Barbra Streisand
Barbara Joan "Barbra" Streisand é uma cantora, atriz e diretora estadunidense de origem judaica. Com uma carreira de mais de seis décadas, alcançou sucesso em vários campos do entretenimento e está entre os poucos artistas premiados com Emmy, Grammy, Óscar e Tony (EGOT). Começou sua carreira se apresentando em casas noturnas e teatros da Broadway, no início dos anos de 1960. Após suas participações em vários programas de televisão, assinou contrato com a Columbia Records, que conseguiu contratá-la após ceder total controle sobre suas produções, sendo esse tipo de exigência notória ao longo de sua carreira. O primeiro disco, The Barbra Streisand Album, foi lançado em 1963, e premiou-a com dois prêmios Grammy. Ao longo de sua carreira musical, atingiu a posição de #1 na parada da Billboard 200, dos Estados Unidos, com 11 álbuns - um recorde para uma mulher - incluindo os álbuns People (1964), The Way We Were (1974), Guilty (1980) e The Broadway Album (1985). Também possui cinco singles em primeiro lugar na Billboard Hot 100, dos Estados Unidos - "The Way We Were", "Evergreen", "You Don't Bring Me Flowers", "No More Tears " e "Woman in Love".
Família
Nasceu em 24 de abril de 1942, no Brooklyn, em Nova Iorque, filha de Diana (nascida Ida Rosen) e Emanuel Streisand. Sua mãe tinha sido soprano na juventude e considerou uma carreira na música, mas mais tarde se tornou uma secretária escolar. Seu pai era professor de segundo grau na mesma escola de sua mãe, e foi lá onde os dois se conheceram. A família era judia. Seus avós paternos emigraram da Galícia (Polônia-Ucrânia) e seus avós maternos da Rússia, onde seu avô tinha sido cantor. Em agosto de 1943, alguns meses após o primeiro aniversário, seu pai morreu, aos 34 anos, de complicações de uma crise epiléptica, possivelmente resultante de um ferimento na cabeça que ocorrera anos antes.:3 A família passou dificuldades financeiras e sua mãe passou a trabalhar como contadora, recebendo um salário de valor baixo. Já adulta, lembrou-se dessa época e disse lembrar-se de como sempre se sentia um "pária", explicando: "O pai de todo mundo voltava do trabalho no final do dia. O meu não".:3 Sua mãe tentou, pagava suas contas, mas não podia dar à filha a atenção que ansiava: "Quando eu queria o amor de minha mãe, ela me dava comida", disse.:3
Educaçã
Começou sua educação na Judaica Ortodoxa Yeshivá, do Brooklyn, quando tinha cinco anos. Era considerada inteligente e curiosa sobre tudo; no entanto, tinha pouca disciplina e costumava gritar com as pessoas na escola.:3 Em seguida, entrou na Public School 89, no Brooklyn, e durante os primeiros anos escolares começou a assistir televisão e a ir ao cinema. "Eu sempre quis ser alguém, ser famoso... Você sabe, sair do Brooklyn".:3 Ficou conhecida em sua vizinhança por sua voz, e lembra-se de sentar na varanda em frente ao prédio e cantar: "Eu era considerada a garota com a boa voz".:3 Esse talento tornou-se uma forma de chamar a atenção. Costumava praticar seu canto no corredor de seu prédio, que possuía grande quantidade de eco.
Com 16 anos e morando sozinha, teve vários empregos braçais para ter alguma renda. Durante um certo período, não teve um endereço permanente e se viu dormindo na casa de amigos ou em qualquer outro lugar onde pudesse montar o berço do exército que carregava. Quando muito necessitada, voltava ao apartamento da mãe, no Brooklyn, para uma refeição caseira. Sua mãe ficou horrorizada com o "estilo de vida cigano" da filha, escreveu a biógrafa Karen Swenson, e novamente implorou que desistisse de tentar entrar no show business, mas considerou os apelos de sua mãe um motivo a mais para continuar tentando: "Meus desejos foram fortalecidos por querer provar para minha mãe que eu poderia ser uma estrela". Conseguiu um emprego como recepcionista no Teatro Lunt-Fontanne na época do The Sound of Music, no início de 1960. Durante o andamento da peça, soube que o diretor de elenco estava fazendo testes para mais cantores, e isso marcou a primeira vez que cantou em busca de um emprego. Embora o diretor achasse que não era adequada para o papel, ele a encorajou a incluir seu talento como cantora em seu currículo ao procurar outro trabalho.
