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Barão Geraldo

Barão Geraldo é um distrito do município brasileiro de Campinas, no interior do estado de São Paulo, que surgiu nos anos 1920 a partir da Estação Barão Geraldo do Ramal Funilense da antiga Estrada de Ferro Sorocabana e por isso tem esse nome.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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História

Origem das terras

Ainda há controvérsias em relação aos primeiros proprietários das terras. Historiadores como Melo Pupo e Jolumá Brito informaram que, em 1799, foi registrada a última sesmaria da região de Campinas, doada pelo Conselho Ultramarino para o futuro brigadeiro Luís António de Sousa Queirós e para seu irmão Francisco Antônio de Souza Queiroz, que ali instalou o engenho Nossa Senhora do Carmo do Morro Alto, que ia de Campinas ao atual município de Cosmópolis, entre o Ribeirão Quilombo e a antiga estrada dos Goiases (atual Rodovia Campinas-Mogi-Mirim). Porém, nas memórias sobre seu pai, Amélia Rezende Martins conta a história passada de geração a geração em sua família de que as terras da fazenda Morro Grande (antigo nome da Santa Genebra), contíguas às terras da Rio das Pedras/Morro Alto, foram compradas por Francisco de Barros Cardoso por volta de 1660 por "uma faca, um ponche e 19$500 réis" e depois revendidas pela viúva Cardoso aos irmãos Souza Queiroz.

Origem do distrito

A história de Barão Geraldo contada pelos baronenses fundamenta-se em raízes culturais e ideais de autonomia de imigrantes e migrantes (vênetos, portugueses, libaneses e brasileiros vindos no "mesmo navio" para (ou da) "mesma fazenda" (onde se estabeleceram inicialmente)) da região campineira, no início do século XX, em busca de sua autonomia. A memória local enfatiza a origem de Barão Geraldo na chegada dessas famílias, no início do século XX, para trabalhar nas fazendas já com projetos de adquirir sua pequena propriedade de terra e, se possível, perto de alguma cidade, onde poderiam viabilizar a vida com sua famílias e talvez mesmo obter algum lucro com a "venda do excedente" na cidade. Porém foram bem poucos os que conseguiram trazer e guardar algum dinheiro para, a partir dos anos 1920, começarem a comprar lotes da Fazenda Rio das Pedras e instalarem-se em meio às piores condições de vida, caracterizando uma "luta pela autossuficiência" que tais trabalhadores e seus pais buscavam em relação aos grandes fazendeiros de café e cana-de-açúcar.

A luta pela "Cidade Universitária"

Em entrevista à professora Olga von Simson do Centro de Memória, o corretor de imóveis Honório Chiminazzo conta que, a partir de 1960, começa a procurar o doutor Zeferino Vaz, que fazia parte da comissão de implantação da Universidade de Campinas, para oferecer-lhe terras para o Estado construir a Universidade de Campinas. Chiminazzo diz que, durante vários anos, ofereceu, a ele e à comissão de instalação da universidade, vários terrenos: o do atual Lago do Café, depois o do atual Campus II da PUCC, e finalmente o terreno da Fazenda Santa Cândida (atual Campus I da PUCC), aceito por Mario Degni, mas que Zeferino não aceitou. No entanto, conforme entrevistas de Hélio Leonardi e Manoel Sidrônio,constantes no Centro de Memória, os moradores procuraram Honório Chiminazzo e pediram para que a Unicamp ficasse nas terras da Fazenda Rio das Pedras, no então "cafezal Santa Izabel". Em 1963, Chiminazzo e vários moradores foram pedir a João Adhemar de Almeida Prado para doar terras para a Universidade de Campinas, sendo que ele poderia depois lotear todo o entorno. Inicialmente Prado declarou doar 15 alqueires, mas a oferta não foi aceita pela comissão de Zeferino. Daí, Sidrônio, Hélio, Guido e outros moradores, além de Chiminazzo solicitaram a doação de mais 15 alqueires, totalizando 30 alqueires do Cafezal Santa Izabel.

