Pesquisa · Mapa mental

Bedtime Story

"Bedtime Story" é uma canção da cantora americana Madonna, contida em seu sexto álbum de estúdio Bedtime Stories (1994). Foi composta por Björk, Marius de Vries e Nellee Hooper, e produzida pela própria intérprete em conjunto com o último. Como parte de seu objetivo de "realizar um impacto" no cenário musical soul, Madonna decidiu colaborar com novos produtores para a concepção de seu novo disco e explorar outros estilos musicais, como o R&B e a cena musical britânica. A intérprete contatou profissionais ligados à música eletrônica, como Nellee Hooper e Marius de Vries; através de seus contatos com eles, propôs à islandesa Björk que composse uma canção para o seu novo trabalho, inspirado pelo álbum Debut, lançado por ela no ano anterior. de Vries e Hooper refizeram a demo, até então intitulada "Let's Get Unconscious", com o último encarregando-se da produção juntamente com Madonna.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
01

Antecedentes e lançamento

Creio que na época, sim, [Vamos ficar inconscientes] era o que eu queria ouvir da boca [de Madonna]. Mas isso foi, tipo, há seis anos atrás, quando tudo sobre ela parecia muito controlado. [Atualmente] acho ela uma pessoa muito intuitiva, e definitivamente seus instintos de sobrevivência são incríveis. Na época, as palavras que pensei que ela diria foram, 'Não estou mais usando palavras, vamos ficar inconscientes, querido. Dane-se a lógica. Apenas seja intuitivo. Seja mais livre. Vá com o fluxo'. Agora, parece que ela está sim indo com o fluxo. —Björk sobre a criação de "Bedtime Story" em entrevista para a revista Nylon em 2001. Em 1992, Madonna lançou o polêmico livro Sex e o seu quinto álbum de estúdio Erotica, ambos os quais apresentaram temáticas explícitas, centradas no sexo e em fantasias sexuais, além de estrelar o filme de terror erótico Body of Evidence. Todos esses lançamentos foram vistos de forma negativa por jornalistas e fãs, que consideraram que "ela tinha ido longe demais" e que sua carreira estava em declínio. Além disso, sua controversa entrevista ao programa de David Letterman em 1994, marcada pelo uso de palavrões e comentários de teor sexual, contribuiu para o ápice de rejeição da mídia e do público geral em relação à imagem exageradamente sexual da cantora. Naquela época, Madonna liberou a faixa "I'll Remember" para a trilha sonora do filme With Honors. Bem recebida criticamente e comercialmente, foi vista como o primeiro passo positivo da intérprete em se reconectar com o público de massa e reparar os danos em sua carreira causados por sua personalidade provocante.

02

Estrutura musical e letras

No âmbito musical, "Bedtime Story" é uma canção derivada da música eletrônica, sendo um notável contraste das outras músicas do álbum, que exploram majoritariamente o R&B e o new jack swing. Ao contrário dos trabalhos mais acelerados e melódicos de Madonna, a obra é mais lenta e possui uma estrutura rítmica complexa que se sustenta através de loops 'silenciosamente' rítmicos. Sem conter muita melodia, a cantora a interpreta de uma forma "abafada". Apresenta um som influenciado pela música ambiente, com uma batida house "pulsante", "profunda [e] borbulhante". Há comparações estilísticas ao acid house, com seu "esquelético" arranjo de sintetizadores, além de influências de trance minimalista e techno. Segundo Eduardo Viñuela, editor do livro Bitch She's Madonna: La Reina del Pop en La Cultura Contemporánea (2018), a gravação transmite a sensação de "uma viagem à cultura oriental". A instrumentação da obra é sintetizada, consistindo em loops de caixas de ritmos, órgãos, cordas, gorgolejos e palmas, bem como um coral "homofônico" digitalmente alterado. De acordo com a partitura publicada pela Alfred Publishing no portal Musicnotes.com, "Bedtime Story" é composta na clave de sol menor e possui um andamento moderado de 108 batidas por minuto. Os vocais de Madonna abrangem-se entre as notas de lá3 e sol ♭5, com a canção contendo uma sequência básica formada pelas notas de sol menor9, ré menor, mi e lá como sua progressão harmônica.