Apresentações em boates e palcos da Broadway
Foi convidada a fazer um teste na boate Bon Soir, depois foi contratada por US$ 125 por semana. Foi seu primeiro compromisso profissional em setembro de 1960, onde foi a banda de abertura da comediante Phyllis Diller. Ela lembra que foi a primeira vez que esteve naquele ambiente sofisticado: "Eu nunca tinha estado em uma boate antes de cantar em uma". Dennen agora queria expô-la as gravadoras de algumas cantoras de sucesso, incluindo Billie Holiday, Mabel Mercer, Ethel Waters e Édith Piaf. Streisand percebeu que ainda poderia se tornar uma atriz ganhando reconhecimento como cantora. De acordo com o biógrafo Christopher Nickens, ouvir outras grandes cantoras beneficiou seu estilo, pois começou a criar diferentes personagens durante as apresentações.
Aparições na televisão, casamento e primeiros álbuns
A primeira aparição na televisão foi no The Tonight Show, oportunidade dada graças ao apresentador Jack Paar. Sua aparição ocorreu durante um episódio em abril de 1961, apresentado por Orson Bean que naquele dia substituíra Paar. Cantou "A Sleepin 'Bee" de Harold Arlen. Durante sua aparição, Phyllis Diller, também uma convidada no show, a chamou de "um dos maiores talentos musicais do mundo". Mais tarde, em 1961, antes de ser escalada para Another Evening With Harry Stoones, tornou-se figura frequente no programa PM East / PM West, que consistia em um programa de entrevistas e variedades apresentada por Mike Wallace e Joyce Davidson. No início de 1962, foi ao estúdio da Columbia Records para uma gravação com o elenco de I Can Get It for You Wholesale. Também naquela primavera, participou de uma gravação em estúdio do 25º aniversário de Pins and Needles, clássico musical originado em 1937 pelo International Ladies 'Garment Workers' Union. As resenhas de ambos os álbuns destacaram suas performances.
Música
Gravou 50 álbuns de estúdio, quase todos com a Columbia Records. Seus primeiros trabalhos na década de 1960 (sua estreia, The Barbra Streisand Album, The Second Barbra Streisand Album, The Third Album, My Name Is Barbra, etc.) são considerados clássicos e possuem canções do teatro e cabaré, incluindo sua versão uptempo de "Happy Days Are Here Again", que chegou a ser gravada em um dueto com Judy Garland no The Judy Garland Show. No episódio que contou com sua aparição, Garland se referiu a ela como uma das últimas grandes belters, e juntas cantaram "There's No Business Like Show Business", com Ethel Merman. Seus primeiros álbuns eram muitas vezes cheios de medleys retirados de seus especiais de televisão. A partir de 1969, começou a tentar material mais contemporâneo, já que na época a moda eram canções de rock e artistas como os The Beatles e The Rolling Stones. Com o sucesso de Stoney End, produzido por Richard Perry, em 1971, renovou o repertório e atingiu um novo público. A faixa-título, escrita por Laura Nyro, foi um grande sucesso. Durante toda década de 1970, foi altamente proeminente nas paradas pop, são dessa época suas canções com melhor posição nas charts, como "The Way We Were", "Evergreen (Love Theme de A Star Is Born)", "No More Tears (Enough Is Enough)" (1979, com Donna Summer) e "You Don't Bring Me Flowers" (com Neil Diamond) que atingiram a posição de #1 e "The Main Event" que atingiu a posição de #3, algumas das canções são de trilhas sonoras de seus filmes. No final da década de 1970, foi nomeada a cantora feminina de maior sucesso nos EUA - apenas Elvis Presley e The Beatles venderam mais álbuns. Em 1980, lançou sua maior vendagem até o momento, Guilty, produzido por Barry Gibb. Continha os sucessos "Woman in Love", "Guilty" e "What Kind of Fool" e vendeu mais de 15 milhões de cópias no mundo.
