Batalha de Dan no Ura
A Batalha de Dan no Ura foi uma grande batalha naval das Guerras Genpei, que ocorreu em Dan no Ura, costa do Estreito de Kanmon na parte sul e oeste de Honshu. Em 25 de abril de 1185, a frota do Clã Genji (Minamoto), dirigida por Minamoto no Yoshitsune, vence a frota do Clã Heike (Taira), em um enfrentamento que durou meio dia.
No Japão feudal do século XII o poder central e provincial estava nas mãos de clãs familiares com vínculos mais ou menos estreitos com a família imperial, mas rivais entre sí; os Fujiwara, os Minamoto (ou Genji) e os Taira (ou Heike). Os Fujiwara ocupavam todos os postos chaves da administração imperial. Os Minamoto também conseguiram ocupar vários postos de responsabilidade, tendo sob seu controle o exército e a polícia. Enquanto isso, os Taira, apesar de alguns deles exercerem altos cargos de comando, já não tinham acesso à corte. Não obstante, durante o curso da primeira metade do século XII Taira no Tadamori conseguiu ser um alto representante da justiça no final de sua vida. Taira no Kiyomori era o filho de Tadamori. Hábil político, fora um dos homens mais importantes nos círculos do imperador, eclipsando o chefe dos Minamoto. Assim, os dois clãs não pararam de tratar de se superar um ao outro para conseguir favores imperiais.
A luta se intensificou até a batalha final na Batalha Naval de Dan no Ura em 1185. Os Minamoto, com o esforço de numerosos governadores e Soheis (monges guerreiros), armaram 3 000 barcos; os Taira, que só dispunham de 1 000, se refugiaram em Yashima, na ilha de Shikoku. Liderando os Minamoto estava Yoritomo, filho de Yorimasa, o chefe do clã, que derrotou Taira no Kiyomori na Batalha de Kurikara. Como era costume, em uma das naves Taira foi embarcado o jovem Imperador Antoku, que só tinha seis anos, com sua avó, a viúva de Kiyomori, além do filho de Yoshitsune. A frota do Clã Taira era inferior em número, mas algumas fontes asseguram que, frente a frota do Clã Minamoto, tinham uma vantagem no conhecimento das correntes dessa área, assim como das táticas de combate naval de seu comandante Taira no Tomomori, quarto filho de Kiyomori.
À noite, em meio a uma violenta tempestade, Minamoto no Yoshitsune, irmão de Yorimoto, cruzou o estreito com cinco buques (barcos de 13 metros de comprimento) e cem ginetes o que obrigou os Taira a embarcar as pressas na manhã seguinte. A frota Taira se dividiu em três esquadrões, enquanto seus inimigos chegaram em massa com seus arqueiros preparados. No início, antes que a frota Taira tomasse a iniciativa, a batalha consistiu principalmente em uma troca de flechas a longa distância. Posteriormente, a frota Taira tentou passar ao largo da frota inimiga usando as correntes marítimas em seu proveito. Depois de entrar em contato, o duelo de arqueiros foi substituído pela abordagem com espadas e adagas. Neste meio tempo as correntes mudaram dando a vantagem novamente aos Minamoto. Um dos fatores cruciais no triunfo da frota Minamoto foi a deserção do general do Clã Taira Taguchi Shigeyoshi, que revelou aos Minamoto em qual barco se encontrava o jovem Imperador Antoku. Os arqueiros Minamoto concentraram sua atenção nos timoneiros e remadores do barco do Imperador, da mesma forma que fizeram com o resto da frota, deixando os barcos sem controle.
Após a batalha naval ocorreu uma série de atrocidades e matanças. Por todo o país, os Taira sobreviventes, incluindo as crianças, foram degolados ou afogados. Esta derrota decisiva das forças do Clã Taira conduziu ao final de a guerra. Minamoto no Yoritomo, o irmão mais velho de Yoshitsune, se converteu no primeiro Shōgun, estabelecendo um governo militar (bakufu) em Kamakura. A vitória dos Minamoto foi total e o irmão de Yorimoto, Yoshitsune, se converteu num grande herói.Mas isto não foi do agrado de seu irmão, que de regresso a capital, tratou de assassiná-lo. Não conseguindo, enviou um exército contra ele até seu refúgio ao Norte. Alguns autores dizem que cometeu seppuku outros que foi assassinado por Fujiwara no Yasuhira, filho de Hidehira.
Em 1964, uma versão desta batalha apareceu no filme Kwaidan . Na série "Cosmos: Uma Viagem Pessoal", Carl Sagan fala brevemente sobre o assunto.


