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Batalha de Salamanca

A Batalha de Salamanca ocorreu a 22 de Julho de 1812, durante a Guerra Peninsular. Opôs o Exército Anglo-Português sob o comando do Duque de Wellington, reforçado com algumas forças espanholas, ao chamado Exército de Portugal, francês, comandado pelo marechal Marmont. Esta batalha foi uma das mais importantes vitórias de Wellington e, definitivamente, afastou os Franceses de Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Antecedentes

Um dos exércitos franceses na Península Ibérica era designado Exército de Portugal e estava sob o comando do marechal Marmont desde que Massena fora chamado a França, após a derrota sofrida na Batalha de Fontes de Onor. Marmont tinha sucedido a Ney no comando do VI CE, durante a retirada de Massena na fase final da terceira invasão francesa de Portugal. Quando Massena deixou o comando daquele exército, Marmont foi nomeado para o substituir no comando da força cuja missão era ainda a de invadir Portugal. Devido aos preparativos para a Campanha da Rússia (Junho a Dezembro de 1812), Napoleão retirou da Península Ibérica muitas unidades militares. Por esta razão, tanto o Exército de Portugal, de Marmont, como o Exército do Sul, de Soult, encontravam-se com um efectivo inferior ao normal e viram-se obrigados a reduzir a sua actividade. Este facto não passou despercebido às guerrilhas espanholas que aumentaram a sua acção sobre os mensageiros, patrulhas e colunas de abastecimento. No início de Junho, a actividade das forças espanholas foi mais intensa a fim de impedir que os comandantes franceses tivessem capacidade de bloquear a rota do exército anglo-luso.

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O campo de batalha

A cidade de Salamanca situava-se, naquela época, exclusivamente na margem norte do rio Tormes. Este podia ser atravessado pela ponte romana ainda hoje existente em Salamanca ou por alguns vaus a jusante ou a montante da cidade. Para sul da cidade (e do rio) o terreno é aberto, ondulado mas sem obstáculos de importância. As colinas existentes têm encostas suaves excepto duas que se destacam: o Arapil Grande e o Arapil Pequeno (Arapil Chico em Espanhol), também conhecidos localmente como Hermanitos. O seu perfil é facilmente identificado à distância. O Arapil Grande tem cerca de 360 metros de comprimento e o seu cume é estreito e plano. Os extremos são rochosos e não permitem o acesso ao terreno mais elevado. Este só pode ser atingido através das encostas mais largas que, apesar de apresentarem uma forte inclinação, permitem o acesso ao topo. O Arapil Pequeno fica cerca de 800 metros a norte do Arapil Grande. É uma colina mais baixa e de encostas mais suaves.

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As forças em presença

Para o conhecimento pormenorizado das forças em presença consultar o Composição das forças militares em Salamanca durante a Guerra Peninsular em 15 de julho de 1812.

As forças anglo-lusas

O exército anglo-luso encontrava-se sob o comando do Tenente-general Sir Arthur Wellesley. Tratava-se de um exército britânico onde tinham sido integradas algumas unidades portuguesas. Era formado por 30 562 militares britânicos, de todos os postos, e 18 017 militares portugueses Para esta operação, Wellington convocou todas as unidades de infantaria do exército anglo-luso, com excepção da sua 2ª Divisão, sob comando do General Rowland Hill, da Divisão de Infantaria Portuguesa, sob o comando do Major-general Sir John Hamilton, e da 8ª Brigada portuguesa, sob comando de José Joaquim Champalimaud de Março a Junho e de Manley Power a partir de 11 de Julho. Estas forças encontravam-se na Estremadura sob o comando do General Hill.

As forças espanholas

Os Espanhóis apoiaram Wellington com dois tipos de forças. Por um lado, as guerrilhas que criaram situações de insegurança para as forças de ocupação francesas, impedindo-as de libertar mais efectivos para o exército de campanha. Por outro lado as forças regulares, numa representação quase simbólica, reduzidas a uma divisão de infantaria com um efectivo total de 3 360 homens, sob comando do General Carlos de España:

As forças francesas

Marmont dispunha, para colocar no campo de batalha, de oito divisões de infantaria (43 266 homens) e duas de cavalaria (3 575 homens) apoiados por 78 bocas de fogo de artilharia. O Exército de Portugal dispunha de mais forças mas tinha uma área de responsabilidade muito grande e um número significativo de unidades encontravam-se em guarnições, isto é, desempenhavam o papel de força de ocupação e não de exército de campanha. As guarnições de Astorga, Valladolid, Salamanca, León, Palencia, etc., absorviam mais de 6 mil homens das forças de Marmont. Retirar estas forças significava perder o controlo das vias de comunicação e de depósitos de abastecimentos. Além disso, não estava autorizado a utilizá-las livremente. Por exemplo, uma divisão de Marmont, com cerca de 6 mil homens, não podia sair das Astúrias sem autorização de Napoleão. Estes condicionamentos reduziam muito os efectivos disponíveis para enfrentar uma ofensiva de Wellington.

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A batalha

Acções complementares

Wellington sabia que o exército de Marmont podia ser reforçado. Existiam planos para apoio entre o Exército de Portugal e o Exército do Sul. Também teria de ser considerada a possibilidade de forças de outros exércitos franceses em Espanha virem em apoio de Marmont. Para prevenir estas possibilidades, foi planeado um conjunto de operações que obrigassem ao empenhamento dos outros exércitos e, desta forma, impedissem o envio de socorros a Marmont. Foi neste âmbito que o General Silveira, que se encontrava em Trás-os-Montes, recebeu ordem para avançar com quatro regimentos de milícias daquela província a fim de montar uma operação de bloqueio a Zamora. Ali encontrava-se uma guarnição francesa que cobria o flanco de Marmont e que, assim, ficava impedida de se juntar ao grosso do exército. Tão importante como a operação desencadeada por Silveira, foram as acções da guerrilha espanhola que se fez sentir mais intensamente nesta época. Também o General Rowland Hill, comandante das forças anglo-lusas no Sul, em Maio desse mesmo ano, lançou uma operação bem sucedida para destruir a ponte que, em Almaraz, permitia a travessia do Rio Tejo. Com esta acção foi muito dificultada a possibilidade de forças do Exército do Sul, de Soult, serem enviadas para apoiar Marmont,

A marcha até Salamanca

O exército anglo-luso atravessou o Rio Águeda no dia 13 de Junho, na região de Ciudad Rodrigo, e iniciou a sua marcha para Salamanca. O seu exército estava dividido em três colunas, sob o comando do General Picton (que foi evacuado no dia 28 de Junho, devido a ferimentos antigos, e substituído por Pakenham), do Marechal Beresford e do General Graham (evacuado no dia 6 de Julho devido ao agravamento de uma doença na vista). No dia 13 à noite acamparam entre Sancti Spíritus e Tenebrón. No dia 14 avançaram até San Muñoz e, no dia seguinte chegaram a Matilla de los Caños, cerca de 20 km mais à frente. No dia 16 de manhã, a cavalaria que seguia à frente da coluna do centro estabeleceu contacto com forças de cavalaria francesa, já a cerca de 10 km de Salamanca. As tropas francesas retiraram para a margem direita (norte) do Rio Tormes. Foi na noite do dia 16 que o exército anglo-luso descansou à vista de Salamanca.

Ocupação de Salamanca

No dia 17 de Junho, as tropas da 6ª Divisão do exército de Wellington entraram em Salamanca onde encontraram uma guarnição francesa com cerca de 800 homens e 36 bocas de fogo de artilharia, instalada em três conventos que tinham sido fortificados. À volta destes conventos foram destruídas várias áreas edificadas a fim de dificultar a aproximação das forças inimigas. A missão desta guarnição era retardar o avanço das tropas de Wellington e, na realidade, quando estas quiseram aproximar-se dos conventos fortificados tiveram de construir sistemas de trincheiras, tal como se fazia num cerco prolongado. O primeiro ataque foi lançado no dia 23 de Junho e fracassou com pesadas baixas. Durante alguns dias as tropas atacantes tiveram de esperar pelo abastecimento de munições vindo de Almeida, que chegou no dia 26. No dia seguinte, o forte de San Caetano foi conquistado, o que levou os outros fortes a renderem-se. Salamanca ficava em poder de Wellington que podia agora dirigir a sua atenção exclusivamente para o exército de Marmont.

