Batalha dos Campos de Pelennor
A Batalha dos Campos de Pelennor, descrita na série de livros de fantasia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, foi a defesa da cidade de Minas Tirith pelas forças de Gondor e a cavalaria de seus aliados de Rohan, contra o ataque das forças de Sauron aliadas com os Haradrim e orientais. Foi a maior batalha na Guerra do Anel, e aconteceu no final da Terceira Era nos campos de Pelennor, nas vilas e campos entre Minas Tirith e o Rio Anduin.
A cidade de Minas Tirith estava sendo sitiada após a queda de Osgiliath e Rammas Echor, as barreiras finais de Gondor contra as forças de Mordor. Durante a retirada para a cidade, Faramir, filho de Denethor, atual líder de Gondor, foi gravemente ferido. Visto que Denethor entrou em desespero e se recusou a sair do lado de seu filho, o mago Gandalf tomou o comando da defesa da cidade. Enquanto isso, as forças inimigas se reuniram nos campos de Pelennor. Uma grande escuridão foi causada por gigantescas nuvens de fumaça cobrindo o sol, originadas em Mordor. Os Nazgûl, servos mais temidos de Sauron, voaram sobre o campo de batalha causando hesitação e queda de moral nas forças defensoras.[T 1]
Participantes
O exército de Sauron vindo de Minas Morgul, liderado pelo Rei Bruxo de Angmar, era muito maior do que as forças combinadas de Gondor e seus aliados, e consistia de quase 150.000 orcs, trolls, e homens que se aliaram à Sauron. As forças de Sauron também incluíam Haradrim e seus olifantes, orientais de Rhûn, Variags de Khand, além dos orcs e trolls. Tolkien o descreveu como "maior exército jamais emergira daquele vale desde os dias do poderio de Isildur; nenhuma hoste tão cruel e fortemente armada já assaltara os vaus do Anduin; e, no entanto, era apenas uma, e não a maior das hostes que Mordor agora enviava."[T 2] Os números dos defensores eram consideravelmente menores. As forças de Faramir eram dez vezes menores do que os adversários em Osgiliath, onde perdeu um terço de seus homens. As companhias de províncias remotas que chegaram para auxiliar Minas Tirith somavam quase 3.000 defensores. Um grupo proeminente era o de 700 homens liderados pelo príncipe Imrahil, cunhado de Denethor. Seus números eram menores do que o esperado, visto que as cidades costeiras de Gondor estavam sob ataque dos corsários de Umbar.[T 1][T 3][T 4]
Após quebrar o portão da cidade com o aríete Grond, o Rei Bruxo de Angmar cavalgou sob o "arco que nenhum inimigo jamais atravessara."[T 1] Gandalf, sozinho em seu cavalo Scadufax, bloqueou seu caminho. Mas antes de ambos poderem lutar, escutaram as trompas dos Rohirrim, que haviam chegado em Rammas Echor, a muralha ao redor dos campos de Pelennor, recém quebrada pelos invasores.[T 1] O dia amanheceu, e a luta principal iniciou. Os Rohirrim haviam esquivado-se dos patrulheiros de Sauron ao atravessar uma passagem secreta através do Vale Drúadan.[T 6] Investindo sobre as forças de Mordor, os Rohirrim se dividiram em dois grupos. O primeiro grupo, incluindo a vanguarda, atacou as forças do lado direito do Rei Bruxo. O segundo grupo assegurou as muralhas de Minas Tirith, destruindo as máquinas de cerco e acampamentos, e afugentaram a cavalaria dos Haradrim. Théoden matou o capitão dos Haradrim, e derrubou sua bandeira. O Rei Bruxo montou em sua besta alada e atacou Théoden. Com um dardo, ele matou o cavalo do rei, que caiu e foi esmagado sob o animal.[T 5]