Atuação
Seu primeiro filme foi uma reprise de seu sucesso na Broadway, Funny Girl (1968), um sucesso artístico e comercial dirigido pelo veterano de Hollywood William Wyler. Ganhou o Oscar de melhor atriz em 1968 pelo papel, compartilhando-o com Katharine Hepburn (O Leão no Inverno), a única vez em que houve um empate nesta categoria do Oscar. Seus dois filmes seguintes também foram baseados em musicais - Hello, Dolly! de Jerry Herman, dirigido por Gene Kelly (1969); e On a Clear Day You Can See Forever, de Alan Jay Lerner e Burton Lane, dirigido por Vincente Minnelli (1970) - enquanto seu quarto filme foi baseado na peça da Broadway The Owl and the Pussycat (1970).
Possui um alcance vocal meio-soprano, que Howard Cohen do Miami Herald descreve como "incomparável". Whitney Balliett escreveu: "Streisand impressiona seus ouvintes com sua dinâmica perspicaz, sua bravura sobe, seu vibrato ondulante e sua singular qualidade nasal-from-Brooklyn em sua voz - uma voz tão imediatamente reconhecível em seu caminho quanto a de Louis Armstrong". A escritora musical Allegra Rossi acrescenta que Streisand cria composições completas em sua cabeça: "Mesmo que não possa ler ou escrever música, Barbra ouve melodias como composições completas em sua cabeça. Ouve uma melodia e a absorve, aprendendo rapidamente. Barbra desenvolveu sua habilidade de sustentar notas longas porque quis. Pode moldar uma melodia que outros não podem; é capaz de cantar entre o canto e a fala, mantendo-se afinada, carregando ritmo e significado. Embora seja predominantemente uma cantora pop, a voz foi descrita como "semi-operática" devido à sua força e qualidade de tom. De acordo com Adam Feldman da revista Time Out, seu "estilo vocal característico" é "uma ponte suspensa entre o belting da velha escola e o pop de microfone". É conhecida por sua habilidade de segurar notas relativamente altas, tanto altas quanto suaves, com grande intensidade, bem como por sua capacidade de fazer enfeites leves, mas discretos, em uma linha melódica. A qualidade anterior levou o pianista clássico Glenn Gould a se autodenominar "um freak Streisand".
Relacionamentos e família
Foi casada duas vezes. Seu primeiro marido foi o ator Elliott Gould, com quem se casou em 13 de setembro de 1963. Eles anunciaram sua separação em 12 de fevereiro de 1969 e se divorciaram em 6 de julho de 1971. Eles tiveram um filho, Jason Gould, que apareceu como seu filho na tela em The Prince of Tides. Em 1969 e 1970, namorou o primeiro-ministro canadense Pierre Trudeau. Começou um relacionamento com o cabeleireiro / produtor Jon Peters em 1973. Ele passou a ser seu empresário e produtor. Eles se separaram em 1982 durante a produção de Yentl, mas continuam amigos. É a madrinha de suas filhas, Caleigh Peters e Skye Peters. De novembro de 1983 a outubro de 1987, morou com o herdeiro do sorvete Baskin-Robbins, Richard Baskin, que escreveu a letra de "Here We Are At Last" de Emotion, de 1984. Namorou o ator Don Johnson de dezembro de 1987 até pelo menos setembro de 1988, a dupla gravou um dueto de "Till I Loved You". Em 1983 e 1989, respectivamente, namorou brevemente os atores Richard Gere e Clint Eastwood. De 1989 a 1991, esteve envolvida com o compositor James Newton Howard.
Nome
Em entrevistas disse que mudou seu nome de "Barbara" para "Barbra" porque: "Eu odiava o nome, mas me recusei a mudá-lo". Explicou ainda: "Bem, eu tinha 18 anos e queria ser única, mas não queria mudar meu nome porque era muito falso. Sabe, as pessoas estavam dizendo que você poderia ser Joanie Sands ou algo parecido. (Meu nome do meio é Joan.) E eu disse: 'Não, vamos veja, se eu tirar o 'a', ainda é 'Barbara', mas é único". Uma biografia de 1967 com um programa de concerto dizia: "a grafia de seu primeiro nome é um exemplo de rebeldia parcial: era aconselhada a mudar seu sobrenome e retaliou retirando um "a" do primeiro".
Política
Nos primeiros anos de sua carreira, o interesse pela política foi limitado, com exceção de sua participação em atividades do grupo anti-nuclear Women Strike for Peace, em 1961 e 1962. Em julho de 1968, com Harry Belafonte e outros, se apresentou no Hollywood Bowl em um concerto para arrecadação de fundos patrocinado pela Southern Christian Leadership Conference. É uma apoiadora ativa (e de longa data) do Partido Democrata e de muitas de suas causas. Estava entre as celebridades na lista de inimigos políticos do presidente Richard Nixon, de 1971. Em 1995, falou na Escola de Governo John F. Kennedy de Harvard sobre o papel do artista como cidadão, em apoio a programas de artes e financiamento.
