Beleza Americana
American Beauty é um filme dramático norte-americano de 1999 dirigido por Sam Mendes e escrito por Alan Ball. Kevin Spacey é o protagonista do filme no papel de Lester Burnham, um homem que enfrenta uma crise da meia-idade ao se apaixonar por Angela, a melhor amiga de sua filha adolescente. O elenco é composto por Annette Bening no papel da esposa materialista de Lester, Carolyn, e Thora Birch que interpreta a filha insegura do casal, Jane; Mena Suvari, Wes Bentley, Chris Cooper e Allison Janney completam o elenco. O filme foi descrito por acadêmicos como uma sátira das noções sobre beleza e satisfação pessoal da classe média norte-americana; a análise se focou na exploração dos temas de amor romântico e paterno, sexualidade, beleza, materialismo, alienação, libertação pessoal e redenção.
Lester Burnham é um homem de meia idade que odeia o seu trabalho. A sua esposa, Carolyn, é uma ambiciosa corretora de imóveis; a filha de dezesseis anos do casal, Jane, abomina seus pais e tem baixa auto estima. Os novos vizinhos dos Burnham são o Coronel do Corpo de Fuzileiros Navais Frank Fitts e a sua introvertida esposa, Barbara; o seu filho adolescente, Ricky, é um fumante de maconha e traficante de drogas quem o coronel sujeita a um estilo de vida autoritário. Ricky grava o seu arredor com uma câmera, guardando dúzias de filmes em seu quarto. Lester fica atraído por Angela Hayes, amiga de Jane, depois de vê-la em uma apresentação durante o intervalo de um jogo de basquetebol. Ele começa a ter fantasias sexuais com ela, onde pétalas de rosas são um tema recorrente. Carolyn começa a ter um caso com seu rival de negócios, Buddy Kane. Lester é informado que será despedido depois de escrever sua descrição de trabalho como um insulto ao especialista que a pediu, porém chantageia seu chefe por sessenta mil dólares (ameaçando acusá-lo de assédio sexual) e se demite, arrumando emprego em uma lanchonete. Ele compra o carro de seus sonhos e começa a se exercitar depois de ouvir Angela dizer que o acharia mais atraente se Lester melhorasse seu físico. Ele começa a fumar maconha comprada de Ricky, flertando com Angela toda vez que ela visita Jane. A amizade das duas esfria e Jane se envolve com Ricky; eles se aproximam a partir daquilo que Ricky considera seu vídeo mais precioso: uma sacola plástica ao vento.
Múltiplas interpretações
Acadêmicos já ofereceram várias possíveis leituras para American Beauty; críticos de cinema estão similarmente divididos, não quanto a qualidade do filme mas quanto suas interpretações. Descrito por muitos como sobre "o significado da vida", "identificação de gênero" ou "a existência vazia dos subúrbios americanos", o filme desafiou categorização até por parte dos cineastas. Mendes é indecisivo, dizendo que o roteiro parecia ser sobre algo diferente toda vez que o lia: "uma história de mistério, uma viagem caleidoscópica através do subúrbio americano, uma série de histórias de amor … era sobre aprisionamento … solidão [e] beleza. Foi engraçado; foi zangado, triste". O crítico literário e autor Wayne C. Booth conclui que o filme resiste a qualquer interpretação: "[American Beauty] não pode ser adequadamente resumido como 'aqui está uma sátira do que há de errado com a vida americana'; que minimiza a celebração da beleza. É mais tentador resumi-lo como 'um retrato subjacente das misérias e delitos americanos'; mas que minimiza as cenas de crueldade e horror, e o desgosto de Ball por nossos costumes. Também não pode ser resumido com as afirmações filosóficas de Lester e Ricky sobre o que é a vida e como se deve vivê-la…" Ele discute que o problema de interpretar o filme está ligado com o de encontrar seu centro – uma voz controladora que "[une] todas as escolhas". Ele afirma que no caso de American Beauty não é Mendes nem Ball. Mendes considera que a voz é a de Ball, mas mesmo que o roteirista tenha exercido uma "forte influência" no cenário, ele frequentemente teve de aceitar desvios de sua visão original, particularmente aqueles que transformaram o tom cínico do roteiro em algo mais otimista. Com "inúmeras vozes se intrometendo na do autor", Booth diz que aqueles que interpretam American Beauty "se esqueceram de analisar o centro evasivo"; o verdadeiro controlador do filme é a energia criativa "que centenas de pessoas colocaram na produção, concordando e discordando, inserindo e retirando".
