Batavos
Batavos, do latim batavi, foi a designação dada durante o Império Romano aos povos germânicos que habitavam a região do delta do rio Reno, a que corresponde aproximadamente o território dos actuais Países Baixos. Em consequência, ainda antes das campanhas de Júlio César, a região passou a ser conhecida por Batávia, nome que foi popularizado durante o romantismo, sendo utilizado no nome da capital das Índias Orientais Neerlandesas, a cidade de Batávia, e na designação da República da Batávia, o Estado criado pelos Patriotas neerlandeses após a Revolução Francesa. Os batavos cedo se aliaram aos romanos, fornecendo contingentes famosos pelas suas habilidades equestres e por serem nadadores exímios. Ainda assim, protagonizaram no ano de 69 uma violenta insurreição contra os romanos, tornada famosa pela narrativa de Tácito e pelas múltiplas obras literárias e de arte que inspirou durante o romantismo.
Imagem: deltafrut · BY · Openverse
Os batavos eram uma tribo germânica, originalmente parte dos catos, que segundo Públio Cornélio Tácito habitava a região do delta do rio Reno e as ilhas vizinhas. O nome Batávia foi usado por diversas unidades militares romanas, originalmente recrutadas entre os batavos. O nome tribal deriva de bat "excelente" e avjo "terra", uma referência à fertilidade da região, ainda hoje conhecida como o principal centro de produção agrícola dos Países Baixos (a Betuwe). Achados arqueológicos, nomeadamente tábuas de escrita, sugerem que parte da população estava alfabetizada, utilizando uma forma de escrita antes e durante o período romano. No período do romantismo, associado ao fenómeno do renascimento do nacionalismo europeu, os batavos foram erroneamente considerados como os antepassados epónimos dos neerlandeses, quando na realidade foram apenas um dos povos que convergiram naquela região do noroeste europeu, em conjunto com os frísios, francos e saxões.
Habituados a cavalgar, os batavos cedo se integraram no exército imperial romano, formando unidades que ganharam renome e foram enviadas para as fronteiras mais remotas do Império Romano. O primeiro comandante batavo integrado nas forças romanas de que se conhece registo foi Chariovalda, que durante a campanha de Germânico na Germânia Transrenana comandou um ataque através do rio Visurgin (hoje o Weser) contra os queruscos liderados por Armínio. Em resultado da sua antiga e honrosa associação com os romanos, os batavos estavam isentos do pagamento de impostos, apenas ficando obrigados a auxiliar os romanos nas guerras. Segundo Tácito, forneciam ao Império apenas homens e armas. Tácito descreve os batavos como a mais brava das tribos da área, endurecida nas constantes guerras entre os povos germânicos. Eram tão confiáveis, que coortes comandadas por membros da própria tribo foram enviados para a frente na Britânia. Era notável a sua arte de cavalgar e a sua habilidade em natação, já que conseguiam atravessar os grande rios com homens e cavalos a nadar em formação, o que era considerado extraordinário. Dião Cássio descreve a sua surpresa face à táctica utilizada por um comandante batavo, Aulo Pláucio, contra os bárbaros britânicos e celtas na Batalha de Medway, no ano 43:
Quando os romanos chegaram, várias tribos foram localizados na região dos Países Baixos, que residiam nas partes habitáveis mais altas, especialmente no leste e sul. Essas tribos não deixaram registros escritos. Todas as informações conhecidas sobre elas durante este período pré-romano é baseada no que os romanos, mais tarde, escreveram sobre as mesmas. As tribos mostrado no mapa à esquerda são: Outros grupos tribais não mostrados neste mapa, mas associado com a Holanda são:


