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Valáquia

A Valáquia é uma região histórica e geográfica crucial na atual Romênia, situada entre o Baixo Danúbio e os Cárpatos Meridionais. Tradicionalmente dividida em Muntênia e Oltênia, com Dobruja ocasionalmente considerada uma terceira seção, a Valáquia é por vezes identificada com Muntênia, a maior de suas divisões. Seu nome, um exônimo de origem germânica e eslava, reflete sua rica história e a identidade romena, que a chamava de 'Țara Românească' (País Romeno).

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 30/08/2026

Pontos-chave

  • A Valáquia é uma região histórica da Romênia, dividida em Muntênia e Oltênia, localizada entre o Danúbio e os Cárpatos.
  • O nome 'Valáquia' é um exônimo, enquanto os romenos a chamavam de 'Țara Românească' (País Romeno).
  • Sua história é marcada por influências romanas, eslavas, búlgaras, húngaras e otomanas, culminando na formação de um principado independente.
  • A sociedade valáquia incluiu a escravidão de etnia cigana, abolida em meados do século XIX.
  • As forças militares da Valáquia, inicialmente de cavalaria leve e mercenários, uniram-se às da Moldávia para formar o Exército Romeno em 1860.
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Etimologia: A Origem do Nome Valáquia

O nome 'Valáquia' é um exônimo, não comumente usado pelos próprios romenos, que preferiam 'Țara Românească' (País Romeno). Deriva do termo germânico e eslavo 'walhaz', que se referia a romanos e falantes de línguas estrangeiras. No sudeste da Europa, 'walhaz' passou a designar falantes de línguas românicas e, posteriormente, pastores. Textos medievais eslavos também usavam 'Zemli Ungro-Vlahiskoi' ('Terra Húngara-Valáquia'), que em romeno se tornou 'Ungrovalahia', referindo-se a sedes metropolitanas ortodoxas. As designações romenas para o estado incluíam 'Muntenia', 'Țara Rumânească', 'Valahia' e, raramente, 'România'. A ortografia 'Țara Românească' foi oficializada em meados do século XIX.

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História da Valáquia: De Principado a Nação

A história da Valáquia é um mosaico de conflitos, alianças e transformações. Em 1821, a morte do príncipe Alexander Soutzos e a Guerra da Independência Grega desencadearam a revolta de Tudor Vladimirescu em Oltênia. Embora inicialmente aliado aos revolucionários gregos da Filiki Eteria e buscando apoio russo, Vladimirescu buscou um acordo com os otomanos, levando à sua execução por Alexander Ypsilantis. Esses eventos resultaram na ocupação otomana e no fim do domínio fanariota, com Grigore IV Ghica sendo o primeiro príncipe local desde 1715. O governo de Ghica foi interrompido pela Guerra Russo-Turca de 1828-1829, marcando um período de instabilidade e transição para a Valáquia.

Antiguidade: Romanização e Migrações

Durante a Segunda Guerra Dácia (105 d.C.), a Oltênia ocidental foi incorporada à província romana da Dácia, enquanto outras partes da Valáquia foram incluídas na Mésia Inferior. O limes romano foi estabelecido ao longo do rio Olt em 119 d.C., estendendo-se até Rucăr nos Cárpatos no século II. Em 245 d.C., a linha romana recuou para o Olt, e em 271 d.C., os romanos se retiraram da região. A área passou por um processo de romanização durante o Período de Migração, com invasões de godos, sármatas (cultura Chernyakhov) e outros nômades. A construção de uma ponte entre Sucidava e Oescus em 328 d.C. indica um comércio ativo com os povos ao norte do Danúbio. Um breve domínio romano foi restabelecido pelo imperador Constantino, o Grande, após atacar os godos em 332 d.C. O domínio godo terminou com a chegada dos hunos, que, sob Átila, devastaram cerca de 170 assentamentos em ambos os lados do Danúbio.

Alta Idade Média: Influências Bizantinas e Eslavas

A influência bizantina é notável nos séculos V e VI, como evidenciado pela cultura Ipotești–Cândești. Contudo, a partir da segunda metade do século VI e ao longo do século VII, os eslavos cruzaram e se estabeleceram no território da Valáquia, a caminho de Bizâncio, ocupando a margem sul do Danúbio. Em 593, o comandante bizantino Prisco derrotou eslavos, ávaros e gépidas na futura Valáquia, e em 602, os eslavos sofreram uma derrota decisiva na área. De sua fundação em 681 até a conquista húngara da Transilvânia no final do século X, o Primeiro Império Búlgaro controlou a Valáquia. Após o declínio búlgaro e a conquista bizantina (século X a 1018), a Valáquia ficou sob controle dos pechenegues (séculos X e XI), e depois dos cumanos (após 1091). A partir do século X, fontes bizantinas, búlgaras, húngaras e ocidentais mencionam a existência de pequenos estados, possivelmente povoados por valáquios, liderados por knyazes e voivodas.