Aprisionamento e redenção
Mendes disse que American Beauty era um filme rito de passagem sobre aprisionamento e fuga do aprisionamento. A monotonia da existência de Lester é estabelecida através de seu local de trabalho cinza e indefinível, e suas roupas sem personalidade. Nessas cenas, ele é frequentemente filmado como se estivesse preso, "reiterando rituais que dificilmente o agradam". Ele se masturba nos confins de seu chuveiro; o chuveiro evoca uma cela de prisão e o plano é o primeiro de muitos onde Lester está confinado atrás de barras ou dentro de quadros, como quando ele é refletido atrás de colunas de números no monitor de seu computador, "confinado [e] quase riscado". O autor e acadêmico Jody W. Pennington discute que a jornada de Lester é o centro da história. Seu redespertar sexual ao conhecer Angela é o primeiro de vários momentos de clímax, já que ele começa a "[jogar] fora as responsabilidades da vida confortável que ele veio a desprezar". Depois de Lester fumar maconha com Ricky, seu espírito é libertado e ele começa a se rebelar contra Carolyn. Alterado pela "atrativa e profunda confiança" de Ricky, Lester fica convencido que Angela é alcançável e vê que deve questionar sua "existência suburbana materialista, banal e tediosa"; ele arranja um emprego em uma lanchonete, que permite seu regresso a um ponto onde ele pode "ver toda sua vida à frente".
Conformidade e beleza
Como outros filmes norte-americanos de 1999 – Fight Club, Bringing Out the Dead e Magnolia – American Beauty instrui o público a "[ter] uma vida mais significativa". O filme discute o caso contra a conformidade, mas não nega que as pessoas precisam dela e a querem; até as personagens homossexuais apenas querem se misturar. Jim e Jim, os outros vizinhos dos Burnham, são uma sátira do "casal gay burguês", quem "[investe] na mesmice anestesiante" que o filme critica nos casais heterossexuais.[nota 1] A acadêmica e autora Sally R. Munt discute que American Beauty usa suas decorações para dirigir sua mensagem de não-conformidade primariamente às classes médias, e que essa abordagem é um "cliché de preocupações da burguesia … com a premissa subjacente sendo que a luxúria de encontrar um 'eu' individual através da negação e da renunciação está sempre aberta para aqueles ricos o bastante para escolher, e astutos o bastante para que simpaticamente se apresentem como rebeldes".
Sexualidade e repressão
Pennington discute que American Beauty define suas personagens através da sexualidade. As tentativas de Lester de reviver sua juventude são um resultado direto de seu desejo por Angela, e o estado de sua relação com Carolyn é em parte mostrado através da falta de contato sexual. Também sexualmente frustrada, Carolyn tem um caso que a tira de seu "perfeccionismo frio" para uma alma mais despreocupada que "[canta] alegremente junto com" a música no carro. Jane e Angela constantemente se referem ao sexo, através das descrições de Angela de suas supostas relações e pelo modo como as garotas se referem uma a outra. Suas cenas de nudez são usadas para comunicar vulnerabilidade. No final do filme, a influência de Angela em Jane diminuiu até o ponto em que o único poder que ela tem sobre a amiga é a atração de Lester. O Cel. Fitts reage em desgosto ao conhecer Jim e Jim; pergunta, "Como podem essas bichonas se esfregarem na sua cara? Como podem ser tão descarados?" Ricky responde, "É isso, pai – eles acham que não há nada para se envergonhar". Pennington acha que a reação não é homofóbica, mas uma "auto-indagação angustiada".
