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Tropas Paraquedistas de Portugal

Tropas Paraquedistas MHTE • MOVM • MPCG • MHC • MHA • MOSD é a designação genérica das tropas portuguesas especializadas em operações militares aerotransportadas, especialmente, naquelas que envolvem saltos de paraquedas, assaltos aéreos ou lançamento de cargas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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História

Em 2006, no âmbito da reorganização do Exército Português, o CTAT foi extinto, sendo as suas unidades reunidas na recém criada Brigada de Reação Rápida (BRR). Pela primeira vez, desde 1975, deixou de haver um Comando unificado responsável pelas Tropas Paraquedistas. Mantiveram-se como principais unidades paraquedistas, a Escola de Tropas Paraquedistas (transformada em Regimento de Paraquedistas, em 2016), o Batalhão de Apoio Aeroterrestre (atual Batalhão Operacional Aeroterrestre) e os dois batalhões de infantaria paraquedista (1BIPára e 2BIPára). A BRR, resultante da transformação da antiga BAI, incorpora atualmente unidades de várias especialidades do Exército, tais como as Tropas Comandos e as Tropas de Operações Especiais.

Origens do paraquedismo em Portugal

Em 12 de dezembro de 1819, realizou-se o primeiro salto de paraquedas em Portugal, pelo inglês Eugénio Robertson. Em 6 de outubro de 1922, aconteceu o primeiro salto de paraquedas militar em Portugal, pelos oficiais de engenharia capitão Mário Costa França e tenente José Machado de Barros, pertencentes à Companhia de Aerosteiros do Exército Português. Em 14 de outubro de 1930, o primeiro-cabo José Maria da Veiga e Moura, piloto da Aeronáutica Militar, executou o primeiro salto de paraquedas a partir de um avião, em Portugal. Em 1942 são formados, na Austrália, 12 militares paraquedistas portugueses, naturais de Timor, que seriam lançados na retaguarda das forças japonesas que ocupavam aquele território português.

Criação das Tropas Paraquedistas

Em 1951, os capitães Armindo Martins Videira e Mário de Brito Monteiro Robalo, do Exército Português, frequentaram o curso de paraquedismo militar na École des Troupes Aeroportées (ETAP), em Pau (França). No ano seguinte, foi promulgada a Lei 2005 (artº nº9) de 27 de maio de 1952, que criou a Força Aérea Portuguesa como ramo independente das Forças Armadas e que previa a criação de uma força paraquedista. Em 1953, o aspirante Fausto Pereira Marques e os sargentos Américo de Matos e Manuel Coelho Gonçalves frequentaram na ETAP o curso de paraquedismo e, após a conclusão do mesmo, frequentaram o curso de instrutores e monitores de paraquedismo, juntamente com o Capitão Mário Robalo.

Guerra Colonial

Ao iniciar-se a Guerra Colonial, os paraquedistas foram a primeira força portuguesa projetada para o continente africano, chegando a primeira Companhia de Caçadores Paraquedistas a Angola no dia 16 de março de 1961, apenas um dia após o massacre da UPA. Com o desenrolar do conflito, esta companhia seria reforçada, subindo de escalão para batalhão, denominado Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21 (BCP 21). Entretanto, perante a necessidade de aumentar a capacidade de formação de novos paraquedistas no BCP, este sobe também de escalão para regimento, passando a designar-se Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP), em 5 de maio de 1961, constituído por dois batalhões, o Batalhão de Instrução (BI) e o Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 11 (BCP 11).

25 de abril e Processo Revolucionário em Curso

Na manhã da Revolução de 25 de abril de 1974, pelas 6h30, o Comando da 1ª Região Aérea da Força Aérea informou o comandante do RCP, Coronel Fausto Marques, que havia movimento de tropas em Lisboa e que este deveria colocar o regimento em prevenção rigorosa e enviar quatro helicópteros com paraquedistas para Monsanto, no sentido de tentar contrariar a revolução, em curso desde essa madrugada. Fausto Marques, após se deslocar à Base Aérea 3 (BA 3) e tendo-se reunido com o 2º Comandante dessa unidade, decidiu retardar a ordem até obter mais informações. Após insistência e nova comunicação do Comando Aéreo, Fausto Marques rejeitou a ordem e recusou o emprego de forças paraquedistas em ações contra as forças do Movimento das Forças Armadas.