Em 1984, doou o Emanuel Streisand Building for Jewish Studies à Universidade Hebraica de Jerusalém, no campus do Monte Scopus, em memória de seu pai, um educador e estudioso que morreu quando era jovem. Arrecadou sozinha mais de $ 25 milhões para organizações por meio de suas apresentações ao vivo. A Streisand Foundation, estabelecida em 1986, contribuiu com mais de $ 16 milhões por meio de quase 1.000 doações para "organizações nacionais que trabalham na preservação do meio ambiente, educação de eleitores, proteção das liberdades civis e direitos civis, questões femininas e nuclear desarmamento". Em 2006, doou US $ 1 milhão para a Fundação William J. Clinton em apoio à iniciativa de mudança climática do ex-presidente Bill Clinton. Em 2009, doou US$ 5 milhões para Barbra Streisand Women's Cardiovascular Research and Education Program no Centro do Coração da Mulher do Cedars-Sinai Medical Center. Em setembro daquele ano, a revista Parade a incluiu em sua segunda pesquisa anual Giving Back 30 do Giving Back Fund, "uma classificação das celebridades que fizeram as maiores doações para instituições de caridade em 2007 de acordo com registros públicos", como a terceira mais celebridade generosa. O Giving Back Fund afirmou que ela doou US$ 11 milhões, que a Fundação Streisand distribuiu. Em 2012, arrecadou US$ 22 milhões para apoiar seu centro cardiovascular feminino, trazendo sua própria contribuição pessoal de US$ 10 milhões. O programa foi oficialmente denominado Centro do Coração da Mulher Barbra Streisand.
A escrita da autobiografia de Streisand enfrentou obstáculos em várias etapas, e a Viking Press anunciou em maio de 2015 que esperava publicar sua aguardada memória em 2017, abrangendo toda a vida e carreira de Streisand. O lançamento de My Name Is Barbra ocorreu em 7 de novembro de 2023. Em sua entrevista de divulgação com a BBC Streisand afirmou que ela desejava "ter mais diversão" na vida.
Honras
Ao longo de sua carreira, recebeu um número substancial de prêmios, indicações e homenagens, a saber: O Distinguished Merit Award da revista Mademoiselle, em 1964 e foi selecionada como Miss Ziegfeld, em 1965. Em 1968, a Israel Freedom Medal, o maior prêmio civil de Israel, e os prêmios Pied Piper da ASCAP e o Prix De L ' Academie Charles Cros, em 1969, além do Crystal Apple em sua cidade natal City of New York, e o Woman of Achievement in the Arts pela Anti-Defamation League, em 1978. Em 1984, o Women in Film Crystal Award para mulheres de destaque que, por meio de sua resistência e a excelência de seu trabalho ajudaram a expandir o papel das mulheres na indústria do entretenimento. No mesmo ano, o Woman of Courage Award da National Organization for Women (NOW), a Ordre des Arts et des Lettres e o Scopus Award do American Friends of The Hebrew University.
O efeito Streisand é um fenômeno social em que uma tentativa de ocultar, censurar ou remover algum tipo de informação se volta contra o censor, resultando na vasta replicação da informação. A popularização do fenômeno teve origem na ampla facilidade de divulgação através da Internet. Normalmente a tentativa de censura por parte de alguma personalidade pública com vários seguidores contra algum divulgador menor acaba por impulsionar a informação da tentativa de censura e assim aumentando a divulgação desta informação, muitas vezes levando a críticas contra a figura pública por conta da tentativa de censurar alguma informação. Mike Masnick originalmente criou o termo Efeito Streisand em referência a um incidente em 2003 no qual a atriz e cantora estadunidense Barbra Streisand processou o fotógrafo Kenneth Adelman e o website Pictopia.com em 50 milhões de dólares em uma tentativa de ter uma foto aérea de sua mansão removida da coleção de 12000 fotos da costa da Califórnia disponíveis no site alegando preocupações com sua privacidade. Como resultado do caso a foto se tornou popular na Internet, com mais de 420 mil pessoas tendo visitado o site durante o mês seguinte.