03

Crítica profissional

De forma geral, "Bedtime Story" atraiu críticas positivas de acadêmicos, analistas especializados e jornalistas musicais, que alegaram que sua produção a tornou uma das melhores canções do álbum, bem como uma das mais subestimadas da carreira de Madonna. É o caso de Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados Allmusic, que reconheceu-o como um dos maiores destaques do disco, ou Sal Cinquemani da revista Slant, que o considerou um de seus singles mais "desperdiçados". O mesmo autor deu a gravação uma nota "A" em sua revisão à compilação GHV2 e acrescentou que poderia ter sido o próximo "Vogue" (1990), porém "[até] mesmo os mais bravos programadores de rádios pop [a] ignoraram." A jornalista da Billboard, Larry Flick, revisou três vezes a obra. Em sua primeira crítica antes do lançamento comercial, ela o chamou de "hino trance/house obscuro" que está entre os "mais agitados do álbum, ideal para casas noturnas". Após seu lançamento, ela o descreveu como uma das canções pop "mais ousadas e experimentais" de Madonna, destacando a sua sonoridade "dance-trance vanguardista" e o "gancho intrigante". Por último, enquanto avaliava "Human Nature", ela reconheceu "Bedtime Story" como "magnífica e brilhantemente concebida que grudou sobre a mente de muitos". Jose F. Promis, do Allmusic, deu-lhe três estrelas de cinco e considerou-o um de seus singles "mais aventureiros e menos comerciais", que se manteve fiel à sua origem, ou seja, "música dance pura e não adulterada". Peter Galvin, da publicação The Advocate, destacou a sonoridade techno do tema, reminiscente do outro "hino de êxtase, "Rescue Me" (1991). Amaro Vicente escreveu que, graças à sua "complexa textura rítmica", tornou-se uma das "favoritas das pistas de dança em meados da década de 1990". Alejandra Torrales, do site mexicano Sopitas, o descreveu como "uma joia que é posta perto do final do álbum como se fosse uma forma de encontrar a pérola, pegue-a e deixe-se levar por ela até o fim". Para a revista musical Rolling Stone, Barbara O'Dair destacou o sonoridade "latejante" da canção, que "renuncia à linguagem em favor do entorpecimento". No livro Enciclopedia Gay (2012), os autores Ignacio D'Amore e Mariano López o descreveram como "extremamente intenso e subaquático".

04

Vídeo musical

Desenvolvimento

O vídeo musical de "Bedtime Story" foi filmado de 5 a 11 de dezembro de 1994 nos Estúdios Universal em Universal City, Califórnia, sob a direção de Mark Romanek. Filmado pelo cinematógrafo Harris Savides, o vídeo foi feito em lentes 35 mm, com design de produção de Tom Foden. Devido aos efeitos especiais "elaborados", seu orçamento foi estimado em 5 milhões dólares, tornando-o um dos mais caros de todos os tempos, tendo sido o mais caro na época de seu lançamento — em conjunto com o de "Express Yourself", lançado por Madonna em 1989 e também com produção avaliada em 5 milhões dólares. Madonna havia primeiramente entrado em contato com Romanek para dirigir o vídeo de "Bad Girl", single do álbum Erotica. Ela lhe apresentou como inspiração uma pintura escura e perturbadora, o que surpreendeu o diretor. A gravação acabou por ser dirigida por David Fincher, mas Romanek veio a trabalhar no vídeo de "Rain", também faixa de trabalho daquele álbum. Ele comentou em seu DVD, The Work of Director Mark Romanek, ter sido contatado novamente para dirigir o vídeo de "Bedtime Story", aceitando a proposta depois de ouvir a música — considerando-a um recurso para demonstrar seu "surrealismo pictórico". Como forma de buscar inspiração para dirigi-lo, Romanek investigou a vida e obra de vários pintores surrealistas, como Leonora Carrington e Remedios Varo, a quem buscou homenagear nesse trabalho. Em seguida, Romanek contatou o artista gráfico Grant Shaffer para criar o esboço sequencial para o vídeo; isso já havia sido feito com Madonna antes em "Deeper and Deeper" (1992) e "Rain". Eles se encontraram no dia seguinte na Spot Welders, uma empresa de edição cinematográfica em Venice, Los Angeles, onde Romanek estava finalizando o processo de edição do vídeo de "Closer", da banda de rock Nine Inch Nails. O diretor tocou "Bedtime Story" para Shaffer e também lhe mostrou algumas fotos de Madonna, que na época estavam sendo consideradas para a capa do álbum. As imagens inspiradas pelo surrealismo apresentavam a cantora num estilo místico, com cabelos brancos ondulados atrás dela. Em entrevista com a revista Aperture, Madonna revelou a inspiração para o vídeo:

