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Santa Sofia

Santa Sofia, oficialmente Grande Mesquita de Santa Sofia, é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla. Da data em que foi edificada, em 537, até 1453, ela serviu nesta função, com exceção do período entre 1204 e 1261, quando ela foi convertida para uma catedral católica romana durante o Patriarcado Latino de Constantinopla que se seguiu ao saque da capital imperial pela Quarta Cruzada. O edifício foi uma mesquita entre 29 de maio de 1453 e 1931, quando foi secularizada. Ela reabriu como um museu em 1 de fevereiro de 1935.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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História

Primeira igreja

A primeira igreja era conhecida como Μεγάλη Ἐκκλησία(em grego: Megálē Ekklēsíā — "A Grande Igreja"; em latim: Magna Ecclesia) por causa de sua grande dimensão quando comparada com outras igrejas contemporâneas em Constantinopla. Escrevendo em 440 d.C., Sócrates de Constantinopla afirmou que a igreja foi construída por Constâncio II, que já trabalhava nela em 346. Inaugurada em 15 de fevereiro de 360 pelo bispo ariano Eudóxio de Antioquia, ela foi construída próxima da região onde o palácio imperial estava sendo construído. A igreja chamada Hagia Irene ("Santa Paz") foi completada antes e serviu como catedral até que Santa Sofia estivesse completada. As duas foram as principais igrejas do Império Bizantino.

Segunda igreja

A segunda igreja foi encomendada por Teodósio II, que a inaugurou em 10 de outubro de 415. A basílica com teto de madeira foi construída pelo arquiteto Rufino. Um incêndio iniciado durante a Revolta de Nica destruiu completamente a segunda Santa Sofia em 13-14 de janeiro de 532. Diversos blocos de mármore da segunda igreja ainda existem. Num deles está um alto-relevo mostrando 12 cordeiros representando os doze apóstolos. Originalmente parte de uma entrada monumental, eles agora estão preservados nas escavações ao lado da entrada do museu. Estes fragmentos foram descobertos em 1935 abaixo do pátio ocidental por A. M. Schneider, que não pôde continuar com as escavações por medo de comprometer a integridade da Basílica de Santa Sofia.

Terceira igreja

Em 23 de fevereiro de 532, apenas alguns dias depois da destruição da segunda basílica, o imperador Justiniano decidiu construir uma terceira — e completamente diferente — basílica, maior e muito mais majestosa que as suas antecessoras. Justiniano escolheu o médico Isidoro de Mileto e o matemático Antêmio de Trales como arquitetos, mas Antêmio morreu ainda no primeiro ano da empreitada. A construção foi descrita na obra "Sobre Edifícios" (em grego: Peri ktismatōn; em latim: De aedificiis) do historiador bizantino Procópio. O imperador mandou buscar materiais de construção de todo o império — colunas helênicas retiradas do Templo de Ártemis, em Éfeso (uma das Sete Maravilhas do Mundo), grandes blocos de pórfiro de pedreiras no Egito, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelos da Síria. Mais de dez mil pessoas foram empregadas na construção. Esta nova igreja foi, ainda na época, reconhecida como um grande feito de engenharia e arquitetura. O imperador, juntamente com o patriarca Eutíquio de Constantinopla, inauguraram a nova basílica em 27 de dezembro de 537 com pompa e circunstância. Contudo, os mosaicos internos só foram completados sob o reinado de Justino II (r. 565–578).

Mesquita (1453–1935)

Em 1453, o sultão Maomé iniciou o cerco de Constantinopla, tendo entre seus objetivos converter a cidade ao islamismo. O sultão prometeu às suas tropas três dias de saques sem limites se a cidade caísse, após o qual ele iria tomar para si a cidade e tudo o que ela continha. Santa Sofia não foi poupada da pilhagem, tornando-se, ao invés disso, o seu ponto focal, por conter, na visão de seus saqueadores, os maiores tesouros da cidade. Logo após as defesas da cidade terem sido rompidas, os saqueadores conseguiram chegar até Santa Sofia e derrubaram as suas portas. Durante todo o cerco, fiéis participaram de missas e orações na igreja, que se tornou um refúgio para os que eram incapazes de ajudar na defesa da cidade. Aprisionados na igreja, fiéis e refugiados se tornaram nada mais do que saque para serem divididos entre os invasores. O edifício foi dessecrado e saqueado, seus ocupantes, assassinados ou escravizados. Os velhos e enfermos foram mortos e o resto foi acorrentado imediatamente. Os padres continuaram a realizar os rituais até que foram interrompidos pelos invasores. Quando o sultão e sua corte entraram na igreja, eles insistiram que ela fosse transformada imediatamente numa mesquita. Um dos ulemás então subiu no púlpito e recitou a Shahada.

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Arquitetura

— Boswell; Strickland, 2014, p. 33. (texto adaptado) Santa Sofia é um dos grandes exemplos ainda existentes da arquitetura bizantina. Seu interior, decorado com pilares de mármore e mosaicos é de grande valor artístico. O próprio imperador Justiniano supervisionou a finalização da maior catedral já construída na época. Ela foi a maior conquista arquitetônica da antiguidade tardia e sua influência se espalhou pelo mundo ortodoxo, católico e islâmico. As maiores colunas são de granito, com entre 19 e 20 metros de altura e pelo menos 1,5 metros de diâmetro, tendo a maior mais de 70 toneladas. Por ordens do imperador, oito colunas coríntias foram desmontadas em Balbeque, no Líbano, e enviadas para Constantinopla para a construção de Santa Sofia. O vasto interior tem uma estrutura complexa. A nave é coberta por um domo central que, no seu ponto mais alto, está a 55,6 metros do chão e repousa sobre uma arcada com 40 janelas arqueadas. Restaurações em sua estrutura o deixaram com uma forma algo elíptica, com o diâmetro variando entre 31,24 e 30,86 metros.