Temporalidade e música
American Beauty segue uma estrutura narrativa tradicional, desviando-se apenas com a cena de abertura entre Ricky e Jane tirada do meio da história. Apesar do enredo acontecer durante um período de um ano, o filme é narrado por Lester no momento de sua morte. A Dr.ª Jacqueline Furby diz que o enredo "ocupa … nenhum momento [ou] todos os momentos", citando a afirmação de Lester que sua vida não passou diante de seus olhos, mas que ela "se alonga eternamente como um oceano de tempo". Furby discute que o "ritmo de repetição" forma o núcleo da estrutura do filme. Por exemplo, duas cenas mostram os Burnham se sentando para jantar, filmadas do mesmo ângulo. Cada imagem é similar, com pequenas diferenças na disposição dos objetos e nos sinais corporais que refletem a mudança de dinâmica na assertividade de Lester. Outro exemplo são as cenas em que Jane e Ricky filmam o outro. Ricky filma Jane da janela de seu quarto enquanto ela tira seu sutiã, e a imagem é depois invertida para uma similarmente "voyeurista e exibicionista" em que Jane filma Ricky em momento vulnerável no quarto.
A trilha sonora de Thomas Newman foi gravada em Santa Mônica, Califórnia. Ele usou principalmente instrumentos de percussão para criar o ânimo e ritmo, com a inspiração vinda de Mendes. Newman "favoreceu pulso, ritmo e cor sobre a melodia", criando uma trilha minimalista diferente de suas anteriores. Ele construiu cada faixa de forma "pequena, repetindo frases sem fim" – frequentemente, a única variação era através do "afinamento da textura para oito compassos". Os instrumentos de percussão incluíam tablas, bongôs, pratos, piano, xilofones e marimbas; outros instrumentos incluíam violões, flautas e instrumentos da música do mundo. Newman também usou música eletrônica, e em faixas "rápidas" usou métodos não ortodoxos, como bater em tigelas de metal com e usar um bandolim desafinado. O compositor achou que a trilha ajudou o filme a prosseguir sem perturbar a "moral ambígua" do roteiro: "Era um ato de equilíbrio bem delicado em termos do tipo de música para preservar [isso]".
Desenvolvimento
Em 1997, Alan Ball resolveu tentar entrar na indústria do cinema após vários e frustrantes anos escrevendo para os sitcons televisivos Grace Under Fire e Cybill. Ele entrou na United Talent Agency, onde seu representante, Andrew Cannava, sugeriu que ele escrevesse um roteiro especulativo para se "reintroduzir a todos como um roteirista". Ball mostrou três ideias a Cannava: duas comédias românticas convencionais e American Beauty,[nota 5] que ele havia inicialmente concebido como uma peça de teatro no início da década de 1990. Apesar da falta de um conceito facilmente comercializável na história, Cannava selecionou American Beauty porque ele achou que era a que Ball tinha maior paixão. Ao desenvolver o roteiro, Ball criou outro sitcom televisivo, Oh, Grow Up. Ele canalizou sua frustração e raiva por ter de ceder as exigências da emissora naquele programa – e em Grace Under Fire e Cybill – ao escrever American Beauty.
Roteiro
"Acho que eu estava escrevendo sobre … como está ficando cada vez mais difícil viver uma vida autêntica quando vivemos em um mundo que parece se focar na aparência … Em todas as diferenças entre o agora e a [década de 1950], de muitas maneiras isto é apenas uma época conformista … Você vê tantas pessoas lutando para viver uma vida autentica e então quando elas chegam lá se perguntam por que não estão felizes … Eu não percebi isso quando sentei para escrever [American Beauty], porém essas ideias são importantes para mim". Ball parcialmente se inspirou em dois eventos que lhe ocorreram no início da década de 1990. Por volta de 1991–92, ele viu um saco plástico ao vento do lado de fora do World Trade Center. Ele ficou observando o saco por dez minutos, mais tarde dizendo que o objeto lhe provocou uma "resposta emocional inesperada". E em 1992, o roteirista ficou preocupado com o espetáculo que a mídia criou ao redor do julgamento de Amy Fisher. Descobrindo um quadrinho contando o escândalo, ele ficou surpreso com o quão rápido tudo se torna comercializável. Ele disse ter achado que "havia uma história verdadeira por debaixo [que era] mais fascinante e bem mais trágica" do que a história apresentada ao público, e tentou fazer uma peça de teatro com a ideia. Ball produziu por volta de quarenta páginas, mas parou quando percebeu que ela funcionaria melhor como um filme. Ele achou que devido aos temas visuais, e porque cada história das personagens era "intensamente pessoal", American Beauty não poderia ser feito no palco. Todas as personagens principais aparecem nessa versão, porém Carolyn não aparecia proeminentemente; no lugar, Jim e Jim tinham papéis mais importantes.