Lançamento e sinopse

Em 10 de março de 1995, o vídeo foi lançado como curta-metragem musical em três diferentes salas de cinema do Odeon Cineplex: no Broadway Cinemas em Santa Mônica, Califórnia, no Chelsea Theater em Nova Iorque e no Biograph Theater em Chicago, Illinois. De acordo com Abbey Konowitch, gerente geral da Maverick Records, Madonna decidiu fazer parceria com a Odeon porque sua intenção era que o videoclipe "transcendesse a tela da televisão" e desse ao público a oportunidade de vê-la de uma forma inovadora e "antes de mais ninguém". Em entrevista à Billboard, ela acrescentou: "Quando você gasta tempo, energia criativa e dinheiro para reinventar a si mesmo e ao meio visual, precisa encontrar diferentes maneiras de expor seu trabalho e levá-lo às pessoas de uma forma não tradicional." Por sua vez, Freeman Fisher, vice-presidente de relações com os estúdios da Odeon, explicou que tal evento não poderia ser organizado a cada lançamento porque causaria problemas de investimentos. Além disso, limitou-se a esses cinemas porque assim teriam a maior variedade de espectadores e que, como se tratava de uma temporada lenta de ingressos, a estreia ajudou a vender mais bilhetes e foi vista como uma "experiência única". Ele concluiu: "[P]or quatro minutos o público vê imagens cinematográficas surpreendentes numa produção de primeira classe. Não é apenas outro artista mexendo a boca por cima da música." Em Nova Iorque, a rádio Z100 promoveu o projeto em teatros em Manhattan, oferecendo aos ouvintes passes de cinema e exemplares do disco Bedtime Stories gratuitamente, já em Santa Mônica o número de ligações recebidas pela direção local foi tal que resultou em um "nível intenso de interesse pela promoção". A fim de promover o vídeo, Madonna realizou um evento no Webster Hall em Nova Iorque no dia 18 seguinte, para 2,000 pessoas. O canal MTV e também a rádio Z100 o transmitiram como um especial, intitulado Madonna's Pajama Party, algo inédito na carreira da cantora. Madonna chegou ao local com um casaco com estampas de leopardo e cabelos cacheados, depois revelou uma camisola de seda branca. O videoclipe foi exibido no evento e Junior Vasquez, que também participou do especial como disco-jóquei (DJ), apresentou seus remixes da faixa. Ao final, ela leu para o público a história infantil Miss Spider's Tea Party (1994) deitada em uma cama enorme. A gravação audiovisual foi incluída no álbum de vídeo The Video Collection 93:99 e no DVD Celebration: The Video Collection.

Recepção e análise

O vídeo de "Bedtime Story" recebeu aclamação crítica desde seu lançamento. Corinna Herr escreveu no livro Madonna's Drowned Worlds que "referências visuais a pinturas surreais parece ser uma chave para o mundo das imagens de Madonna" e listou a gravação como um desses vídeos. No mesmo livro, o autor Santiago Fouz-Hernández acrescentou que vídeos como "Bedtime Story" incluíam tradições alquímicas e hermetistas, em particular os conceitos de androginia e mascaramento. Herr também escreveu sobre as influências da nova era no vídeo e o conceito de um mundo idealizado, "do qual ela não é necessariamente parte, mas para a qual, no entanto, parece atraída". Amaro Vicente declarou que, ao misturar de forma complexa realidade e sonho, ciência e fé, realismo e absurdo, toque e abstração, o vídeo se estabelece "como um produto da pós-modernidade e da nova era". Ele também argumentou que é baseado nas crenças e símbolos de várias religiões do mundo; Em conexão com isso, ela percebeu hieróglifos antigos, uma representação da morte e símbolos Mevlevis e Hindus, este último particularmente na sequência em que a artista mostra a língua enquanto uma luz clara emana de sua testa como se fosse um terceiro olho, que, segundo o autor, representa Kali, deusa da destruição. James Steffen, de The Cinema of Sergei Parajanov (2013), indicou que a cena em que uma criança lê um livro e faz vários vasos se moverem com a mente ao longo de uma grande mesa até que joga um no chão, é uma influência de Romanek em trabalhos do cineasta russo Andrei Tarkovsky, como Stalker. Da mesma forma, outra sequência em que um pé esmaga um cacho de uvas numa inscrição árabe, refere-se ao filme soviético The Color of Pomegranates, de 1969, dirigido por Sergei Parajanov. O autor expressou que essas alusões refletiam a atmosfera onírica e mística, e ainda completou dizendo que a gravação incorpora outras "imagens orientais exóticas, como dervixes girando". Eduardo Viñuela sublinhou o seu caráter onírico e afirmou que é aqui onde ela "realmente desdobra toda a artilharia de referências iconográficas. Ele concluiu dizendo que o trabalho se afastava das "convenções [exploradas] em videoclipes para abordar a vídeo-arte".

