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Honoré Gabriel Riqueti de Mirabeau

Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau, foi um jornalista, escritor, político e grande orador parlamentar francês.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Honoré Gabriel Riqueti nasceu em Le Bignon-Mirabeau, perto de Nemours, no Loiret, a 9 de Março de 1749, filho primogénito de Marie-Geneviève de Vassan e de Victor Riqueti, economista de renome e marquês de Mirabeau. Os Riqueti, nome por vezes grafado Riquet ou Riquetti, descendiam de uma família de mercadores, oriundos da pequena cidade de Digne, que tinham enriquecido em Marselha. Um deles, Jean Riqueti, tinha comprado em 1570 o castelo e o senhorio de Mirabeau, o qual em 1685 serviu para que um dos seus descendentes, Honoré Riquetti, obtivesse o título de marquês de Mirabeau. O seu filho primogénito, Jean Antoine, falecido em 1737, foi um militar distinto ao serviço de Luís XIV de França, vindo a ser o avô de Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau.

Os anos formativos (1749-1771)

Honoré Gabriel nasceu com algumas deformidades, incluindo uma enorme cabeça que fazia suspeitar que sofresse de hidrocefalia. A acrescentar a esses problemas, aos três anos de idade foi vítima da varíola, a qual lhe deixou a face severamente desfigurada. Estas circunstâncias terão feito dele um filho mal-amado, particularmente por seu pai, que nunca terá mantido com ele uma relação cordial. Destinado a seguir a vida militar, cedo foi enviado para um pensionato de Paris, tendo aí entre o seus professores o célebre matemático Joseph Louis Lagrange. Como reacção à severa educação recebida de seu pai, adoptou um estilo de vida rebelde, desordenado e escandaloso, de que existem relatos nas memórias do escocês Gilbert Elliot, que foi seu colega nessa época. Em consequência deixou de receber qualquer apoio financeiro de seu pai, passando a viver com dificuldades.

As aventuras e desventuras (1771-1782)

A partir de 1771 fixa-se em Paris, onde no ano seguinte casou com Marie Emilie de Marignane, uma rica herdeira, filha do poderoso marquês de Marignane, num casamento arranjado por seu pai. Deste consórcio nascerá um filho, o qual faleceu criança de tenra idade. Continuando a envolver-se em escândalos, o pai força-o a fixar-se fora de Paris, numa situação de semi-desterro. É nesta altura que escreve a sua primeira obra conhecida, intitulada Essai sur le despotisme (1774). Em 1774 envolveu-se em novos desacatos, ofendendo a aristocracia local. Foi novamente preso por ordem do rei Luís XV de França, emitida a pedido de seu pai, e encarcerado no castelo de If. Em 1775, para o punir e impedir novos escândalos, foi transferido para o castelo de Joux, no Doubs, ficando em regime aberto, com autorização de visitar livremente a cidade de Pontarlier. Aí conhece Marie Thérèse de Monnier, a sua Sophie, uma mulher casada, pela qual se apaixona. Fogem para a Suíça, acabando por obter refúgio na Holanda.

Novo exílio (1782-1785)

Pouco depois de chegar a Aix-en-Provence, em 1782, envolveu-se desastradamente num conflito judicial que decorria no seio da sua família, atacando as autoridades com tal violência que foi obrigado a procurar novamente refúgio nos Países Baixos para evitar nova detenção. Aí voltou a viver pobremente, escrevendo e revendo textos destinados a serem publicados em França. Aí encontra Henriette Amalia de Nerah, filha do político holandês Willem van Haren, com quem passa a viver. Sendo uma mulher culta e experiente, a relação entre os dois traz alguma estabilidade emocional e financeira a Mirabeau. Face às constantes dificuldades financeiras, o casal, acompanhado por um filho adoptivo de Henriette, resolve partir para Londres, onde se fixa. Aí Mirabeau não era desconhecido, pois a sua obra Des Lettres de Cachet et des prisons d'état tinha sido publicada numa tradução inglesa no ano de 1788.

Diplomata e agente secreto (1786-1788)

Tendo estado em Berlim em princípios de 1786, e tendo produzido um relatório considerado satisfatório, é enviado para aquela cidade em Julho desse ano, tendo como missão zelar por interesses franceses e obter informações sobre o andamento da vida política prussiana. A sua missão era um misto de diplomacia e de espionagem, tendo por missão elaborar relatórios detalhados sobre os eventos e as personalidades mais importantes de Berlim. Nesse período ocorre a morte de Frederico II da Prússia e a ascensão ao trono de Frederico Guilherme II da Prússia. Não tendo conseguido as boas graças do novo rei, volta a Paris em Janeiro de 1787. Com o s dados que recolheu em Berlim, publica em Londres a obra De la monarchie prussienne sous Frédéric le Grand (1788). Publicará depois a sua Histoire secrète de la cour de Berlin (1789), contando detalhadamente a sua experiência junto da berlinense.

Carreira política (1788-1791)

Em Paris envolve-se nos meios políticos, mas não é considerado pessoa capaz de assumir qualquer cargo, dado o seu passado libertino e cadastro prisional, além de contar com a férrea oposição dos seus familiares e dos familiares da sua primeira esposa. Quando Luís XVI de França convoca os Estados Gerais para 1789, apresentou-se às eleições pela Provença, mas foi rejeitado pela nobreza. Em resultado, publica um discurso veemente dirigido aos nobres provençais. Nesta ocasião foi o seu passado libertino que o impediu de liderar a ala reformista da nobreza, adepta das ideias liberais, mas intolerante em relação a questões morais e de costumes. Também a sua obra Dénonciation de l'agiotage, uma forte diatribe contra a forma como funcionavam os bancos e a grande finança, contribui para o tornar suspeito aos olhos dos meios financeiros e da nobreza mais conservadora.

A morte e a queda em desgraça

Faleceu subitamente, crê-se que em resultado de envenenamento, em Paris, a 2 de Abril de 1791. A sua morte reduziu as possibilidades de êxito da monarquia constitucional, derrubada dois meses mais tarde após a família real fracassar uma tentativa de se escapar do país, traindo o regime revolucionário (1791). O seu corpo foi transportado com grande pompa para o Panthéon, num cortejo que contou com mais de 300 000 acompanhantes, e aí permaneceu até que a descoberta do célebre armário de ferro, em Novembro de 1792, revelou que ele tinha mantido contactos secretos com o rei Luís XVI e com elementos da sua corte. O armário de ferro é nome pelo qual ficou conhecido um cofre sito no palácio das Tulherias onde o rei guardava documentos secretos. Encontrado após a tomada do palácio pelas forças revolucionárias, ocorrida a 10 de Agosto de 1792, os documentos que continha foram posteriormente revelados, trazendo a público muitos dos segredos do monarca, incluindo minutas de encontros, informações sobre o pagamento de informadores e a lista dos contactos do rei.

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Obras publicadas

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

A lista que se segue, não exaustiva, relaciona algumas das mais importantes obras de Mirabeau:

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Fontes consultadas

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