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Batalha de Arçufe

A batalha de Arçufe (Arsuf) foi um confronto militar travado durante a Terceira Cruzada quando Ricardo I da Inglaterra derrotou as forças do sultão aiúbida Saladino (r. 1174–1193). Foi travada fora de Arçufe, na Palestina, no lugar em que Ricardo foi atacado por Saladino ao marchar de Acre para Jafa. Após uma série de ataques de assédio contra as forças de Saladino, a batalha foi travada na manhã de 7 de setembro de 1191. O exército de Ricardo resistiu aos ataques das forças muçulmanas até que os cavaleiros hospitalários conseguiram romper as linhas inimigas e atacar. Ricardo então ordenou ofensiva generalizada. Reagrupou seu exército após o sucesso inicial e conseguiu a vitória. A batalha possibilitou a retomada cristã da área costeira da Palestina central, incluindo o porto de Jafa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Antecedentes

Sul de Acre

Após a captura de Acre em 1191, o rei Ricardo I (r. 1189–1199) estava ciente da necessidade de capturar o porto de Jafa antes de fazer uma investida contra Jerusalém e marchou da costa de Acre a Jafa em agosto. O sultão Saladino (r. 1174–1193), cujo principal objetivo era impedir a retomada de Jerusalém, mobilizou o exército para tentar parar o avanço cristão. Ricardo ajeitou o avanço com cautela. Grande parte da frota egípcia foi capturada com a queda de Acre, e sem ameaças desse setor poderia marchar ao sul junto a costa com o mar sempre protegendo o flanco direito. Ciente das lições do desastre em Hatim, Ricardo sabia que a maior necessidade de seu exército era água e que a exaustão por calor era o maior perigo. Apesar de pressionado pelo tempo, avançou em passo relativamente vagaroso: marchou apenas de manhã antes do calor do dia, fazendo frequentes pausas junto às fontes d'água, e a frota velejou costa abaixo como fonte de suprimentos e refúgio aos feridos.

Estratégia de Saladino

O ritmo do exército cruzado foi ditado pelos infantes e trem de bagagem; o exército aiúbida, sobretudo formado por cavaleiros, tinha mobilidade superior. Esforços para incendiar colheitas e privar o campo ao exército latino eram muito ineficientes, uma vez que podia ser continuamente provisionado pela frota, que se moveu ao sul em paralelo. Em 25 de agosto, a retaguarda dos cruzados estava atravessando um desfiladeiro quando quase foi interrompida, mas os cruzados se fecharam tão rápido que os muçulmanos foram forçados a fugir. De 26 a 29 de agosto, o exército latino teve uma pausa no ataque, pois apesar de estreitar a costa e ir ao redor do ombro do Monte Carmelo, o exército muçulmano atravessou o país. Saladino chegou perto de Cesareia antes dos cruzados, que estavam numa estrada mais longa. De 30 de agosto a 7 de setembro, Saladino atacou à distância, esperando a oportunidade para atacar se os cruzados se expusessem.

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Batalha

Estimativas do tamanho dos exércitos

O Itinerário do Rei Ricardo implica que o exército aiúbida superou os cruzados numa proporção de três para um. No entanto, números não realistas, de 300 000 e 100 000 respectivamente, são descritos. Estimativas modernas do exército de Saladino pontuam 25 000 soldados, quase todos de cavalaria (arqueiros montados, cavalaria leve e uma minoria de cavalaria pesada). Com base no número de soldados que os três reis (Ricardo I, Frederico I e Filipe II) levaram à Terra Santa, bem como aquilo que o Reino de Jerusalém do rei Guido I podia reunir, McLynn calculou que as forças cruzadas em Arçufe totalizavam 20 000: 9 000 ingleses e normandos de Ricardo, 7 000 franceses deixados por Filipe II, 2 000 do Ultramar e mais 2 000 soldados das demais fontes (dinamarqueses, frísios, genoveses, pisanos, turcópolos). Boas nota que o cálculo não leva em conta perdas em batalhas anteriores ou deserções e que o exército cruzado devia ter 10 000 homens ou pouco mais. O Atlas Ilustrado da Guerra da Cambrígia apresenta o exército de Ricardo com 10 000 infantes (incluindo lanceiros e besteiros) e 1 200 cavaleiros, com o exército muçulmano possuindo duas vezes mais tropas, sobretudo cavaleiros.

Organização e disposição das tropas

Na madrugada de 7 de setembro, como as forças de Ricardo começaram a sair do campo, batedores inimigos eram visíveis em todas as direções, insinuando que todo o exército muçulmano estava escondido na floresta. O rei tomou especial cuidado com a disposição de seu exército. Os prováveis pontos de maior perigo, na frente e especialmente na parte de trás da coluna, foram entregues às ordens militares; tinham a maior experiência de luta no Oriente, eram indiscutivelmente mais disciplinados e as únicas formações que tinham a cavalaria turcópola que lutava como os arqueiros a cavalo turcos do exército aiúbida. A vanguarda do exército possuía Cavaleiros Templários sob Roberto IV. Foram seguidos por três unidades compostas pelos súditos de Ricardo, os angevinos e bretões, depois os petuvinos, incluindo Guido I, e por último ingleses e normandos responsáveis por seu trem.