05

Apresentações ao vivo

Em fevereiro de 1995, Madonna cantou ao vivo um remix de "Bedtime Story", feito por Vasquez, durante a 15ª entrega do Prêmio Brit. Ela usava uma roupa "sofisticada" que consistia em um vestido branco de marca Versace e uma longa peruca loira que ia até a sua cintura; Essa aparência era semelhante à campanha publicitária da casa de moda estava promovendo na época. A artista convidou Björk para se apresentar ao seu lado no palco, mas a islandesa rejeitou a proposta; A esse respeito, ela argumentou: "Eles deveriam ter me dado o número pessoal dela e eu a ligaria, mas eu simplesmente não me senti confortável. Eu adoraria conhecê-la acidentalmente, muito bêbada em um bar. É toda essa formalidade que me desagrada". Durante a apresentação, uma máquina posicionada a sua frente emanava ar ao vestido e cabelo da cantora, enquanto dois dançarinos realizavam vários movimentos atrás dela. A Marie Claire classificou a apresentação em quarto lugar em sua lista de 30 destaques da premiação. Em sua resenha, a revista disse que foi o melhor número de abertura e que "[Madonna] deu o seu melhor, encantando o público com um show de luzes e [...] dançarinos vestidos de cetim". O Huffington Post opinou que esta foi uma de suas melhores performances e que marcou o momento em que a cantora "passou do 'material[lismo]' para o 'etérea[lismo]'".

06

Faixas e formatos

Imagem: lia_k · BY-ND · Openverse

A distribuição de "Bedtime Story" contou com lançamentos em diferentes formatos e conteúdos. As edições em fita cassete, disco de vinil de doze polegadas e CD single vendidos nos Estados Unidos, incluíam a versão padrão da canção e "Sanctuary", outra faixa também inclusa em Bedtime Stories. Um maxi single contendo a versão editada de "Bedtime Story", sete remixes feitos pelo DJ Junior Vasquez e a dupla britânica Orbital, além de "Sanctuary" também foi lançado em solo americano. Na Europa, Austrália e Japão foi comercializado um CD single contendo quatro remixes e a versão editada do tema. A versão editada e o remix de Vasquez foram inclusos ao cassete posto a venda em solo europeu. Enquanto alguns remixes de "Secret" foram adicionados a um CD single de edição limitada lançado somente no Reino Unido. A música foi comercializada em formato vinil de doze polegadas em toda a Europa. Um extended play (EP) digital também foi liberado contendo treze diferentes remixes da obra; além da música original, uma edição editada da mesma e "Sanctuary".

07

Créditos

Imagem: sean dreilinger · BY-NC-SA · Openverse

Todo o processo de elaboração de "Bedtime Story" atribui os seguintes créditos:

08

Desempenho comercial

Imagem: Floating Space Theatre Co. · BY-ND · Openverse

Nos Estados Unidos, "Bedtime Story" estreou em 22 de abril de 1995 no número setenta e quatro da tabela Billboard Hot 100, e na semana seguinte subiu atingindo o seu pico na posição 42. Tornou-se o primeiro single de Madonna desde "Burning Up" (1983) a não conseguir estabelecer-se dentro das quarenta primeiras posições da tabela. Caso houvesse conseguido, teria convertido sua intérprete na terceira artista feminina na "era do rock" com maior quantidade de entradas entre os quarenta mais do gráfico, atrás de Aretha Franklin com 42 e Connie Francis com 35. O jornalista Fred Bronson, da Billboard, presumiu que a perda de vendas e o fraco airplay impediram que o tema conquistasse uma melhor colocação. No total, esteve presente por sete semanas na Hot 100. Enquanto nas paradas de vendas de singles físicos e de execuções de rádios alcançou os números 27 e 68, respectivamente. Não obstante, na tabela de cações dance, fez a sua entrada diretamente no topo; Nesta última contagem, foi o terceiro single de maior sucesso de 1995. Além disso, constatou na trigésima oitava colocação da parada de música pop e na quadragésima da rítmica.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando