Basílio Lecapeno
Basílio Lecapeno, também chamado de Basílio, o Paracemomeno ou Basílio, o Noto, foi um filho ilegítimo do imperador bizantino Romano I Lecapeno (r. 920–844) que serviu como paracemomeno e ministro chefe do Império Bizantino durante boa parte do período entre 947 e 985, sob os imperadores Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959), Nicéforo II Focas (r. 963–969), João I Tzimisces (r. 969–976) e Basílio II Bulgaróctono (r. 976–1025).
Origem e começo da carreira
Basílio foi o filho ilegítimo do imperador Romano I Lecapeno (r. 920–944) com uma concubina. É relatado que sua mãe era uma escrava de origem "cita" (possivelmente implicando "eslava"), mas segundo Kathryn Ringrose "isso pode ser apenas um topos pejorativo". A data exata de seu nascimento é desconhecido; O Dicionário da Oxford de Bizâncio sugere ca. 925, enquanto o estudioso alemão W. G. Brokaar sugere algum momento entre 910 e 915. Mais adiante os cronistas bizantinos como João Escilitzes, Zonaras e Jorge Cedreno alegaram que Basílio foi castrado quando adulto, após a deposição de seu pai em 944; Miguel Pselo relata que isso foi feito por razões políticas durante sua infância, uma visão apoiada por estudiosos modernos como Brokaar e Ringrose, uma vez que castração em adultos foi considerada perigosa e era rara.
Carreira sob Romano II, Nicéforo Focas e João Tzimisces
Sob sua nomeação, Romano II demitiu-o e favoreceu outro oficial, José Bringas, que assumiu as posições de paradinástevo, proto e paracemomeno. Isso estabeleceu uma intensa rivalidade e mesmo ódio entre os dois homens. Basílio permaneceu marginalizado durante o reinado, mas quando Romano morreu no começo de 963, seus filhos Basílio II e Constantino VIII eram menores de idade, e uma luta pelo trono irrompeu. Basílio aliou-se com o distinto general Nicéforo Focas contra Bringas. Basílio armou seus numerosos apoiantes — aproximados 3 000 segundo as fontes — e com a multidão urbana atacou Bringas e seus apoiantes e tomou o controle da cidade e dos portos. Bringas procurou santuário em Santa Sofia, enquanto Basílio mobilizou o drómon imperial e outros navios para Crisópolis, onde Focas esperava com seu exército. Focas entrou na cidade e foi coroado imperador sênior como guardião dos jovens filhos de Romano II. Como recompensa de seu papel na elevação de Focas ao trono, Basílio foi restaurado a sua antiga posição como paracemomeno e recebeu a recém elevada posição de proedro (integralmente "proedro [presidente] do senado" - proedros tes Synkletou). A elevação para este ofício envolveu uma cerimônia especial, incluída no Sobre as Cerimônias, e possivelmente escrito ou editado pelo próprio Basílio.
Carreira sob Basílio II
Ele continuou em ofício no começo do reinado de Basílio II, mas em 985 o jovem imperador - desejando assumir o governo após ser dominado por regentes e imperadores zeladores por 30 anos - acusou-o de simpatizar com o rebelde Bardas Focas e removeu-o do poder. Todas as suas propriedades e possessões foram confiscadas e todas as leis emitidas sob sua administração foram declaradas nulas e sem efeito. Basílio Lecapeno foi exilado e morreu logo depois.
Sua enorme riqueza permitiu a Basílio a tornar-se, segundo o Dicionário da Oxford de Bizâncio, "um dos mais pródigos patronos da arte bizantinos". Vários dos objetos de artes por ele comissionados sobreviveram, inclusive um relicário (um dos dois de São Simeão, o Estilita dedicados ao Mosteiro de São Basílio em Constantinopla) em Camoldoli na Itália, uma patena de jaspe e um cálice na Basílica de São Marcos em Veneza, e um bem conhecido relicário em cruz esmaltado (Estauroteca) na Catedral de Limburgo na Alemanha. Três manuscritos comissionados por ele também sobreviveram, todos escritos em pergaminhos de alta qualidade; uma coleção de tratados militares, incluindo seu próprio tratado sobre guerra naval, agora na Biblioteca Ambrosiana em Milão; as homilias de João Crisóstomo, no Mosteiro de Dionísio no monte Atos, Grécia; e um evangelho com as epístolas de Paulo agora em São Petersburgo, Rússia.


