Béjar
Béjar é uma cidade e município da Espanha situada na província de Salamanca da comunidade autónoma de Castela e Leão. O município integra o partido judicial de Béjar e a mancomunidade Embalse de Béjar. Tem 45,74 km² de área e em 2021 tinha 12 269 habitantes.
Béjar situa-se a cerca de 953 metros de altitude, é a localidade mais importante do sudeste da província salamantina e a capital ou centro de serviços da comarca. Além de Béjar, fazem parte do município as localidades de Fuentebuena, Palomares, Valdesangil, El Castañar e La Glorieta. A etimologia do topónimo Béjar é incerta, embora seja provavelmente prérromana. Estão documentadas as formas passadas de Biclara e Biclaro.
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Idade Média
A chamada Comunidad de villa y tierra de Béjar ("comunidade da vila e da terra de Béjar") foi segregada do enorme concelho de Ávila entre 1205 e 1209. A vila propriamente dita foi fundada na segunda metade de 1208. A localização privilegiada da vila num ponto defensivo chave, alcandorado entre a meseta norte e sul, num período em que Afonso VIII de Castela (r. 1158–1214) receava os avanços muçulmanos, quando Béjar era a fronteira com o reino rival de Leão, deve ter contribuído para a sua fundação. A primeira menção escrita da localidade data de 5 de janeiro de 1209, unum documento no qual o monarca castelhano demarca os limites entre os concelhos de Béjar e de Ávila. Apesar de ser provável que a vila tivesse um foral desde a sua fundação, só há registo de um datado de 1260.
Idade Moderna
No verão de 1492, os judeus do Senhorio de Béjar viram-se obrigados a converter-se ao cristianismo para não serem expulsos. No entanto, as conversões fingidas foram um fenómeno comum. O duque de Béjar Álvaro II de Zúñiga y Guzmán, que anteriormente tinha sido um tenaz defensor dos judeus, por estar interessado no desenvolvimento económico e demográfico devido aos judeus do senhorio de Béjar no século XV, mudou a sua postura após o Édito de Expulsão, apossando-se de propriedades de judeus. É também após a publicação desse édito que se assiste a uma onda de antissemitismo no senhorio, com manifestações contra os conversos e a queima e saque de propriedades abandonadas pelos judeus.
Idade Contemporânea
O liberalismo favoreceu e consolidou a burguesia bejarana incipiente no início do século XIX, permitindo o controlo político de Béjar após a abolição dos privilégios senhoriais do duque de Béjar, um título que tinha passado para a duquesa de Osuna no século XVIII. O desenvolvimento da indústria têxtil bejarana foi notável, apesar de afetado por crises cíclicas, causadas pela excessiva dependência dos contratos com o Estado, a situação geográfica desfavorável e pela chegada tardia do caminho de ferro, que tornavam muito difícil competir com a indústria têxtil catalã. O município foi integrado em 1785, com a reforma administrativa territorial do conde de Floridablanca, no que viria a ser a província de Salamanca. Essa situação manteve-se com a divisão territorial de 1833, decretada por Javier de Burgos, que incluiu Béjar e as povoações dela dependentes na província de Salamanca da Região de Leão, uma decisão que teve a oposição das autoridades municipais. O ayuntamiento solicitou a segregação de Salamanca e a incorporação a Ávila, a cuja jurisdição tinha pertencido na segunda metade do século XII e primeira década do século XIII. Foi feita uma nova petição 18 anos depois, em 1851, também sem êxito. O título de cidade foi concedido por Isabel II em 1850, graças às atuações do ministro das finanças José Sánchez Ocaña, que era natural de Béjar. Ao título de "Muy Noble", concedido por Afonso IX de Leão pela participação na conquista de Cáceres em 1229, somou-se o de "Muy Leal", concedido pelos Reis Católicos em 1492 pela participação nas conquistas de Málaga e de Granada, e o de "Liberal y Heroica" a seguir à revolução de 1868, durante a qual os bejaranos resistiram á tropas de Isabel II. Na Primeira República Espanhola, a cidade declarou-se cantão durante a Revolução Cantonal.
