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Batalha de Peleliu

A Batalha de Peleliu, codinome Operação Stalemate II, foi travada entre os Estados Unidos e o Império do Japão no teatro de operações do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. Fez parte da campanha nas Ilhas Marianas e Palau, ocorrendo entre 15 de setembro a 27 de novembro de 1944 na pequena ilha de Peleliu, Ilhas Palau.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Antecedentes

No verão de 1944, vitórias no sudoeste e no Pacífico Central trouxe a guerra para mais perto do Japão, com os aviões bombardeiros americanos conseguindo atacar de forma efetiva as principais ilhas japonesas. Havia certo desacordo dentro do Estado-Maior Americano sobre qual das duas estratégias apresentadas derrotaria o Império japonês de forma mais rápida. A estratégia propósta pelo General Douglas MacArthur sugeria reconquistar as Ilhas Filipinas, seguida pela captura de Okinawa, e depois atacar o Japão diretamente. O Almirante Chester Nimitz sugeriu uma estratégia mais direta que incluia ignorar as Filipinas, mas atacando Okinawa e a Ilha de Formosa, usando-a como base para invadir a China, e em seguida desembarcar no Japão. A estratégia de ambos os comandantes incluía a invasão de Peleliu mas por razões diferentes. A 1ª Divisão de Fuzileiros já havia sido escolhida para fazer o ataque. O Presidente Franklin D. Roosevelt visitou Pearl Harbor para se encontrar com os comandantes e discutir a questão. A estratégia de MacArthur acabou sendo a escolhida. Contudo, antes que MacArthur pudesse seguir com seu plano de reconquistar as Filipinas, as Ilhas Palau, mais especificamente Peleliu e Angaur, precisavam ser neutralizadas e um campo aéreo construída nelas para proteger o flanco direito de MacArthur.

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Preparações

Japoneses

Em meados de 1944, as Ilhas Palau estavam ocupadas no mínimo por 30 000 soldados japoneses, com cerca de 11 000 homens só em Peleliu, sendo estes homens da 14ª Divisão de Infantaria Imperial, e também trabalhadores vindos da Coréia e de Okinawa. O Coronel Kunio Nakagawa, comandante do 2° Regimento da Divisão, liderou as preparações das defesas. Após as maciças perdas sofridas nas Ilhas Salomão, Gilbert, Marshall e Marianas, o Exército Imperial reuniu um grupo de pesquisa para desenvolver novas estratégias de defesa para as ilhas. O grupo decidiu abandonar a velha estratégia de defesas insulares e, acima de tudo, desistir dos ataques suicidas (Banzai). A nova estratégia consistia em desfazer a formação das equipes de desembarque inimiga, formando um sistema de fortificações similar a uma "colméia", substituir os infrutíferos ataques banzai por contra-ataques coordenados e atrair os Americanos a um sangrento combate de atrito para desfalecer o inimigo e forçá-los a utilizar mais recursos num ataque direto. O Coronel Nakagawa concentrou todas as suas forças no interior da ilha. Usando o terreno difícil em seu benefício, ele construiu uma série de bunkers fortificados, cavernas e trincheiras.

Americanos

Ao contrário dos japoneses, que modificaram a sua estratégia dramaticamente para a batalha vindoura, o plano de desembarque americano não mudou muito em comparação com as operações anteriores, mesmo sofrendo 3 000 baixas e um atraso de dois meses para derrotar os japoneses na Batalha de Biak. Em Peleliu, os estrategistas americanos decidiram desembarcar na parte sudoeste da ilha, devido à proximidade desta ao aeroporto no sul da ilha. O 1º Regimento de Fuzileiros, comandados pelo Coronel Lewis B. Puller, deveria desembarcar nas praias mais a norte. O 5º Regimento de Fuzileiros, sob a liderança do Coronel Harold D. Harris, atacaria pelo centro e o 7º Regimento de Fuzileiros, comandados pelo Coronel Herman H. Hanneken, desembarcaria no extremo sul.

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Batalha

Desembarques

Os fuzileiros desembarcaram na ilha as 08:32h de 15 de setembro de 1944; o 1º Regimento de Marines se lançou ao norte na "Praia Branca", e o 5º e 7º Regimentos se lançaram no centro e ao sul na "Praia Laranja". Enquanto os barcos de desembarque se aproximavam das praias, os defensores da ilha saíram de seus esconderijos e abriram fogo violentamente contra os americanos. As posições nas barreiras de coral em cada flanco enfraqueceu os Marines à medida que eles se expunham mais as armas de 47 mm e aos canhões de 20 mm. Às 09:30h, os japoneses já haviam destruído 60 veículos de desembarque (LVTs e DUKWs). O 1º Regimento de Fuzileiros logo ficou encalhado devido ao intenso fogo que vinha do "The Point". O Coronel Puller sobreviveu por pouco quando um projétil atingiu seu LVT. O 7º Regimento de Fuzileiros ao sul também enfrentava vários problemas com artilharia inimiga atingindo seus veículos de desembarque. Muitos LVTs foram destruídos ainda enquanto se aproximavam, deixando seus ocupantes à deriva obrigando-os a nadar até a costa enquanto eram fustigados por tiros de metralhadora inimiga. Houve um grande número de baixas e vários homens que conseguiram chegar às praias haviam perdido seus rifles e outros equipamentos essenciais.

