Batalha de Bouvines
A Batalha de Bouvines, ocorrida em 27 de julho de 1214, foi um marco medieval que encerrou a Guerra Anglo-Francesa, iniciada em 1202. Este confronto foi crucial para o desenvolvimento inicial da França na Idade Média, pois confirmou a soberania da coroa francesa sobre os territórios do Império Angevino, redefinindo o mapa político da época.
Pontos-chave
- A Batalha de Bouvines ocorreu em 27 de julho de 1214, finalizando a Guerra Anglo-Francesa iniciada em 1202.
- Foi um evento decisivo para a França medieval, confirmando a soberania francesa sobre o Império Angevino.
- A coalizão inimiga incluía o Sacro Imperador Otão IV e o Rei João I da Inglaterra, liderada por Fernando de Portugal.
- O Rei Filipe II da França liderou as forças francesas à vitória, apesar de ter sido desmontado durante o combate.
- A vitória foi comemorada com a fundação da abadia de Notre Dame de la Victoire e vitrais na igreja de Bouvines.
Em 1214, Fernando de Portugal, Conde da Flandres, buscou reaver as cidades de Aire-sur-la-Lys e Saint-Omer, perdidas para Filipe II da França no Tratado de Pont-A-Vendin. Rompendo sua lealdade a Filipe, ele formou uma vasta coalizão que incluía o Sacro Imperador Otão IV, o Rei João I da Inglaterra (João Sem Terra), o Duque Henrique I de Brabante, o Conde Guilherme I da Holanda, o Duque Teobaldo I de Lorena e o Duque Henrique III de Limburgo. O Rei João I da Inglaterra foi o arquiteto da estratégia, planejando um avanço do sul da França em direção a Paris para distrair as forças francesas, enquanto o exército principal, sob o comando do Imperador Otão, atacaria Paris pelo norte. O plano inicial de João foi bem-sucedido no sul, mas a lentidão dos aliados no norte comprometeu a estratégia. Após dois confrontos com os franceses, João recuou para a Aquitânia em 3 de julho.
A batalha teve início com um caótico embate de cavalaria, onde atos individuais de bravura foram mais notáveis e registrados nas crônicas do que qualquer ação coordenada. A luta foi intensa nos centros dos exércitos. A infantaria dos Países Baixos, considerada uma das melhores da Europa na época, inicialmente fez recuar o exército francês. Filipe II, então, mobilizou sua reserva de cavalaria, composta por nobres e cavaleiros, para reverter a situação. Após um longo e incerto combate, no qual o próprio Filipe foi desmontado e escapou por pouco da morte, as forças francesas começaram a empurrar os flamengos. Enquanto isso, as tropas francesas de Roberto de Dreux foram inicialmente pressionadas pelos homens de William Longespée, e os soldados de Reginaldo da Bolonha foram forçados a defender a ponte de Bouvines a pé. William Longespée foi derrubado e feito prisioneiro por Filipe de Dreux (também conhecido como Bispo de Beauvais), e os soldados ingleses fugiram. Mathieu de Montmorency capturou doze bandeiras inimigas, um feito que é lembrado no escudo de Montmorency, que desde então inclui doze águias, em vez das quatro anteriores.
Em agradecimento pela vitória na Batalha de Bouvines, o Rei Filipe Augusto fundou a abadia de Notre Dame de la Victoire, localizada entre Senlis e Mont l'Evêque. Em 1914, para marcar o sétimo centenário da batalha, Félix Dehau, prefeito da comuna de Bouvines, encomendou a construção de uma série de vitrais na igreja local, que retratam a história e os eventos da batalha, perpetuando a memória deste importante confronto.


