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Barata

Barata é o nome popular dado a diversos insetos ortópteros da subordem Blattaria (blatários), que compreende milhares de espécies, da família dos blatídeos. O termo vem do latim científico Blattaria, derivado de blatta. O nome cascuda também pode referir-se a baratas ou coleoptera de maneira genérica. É um inseto onívoro, de hábitos noturnos e considerado uma praga universal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Etimologia

Etimologicamente, barata deriva-se do latim blatta, adaptação do grego blapto, no Brasil, besouro. Na acepção mais comum, designa um inseto ortóptero, isto é, de asas retas, e omnívoro, que come de tudo. Tem o corpo achatado e oval. O nome científico veio da língua grega porém latinizada do inseto (Grego dórico: βλάττα, blátta; Grego ático: βλάττη, blátte).

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Origem

Os registros mais antigos de baratas datam do período Carbonífero (há 320 milhões de anos). Elas foram reconhecidas basicamente pelas impressões deixadas por suas asas, num tipo de fossilização onde apenas o relevo das nervuras foi preservado. O padrão destas nervuras é característico de cada uma das espécies, permitindo assim sua identificação/classificação.[carece de fontes?] As mais antigas baratas da América do Sul pertencem ao final do Carbonífero (280 milhões de anos) e também foram reconhecidas somente por suas asas. Porém, existem algumas exceções: nas rochas calcárias de Formação Santana (datada em 112 milhões de anos, período Cretácio Inferior), região de Santana do Cariri, Ceará, foram encontrados insetos extraordinariamente preservados. Neste período, inclusive, as baratas foram contemporâneas dos dinossauros. As baratas atuais, quando comparadas a suas ancestrais, demonstram uma enorme capacidade de adaptação às mudanças ambientais, apresentando pequenas variações morfológicas. Desde a sua origem até hoje, as modificações mais acentuadas ocorridas nos corpos destes insetos foram: variação no padrão e número das nervuras das asas e espinhos das patas. Não foram, no entanto, elucidados quais os benefícios que estas alterações possam ter trazido para o processo de adaptação.[carece de fontes?] O curioso é que no Cretáceo da Formação Santana foram encontradas baratas com grande ovipositor (tubo por onde saem os ovos das fêmeas), chegando a 1/3 do comprimento total do corpo, além de outras espécies de insetos com ooteca (bolsa de ovos). Dentre todos eles, somente as baratas permaneceram e, provavelmente, sobreviverão mantendo suas características por muito tempo.[carece de fontes?]

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Características morfológicas

O tamanho das baratas varia entre 3 mm a 10 cm de comprimento dependendo da espécie. Apresentam um corpo oval, achatado dorso-ventralmente, e em geral com uma coloração escura. A cabeça é curta, subtriangular, do tipo opistognata, com uma abertura bucal trituradora ( igual à do gafanhoto ), antenas longas e filiformes, geralmente dois ocelos, e os olhos compostos estão presentes na maioria das espécies, com exceção das espécies cavernícolas. O tórax possui três pares de pernas do tipo cursoriais, e quando presentes, dois pares de asas, Em geral nas espécies sem asas, as fêmeas é que são ápteras. O abdome geralmente apresenta 10 segmentos, contendo os principais órgãos vitais, sendo que há um par de cercos para ambos os sexos, com a função olfativa. Além disso, os machos são menores do que as fêmeas.

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Comportamento

Gostam de lugares quentes e úmidos, sendo encontradas na: serrapilheira, sob pedras, cascas de árvores, em ninhos de himenópteros e isópteros, no interior das edificações humanas (principalmente na cozinha), e na rede de esgoto. Há algumas espécies semi-aquáticas e aquáticas (Epilampra - Blaberidae), e outras que vivem em desertos e cavernas. A maioria das espécies é solitária, com algumas espécies apresentando hábito gregário (exemplificadas pelas espécies domésticas), sendo Cryptocercus punctulatus considerada como uma espécie subsocial, que vive em árvores e como os cupins possuem simbiontes intestinais. Em geral apresentam hábito noturno (principalmente as de ambiente urbano), sendo que neste período procuram por alimento e parceiros(as) para o acasalamento, e realizam oviposição e dispersão. Durante o período diurno permanecem escondidas. Quando as baratas urbanas aparecem durante o período diurno, está ocorrendo: uma alta densidade populacional (para cada barata encontrada, pode haver mil escondidas) e/ou a falta de alimento e água. As espécies diurnas são frequentemente coloridas e arborícolas. As baratas gastam 75% de seu tempo descansando, no qual assumem uma posição característica: antenas voltadas para frente com um ângulo entre elas de 60º e as pernas mantém o corpo rente à superfície.[carece de fontes?]