Criação do Principado da Valáquia

As primeiras evidências de voivodas locais incluem Litovoi (1272), que governava terras em ambos os lados dos Cárpatos e se recusou a pagar tributo a Ladislau IV da Hungria. Seu sucessor foi seu irmão Bărbat (1285–1288). O enfraquecimento do estado húngaro por invasões mongóis (1285–1319) e a queda da Casa de Arpades facilitaram a unificação das políticas da Valáquia e a independência do domínio húngaro. A fundação da Valáquia é historicamente ligada a Bassarabe I (1310–1352), que se rebelou contra Carlos I da Hungria, assumiu o governo de ambos os lados do Olt e estabeleceu sua residência em Câmpulung como o primeiro governante da Dinastia Bassarabe. Bassarabe recusou-se a ceder as terras de Făgăraș, Almaș e o Banato de Severin à Hungria, derrotou Carlos na Batalha de Posada (1330) e, segundo o historiador Ștefan Ștefănescu, expandiu suas terras para o leste até Kiliya no Budjak (supostamente dando origem à Bessarábia), embora este domínio não tenha sido mantido pelos príncipes seguintes.

Séculos XV-XVI: Conflitos com o Império Otomano

Com a expansão do Império Otomano pelos Bálcãs, a Valáquia se viu em frequentes confrontos nos últimos anos do reinado de Mircea I (1386–1418). Mircea inicialmente derrotou os otomanos em várias batalhas, incluindo a Batalha de Rovine em 1394, expulsando-os de Dobruja e estendendo brevemente seu governo ao Delta do Danúbio, Dobruja e Silistra (c. 1400–1404). Ele alternou alianças com Sigismundo, Sacro Imperador Romano, e a Coroa do Reino da Polônia (participando da Batalha de Nicópolis). Em 1417, Mircea aceitou um tratado de paz com os otomanos, que assumiram o controle de Turnu Măgurele e Giurgiu, dois portos que permaneceram sob domínio otomano, com breves interrupções, até 1829. Em 1418-1420, Miguel I derrotou os otomanos em Severin, mas foi morto em batalha. Em 1422, Dan II infligiu uma derrota a Murade II com a ajuda de Pippo Spano, adiando o perigo otomano por um curto período.

Século XVII: Miguel, o Bravo e a Unificação

Miguel, o Bravo, ascendeu ao trono em 1593 com apoio otomano, mas logo atacou as tropas de Murade III ao norte e ao sul do Danúbio, aliando-se a Sigismundo Báthory da Transilvânia e Aron Vodă da Moldávia (Batalha de Călugăreni). Ele se colocou sob a suserania de Rodolfo II, o Sacro Imperador Romano, e em 1599-1600, interveio na Transilvânia contra o rei polonês Sigismundo III Vasa, colocando a região sob sua autoridade. Seu breve governo também se estendeu à Moldávia no final do ano seguinte. Por um curto período, Miguel, o Bravo, governou (em união pessoal, não formal) a maioria dos territórios habitados por romenos, reconstruindo a base do antigo Reino da Dácia. Seu governo, marcado pela ruptura com o domínio otomano e a liderança dos três estados, foi posteriormente visto como precursor de uma Romênia moderna, tese defendida por Nicolae Bălcescu. Após a queda de Miguel, a Valáquia foi ocupada pelo exército polaco-moldavo de Simion Movilă (até 1602) e sofreu ataques Nogai.

Guerras Russo-Turcas e o Período Fanariota

A Valáquia tornou-se alvo de incursões dos Habsburgos durante os estágios finais da Grande Guerra Turca, por volta de 1690. O governante Constantin Brâncoveanu (1688–1714), conhecido por suas realizações culturais do final do Renascimento (estilo Brâncovenesc), negociou secretamente uma coalizão anti-otomana, mas sem sucesso. Seu reinado coincidiu com a ascensão da Rússia Imperial sob Pedro, o Grande. Brâncoveanu foi abordado pelo czar durante a Guerra Russo-Turca de 1710–11 e perdeu seu trono e vida após o sultão Amade III descobrir as negociações. Apesar de denunciar as políticas de Brâncoveanu, Ștefan Cantacuzino se alinhou aos projetos dos Habsburgos e abriu o país aos exércitos do príncipe Eugênio de Saboia, sendo ele próprio deposto e executado em 1716. Este período marcou o início do domínio fanariota, onde príncipes gregos de Constantinopla governavam a Valáquia em nome do Império Otomano.