O Aeródromo/Sul de Peleliu

No segundo dia de invasão, o 5º Regimento avançou a fim de tomar o aeroporto e chegar até o outro lado da praia a leste. Eles rapidamente cruzaram o campo aéreo sob pesado fogo de artilharia vindo de posições altas ao norte causando muitas perdas. Após capturar o campo aéreo, os marines avançaram com rapidez até o leste de Peleliu, deixando os defensores do sul para o 7º Regimento. Essa região ainda era reivindicada pelos japoneses, que ocupavam várias casamatas nas proximidades. As temperaturas na ilha chegavam a 46 °C e os Marines sofriam várias baixas por causa de insolação. Para complicar mais, a única água disponível para os fuzileiros americanos estava contaminada com óleo. Ainda assim, no oitavo dia de lutas, o 5º e o 7º Regimento de Fuzileiros haviam conquistado seus objetivos, mantendo o campo aéreo e as posições ao sul da ilha.

The Point

A fortaleza no The Point (O ponto) continuou causando muitas perdas entre os pelotões que desembarcavam. Puller ordenou então que o Capitão George Hunt, Comandante da Companhia K, do 3º Batalhão, 1ª Divisão de Fuzileiros, tomasse aquela posição. Ele se aproximou do The Point com poucos suprimentos, tendo perdido muitas metralhadoras na praia. Um dos pelotões de Hunt ficou parado quase um dia inteiro em uma posição vulnerável entre as fortificações. O restante de sua Companhia também estava em grande perigo quando os japoneses quebraram sua linha ao meio, isolando seu flanco direito. Contudo, um dos pelotões conseguiu enfraquecer as posições japonesas e foram destruindo elas uma a uma. Usando bombas de fumaça para dar cobertura, eles foram em todos os buracos, destruindo as posições inimigas com granadas. Depois de eliminar seis ninhos de metralhadoras, os Marines americanos enfrentaram um fogo pesado de uma arma de 47 mm vindo de uma caverna. Um Tenente cegou o artilheiro da 47 mm com uma granada de fumaça, permitindo que o cabo Henry W. Hahn jogasse uma granada na caverna. A granada detonou a munição da arma de 47 mm, forçando os demais ocupantes da caverna a sair de lá às pressas e acabaram sendo mortos na saída pelos americanos.

Ilha de Ngesebus

O 5º Regimento de Fuzileiros, após conquistar o campo aéreo, foi enviado para capturar a Ilha de Ngesebus, ao norte de Peleliu. Ngesebus continha várias posições de artilharia japonesas e estava em alcance de alvejar o aeroporto. A pequena ilha estava conectada com Peleliu por uma pequena ponte natural mas Harris, comandante do 5º Regimento, decidiu fazer um ataque anfíbio a ilha, prevendo os japoneses haviam fortificado a passagem em antecipação aos movimentos americanos. Harris liderou um bombardeio pré-invasão a ilha em 28 de setembro, feito por armas de 150 mm, artilharia naval da marinha, canhões howitzers do 11º Regimento de Fuzileiros, fogo esporádico dos VMF-114 e fogo de 75 mm dos LVTs. Ao contrário do bombardeio naval a Peleliu, o ataque a Ngesebus de Harris foi muito bem sucedido, neutralizando boa parte dos defensores japoneses. Os Marines ainda enfrentaram forte resistência nas serras e cavernas mas a ilha caiu rapidamente sob controle americano, com poucas perdas para o 5º de Fuzileiros. Eles tiveram apenas 15 mortos e 33 feridos, e infligiram 470 baixas aos japoneses.

Bloody Nose Ridge

Depois de capturar o The Point, o 1º Regimento de Fuzileiros foi para o norte até Umurbrogol, nomeado "Bloody Nose Ridge" (pt: A Cordilheira Sangrenta) pelos Marines. Puller liderou seus homens em vários ataques mas foram todos repelidos pelos japoneses. O 1º Regimento acabou ficando preso no vale, com uma fortificação inimiga em cada lado causando um fogo-cruzado mortal. Os Fuzileiros sofreram mais baixas enquanto eles avançavam pelos vales e pelas cordilheiras. Os japoneses mostraram mais uma vez muita disciplina quando abriam fogo, atirando apenas aonde poderiam infligir mais perdas. Com o crescimento das baixas, os snipers japoneses começaram a se exibir e começaram a matar mais e mais fuzileiros. Ao invés dos ataques banzai suicidas, os japoneses se infiltravam nas bases dos Marines durante a noite e os atacavam nas trincheiras. Os soldados americanos passaram então a construir trincheiras novas e colocar dois fuzileiros por buraco para que um pudesse dormir enquanto o outro montava guarda.

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Consequências

A expulsão dos japoneses dos arredores da montanha de Umurbrogol é considerada como uma das lutas mais difíceis que os militares norte-americanos enfrentaram em toda a Segunda Guerra. A 1ª Divisão de Fuzileiros sofreu pesadas baixas e permaneceria fora de ação até a invasão de Okinawa em 1 de abril de 1945. No geral, a 1ª Divisão perdeu 6 500 combatentes (entre mortos e feridos) em um mês que esteve em Peleliu, mais de um-terço de todas as perdas sofridas pelos americanos durante a invasão da ilha. A 81ª Divisão de Infantaria sofreu 3 000 baixas durante sua estada na ilha. A batalha é considerada controversa devido ao fraco valor estratégico da ilha. O campo aéreo de Peleliu foi pouco usado no ataque as Filipinas. A ilha nunca foi usada como base de operações para subsequentes invasões; o Atol de Ulithi, nas Ilhas Carolinas ao norte de Palaus, foi usado como base de operações para a invasão de Okinawa. Além disso, as informações da batalha não foram consideradas relevantes. A notícia da vitória em Peleliu foi ofuscada pelo retorno de MacArthur às Filipinas e pela notícia das vitórias Aliadas contra a Alemanha na Europa.

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Honras e medalhas

A mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, a Medalha de Honra, foi dada a oito Fuzileiros durante a luta em Peleliu, sendo cinco delas postumamente (indicado com *):

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Fontes consultadas

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