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Alimentação

Muitas espécies silvestres participam da cadeia alimentar como saprófagos, por se alimentarem de material animal e vegetal morto, carnívoros e herbívoros. As espécies do gênero Panesthia (Blaberidae) e Cryptocercus (Cryptocercidae) possuem bactérias e protozoários em seu tubo digestivo, que auxiliam na digestão da celulose. Mas a maioria das espécies é onívora, como por exemplo, as espécies existentes em ambientes urbanos. As baratas urbanas são capazes de viver três dias sem água e dois meses sem comida.[carece de fontes?] Mas várias baratas conseguem sobreviver cerca de um mês sem comida e sem água e aproximadamente dois meses só com a água.

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Reprodução

Em geral, o acasalamento entre as baratas se inicia com os machos sendo atraídos por feromônios sexuais emitidos pelas fêmeas. Quando há o encontro, o casal inicia um contato físico por meio de uma intensa antenação. O macho eleva as asas, expondo uma glândula localizada na superfície dorsal do abdome, que secreta uma substância da qual a fêmea se alimenta. Enquanto a fêmea sobe no macho para se alimentar da substância, por baixo o macho tenta introduzir a sua genitália na da fêmea, para iniciar a cópula. Quando ambos estão ligados pelas genitálias, o macho vira-se 180º, e assumem a posição conhecida como “end-to-end”. A cópula pode durar uma hora ou mais, e durante este processo o macho transfere o espermatóforo para a fêmea. Os espermatozoides são armazenados na espermateca, ficando ativos por um longo período. Não apenas estímulos químicos estão envolvidos no acasalamento, mas também sonoros como na espécie Nauphoeta cinerea, cujos machos estridulam durante o ato, emitindo sons de 60 dB. Os machos e as fêmeas podem copular uma ou mais vezes.

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Desenvolvimento

Este grupo de insetos apresenta metamorfose incompleta, do tipo paurometabólica (os imaturos e adultos vivem no mesmo habitat), passando pelos estágios de ovo, ninfa (correspondente à fase larval) e adulto, com a ausência do estágio imóvel (pupa).[carece de fontes?] Na maioria das espécies, os ovos estão contidos em um estojo denominado de ooteca. Esta estrutura, dependendo da espécie, pode variar quanto à forma, tamanho e número de ovos (de 4 a 50 ovos). Dependendo também da espécie, as fêmeas antes de depositar a ooteca em um local, podem carregá-la durante algumas horas ou dias, e em alguns casos, durante toda a fase embrionária, podendo com as mandíbulas auxiliar as ninfas a emergirem dos ovos. A ooteca é depositada geralmente em locais abrigados, como fendas nas paredes das casas, sob pedras e na vegetação, e muitas vezes sendo recobertos com detritos, para manter a umidade e evitar possíveis predadores. A duração do estágio de ovo varia dependendo da espécie e da temperatura. Por exemplo, a duração desta fase na barata americana a 29 °C é de aproximadamente 5 semanas. Em algumas espécies de baratas ocorre a partenogênese (do tipo telétoca, com a formação de apenas fêmeas), com os óvulos desenvolvendo-se sem serem fertilizados pelo espermatozoide, como por exemplo, na espécie Pycnoscelus surinamensis.

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Inimigos naturais

Existem muitos inimigos naturais (predadores e parasitas) que atacam as baratas, como por exemplo, osgas (lagartixas), bactérias, formigas, vermes, fungos, protozoários, artrópodes (ácaros, aranhas, besouros, escorpiões, hemípteros e himenópteros) e vertebrados. Dentre os himenópteros, seis famílias se desenvolvem em ovos (exemplo: Evaniidae, Encyrtidae, Chalcididae e Eulophidae), e na família Sphecidae, principalmente as ninfas de baratas são paralisadas e colocadas no ninho destas vespas para servirem como alimento para as larvas.

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Importância

As baratas podem ocasionar os seguintes problemas: atuar como vetores mecânicos (vírus, fungos, bactérias e protozoários) e biológicos (ser hospedeiro intermediário de vermes); reações alérgicas (contato com as fezes e exúvias); inutilizar alimentos (deixam odor repugnante); roer/sujar roupas e livros; ser uma praga agrícola de relativa importância (roer raízes e atacar produtos armazenados); e psicológicos, por causarem sensação de asco e medo. Apesar deste lado negativo, as baratas para muitos povos, atualmente e no passado, têm um lugar de destaque no folclore, encontrando se relatos em modinhas, superstições, jogos infantis, medicina popular, provérbios, adivinhações, ditados e na alimentação. Na medicina popular existem vários relatos de algumas espécies, principalmente Blatta orientalis, em serem usadas para curar várias doenças, como por exemplo: alcoolismo, asma, bronquite, cólicas intestinais, dores de cabeça e ouvido, furúnculos, gripe, entre outras. Alguns pesquisadores, em sua maioria russos e alemães, nos séculos XIX e XX (a primeira metade) fizeram vários estudos para comprovar o efeito terapêutico das baratas, e em muitos casos havia. Na alimentação humana, para muitos povos orientais as baratas fazem parte de sua dieta, sendo comidas cruas ou cozidas. No Brasil, os índios Chocleng (Santa Catarina) apreciavam as baratas.

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