Os primeiros confrontos entre os dois exércitos

Ao chegar a Salamanca, o exército anglo-luso (com excepção da 6ª Divisão) atravessou o rio Tormes, nos vaus a jusante e a montante da cidade, e foi posicionado numa linha de alturas de San Cristóbal, a Nordeste de Salamanca, uma posição defensiva onde Wellington pretendia aguardar o ataque de Marmont. A cavalaria montou posições avançadas e o resto do exército instalou os bivaques na linha de alturas. No dia 19 de Junho, Marmont tinha o seu exército reunido (com excepção da 8ª Divisão, de Bonnet) em Fuentesaúco, a Nordeste de Salamanca, entre as estradas que ligam esta cidade a Zamora e a Tordesilhas. No dia seguinte, o exército francês avançou em direcção à linha de alturas de San Cristóbal, em três colunas. A cavalaria britânica que se encontrava à frente da posição foi obrigada a retirar. As colunas francesas desenvolveram o dispositivo de ataque e avançaram até uma distância de cerca de 700 metros. Tudo indicava que Marmont queria atacar Wellington mas não houve mais que uma troca de tiros de artilharia e acções com objectivos limitados. Marmont decidiu manter-se próximo dos exército de Wellington para o fixar enquanto esperava reforços. As forças mantiveram-se nesta situação até ao dia 23 de Junho. Neste dia de manhã, Wellington verificou que, com excepção de alguma cavalaria, o exército francês tinha retirado. Como se verificou mais tarde, Marmont tinha recuado quase 10 km, para uma linha de alturas atrás de Aldea Rubia. A sua ala esquerda encontrava-se junto ao Tormes, perto dos vaus de Huerta.

A marcha paralela

Marmont decidiu retirar para a margem norte do Douro e aguardar os reforços para poder passar à ofensiva. Das forças que esperava apenas se lhe juntou a Divisão de Bonnet, no dia 7 de Julho. As forças que estavam prometidas, do Exército do Norte, nunca chegaram a aparecer. Marmont ocupou posições entre Toro e Tordesilhas. No dia 16 iniciou um movimento em que simulou atravessar o Douro e, pela estrada Toro – Salamanca, marchar sobre aquela cidade. Wellington movimentou as suas forças para enfrentar esta ameaça mas, no dia seguinte de manhã, apercebeu-se que os franceses tinham apenas efectuado uma manobra de diversão destinada a levar o exército de Wellington mais para ocidente, pois se assim não fizessem ficariam com as linhas de comunicação cortadas.

A batalha

Wellington já tinha começado a enviar bagagens e abastecimentos em direcção a Portugal, através das estradas que conduziam a Ciudad Rodrigo. A maior velocidade que o exército francês demonstrou nas marchas anteriores indicava capacidade para tornear o flanco sul do exército aliado e ameaçar as suas linhas de comunicações. Assim, Wellington preparava-se para a eventualidade de ser obrigado a retirar. Ao amanhecer do dia 22 de Julho, ambos os exércitos encontravam-se a Nordeste dos Arapilles e marchavam para Sudoeste por caminhos paralelos. A vanguarda francesa tinha chegada à aldeia de Calvarrasa de Arriba no dia 21. Na manhã seguinte uma força de infantaria ligeira da 7ª Divisão tentou ocupar uma capela numa colina a Oeste da aldeia. Durante nove horas ambos os exércitos combateram por aquela posição que teria proporcionado aos franceses um bom posto de observação.

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Consequências

O exército de Marmont sofreu cerca de 30% de baixas e perdeu 20 bocas de fogo de artilharia enquanto outros 30% andavam dispersos, em fuga. Apenas a Divisão de Foy se mantinha operacional. Em números absolutos, os franceses terão sofrido cerca de 10 mil mortos e feridos e foram capturados cerca de 4 mil. Sobre o exército de Wellington conhecem-se números mais precisos. Os Britânicos tiveram 388 mortos, 2 667 feridos e 74 desaparecidos. Os Portugueses tiveram 506 mortos, 1 026 feridos e 86 desaparecidos. Os Espanhóis tiveram 2 mortos e 4 feridos. Tudo isto soma 4 762 baixas, muito menos que os Franceses. Esta foi a primeira grande batalha da Guerra Peninsular em que Wellington assumiu a ofensiva. No seu diário, o General Foy escrevia seis dias mais tarde: Após a derrota de Marmont, Wellington decidiu marchar sobre Madrid, onde entrou no dia 12 de Agosto, entusiasticamente recebido pelos Espanhóis.

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Fontes consultadas

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