Baride
Baride foi o serviço de correio estatal do Califado Omíada e depois do Califado Abássida. Uma grande instituição do começo do Estado islâmico, o serviço postal não foi apenas responsável pela entrega terrestre da correspondência oficial através do império, mas adicionalmente funcionou como agência de inteligência doméstica, que informou aos califas eventos nas províncias e atividades dos oficiais do governo.
A etimologia da palavra árabe Baride foi descrita pelo historiador Richard N. Frye como "incerta". Uma origem babilônica foi sugerida pelos estudiosos do século XIX, que ofereceram a seguinte explicação disputada: berīd = Babyl. buridu (do mais antigo *(p)burādu) = 'correio' e 'cavalo rápido'. Tem sido proposto que, uma vez que a instituição postal parece ter sido adotada dos sistemas de correia anteriormente mantidos pelo Império Bizantino e pelo Império Sassânida, a palavra Baride poderia ser derivada do latim tardio veredus ("cavalo postal") ou do persa buridah dum ("tendo uma cauda cortada", em referência aos cavalos postais).
O serviço postal muçulmano aparentemente baseou-se nas organizações de correio de seus antecessores, os bizantinos e sassânidas. Sistemas postais estiveram presentes no Oriente Médio através da Antiguidade, com vários Estados pré-islâmicos tendo operado seus próprios serviços. A tradição local de obrigar a população que vivia próximo às estradas a transportar a bagagem de soldados e oficiais em trânsito, ou a população toda fornecendo bestas de carga para o Estado como no Reino Ptolemaico, tem sido documentada desde o tempo do Império Aquemênida e foi executado pela legislação romana no século IV. O Baride operou dos tempos omíadas, com os créditos por seu desenvolvendo sendo creditados ao primeiro califa omíada Moáuia I (r. 661–680). Um sucessor de Moáuia, Abedal Maleque ibne Maruane (r. 685–705), fortaleceu a organização, fazendo melhorias adicionais nele após o fim da Segunda Guerra Civil. Os omíadas criaram um divã ou departamento governamental para gerir o sistema e um orçamento separado foi alocado para custeá-lo.
Correspondências e viagem
O Baride forneceu aos califas a habilidade de comunicar-se com seus oficiais nas várias regiões sob sua autoridade. Seus mensageiros eram capazes de entregar massivas por todo o império com grande eficiência, com velocidades de deslocação relatados tão rápido quanto quase 100 milhas diárias. O Baride não foi um serviço de correio, e normalmente não transportou cartas privadas enviadas por particulares; em vez disso, normalmente só levado correspondência, tais como relatórios e decretos oficiais, entre agentes do governo. Para facilitar a rápida entrega das mensagens, o Baride manteve uma extensa rede de estações de descanso, que abrigavam montarias descansadas, alojamento e outros recursos para seus mensageiros. A distância média entre cada estação era, ao menos em teoria, dois para quatro parasangas (10 a 20 quilômetros); segundo o geógrafo do século IX ibne Cordadebe, havia um total de 930 estações por todo o império. Essa rede de retransmissão foi flexível e estações postais temporárias podiam ser estabelecidas como necessário; durante campanhas militares, por exemplo, novos estações postais eram estabelecidas de modo que a linha de comunicação podia ser mantida com o avanço do exército.
Vigilância
Além de seu papel como um serviço de transporte, o Baride operou como uma rede de inteligência dentro do Estado islâmico. Chefes dos correios (axabe albaride) de cada distrito efetivamente atuaram como informantes para o governo central, e regularmente submeteram relatórios à capital do estado de suas localidades respectivas. Cada eventos de significância, como os procedimentos legais locais, flutuações em preços de produtos essenciais, ou mesmo atividade climática incomum, seriam escritos sobre e enviados para o diretor do divã central, que resumiria a informação e apresentaria-a ao califa. Além dos assuntos das províncias em geral, os agentes do Baride também monitoraram a conduta de outros oficiais do governo. Chefes do correio tinham de procurar qualquer casos de má conduta ou incompetência e informar ao califa de tal comportamento. Eles também relatavam sobre atos e decretos do governador e juiz local, bem como o balanço do tesouro. Esta informação permitiu ao califa avaliar o desempenho de seus agentes, e demitir qualquer um que se tornasse corrupto ou rebelde.


