Batalha de Quio (1319)
A Batalha de Quio foi um confronto naval crucial em 1319, travado na costa da ilha egeia de Quio. De um lado, uma frota cristã, majoritariamente composta por Cavaleiros Hospitalários, e do outro, a frota turca do Beilhique de Aidim. Este embate resultou em uma vitória decisiva para as forças cristãs, marcando um momento significativo na contenção da pirataria turca na região.
Pontos-chave
- A Batalha de Quio foi um confronto naval entre forças cristãs (principalmente Hospitalários) e turcas (Beilhique de Aidim) em 1319.
- O colapso bizantino e a ascensão dos beilhiques turcos criaram um vácuo de poder no Egeu, levando a ataques piratas.
- Os genoveses ocuparam Quio e os Hospitalários Rodes para conter os ataques turcos antes da batalha.
- A frota cristã, sob Alberto de Schwarzburgo e Martinho Zaccaria, obteve uma vitória esmagadora sobre a frota aidinida de Maomé Begue.
- A vitória em Quio, embora significativa, não impediu a ascensão do poder aidinida a longo prazo, que só foi contido pelas Cruzadas Esmirniotas.
No final do século XIII, o enfraquecimento do Império Bizantino na Anatólia ocidental e no Mar Egeu, somado à dissolução da marinha bizantina em 1284, abriu um vácuo de poder. Essa lacuna foi rapidamente preenchida pelos beilhiques turcos e pelos atacantes gazis. Utilizando marinheiros gregos, os turcos iniciaram ataques piratas no Egeu, visando especialmente as numerosas possessões latinas nas ilhas. As disputas entre Veneza e Gênova, os dois principais estados marítimos latinos, facilitaram as atividades corsárias turcas. Em 1304, os turcos de Mentexe (e posteriormente de Aidim) capturaram o porto de Éfeso, e as ilhas do Egeu oriental pareciam prestes a cair. Para evitar essa catástrofe, os genoveses ocuparam Quio no mesmo ano, onde Benedito I Zaccaria estabeleceu um pequeno principado. Por volta de 1308, os Cavaleiros Hospitalários ocuparam Rodes. Essas duas potências assumiram a responsabilidade de conter os ataques turcos até 1329.
Em julho de 1319, a frota aidinida, comandada pessoalmente pelo emir Maomé Begue, partiu do porto de Éfeso. Ela era composta por 18 galés e 18 outros navios. Fora da costa de Quio, essa frota foi interceptada por uma força hospitalar de 24 navios e 80 cavaleiros, sob a liderança de Alberto de Schwarzburgo. A essa frota se juntou um esquadrão de uma galé e seis outros navios de Martinho Zaccaria de Quio. A batalha culminou em uma vitória cristã avassaladora: apenas seis navios turcos conseguiram escapar da captura ou destruição. Esse triunfo foi seguido pela recuperação de Leros, onde a população grega nativa se rebelou em nome do imperador bizantino, e por outra vitória no ano seguinte sobre uma frota turca que se preparava para invadir Rodes. Em reconhecimento, o Papa João XXII recompensou Schwarzburgo, restaurando-o à posição de grão-preceptor do Chipre, de onde havia sido demitido dois anos antes, e prometeu-lhe o comando de Cós, caso ele conseguisse capturá-la.
Segundo o historiador Mike Carr, a vitória em Quio foi de grande importância, pois foi alcançada por iniciativa dos Hospitalários e dos Zaccarias, sem apoio ou fundos de outras potências ocidentais, notadamente o papado, que estava focado em planos para uma cruzada na Terra Santa. No entanto, esse sucesso influenciou as potências ocidentais, e esforços começaram para formar uma liga naval cristã para combater a pirataria turca. Apesar disso, no futuro imediato, a derrota em Quio não foi suficiente para deter a ascensão do poder aidinida. Os Zaccarias foram logo forçados a entregar seu principal entreposto continental, Esmirna, ao filho de Maomé, Umur Begue. Sob a liderança de Umur Begue, as frotas aidinidas dominaram o Egeu nas duas décadas seguintes, até que as Cruzadas Esmirniotas (1343–1351) finalmente quebraram o poder do Beilhique de Aidim.


