina, do iene japonês e do renminbi chinês, a cesta monetária dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional. Bancos centrais estrangeiros mantêm reservas em dólares e compram títulos do Tesouro dos Estados Unidos. No segundo trimestre de 2026, o dólar correspondia a 56,70% das reservas cambiais oficiais mundiais, em um total global de US$ 13,22 trilhões[nota 72]. A participação percentual refere-se apenas às reservas cambiais, sem incluir o ouro e outros ativos de reserva. Empresas, instituições e particulares também mantêm dólares em contas bancárias fora dos Estados Unidos[nota 73], denominadas eurodólares, que não se confundem com a moeda euro e estão fora da jurisdição direta da Reserva Federal. As cédulas de cem dólares compõem uma parcela elevada do papel-moeda estadunidense mantido no exterior. Em 2018, o Banco da Reserva Federal de Chicago estimou que quase 80% dessas cédulas estavam fora dos Estados Unidos. Como não é possível acompanhar a localização de cada cédula, o percentual era uma estimativa. Em julho de 2025, o Conselho da Reserva Federal estimou que havia mais de US$ 1 trilhão em cédulas no exterior no primeiro trimestre daquele ano, aproximadamente metade de todo o papel-moeda em circulação. As duas estimativas abrangem conjuntos diferentes de cédulas e períodos distintos.

Mercados mundiais

O dólar é usado para cotar preços, negociar mercadorias e liquidar pagamentos[nota 75] nos mercados mundiais de commodities. O índice do dólar dos Estados Unidos acompanha sua valorização ou desvalorização em comparação com uma cesta de seis moedas estrangeiras[nota 76]. O governo dos Estados Unidos consegue captar recursos em dólares nos mercados internacionais, emitindo dívida denominada em sua própria moeda. Governos e empresas que não obtêm financiamento externo em sua moeda nacional podem contrair dívidas em dólares e ficar mais expostos à variação cambial e ao risco de inadimplência[nota 77]. A possibilidade de tomar empréstimos internacionais na própria moeda, sem provocar necessariamente uma crise grave de balanço de pagamentos, recebe o nome de privilégio exorbitante.

Países que utilizam o dólar e moedas vinculadas a ele

Nas Américas, o dólar é moeda oficial em Panamá, Equador, El Salvador, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Turcas e Caicos e os territórios do Caribe Neerlandês. No Pacífico, ele é utilizado nas Ilhas Marshall, nos Estados Federados da Micronésia e em Palau, que integraram o antigo Território Fiduciário das Ilhas do Pacífico. Timor-Leste também utiliza a moeda. No Camboja, o dólar é aceito ao lado do riel, e no Zimbábue integra um regime multimoedas reconhecido pela legislação. No Caribe, mantêm vínculos cambiais fixos ou administrados com o dólar moedas como o dólar das Bahamas, o dólar de Barbados, o dólar de Belize, o dólar das Bermudas, o dólar das Ilhas Cayman, o florim caribenho, o dólar do Caribe Oriental e o florim arubano. Entre os países árabes produtores de petróleo, incluem-se o rial saudita, o dirrã dos Emirados Árabes Unidos, o rial omanense, o rial catarense e o dinar bareinita. Também mantêm vínculos cambiais o dólar de Hong Kong, a pataca de Macau, vinculada indiretamente ao dólar estadunidense pela paridade com a moeda de Hong Kong, e o dinar jordaniano. A libra libanesa manteve durante décadas um regime cambial estável em relação ao dólar, mas esse sistema foi profundamente alterado pela crise econômica iniciada em 2019. Os regimes abrangem paridade fixa, bandas de oscilação[nota 78] e câmbio administrado.

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Valor

O artigo I, seção 8, da Constituição atribui ao Congresso o poder de cunhar moeda e regular seu valor, assim como o das moedas estrangeiras. A Lei da Moeda de 1792 exerceu essa competência ao determinar a cunhagem dos primeiros dólares, com valor equivalente ao dólar espanhol então em circulação. Os valores da tabela estimam quanto um dólar de cada ano podia comprar em relação ao poder aquisitivo de um dólar de 1775. Como não existiam índices de preços modernos durante boa parte do período, os números dependem de reconstruções históricas. Nessa série, um dólar de 2012 tinha cerca de 3% do poder de compra de um dólar de 1775. A inflação, o aumento geral dos preços de bens e serviços, reduz o poder de compra do dólar quando persiste ao longo dos anos. O índice de preços ao consumidor mede a evolução do preço médio dos produtos e serviços adquiridos pelas famílias. Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics, conhecido pela sigla BLS, publica esse índice para acompanhar a mudança nos gastos das famílias.

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Moedas vinculadas ao dólar

As moedas relacionadas a seguir têm ou tiveram regimes de paridade fixa, bandas de oscilação ou outros mecanismos de administração cambial em relação ao dólar. A lista abrange ainda moedas que mantiveram cotações estáveis diante do dólar sem necessariamente ter paridade oficial. As indicações de valor superior, inferior ou equivalente comparam quantos dólares valia uma unidade da moeda local. Os regimes podem mudar e não devem ser inferidos apenas da proximidade entre taxas de câmbio.

Moedas anteriormente vinculadas

A lista abaixo reúne exemplos de antigos regimes de câmbio vinculados ao dólar, sem abranger todos os casos.

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Taxas de câmbio

Taxas de câmbio históricas

Os números da tabela mostram quantas unidades de cada moeda estrangeira equivaliam a um dólar dos Estados Unidos em cada ano. De 1981 em diante, os valores são, quando disponíveis, médias anuais de taxas à vista[nota 79] da Reserva Federal, também presentes nas séries do Federal Reserve Bank of St. Louis. Para os anos e moedas sem esses dados, foram usadas estatísticas históricas oficiais e séries do Banco Mundial e do Penn World Table. Os valores das libras[nota 80] e dos euros foram obtidos pela inversão aproximada das médias anuais oficiais[nota 81] expressas em dólares por unidade dessas moedas, e não correspondem necessariamente à média das cotações diárias invertidas.

Taxas de câmbio atuais

Como as taxas de câmbio mudam nos mercados internacionais, bancos centrais e outras instituições divulgam cotações de referência e séries históricas. Esses valores podem ser diferentes das taxas de compra e venda efetivamente cobradas[nota 84] nas operações de câmbio. No Brasil, a taxa de referência PTAX[nota 85] é divulgada pelo Banco Central do Brasil, enquanto, em Portugal, as taxas de referência são publicadas pelo Banco de Portugal com base nas cotações do Banco Central Europeu. A cotação do dólar pode ser consultada nas taxas de câmbio diárias do Federal Reserve, disponíveis em inglês, no conversor de moedas do Banco Central do Brasil e no portal do Banco de Portugal.

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Fontes consultadas

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