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Batalha de Farsalos

A Batalha de Farsalos foi uma batalha decisiva da Segunda Guerra Civil da República Romana. Em 9 de agosto de 48 a.C., em Farsalos, na Tessália, Júlio César e seus aliados enfrentaram o grande exército republicano liderado por Pompeu Magno, que tinha o respaldo da maioria dos senadores, muitos deles optimates. A qualidade dos veteranos das legiões de César foi preponderante para sua vitória. Esta batalha costuma ser considerada como o fim da República e o início do Império Romano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Contexto

O desafio de Júlio César às ordens do Senado Romano culminou na invasão da Itália e na marcha para Roma à frente de suas legiões, o que obrigou Pompeu e grande parte dos senadores a fugirem para a Grécia em 49 a.C.. Dali, Pompeu podia recrutar um exército para enfrentar seu antigo aliado. César, por falta de uma frota, preferiu primeiro consolidar seu controle na Hispânia e na Itália antes de iniciar a perseguição. Pompeu deixou a frota republicana sob o comando de Marco Calpúrnio Bíbulo, composta por 600 navios de guerra, com a missão impedir a travessia de César e o envio de suprimentos da Itália. Contudo, César desafiou as convenções tradicionais da guerra na época cruzando o Adriático no inverno e com apenas metade dos navios necessários. Este movimento surpreendeu Bíbulo e a primeira frota de César rompeu o bloqueio com facilidade. Apesar de Bíbulo ter conseguido evitar que outras frotas seguissem César, ele morreu logo em seguida, supostamente por fadiga.

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Forças em combate

Em "De Bello Civili, César atribui a Pompeu uma força de 110 coortes (algumas formadas por soldados hispânicos levados por Lúcio Afrânio e Marco Petreio depois de serem derrotados por César e que lutavam como infantaria pesada), com cerca de 22 delas deixadas para trás para guarnecer o acampamento durante a batalha. No total, cerca de 47 000 homens sob o comando de Públio Cornélio Lêntulo Espínter (ala direita), Metelo Cipião (centro), Lúcio Domício Enobarbo (ala esquerda) e Tito Labieno (cavalaria). Destes, apenas 2 000 eram veteranos. O próprio César contava com 80 coortes, já muito reduzidas por causa dos múltiplos combates e escaramuças, mas também muito experientes, num total de 22 000 homens liderados por Marco Antônio (ala esquerda), Cneu Domício Calvino (centro) e Públio Cornélio Sula (ala direita). O exército de César era composto por quatro legiões veteranas das Guerras Gálicas — X Equestris (a preferida de César), VIII Augusta, IX Hispana e XII Fulminata — e três recém-criadas — I Germanica, III Gallica e IV Macedonica. No dia da batalha, César deixou cerca de 2 000 veteranos no acampamento.

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Batalha

Os dois exércitos tinham um de seus flancos protegido por um riacho e o outro pela cavalaria. Apesar disto, o plano de cada um dos dois generais eram substancialmente diferentes, o que só sublinhou a genialidade militar de Júlio César. Enquanto Pompeu tentou vencer usando sua superioridade numérica, César, prevendo o movimento do adversário, planejou uma defesa eficaz derrotando a cavalaria inimiga para que fosse possível um ataque pelo seu flanco. Para conseguir efetivar seu plano, César decidiu reforçar sua própria cavalaria com legionários e dispôs seis de suas coortes mais experientes formando uma linha oblíqua no seu flanco, bem atrás da linha principal, deixando as demais na reserva. Como consequência, o centro de seu exército ficou enfraquecido, mas César confiava que seus veteranos fossem capazes de aguentar a carga do inimigo. Esta disposição não era visível a Pompeu, o que acrescentou à tática de César o elemento surpresa.

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Resultado da batalha

César escreveu em "De Bello Civili" que nas duas horas de batalha, apenas 200 legionários e cerca de 30 centuriões foram mortos em seu exército sem contar as baixas nas tropas auxiliares e na cavalaria aliada, o que provavelmente somaria um total de baixas de cerca de 1 200 homens. Segundo ele, os pompeianos teriam perdido mais de 15 000 soldados. Esta diferença é explicada principalmente pela falta de ordem e de disciplina entre as forças de Pompeu, que combateram contra as sólidas coortes cesarianas, que lutavam em perfeita ordem de batalha. Os sobreviventes do exército pompeiano se renderam na manhã do dia seguinte, um total de cerca de 23 000 ou 24 000 homens. Sobre a perde de seus centuriões, César destaca, com grande pesar, que esta proporção alta no total de mortos indicava o alto grau de responsabilidade que assumiam seus principais oficiais (entre eles o fiel Caio Crastino), sempre dispostos a se sacrificarem para evitar a perda inútil de legionários.

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Consequências

Pompeu fugiu de Farsalos para o Egito, onde foi assassinado por ordem do faraó Ptolemeu XIII que, curiosamente, enviou a cabeça de Pompeu a César para tentar ganhar sua aliança. Horrorizado com o tratamento dispendido um grande general romano por um estrangeiro, César ficou furioso. Ptolemeu, aconselhado por seu regente, o eunuco Potino, e pelo seu tutor, o retórico Teódoto de Quio, não levou em conta que César já vinha anistiando e perdoando a maioria de seus adversários depois de derrotá-los. A eles era concedida não apenas a permissão de voltar para Roma, mas também a de reassumir suas posições anteriores à guerra. Farsalos praticamente encerrou a guerra entre os triúnviros, mas não a guerra civil entre os romanos, o que pôs fim à esperança cesariana de uma vitória rápida. Dois filhos de Pompeu, Cneu e Sexto, assim como Metelo Cipião e Catão, que assumiram o comando da facção pompeiana, sobreviveram a Farsalos e continuaram a guerra. César passou os anos seguintes enfrentando estas forças remanescentes, mas, como afirmou Cícero depois da Batalha de Tapso, a superioridade militar de César foi irrevogavelmente conquistada em Farsalos. Além disto, o comando militar dos senadores sobre as tropas foi desacreditado depois que eles (incluindo Pompeu) abandonaram o exército à própria sorte depois da derrota.

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