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Sociedade Valáquia: Estrutura e Escravidão

A sociedade da Valáquia, desde antes da fundação do principado, incluía a instituição da escravidão. A maioria dos escravos era de etnia cigana. O primeiro registro da presença cigana na Valáquia data de 1385, referindo-se a eles como 'ațigani'. Embora os termos romenos 'robie' e 'sclavie' pareçam sinônimos, havia distinções legais: 'sclavie' remetia à instituição romana, onde escravos eram mercadorias sem direitos humanos, enquanto 'robie' era a instituição feudal, onde escravos eram legalmente considerados seres humanos, mas com capacidade legal reduzida. A escravidão foi abolida em etapas entre as décadas de 1840 e 1850.

Escravidão na Valáquia: Uma Realidade Social

A escravidão (robie em romeno) era uma parte intrínseca da ordem social da Valáquia, existindo antes mesmo da fundação do principado e sendo abolida gradualmente entre as décadas de 1840 e 1850. A maioria dos escravos era de etnia cigana. O registro mais antigo da presença cigana na Valáquia é de 1385, utilizando o termo 'ațigani' (do grego 'athinganoi', que deu origem ao termo romeno 'țigani', sinônimo de 'cigano'). Embora 'robie' e 'sclavie' possam parecer sinônimos, havia diferenças legais significativas: 'sclavie' referia-se à instituição romana, onde os escravos eram tratados como mercadorias sem direitos humanos ('ius vitae necisque' – direito de vida ou morte), enquanto 'robie' designava a instituição feudal, na qual os escravos eram legalmente considerados seres humanos, mas com capacidade legal reduzida.

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Forças Militares da Valáquia: Evolução e Unificação

As forças militares da Valáquia existiram desde a fundação do país até 1860, quando se uniram ao exército da Moldávia para formar o Exército Romeno. Inicialmente, o exército era composto principalmente por cavalaria leve, utilizando táticas de 'bater e fugir', embora outras unidades também existissem. Entre os séculos XVI e XVIII, as tropas mercenárias tornaram-se predominantes. Em 1830, o Regulamentul Organic estabeleceu um exército permanente. A Valáquia também possuía uma frota fluvial entre os séculos XV e XVII, que utilizava barcos de vários tamanhos. Em 1794, uma pequena flotilha foi criada com a aprovação da Sublime Porta, e uma flotilha militar foi estabelecida após os regulamentos de 1830. Em 1860, a flotilha da Valáquia foi fundida com a da Moldávia, formando o Corpo da Flotilha do Danúbio, precursor das Forças Navais Romenas.

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Geografia da Valáquia: Divisões e Fronteiras

Com uma área de aproximadamente 77.000 km², a Valáquia está localizada ao norte do Danúbio (e da atual Bulgária), a leste da Sérvia e ao sul dos Cárpatos Meridionais. É tradicionalmente dividida em Muntênia, a leste (frequentemente considerada sinônimo de Valáquia devido ao seu papel como centro político), e Oltênia, a oeste (um antigo banato). O rio Olt serve como linha divisória entre as duas regiões. A fronteira tradicional da Valáquia com a Moldávia era o rio Milcov. A leste, na curva norte-sul do Danúbio, a Valáquia faz fronteira com Dobruja (Dobruja do Norte). Sobre os Cárpatos, a Valáquia fazia fronteira com a Transilvânia, e os príncipes valáquios detinham posse de áreas ao norte da linha (Amlaș, Ciceu, Făgăraș e Hațeg), que geralmente não são consideradas parte da Valáquia propriamente dita. As capitais mudaram ao longo do tempo, de Câmpulung para Curtea de Argeș, depois para Târgoviște e, após o final do século XVII, para Bucareste.

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População da Valáquia: Dados Históricos e Atuais

A população da Valáquia passou por diversas transformações ao longo da história. Estimativas do século XV apontam para cerca de 500.000 habitantes. Em 1859, a população total da Valáquia era de 2.400.921 pessoas, sendo 1.586.596 em Muntênia e 814.325 em Oltênia. Atualmente, de acordo com o censo de 2011, a região tem uma população de 8.256.532 habitantes, com a seguinte distribuição étnica (conforme censo de 2001): 97% romenos, 2,5% ciganos e 0,5% de outras etnias. As maiores cidades da Valáquia, segundo o censo de 2011, refletem a concentração populacional e o desenvolvimento urbano da região.

População Histórica da Valáquia

Historiadores contemporâneos estimam que a população da Valáquia no século XV era de aproximadamente 500.000 pessoas. Em 1859, a população total da Valáquia registrou 2.400.921 habitantes, distribuídos entre 1.586.596 em Muntênia e 814.325 em Oltênia.

População Atual da Valáquia

De acordo com os dados mais recentes do censo de 2011, a região da Valáquia possui uma população total de 8.256.532 habitantes. A composição étnica, conforme o censo de 2001, é majoritariamente romena (97%), seguida por ciganos (2,5%) e outros grupos étnicos (0,5%).

Principais Cidades da Valáquia

As maiores cidades da região da Valáquia, de acordo com o censo de 2011, são importantes centros urbanos que refletem a distribuição populacional e o desenvolvimento da área.

Fontes consultadas

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