Território histórico de Béjar
Béjar foi o centro de um território formado pela própria vila e por uma série de povoações que a circundavam. Esse conjunto territorial, conhecido como "Comunidad de Villa y Tierra de Béjar" ("comunidade da vila e da terra de Béjar") estava organizado de forma independente, mediante um foral que regulava todos os aspetos da vida da comunidade, não tendo qualquer jurisdição superior a não ser a do próprio rei.[carece de fontes?] Todas estas liberdades jurídicas foram desaparecendo com a senhorialização. Em 1396, a Terra de Béjar foi convertida num senhorio, que durante o reinado dos Reis Católicos foi elevado a ducado. Este foi extinto em 1833, com a abolição definitiva do Antigo Regime. O fim do ducado marcou também o fim da unidade territorial que tinha perdurado 624 anos, desde 1209.[carece de fontes?]
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Béjar é servida por serviços regulares de autocarro com a generalidade de Castela e Leão, com a Estremadura, Andaluzia, Cantábria e Astúrias através das linhas da empresa ALSA Cáceres–Salamanca, Gijón–Sevilha (via Badajoz ou Mérida), Santander–Sevilha e Valladolid–Sevilha. A cidade tem uma estação ferroviária na Linha Via da Prata, que ligava Gijón a Sevilha, via , Salamanca, mas que desde 1985 se encontra desativada no trecho entre Astorga e Plasencia (onde se situa Béjar). Pela estação passavam os comboios TER e TAF Sevilha–Gijón, o Ferrobús e Ómnibus Plasencia–Salamanca e o Expresso Badajoz–Salamanca.
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O centro histórico da cidade foi declarado "Conjunto Histórico Artístico" (antecedente da figura de "Bem de Interesse Cultural") em 1974. Nessa parte da cidade é especialmente interessante a arquitetura popular serrana, a muralha medieval, o Parque de El Bosque e diversos edifícios civis e religiosos. O Parque de El Bosque é um dos raros exemplos de jardim à italiana que se conserva em Espanha. Foi construído pelos duques de Béjar no século XVI como villa de recreação, com um palacete, um quiosque, tanque e estátuas. Foi remodelado no século XIX e atualmente (2015) é propriedade municipal. Foi declarado "Jardim Artístico" (antecedente da figura de "Bem de Interesse Cultural") em 1946. Foi construída nas décadas de 1960 e 1970 em estilo neorromânico italiano. O seu interior é colorido devido aos mosaicos que a decoram. É uma das igrejas mais belas de Béjar, não só pela sua arquitetura, mas também por estar aninhada no sopé do Tomillar, de onde se avista a cidade. Na sacristia conserva-se um Cristo da Agonia, uma obra do escultor bejarano Mateo Hernández (1884–1949) realizada na sua juventude. Na capela-mor há uma cabeça de Cristo esculpida pelo mesmo artista, que foi propriedade de Emilio Muñoz, o patrocinador da igreja.
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A Serra de Béjar é um contraforte do Sistema Central ibérico. Está classificada como reserva da biosfera pela UNESCO e conta com paragens de grande beleza e uma estância de esqui (Sierra de Béjar-La Covatilla), uma propriedade municipal. O rio Cuerpo de Hombre nasce na serra, no local de Hoyamoros; é afluente do Alagón, que por sua vez é afluente do Tejo.
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Festa da Virgem del Castañar — no dia 8 de setembro há uma romaria que acompanha a padroeira de Béjar desde o seu santuário até ao Miradouro da Virgem. Festa de São Miguel Arcanjo — o outro padroeiro da cidade é celebrado em 29 de setembro. Dia do Corpo de Cristo — realiza-se uma grande procissão, impulsionada desde o século XVI pelos senhores de Béjar. Carateriza-se por ser uma mostra dos poderes da cidade. Nela desfilam os "homens de musgo" (ver "Monumento ao Homem de Musgo"), que escoltam a bandeira de Espanha. Está classificada com Festa de Interesse Turístico Nacional desde 2010. Feira de maio — realiza-se no primeiro fim de semana desse mês e é especializada em gado bovino e cavalos. Festival de Cinema Espanhol de Béjar — realiza-se desde a década de 1990 na primeira semana de agosto. Festival de Música das Três Culturas — desde que a procissão do Corpo de Deus foi classificada como Festa de Interesse Turístico Nacional que se realiza na cidade este festival dedicado à música das três culturas que conviveram na cidade na Idade Média: cristãos, muçulmanos e judeus.