Ataque de Saladino

Numa tentativa de destruir a coesão do exército cruzado e desestabilizar sua determinação, o assalto aiúbida foi seguido pelo estrépito de címbalos e gongos, trombetas soando e homens gritando gritos de guerra. Os repetidos ataques aiúbidas com grilhões seguiram o mesmo padrão: beduínos e núbios a pé lançaram flechas e dardos nas linhas inimigas, antes de se separarem para permitir que os arqueiros montados avançassem, atacassem e se afastassem, uma técnica bem praticada. Besteiros cruzados responderam, quando era possível, embora a tarefa principal dos latinos fosse simplesmente preservar as fileiras em face de uma provocação contínua. Quando os incessantes ataques dos escaramuçadores não tiveram o efeito desejado, o peso do ataque foi transferido à retaguarda da coluna dos cruzados, com os Hospitalários sendo pressionados.

Hospitalários rompem as fileiras

Todos os melhores esforços de Saladino não puderam deslocar a coluna cruzada ou deter o avanço para Arçufe. Ricardo estava firme a manter seu exército unido, forçando o inimigo a se exaurir em repetidos ataques, com a intenção de segurar seus cavaleiros para um contra-ataque concentrado no momento exato. Havia riscos nisso, pois o exército não estava apenas marchando sob severo ataque do inimigo, mas as tropas estavam sofrendo de calor e sede. Tão sério quanto, os sarracenos estavam matando tantos cavalos que alguns cavaleiros de Ricardo se perguntaram se um contra-ataque seria possível e muitos dos sem cavalos foram à infantaria. Assim que a vanguarda entrou em Arçufe no meio da tarde, besteiros hospitaleiros que estavam na retaguarda precisavam carregar e atirar de costas. Inevitavelmente, perderam a coesão, e o inimigo aproveitou rapidamente a oportunidade, movendo-se para qualquer buraco que manejasse suas espadas e maças. Para os cruzados, a Batalha de Arçufe entrou num estágio crítico. Guarnério implorou repetidamente a Ricardo permissão para atacar, mas o rei negou o pedido e ordenou ao mestre que mantivesse a posição e esperasse o sinal para um assalto geral: seis explosões claras de trombeta. Ricardo sabia que o ataque dos cavaleiros precisava esperar até que o exército aiúbida estivesse totalmente comprometido, intimamente ocupado e os cavalos dos sarracenos começassem a se cansar. Estimulado além da resistência, o mestre e outro cavaleiro, Balduíno de Carron, abriram caminho através de sua infantaria e investiram contra as fileiras dos sarracenos com um grito de "São Jorge!"; foram então seguidos pelos demais hospitaleiros. Movidos pelo exemplo, os cavaleiros franceses do corpo imediatamente anterior aos Hospitalários também atacaram.

Contra-ataque cruzado

A ação precipitada dos Hospitalários poderia ter revelado toda a estratégia. No entanto, Ricardo reconheceu que o contra-ataque, uma vez iniciado, precisava de apoio de todo o seu exército e ordenou que o sinal ao ataque geral fosse soado. Sem apoio, os Hospitalários e as outras unidades de retaguarda envolvidas na fuga inicial teriam sido subjugados pelo número superior do inimigo. A infantaria latina abriu brechas em suas fileiras para os cavaleiros passarem e o ataque desenvolveu-se naturalmente no escalão da retaguarda à vanguarda. Para os soldados do exército de Saladino, como observou Boadino, a súbita mudança de passividade para atividade feroz por parte dos cruzados foi desconcertante, e parecia ser o resultado de um plano preconcebido.

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Rescaldo

Como sempre acontece nas batalhas medievais, as perdas são difíceis de avaliar com precisão. Os cronistas cristãos afirmam que a força de Saladino perdeu 32 emires e 7 000 homens, mas é possível que o número verdadeiro tenha sido menor. Ambrósio mencionou que as tropas de Ricardo contaram vários milhares de corpos de soldados sarracenos mortos no campo de batalha após a derrota. Já Boadino registrou apenas três mortes entre os líderes do exército aiúbida: Museque, grão-emir dos curdos, Caimaz Aladeli e Liguxe. Os mortos do rei Ricardo teriam numeradas não mais do que 700. O único líder cruzado digno de nota para morrer na batalha foi Tiago I, um cavaleiro francês que Ambrósio afirmou que cortou 15 cavaleiros sarracenos antes de ser morto. Arçufe foi uma importante vitória. O exército aiúbida não foi destruído, apesar das grandes ​​baixas que sofreu, mas foi derrotado; isso foi considerado vergonhoso pelos muçulmanos e impulsionou o moral cruzada. Uma opinião contemporânea dizia que, se Ricardo tivesse sido capaz de escolher o momento de enviar os cavaleiros, ao invés de ter que reagir às ações de um líder de unidade insubordinado, a vitória dos cruzados poderia ter sido muito mais eficaz. Possivelmente sendo uma vitória tão completa que teria desarmado as forças de Saladino por muito tempo. Depois da derrota, Saladino conseguiu se reagrupar e tentou retomar seu método de guerra, mas com pouco efeito; abalado pelo súbito, devastador e eficaz contra-ataque cruzado, não estava disposto a arriscar um ataque em larga escala. Arçufe havia abalado a reputação de Saladino como um guerreiro invencível e provado a coragem de Ricardo como soldado e sua habilidade como comandante. Ricardo conseguiu defender e manter Jafa - passo estrategicamente crucial para garantir Jerusalém. Saladino também evacuou e demoliu a maioria das fortalezas do sul da Palestina: Ascalão, Gaza, Guarda Branco, Lida e Ramla por não poderia mantê-las. Ricardo tomou a fortaleza de Darum, a única fortaleza que Saladino tinha guarnecido, com apenas as tropas domésticas, tão baixa estava a moral sarracena. Ao privar Saladino da costa, Ricardo ameaçou Saladino em Jerusalém.

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