Basílio de Magalhães
Basílio de Magalhães foi um historiador, folclorista, político, professor e jornalista brasileiro. Atuou como deputado federal por Minas Gerais, presidente da Câmara Municipal de São João del-Rei e diretor interino da Biblioteca Nacional entre 1917 e 1918.
Basílio de Magalhães nasceu em 1.º de junho de 1874, em terras que poucos meses depois passariam a integrar a recém-criada freguesia de Barroso, então pertencente ao termo da cidade de Barbacena, na província de Minas Gerais. A freguesia foi oficialmente instituída pela Lei Provincial n.º 2086, de 24 de dezembro de 1874, que elevou o antigo distrito à categoria de paróquia, com patrimônio destinado à instalação da capela dedicada a Sant’Ana. Era filho de Antônio Inácio Raposo e de Francisca de Jesus, ambos trabalhadores vinculados à fazenda Venda Grande. Há indícios, apontados pela historiografia, de que Basílio poderia ser filho biológico do imigrante português Ladislau Arhtur de Magalhães, seu padrinho de batismo, membro da elite local e casado com Belizandra Augusta de Meireles. Essa hipótese, contudo, não é confirmada por documentação conclusiva, permanecendo no campo das conjecturas históricas.
Basílio de Magalhães iniciou seus estudos na escola João dos Santos, em São João del-Rei, onde permaneceu desde a infância. Aos quinze anos, em 1889, passou a trabalhar como tipógrafo no jornal Gazeta Mineira, atuando posteriormente também como auxiliar de redação. Em razão da orientação política conservadora do periódico, afastou-se da publicação e ingressou no jornal Pátria Mineira, de orientação republicana, no qual exerceu funções de tipógrafo, paginador, revisor e redator até 1894. Nesse mesmo período, fundou e manteve o pequeno jornal A Locomotiva, iniciativa que marcou sua entrada no meio intelectual e político local. Posteriormente, formou-se em engenharia pela Escola de Minas de Ouro Preto, instituição de prestígio no cenário científico brasileiro do final do século XIX. A partir da década de 1900, passou a dedicar-se também ao magistério, lecionando disciplinas da área de História inicialmente em São Paulo e, mais tarde, no Rio de Janeiro. Tornou-se o 27.º diretor do então Instituto de Educação do Rio de Janeiro, desempenhando papel relevante na organização do ensino normal no Distrito Federal.
Basílio de Magalhães ingressou formalmente na vida política no início da década de 1920, período marcado por intensas disputas entre oligarquias regionais e pela reorganização do campo republicano em Minas Gerais. Em 1922, foi eleito para o Senado Estadual Mineiro, consolidando sua projeção no cenário político regional. No ano seguinte, assumiu a presidência da Câmara Municipal de São João del-Rei, exercendo simultaneamente o cargo de Agente Executivo Municipal, função equivalente à de prefeito. Em 1924, elegeu-se deputado federal por Minas Gerais, sendo reconduzido ao cargo em 1927. Durante sua atuação parlamentar, apresentou e defendeu propostas relacionadas à modernização do sistema político brasileiro, entre elas a instituição do voto secreto, a obrigatoriedade do voto e a ampliação do direito de sufrágio às mulheres — temas que, à época, encontravam forte resistência nos setores conservadores.
A partir da década de 1920, Basílio de Magalhães consolidou-se como um dos principais intelectuais brasileiros dedicados ao estudo da história e do folclore nacional. Sua produção caracterizou-se pela articulação entre história, etnografia, geografia histórica e crítica cultural, em diálogo com correntes eruditas então em circulação no Brasil e na Europa. Em 1928, publicou Folk-lore no Brasil, obra considerada pioneira por conferir tratamento sistemático e erudito às manifestações da cultura popular, superando abordagens meramente descritivas ou anedóticas. O livro insere-se no contexto da institucionalização dos estudos folclóricos no país, dialogando com autores como Sílvio Romero e Amadeu Amaral. Em 1935, foi oficialmente reconhecido como historiador emérito, após vencer o chamado "Prêmio Pedro II" com uma monografia posteriormente ampliada e publicada sob o título Expansão geográfica do Brasil colonial. Nessa obra, analisou os processos de interiorização do território brasileiro a partir da colonização portuguesa, enfatizando a formação de redes de circulação, a ocupação de sertões e o papel das bandeiras, das missões e das rotas comerciais.
Basílio de Magalhães faleceu em 14 de dezembro de 1957, na cidade de Lambari, em Minas Gerais, aos 83 anos de idade, em decorrência de uma hemorragia cerebral. À época de sua morte, encontrava-se em condições financeiras precárias, situação que contrastava com o prestígio intelectual que havia alcançado ao longo de sua trajetória.
Em reconhecimento à sua atuação intelectual, Basílio de Magalhães foi eleito membro de importantes instituições culturais brasileiras, entre elas o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a Academia Paulista de Letras e a Academia Mineira de Letras. É patrono-mor do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, instituição dedicada à preservação e difusão da memória histórica regional, bem como patrono da cadeira n.º 7 da Academia de Letras de São João del-Rei. Seu nome foi atribuído ao Salão Nobre da Prefeitura de São João del-Rei, local onde funcionou por muitos anos o plenário da Câmara Municipal e onde exerceu a presidência do legislativo local durante sua trajetória política. Na cidade de Nazareno, uma instituição pública de ensino foi denominada Escola Estadual Professor Basílio de Magalhães, em sua memória. Além disso, o folclorista Luís da Câmara Cascudo dedicou-lhe um verbete no Dicionário do Folclore Brasileiro, no qual destacou sua contribuição para a sistematização dos estudos folclóricos no país.