Plano diretor

Em 1992, devido às inúmeras manifestações de associações de moradores para a melhoria do distrito, o então prefeito José Roberto Magalhães Teixeira determinou à Secretaria de Planejamento que se iniciassem aos discussões do Plano Diretor de Barão Geraldo. Tais discussões resultaram na Lei 9.199 de 1996, que pouco levaram em conta a história e os interesses de moradores ambientalistas e progressistas de Barão Geraldo, sendo alvo de inúmeros protestos até hoje. Essa lei foi elaborada por duas universidades de Campinas (Unicamp e Puccamp), associações de Barão Geraldo, escolas, população e apoiada pelo então prefeito Magalhães Teixeira. Magalhães Teixeira faleceu, porém, e a Lei foi assinada pelo seu sucessor Edivaldo Orsi em 1996.

Pedidos de emancipação

A partir de 1966, com a inauguração da Unicamp, ocorre um intenso processo de parcelamento de solo para fins urbanos e uma grande diversificação dos moradores de Barão. No mesmo ano, a Sociedade Amigos de Barão Geraldo, formada por Guido Camargo Penteado Sobrinho, Hélio Leonardi e Lázaro de Campos Faria, dá entrada na Assembleia Legislativa do primeiro pedido oficial de emancipação. De lá para cá, mais de 20 pedidos de emancipação já foram feitos à Assembleia. Hoje, a luta pela emancipação é liderada pelo Movimento Emancipa Barão.

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Geografia

Demografia

Pelo Censo 2022 (IBGE) a população total do distrito era de 58.822[carece de fontes?] habitantes. Barão Geraldo possui, atualmente, cerca de 20 mil habitantes flutuantes), com 15 893 residências (sendo 377 residências na área rural) e 12 condomínios fechados.

Área territorial

A área territorial do distrito é de 63,141 km².

Rodovias

O distrito está situado a doze quilômetros da área central de Campinas, a qual se liga pela Rodovia Professor Zeferino Vaz (antiga Milton Tavares de Lima).

Hidrografia

Pelo distrito de Barão Geraldo, passa o Ribeirão das Pedras, um curso d'água bastante poluído por esgoto doméstico e por outras fontes como o Parque Dom Pedro Shopping. Suas terras situam-se no contato entre duas importantes formações geomorfológicas do estado de São Paulo: a Depressão periférica e o Planalto Atlântico paulista.

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Serviços públicos

Registro civil

Atualmente é feito no próprio distrito, pois o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais continua ativo.

Saneamento

O serviço de abastecimento de água é feito pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (SANASA).

Energia

A responsável pelo abastecimento de energia elétrica é a CPFL Paulista, distribuidora do Grupo CPFL Energia.

Telecomunicações

O sistema de telefones automáticos foi inaugurado no distrito em 1978 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1978 com o código de área (0192). Na década de 90 o código DDD do distrito foi alterado para (019), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.

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Pontos de interesse

Localizam-se, em Barão Geraldo, polos referenciais que reúnem interesses culturais, tecnológicos, científicos, ambientais e turísticos, entre os quais se destacam:

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Preservação ambiental

Vários baronenses pretendem que a cidade se torne uma referência em preservação ambiental, adotando medidas que vão ao encontro desse plano. Em meio a polêmicas e iniciativas de aspecto legal e privado, algumas áreas de preservação têm sido destacadas e incluídas em projetos municipais. Em 13 de novembro de 2003, o Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio) determinou que as cinco matas e as duas lagoas da Fazenda Rio das Pedras fossem tombadas como patrimônio da cidade, definidas como bens de interesse ambiental e histórico-cultural.

Mata Santa Genebra

A Mata de Santa Genebra é um pedaço remanescente de Mata Atlântica localizado no distrito de Barão Geraldo. Seus limites ocidentais marcam também a divisa de municípios entre Campinas e Paulínia. É a segunda maior floresta urbana do Brasil, atrás apenas da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Possui uma área de 251,77 hectares, altitude média de 670 m e temperatura média de 20,6 °C. É uma floresta semidecídua e declarada ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) pelo Governo Federal em 1985.