Reorganização

Em 5 de julho de 1975, no período entre os golpes de 11 de março e 25 de novembro, as Tropas Paraquedistas foram alvo de uma grande reorganização. Foi criado o Corpo de Tropas Paraquedistas (CTP), que reunia todas as unidades paraquedistas da Força Aérea. O CTP incluía uma estrutura territorial responsável pela mobilização, instrução e administração dos militares que iriam guarnecer a força operacional do corpo, composta por: A Força Operacional do CTP era a Brigada Ligeira de Paraquedistas (Briparas), constituída por: Para além destas, outras subunidades poderiam ser mobilizadas, em caso de necessidade. A existência do CTP com um comando próprio dava-lhe uma grande autonomia no seio da Força Aérea. O CTP era responsável pela instrução e mobilização dos seus militares, pela escolha do seu equipamento e, mesmo, pela sua doutrina. A sua autonomia e o seu progressismo tornava-os numa das melhores equipadas unidades das Forças Armadas Portuguesas. Entre outros aspectos, foi a primeira unidade militar portuguesa a ser equipada com mísseis anticarro e com veículos de ataque rápido (FAV).

Transferência da Força Aérea para o Exército

No âmbito da reestruturação das Forças Armadas Portuguesas, foi decidida a fusão das Tropas Paraquedistas e das Tropas de Comandos num único corpo militar (uma espécie de Brigada Pára-Comando) que ficaria na dependência do Exército Português. A 1 de janeiro de 1994, o Corpo de Tropas Paraquedistas foi transformado no Comando de Tropas Aerotransportadas (CTAT) do Exército, com uma estrutura territorial semelhante ao anterior. O Regimento de Comandos foi extinto, com a intenção de que os seus militares fossem habilitados com o curso de paraquedismo militar e os mesmos fossem integrados no CTAT, sendo os restantes dispersos por diversas unidades do Exército.

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Organização atual

Infantaria paraquedista

Regimento de Infantaria N.º 10 (São Jacinto)

Outras forças

Embora não sejam habitualmente identificadas como "Tropas Paraquedistas", existem outras unidades militares em Portugal cuja missão obriga a que os seus elementos sejam qualificados em paraquedismo, tais como: Existem ainda no Exército diversos militares que, embora qualificados em paraquedismo, exercem funções noutras áreas de atividade.

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Formação

A formação em paraquedismo militar é ministrada, em Portugal, no Regimento de Paraquedistas:

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Batalhas

Guerra Colonial (1961-1975)

Durante e imediatamente após a Guerra Colonial, foram empenhadas várias unidades Paraquedistas:

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Simbologia

Uniforme e boina verde

Os paraquedistas foram pioneiros, no âmbito das Forças Armadas Portuguesas, no uso de uniformes camuflados e de boina. Com o artº 20 do Decreto-lei nº 40395 de 1955 (Regulamento para a Organização, Recrutamento e Serviço das Tropas Paraquedistas) foi autorizado, pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas Portuguesas, o uso de uma boina como cobertura de cabeça. Às Tropas Paraquedistas foi designada a cor verde, o que lhes valeu a alcunha de Boinas Verdes. Ao contrário das sugestões iniciais de adoção de uma boina de cor vermelha ou castanha (seguindo o exemplo das tropas paraquedistas até aí existentes noutros países), o Ministro da Defesa Santos Costa decidiu adotar a cor verde. Esta cor seria a da tinta da caneta que o mesmo usava para assinar os seus decretos. Desde então, o principal símbolo dos paraquedistas portugueses é a boina de cor verde claro (designada de "Verde Caçador Paraquedista"). Por essa razão, os paraquedistas portugueses têm a alcunha de "Boinas Verdes".

Museu das Tropas Paraquedistas

A história das Tropas Paraquedistas está preservada no Museu das Tropas Paraquedistas, localizado no RPára. Trata-se de um museu de entrada livre, que reúne artefactos relacionados com a história das Tropas Paraquedistas Portuguesas, desde a sua criação, à participação na Guerra Colonial e posteriores missões de manutenção da paz. Serve igualmente de memorial para todos paraquedistas portugueses que perderam a vida em serviço.

Dia do Paraquedista

Todos os anos, no dia 23 de maio, celebra-se no RPára o Dia do Paraquedista, assinalando o aniversário da inauguração do Batalhão de Caçadores Paraquedistas, em 1956. Esta data foi escolhida em alusão à bula Manifestis Probatum (1179), que declarou o Condado Portucalense oficialmente independente do Reino de Leão, ou seja, reconheceu efetivamente o Reino de Portugal. Embora esta efeméride seja simultaneamente celebrada no contexto do Dia da Unidade do RPára, a mesma é encarada como o dia de todos os paraquedistas portugueses, pelo que se juntam às celebrações unidades paraquedistas de toda a estrutura orgânica do Exército.

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