Bardas
Bardas foi um nobre que ocupou diversas posições importantes no Império Bizantino. Como irmão da imperatriz bizantina Teodora, ele ascendeu rapidamente durante o reinado de Teófilo (r. 829–842), seu cunhado. Depois da morte deste imperador, apesar de relegado para segundo plano por Teodora e Teoctisto em 855, Bardas armou a morte deste último, afastou a imperatriz e se tornou o regente de facto de seu sobrinho, Miguel III (r. 842–867).
Bardas (Βάρδας, Bárdas) é a forma latina e grega do armênio Varde (Վարդ, Vard), que pode ter derivado do parta vard- (em iraniano antigo *vr̥da-), "rosa", ou do iraniano antigo vard-, "virar".
Bardas era filho do drungário Marino com sua esposa Teoctista e era irmão mais velho da imperatriz Teodora, a esposa do imperador Teófilo, e do general Petronas. Teófanes Continuado menciona mais três outras irmãs, Maria, Sofia e Irene. A família toda era de origem armênia e vinha da Paflagônia. Alguns genealogistas modernos, incluindo Cyril Toumanoff e Nicholas Adontz, sugeriram uma ligação da família de Bardas com o clã nobre armênio dos Mamicônios. De acordo com Nina Garsoïan, do Oxford Dictionary of Byzantium, porém, "apesar de atrativa, não é possível provar esta tese por falta de fontes". Em 837, Teófilo concedeu-lhe a dignidade de patrício e o enviou, juntamente com o general Teófobo, numa campanha contra os abasgos que terminou derrotada. Com a morte de Teófilo, o jovem Miguel III ascendeu ao trono, mas, como ele tinha apenas dois anos de idade, um conselho de regentes foi organizado e liderado por Teodora. Bardas, Petronas e Sérgio Nicetiata, também parente, eram membros, mas foi o logóteta Teoctisto que rapidamente se estabeleceu como principal conselheiro da imperatriz-mãe. Nos primeiros dias da regência, Bardas teve um papel mais ativo: encorajou a imperatriz a abandonar de vez o Iconoclasma e tomou parte nas investigações que levaram à deposição do patriarca iconoclasta João VII Gramático, o que resultou no chamado "Triunfo da Ortodoxia" e na restauração da veneração dos ícones em 843. No ano seguinte, porém, Teoctisto culpou Bardas pelas deserções que levaram à derrota bizantina na Batalha de Mauropótamo contra os abássidas, apesar de ter sido ele próprio o general responsável, e conseguiu que a imperatriz o exilasse da corte em Constantinopla.
Ascensão e queda
Com a morte de Teoctisto, a regência estava condenada; no início de 856, Miguel assumiu o poder completamente e, no ano seguinte, Teodora foi obrigada a se retirar para o Mosteiro de Gastria. Mesmo assim, como o imperador estava mais interessado nos prazeres da vida na corte e no seu romance com Eudócia Ingerina, Bardas se tornou o regente de facto do império. Por volta de 858, foi promovido às funções mais importantes do estado bizantino (magistro, doméstico das escolas, cartulário do canícula), tornou-se também um curopalata logo depois — segundo Simeão Logóteta, esta última promoção ocorreu depois que Teodora tentou, sem sucesso, matá-lo — e, finalmente, em 22 (ou 26) de abril de 862, foi feito césar. Petronas também saiu da obscuridade na mesma época e se tornou o estratego do Tema Tracesiano, liderando diversas campanhas vitoriosas contra os abássidas.
Família
Bardas se casou duas vezes. De sua primeira esposa, de nome desconhecido e que morreu antes de 855, ele teve um filho chamado Antígono, uma menina chamada Irene, um filho de nome desconhecido e outra filha que se casou com o logóteta Simbácio, embora seja possível que esta seja a mesma Irene. Por volta de 855, Bardas se casou de novo, desta vez com Teodósia, de quem se divorciou em 862. Antígono foi nomeado doméstico das escolas quando era ainda um garoto e ainda estava no posto quando o pai foi morto. O outro filho, do qual não se sabe o nome, casou-se, em 858, com uma amante descartada por Bardas para que ele pudesse se casar com Teodósia e recebeu o título de monoestratego dos temas europeus como recompensa. A quarta filha (Irene?) de Bardas se casou com o patrício e logóteta Simbácio, que participou do plano para assassinar Bardas na esperança de sucedê-lo. Ele se revoltou quando Basílio se tornou coimperador, mas foi derrotado, mutilado e exilado.