Parque Ecológico

O Parque Ecológico Professor Hermógenes de Freitas Leitão Filho localiza-se nos limites entre a Unicamp e o bairro Cidade Universitária, e, nele, está a lagoa Chico Mendes, que ocupa 74% da área total do parque. Delimitado em uma área de 13,44 hectares, é utilizado para lazer e caminhadas, sendo administrado pelo Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura Municipal de Campinas. A vegetação acomoda espécies nativas, algumas características de floresta brejosa, plantas e animais exóticos. Hermógenes de Freitas Leitão Filho foi professor do Instituto de Biologia e pró-reitor de pós-graduação da Unicamp, e defendia, como definição de um parque ecológico:

Parque Linear Ribeirão das Pedras

O Ribeirão das Pedras nasce no bairro Alto Taquaral, passa pelo Jardim Santa Genebra e chega ao distrito de Barão Geraldo, onde recebe água dos afluentes do Parque Ecológico Hermógenes de Freitas Leitão e deságua no Ribeirão Anhumas, percorrendo um percurso total de cerca de 8 quilômetros, abrigando um projeto de preservação ambiental marcado pela recuperação da mata ciliar, implantação de equipamentos de lazer como ciclovia, de lagoa natural de controle de cheias e investimentos em obras de saneamento e urbanização. Em 1998, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente da Prefeitura de Campinas desenvolveu o projeto do Parque Linear do Ribeirão das Pedras, prevendo a recuperação da mata ciliar do ribeirão, num parque que atravessaria 23 bairros, com uma ciclovia com 9 quilômetros.

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Cultura

Feira da Cultura e Arte

A Feira de Cultura e Arte de Barão Geraldo existe desde 7 de setembro de 2002, comercializa produtos artesanais diversos, conta com área de alimentação e palco de apresentações.

Espaço Cultural Casa do Lago

O Espaço Cultural Casa do Lago foi inaugurado em 8 de abril de 2002, no campus da UNICAMP, em Barão Geraldo, e possui uma área construída de, aproximadamente, um mil metros quadrados, divididos em sala de cinema, sala multidisciplinar e sala de exposições. Seu objetivo é permitir o diálogo artístico e cultural entre a comunidade acadêmica e os diversos segmentos da sociedade. Possui sala de cinema com 72 lugares, Sala Multiuso para apresentações e uma Galeria.

Carnaval de rua

O carnaval de rua de Barão só começou em 1999, com o primeiro desfile do bloco Berra Vaca reunindo milhares de participantes, desfilando pelas ruas do distrito, cantando marchinhas de carnaval, antigas e atuais. O nome Berra Vaca surgiu em alusão à lenda do "Boi Falô" e hoje é referência como um dos carnavais mais originais e animados de Campinas. No entanto , depois do Berra Vaca surgiram vários outros grupos como o Sibipiruna, o União Altaneira ( originado de uma bateria da Unicamp) , as Cacheirosas, o Jeguegerso

Lenda do Boi Falô

Conta a tradição que numa Sexta-feira Santa, um capataz da Fazenda Santa Genebra ordenou a um escravo ou trabalhador que fosse buscar alguns bois que estavam deitados num local conhecido como Capão do Boi (onde atualmente está o bairro Jardim Santa Genebra II.) Mas, ao chegar ao local para tocar os bois, um dos animais recusou-se a levantar, e ao ser açoitado pelo escravo ou trabalhador, repentinamente o boi disse "Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo!" O escravo, aterrorizado voltou à sede da Fazenda e contou ao capataz do ocorrido e o próprio capataz foi ao local tocar o boi e também ouviu o boi falar a mesma coisa.

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Religião

O Cristianismo se faz presente no distrito da seguinte forma:

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Fontes consultadas

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