Seleção de elenco
Mendes tinha Kevin Spacey e Annette Bening em mente para os papéis principais desde o início, porém os executivos da DreamWorks não estavam tão entusiasmados. O estúdio sugeriu várias alternativas, incluindo Bruce Willis, Kevin Costner ou John Travolta para Lester, e Helen Hunt ou Holly Hunter para Carolyn. Mendes não queria uma grande estrela "tirando o peso do filme"; ele achava que Spacey era a escolha certa baseado em suas performances em Glengarry Glen Ross (1992), Seven (1995) e The Usual Suspects (1995). O ator ficou surpreso; ele disse, "Eu geralmente interpreto personagens que são bem rápidos, bem manipulativos e espertos … eu geralmente avanço para o lado sombrio, de águas traiçoeiras. Este é um homem vivendo cada passo em seu tempo, jogando pelos instintos. Isso é na verdade bem mais parecido comigo, ao que sou, do que esses outros papéis". Mendes ofereceu o papel de Carolyn a Bening sem o concentimento do estúdio; apesar de terem ficado bravos com ele, a DreamWorks entrou em negociações com Spacey e Bening em setembro de 1998.
Filmagens
As filmagens duraram cinquenta dias, de 14 de dezembro de 1998 até fevereiro de 1999. American Beauty foi filmado nos estúdios da Warner Bros. em Burbank, Califórnia, em Hancock Park e em Brentwood, bairros da cidade de Los Angeles. Os planos aéreos do começo e final do filme foram gravados sobre Sacramento, Califórnia, e muitas das cenas que se passavam na escola foram feitas na South High School, em Torrance, também na Califórnia; vários dos figurantes no público do ginásio eram estudantes de South High. O filme se passa em um bairro de classe média-alta de uma cidade norte-americana não identificada. A diretora de arte Naomi Shohan gostou de Evanston, Illinois, porém disse, "Não é sobre o lugar, é sobre um arquétipo … Os arredores eram basicamente Qualquer Lugar, E.U.A. – subúrbio em ascensão". A intenção era do cenário refletir as personagens, que também eram arquétipos. Shohan disse, "Todos estão muito fatigados, e suas vidas são construídas". A casa dos Burnham foi desenhada para ser o oposto à dos Fitts – a primeira um ideal imaculado, porém sem graça e faltando "equilíbrio interior", levando ao desejo de Carolyn de pelo menos criar uma aparência de "perfeita casa americana"; a casa dos Fitts é mostrada em "escuridão [e] simetrias exageradas".
Fotografia
Conrad Hall não era a primeira escolha para diretor de fotografia; Mendes acreditava que ele era "muito velho e experiente" para querer o trabalho, e foi dito a ele que Hall era difícil de se trabalhar. No lugar, Mendes ofereceu a posição para Fred Elmes, que recusou por não ter gostado do roteiro. Hall foi recomendado por Tom Cruise por seu trabalho no filme Without Limits, produzido pelo ator. Mendes estava dirigindo a então esposa de Cruise, Nicole Kidman, na peça The Blue Room durante a pré-produção de American Beauty, já tendo feito o storyboard de todo o filme. Hall esteve envolvido durante um mês na pré-produção; suas ideias de iluminação começaram depois dele ler o roteiro pela primeira vez, e outras leituras permitiram que refinasse sua abordagem antes de se encontrar com Mendes. Hall inicialmente estava preocupado de que o público não fosse gostar das personagens; ele apenas conseguiu se identificar com elas durante os ensaios com o elenco, que lhe rendeu ideias novas para os visuais.
Edição
American Beauty foi editado por Christopher Greenbury e Tariq Anwar; Greenbury começou no trabalho, porém teve de sair no meio da pós-produção devido a um conflito de cronograma com Me, Myself & Irene (2000). Mendes e um assistente editaram o filme por dez dias antes de Anwar assumir. Mendes percebeu durante a edição que o filme era diferente daquele que ele havia visualizado. Ele acreditva estar fazendo um filme "muito mais caprichoso … caleidoscópico" do que a edição mostrou. Ao invés disso, o diretor foi levado a emoções e ao sombrio; ele começou a usar a trilha sonora e planos que planejará descartar para moldar o filme nessas linhas. No total, ele cortou por volta de trinta minutos de seu corte original. A abertura incluia um sonho em que Lester se imaginava voando sobre a cidade. Mendes passou dois dias filmando Spacey contra uma tela azul, porém removeu a sequência acreditando que ela era muito excêntrica – "como um filme dos irmãos Coen" – e dessa forma inapropriada para o tom que ele tentava criar. A abertura do corte final reusa uma cena do meio do filme, em que Jane diz para Ricky matar seu pai. Essa cena era para ser a revelação ao público de que o casal não era responsável pela morte de Lester, já que o modo que ela foi atuada e musicalizada deixava claro que o pedido de Jane não era sério. Entretanto, na porção que ele usou na abertura, Mendes removeu a trilha e deixou de fora um plano de reação de Ricky que deixava uma certa ambiguidade sobre sua culpa. O plano subsequente – uma visão aérea do bairro – tinha a intenção original de ser o fundo para os efeitos de tela azul da sequência do sonho.
Divulgação
A DreamWorks SKG contratou a Amazon.com para criar o site oficial, se tornando a primeira vez que a Amazon criou uma seção especial dedicada a um filme. O website incluía uma sinopse, uma galeria de fotos, biografias do elenco e da equipe de produção, e entrevistas exclusivas com Spacey e Bening. A tagline do filme – "olhe bem de perto" – originalmente veio de um recorte colado pelo decorador no cubículo de trabalho de Lester. A DreamWorks executou campanhas de divulgação paralelas e trailers – um visando os adultos, e outro visando os adolescentes. Ambos os trailers terminavam com a imagem do pôster, a garota segurando a rosa na barriga.[nota 11] Ao rever os pôsters de vários filmes de 1999, David Hochman da Entertainment Weekly elogiou muito o de American Beauty, dizendo que ele evocava a tagline; ele disse, "Você volta ao pôster de novo e de novo, pensando, dessa vez vai encontrar algo". A DreamWorks não queria exibir o filme para públicos teste; de acordo com Mendes, o estúdio estava satisfeito, porém ele insistiu em uma onde pudesse fazer perguntas ao público após o final. O estúdio relutantemente concordou e exibiu o filme para um público jovem em São José, Califórnia. Mendes afirmou que a exibição foi muito boa.[nota 12]
Exibição
American Beauty teve sua estreia mundial em 8 de setembro de 1999 no Grauman's Egyptian Theatre em Los Angeles. Três dias depois, foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Com os cineastas e o elenco na plateia, ele foi exibido em várias universidades norte-americanas, incluindo a Universidade da Califórnia em Berkeley, a Universidade de Nova Iorque, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, a Universidade do Texas e a Universidade Northwestern. Em 15 de setembro de 1999, American Beauty estreou para o público com um lançamento limitado em três cinemas de Nova Iorque e três de Los Angeles.[nota 13] Mais cinemas foram adicionados durante a exibição limitada, e em 1 de outubro o filme oficialmente teve um lançamento geral[nota 14] ao ser exibido em 706 cinemas na América do Norte. O filme arrecadou 8.188.587 de dólares no fim de semana, chegando a terceiro lugar nas bilheterias. Pesquisas com o público feitas pela firma de pesquisa de mercado CinemaScore deram a American Beauty uma nota média de "B+".[nota 15] A contagem de cinemas alcançou seu máximo com 1 528 no final do mês, antes de uma queda gradual. Depois das vitórias de American Beauty no Prêmios Globo de Ouro, a DreamWorks reexpandiu a presença de cinemas depois de um mínimo de sete no meio de fevereiro, para um máximo de 1 990 em março. O filme encerrou sua exibição na América do Norte em 4 de junho de 2000, tendo arrecadado 130,1 milhões de dólares.