Cúpula

A cúpula de Santa Sofia desperta particular interesse entre historiadores de arte, arquitetos e engenheiros pelas suas características inovadoras e grandiosas. É suportado por quatro tímpano, uma solução nunca antes utilizada. A sua utilização permite uma transição elegante do formato quadrado da base dos pilares para o formato hemisférico da cúpula. O uso de pendentes não é apenas uma escolha estética, mas também permite que as forças laterais da cúpula sejam contidas e o seu peso seja descarregado. Embora esta escolha arquitetónica tenha ajudado a estabilizar a cúpula, a parede circundante e os arcos, a construção prática dos muros de Santa Sofia enfraqueceu a estrutura geral. Os pedreiros usaram mais argamassa do que tijolos, o que enfraqueceu as paredes. A estrutura teria sido muito mais estável se tivessem deixado a argamassa secar antes de iniciar o nível seguinte. No entanto, quando a cúpula foi colocada no local, o seu peso, devido à argamassa ainda húmida, fez com que as paredes subjacentes se curvassem para fora. Quando Isidoro, o Jovem reconstruiu a cúpula, que tinha colapsado devido a um terramoto, teve primeiro de restaurar as paredes subjacentes ao prumo, reforçando o seu interior para que pudessem suportar o peso da nova capa. Além disso, elevou a nova cúpula em cerca de seis metros em relação à anterior para reduzir as forças laterais e descarregar mais facilmente o seu peso ao longo das paredes.

Urnas descobertas

Duas enormes urnas de lustratio de mármore foram trazidas de Pérgamo durante o reinado do sultão Murad III. Originárias do período helenístico, são esculpidas em blocos de mármore.

Decoração

Originalmente, sob o reinado de Justiniano, a decoração interior consistia em desenhos abstratos em placas de mármore colocadas nas paredes e abóbadas com mosaicos curvilíneos. Neles, ainda podem ser vistos os arcanjos Gabriel e Miguel. Havia também algumas decorações figurativas, como nos é relatado no elogio de Paolo Silenziario. Os tímpanos da galeria são feitos com a técnica de 'Opus sectile e apresentam padrões, imagens de flores e pássaros. Em fases posteriores, foram adicionados mosaicos figurativos, mas foram destruídos durante a controvérsia iconoclasta (726-843). Os mosaicos ainda presentes pertencem ao período pós-iconoclasta. O número de tesouros, relíquias e ícones cresceu progressivamente em riqueza, permitindo a criação de uma coleção surpreendente, até ser dispersa após o saque durante a Quarta Cruzada.

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Mosaicos

A igreja foi ricamente decorada com mosaicos ao longo dos séculos. Eles geralmente representam a Virgem Maria, Jesus, santos ou imperadores e imperatrizes. Outras partes foram decoradas num estilo puramente decorativo, com padrões geométricos. Durante o Saque de Constantinopla (1204), os cruzados latinos vandalizaram itens valiosos em todas as estruturas bizantinas mais importantes da cidade, incluindo os mosaicos dourados de Santa Sofia. Muitos destes itens foram enviados para Veneza, cujo Doge, Enrico Dandolo, fora o organizador da invasão e do saque. Após a conversão do edifício para uma mesquita, em 1453, muitos dos mosaicos foram cobertos com gesso por conta da proibição islâmica às imagens. Este processo não se completou de uma vez e existem relatos do século XVII em que viajantes notam que ainda era possível ver imagens cristãs na antiga igreja. Em 1847–1849, o edifício foi restaurado por dois irmãos suíço-italianos, Gaspare e Giuseppe Fossati, e o sultão Abdul Mejide I permitiu que eles documentassem quaisquer mosaicos que eles descobrissem no processo. Este trabalho não incluía restaurá-los e, após preservar os detalhes sobre a imagem, os Fossati pintavam sobre eles novamente. Este trabalhou incluiu cobrir as até então descobertas faces dos dois mosaicos de serafins localizados no centro do edifício. Atualmente, a igreja tem quatro dessas imagens, sendo duas delas restaurações à tinta criadas pelos Fossati para substituir as duas que eles não conseguiram encontrar vestígios. Em outros casos, os Fossati recriaram os padrões de mosaicos danificados com tinta, por vezes redesenhando-os no processo. Os registros dos Fossati são as fontes principais para diversos mosaicos que se acredita terem sido totalmente ou parcialmente destruídos no terremoto de 1894, incluindo o grande mosaico do Cristo Pantocrator no domo, um mosaico que estaria sobre uma local não identificado chamado de "Porta dos Pobres", uma grande imagem de uma cruz cravejada de joias e um grande número de imagens de santos, anjos, patriarcas e padres da Igreja. A maior parte das imagens perdidas estavam localizadas nos dos tímpanos do edifício. Os Fossati também acrescentaram um mimbar (púlpito) e os quatro grandes medalhões nas paredes da nave com os nomes de Maomé e dos primeiros califas do Islã.

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Minaretes

Um dos minaretes, no sudoeste, foi construído com tijolos vermelhos, enquanto os outros três, com calcário branco e arenito. Entre estes, o mais estreito, a nordeste, foi erigido pelo sultão Bajazeto II, enquanto os outros dois maiores no lado oeste, pelo sultão Selim II, com o projeto do famoso arquiteto otomano Sinan.

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Fontes consultadas

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