A batalha foi uma derrota tática para Sauron, que apesar de ter perdido o Rei Bruxo, seu principal tenente, havia utilizado apenas uma pequena parte de seu exército no conflito. As forças defensoras de Gondor também sabiam que sua vitória seria apenas momentânea, a não ser que o portador do anel completasse sua missão. Assim, foi decidido que a Hoste do Oeste iria marchar até o Portão Negro sem demora, para atrair a atenção de Sauron. A vitória permitiu que eles enviassem uma força para desafiar Sauron e ainda deixassem Minas Tirith mais bem defendida do que estava antes do cerco. Entretanto, Denethor estava morto, assim como Halbarad, Théoden, e muitos homens de Gondor e Rohan, com vários precisando ser mantidos em Gondor em caso de um ataque surpresa. Logo, apenas uma pequena tropa podia ser enviada.[T 4] A Hoste do Oeste marchou para o Portão Negro pouco depois, onde ocorreu a climática Batalha de Morannon.[T 9]
Um estudo por Elizabeth Solopova afirmou que Tolkien repetidamente referenciava os relatos históricos de Jordanes sobre a Batalha dos Campos Cataláunicos, e analisou as similaridades entre as duas batalhas. Ambas aconteceram entre civilizações do "Leste" e "Oeste", sendo descritas como conflitos de "fama lendária". Outro ponto comparável é a morte do rei visigodo Teodorico I nos campos Catalaúnicos, cujo relato diz que caiu de seu cavalo e foi pisoteado por seus próprios homens durante o avanço. Similarmente, Théoden é derrubado e esmagado por seu cavalo. Ambos também são carregados do campo de batalha enquanto seus homens choram e cantam por eles enquanto a batalha continua. O estudioso Tom Shipey escreveu que o momento proeminente e crítico da batalha, o avanço decisivo dos cavaleiros de Rohan, foi uma demonstração extravaganete de coragem imprudente. A chegada de Rohan é anunciada de duas maneiras: um galo cantando ao amanhecer e "como se em resposta... grandes trompas do Norte soando". De acordo com a visão de Shippey, as trompas de Rohan representam "bravata e imprudência", e a sua combinação com o canto do galo significa que "aquele que teme por sua vida a perderá, mas morrer destemido não é derrota".
Rádio
Na série de rádio da BBC O Senhor dos Anéis (1981), a Batalha dos Campos de Pelennor é ouvida de dois lados. O primeiro é o de Peregrin Took, onde é possível ouví-lo discutir com Denethor e, assim como nos livros, precisa encontrar Gandalf para prevenir que Denethor queime Faramir. O segundo lado é o da batalha em si. O discurso de Théoden é declamado, seguido de música, e uma vocalista canta como a hoste dos Rohirrim cavalga e ataca as forças da escuridão. Então, o vocal muda e é possível escutar Théoden e Éomer, dizendo que um Nazzgûl se aproxima. Uma ópera se inicia, contando o ataque do Rei Bruxo contra Théoden. Os vocais cessam, e é possível ouvir Éowyn enfrentando e matando o Rei Bruxo.
Filme
A batalha é uma peça central do filme de Peter Jackson The Lord of the Rings: The Return of the King. O Telegraph afirmou que "as cenas de batalha envolvendo a defesa de Minas Tirith e a climática batalha dos campos de Pelennor são basicamente as mais espetaculares e empolgantes já filmadas". Jackson afirmou que havia se inspirado na pintura a óleo de 1529 por Albrecht Altdorfer, A Batalha de Alexandre em Isso, apresentando os eventos de 333 BC, com "pessoas com todas essas lanças contra um cenário tempestuoso". A CNN colocou a batalha na sua lista de melhores e piores cenas de batalhas em filmes, onde apareceu duas vezes: como uma das melhores, onde o Aragorn chega com o Exército dos Mortos, e como uma das piores logo em seguida, afirmando que a intervenção deste exército tornou o clímax da batalha "simplificado demais".