Classificação indicativa
Em seu país de origem, American Beauty recebeu da Motion Picture Association of America (MPAA) uma classificação R por conter "forte sexualidade, linguagem, violência e consumo de drogas". Desta forma, o filme foi recomendado pela associação apenas para maiores de 17 anos. O portal CommonSenseMedia também manteve a idade prevista pela MPAA. Por outro lado, pais usuários do site o recomendaram para maiores de 16 anos, e crianças colocaram 13 anos. No Brasil, em seu lançamento para os cinemas, o filme recebeu a classificação de "impróprio para menores de 14 anos", de acordo com o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (DEJUS). Por outro lado, em sua primeira exibição na Rede Globo em agosto de 2003, American Beauty recebeu uma tarja de "imprópria para menores de 16 anos", e em seu lançamento em DVD, "imprópria para menores de 18 anos". Tais classificações foram atribuídas devido à presença de "conflitos psicológicos, consumo de drogas, desvirtuamento de valores éticos e violência". Em Portugal, a organização de Inspecção-Geral das Actividades Culturais atribuiu uma classificação M/16. Assim, foi recomendado para maiores de 16 anos.
Home video
American Beauty foi lançado em VHS no dia 9 de maio de 2000 e em DVD no formato DTS em 24 de outubro de 2000. Antes do lançamento para aluguel na América do Norte em 9 de maio, a Blockbuster Video queria comprar centenas de milhares de cópias para sua série "títulos garantidos", significando que qualquer um que quisesse alugar o filme teria a garantia de uma cópia. A Blockbuster e a DreamWorks não conseguiram chegar a um acordo em relação a divisão de lucros, então a Blockbuster encomendou apenas dois terços do número de cópias que queria originalmente. A DreamWorks disponibilizou por volta de um milhão de cópias para aluguel; a Blockbuster eventualmente ficaria com quatrocentas mil. Algumas lojas da Blockbuster receberam apenas sessenta cópias, enquanto outras nem o receberam, forçando os clientes a encomendarem o filme. A estratégia forçou os atendentes a lerem uma declaração explicando a situação; a Blockbuster afirmou que estava apenas "[monitorando] a demanda do consumidor" devido a disponibilidade reduzida. A estratégia da companhia vazou antes de 9 de maio, levando a um aumento de trinta por cento nos pedidos do filme. Em sua primeira semana disponível para aluguel, American Beauty fez 6,8 milhões de dólares. A arrecadação teria sido menor do que o esperado se a DreamWorks e a Blockbuster tivessem chegado a um acordo. No mesmo ano, The Sixth Sense fez 22 milhões de dólares, enquanto Fight Club fez 8,1 milhões, apesar da bilheteria norte-americana do segundo ter sido apenas 29 por cento da arrecadação de American Beauty. A estratégia da Blockbuster também afetou o preço do aluguel; American Beauty tinha um preço médio de 3,12 de dólares, comparado aos 3,40 de dólares de outros títulos. Apenas 53 por cento dos alugueis do filme vinham de mercados grandes na primeira semana, comparado aos usuais 65 por cento.
