Belchior
Antônio Carlos Belchior, conhecido mononimamente como Belchior, foi um cantor, poeta, compositor, músico, produtor, professor de biologia, desenhista e artista plástico brasileiro. Após décadas de carreira, o cantor faleceu aos 70 anos vitimado pelo rompimento de um aneurisma na aorta. Um dos membros do chamado Pessoal do Ceará, que incluía Fagner, Ednardo, Amelinha e outros, Belchior foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso internacional, em meados da década de 1970. Durante uma entrevista, ao declarar o seu nome completo - Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes -, Belchior acrescentou, em tom de brincadeira, que seria o "maior nome da MPB". Antônio Carlos Belchior foi um dos principais cantores e compositores da Música Popular Brasileira, alcançando grande projeção nacional e internacional, especialmente a partir do álbum Alucinação (1976).
Primeiros anos
Durante sua infância foi cantador de feira e poeta repentista. Estudou música, canto para coral e piano com Acácio Halley. Seu pai, Otávio Belchior Fernandes (1905–1980) era um cidadão muito respeitado na cidade, sendo juiz e delegado. Sua mãe, Dolores Gomes Fontenelle Fernandes (1921–2011) cantava no coral da igreja. Ainda criança recebeu influência dos cantores do rádio Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Foi programador de rádio em Sobral. Depois de completar seus estudos secundários no Colégio Sobralense (depois, Colégio Diocesano Sobralense) Belchior optou por vivenciar um período de disciplina religiosa. Por três anos viveu em comunidade com frades italianos no mosteiro dos capuchinhos, em Guaramiranga. Ali estudou latim, italiano e canto gregoriano. Em seguida regressou a Fortaleza, onde estudou Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística.
Anos no Rio de Janeiro
Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB organizado pela TV Tupi com a canção "Na Hora do Almoço", cantada por Jorginho Telles e Jorge Nery. Com a premiada canção, Belchior estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana.
Anos em São Paulo
Em São Paulo, para onde se mudou em 1972, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes em grupo. Em 1972, Elis Regina gravou sua composição "Mucuripe", juntamente com Fagner. Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão. Gravou seu primeiro LP em 1974, na gravadora Chantecler. O seu segundo álbum, Alucinação (Polygram, 1976), consolidou sua carreira, gravando canções de sucesso como "Velha Roupa Colorida" e "Como Nossos Pais", que haviam sido lançadas por Elis Regina, em 1975, em seu espetáculo "Falso Brilhante" e "Apenas um Rapaz Latino-Americano". Mais adiante, no segundo semestre de 1976, foi convidado para ser um dos artistas fundadores da WEA no Brasil, atualmente conhecida como a Warner Music Group. Graças a estes hits, Alucinação vendeu 30 mil cópias em apenas um mês. Outros êxitos incluem "Paralelas", lançada por Vanusa, e "Galos, Noites e Quintais", regravada por Jair Rodrigues.
Saída de São Paulo
Ao longo de 2008, desde a saída de São Paulo e a chegada ao Rio Grande do Sul, Belchior não teve um paradeiro certo. Após a sua morte, diversos jornalistas identificaram que o motivo principal do sumiço e do abandono dos bens do artista em São Paulo eram as dívidas. Belchior estaria enfrentando processos judiciais relacionados às pensões alimentícias para sua ex-mulher e uma filha mais jovem que teve fora do casamento, além de um processo trabalhista envolvendo antigos funcionários. Pelo menos, um ex-produtor do cantor moveu e venceu ação contra o cantor. Devido a esses processos Belchior teve seus carros apreendidos e suas contas bancárias bloqueadas, ficando impedido de ter acesso aos valores de direitos autorais.[carece de fontes?]
Anos no Rio Grande do Sul e Uruguai
Entre 2009 e 2017, ano de sua morte, Belchior e a companheira Edna Assunção de Araújo viveram em diversas cidades do Rio Grande do Sul e do Uruguai, país que faz fronteira com o estado brasileiro. Em 2009 a Rede Globo noticiou o suposto desaparecimento do cantor. Segundo a emissora, Belchior havia sido visto pela última vez em abril daquele ano, ao participar de um show do cantor tropicalista Tom Zé em Brasília. Fagner, amigo do cantor, diz que chegou a se encontrar com Belchior em Canela, no Rio Grande do Sul, em um evento musical em 2009. Turistas brasileiros afirmam terem-no encontrado no Uruguai, em julho do mesmo ano. De lá concedeu entrevista ao programa Fantástico da Rede Globo, declarando que não havia desaparecido e que estava preparando um disco de canções inéditas, além do lançamento de todas as suas canções em espanhol.
Morte
Belchior morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, na cidade de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. O governo do Ceará emitiu uma nota de pesar. A causa da morte foi a ruptura de um aneurisma da aorta, a principal artéria do corpo humano. O então governador do Ceará Camilo Santana decretou luto oficial de três dias, providenciando o traslado do corpo para o Ceará, conforme o desejo do cantor de ser enterrado no seu Estado natal. Belchior foi velado em Sobral, cidade em que nasceu, e sepultado em Fortaleza.