American Beauty foi amplamente considerado como um dos melhores filmes de 1999 pela imprensa norte-americana; recebeu enormes elogios, principalmente para Mendes, Ball e Spacey. A Variety escreveu, "Nenhum outro filme de 1999 se beneficiou de tantos elogios universais". Foi o filme mais bem recebido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, vencendo o People's Choice Award. O diretor do festival, Piers Handling, disse, "American Beauty foi a sensação do festival, o filme mais falado". Escrevendo para a Variety, Todd McCarthy disse que o elenco "não poderia ser melhor"; ele elogiou Spacey pela "manipulação de insinuações, sarcasmo sutil e conversa brusca" e por dar a Lester um "sentimento genuíno". Janet Maslin, do The New York Times, disse que o ator estava mais "espirituoso e ágil" do que nunca, e Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, destacou Spacey por interpretar de forma bem sucedida um homem que "faz coisas irresponsáveis e imprudentes [mas que] não engana a si mesmo". Kevin Jackson, do Sight & Sound, disse que Spacey impressionava em modos distintos do que suas interpretações anteriores, com o aspecto mais satisfatório sendo sua interpretação de um "herói e sapo". Escrevendo para a Film Quartely, Gary Hentzi elogiou os atores, porém disse que personagens como Carolyn e o Cel. Fitts eram estereótipos. Hentzi acusou Mendes e Ball de se identificarem muito rapidamente com Jane e Ricky, dizendo que o segundo era sua "figura fantástica" – um artista absurdamente rico capaz de "financiar [seus] próprios projetos". Hentzi disse que Angela era a adolescente mais crível, particularmente com suas "dolorosamente familiares" tentativas de "viver de acordo com uma imagem indigna de si mesma". Maslin concordou que algumas personagens não eram originais, porém disse que suas caracterizações detalhadas as tornaram memoráveis. Kenneth Turan, do Los Angeles Times, disse que os atores lidaram "impecavelmente" com os papéis difíceis; ele chamou a interpretação de Spacey de "a energia que move o filme", afirmando que o ator comandou o envolvimento do público apesar de Lester nem sempre ser simpático. "Contra probabilidades consideráveis, nós gostamos [dessas personagens]", concluiu Turan.
American Beauty não foi considerado um favorito para dominar a temporada de prêmios norte-americanos. Vários outros competidores estrearam no final de 1999, e os críticos espalharam suas honrarias para eles ao compilar suas listas de final de ano. A Associação de Críticos de Cinema de Chicago e a Broadcast Film Critics Association elegeram-no como o melhor filme de 1999, porém, apesar de o Círculo de Críticos de Cinema de Nova York, a Sociedade Nacional de Críticos de Cinema e a Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles terem reconhecido American Beauty, eles deram seus prêmios principais para outros filmes. Ao final do ano, relatos de um retrocesso da crítica sugeriam que American Beauty era a zebra na corrida para Melhor Filme; todavia, no Globo de Ouros de janeiro de 2000, American Beauty venceu Melhor Filme – Drama (Cohen), Melhor Diretor (Mendes) e Melhor Roteiro (Ball). Enquanto as indicações do Oscar 2000 se aproximavam, um favorito ainda não havia emergido. A DreamWorks SKG lançou uma grande campanha para American Beauty cinco semanas antes das cédulas de votação serem enviadas para os mais de 5 600 votantes da Academia. A campanha combinava publicidade tradicional e publicidade com estratégias mais focadas. Apesar de campanhas de cartas diretas serem proibidas, a DreamWorks chegou aos votantes ao promover o filme em "lugares casuais e confortáveis" dentro de suas comunidades. O candidato do estúdio para Melhor Filme no ano anterior, Saving Private Ryan, perdeu para Shakespeare in Love, então a DreamWorks tomou uma nova abordagem ao contratar gente de fora para contribuir com a campanha. Foram contratados três consultores veteranos, que falaram para o estúdio "pensar pequeno". Nancy Willen encorajou a DreamWorks a produzir um especial sobre a produção de American Beauty, a criar mostras do filme em livrarias e arranjar uma sessão de perguntas e respostas com Mendes para o British Academy of Film and Television Arts. Dale Olson aconselhou o estúdio a fazer propagandas em publicações livres que circulavam em Beverly Hills – onde a maioria dos votantes mora – além de grandes jornais. Olson conseguiu exibir American Beauty para mil membros do Fundo dos Atores da América, já que muitos dos atores participantes também eram votantes. Bruce Feldman levou Ball para o Festival de Cinema Internacional de Santa Barbara, onde roteirista compareceu a um jantar em homenagem a Anthony Hopkins, encontrando vários dos votantes entre os convidados.


