Soleimitas
Soleimitas, soleímidas ou Banu Soleime eram uma tribo árabe que dominava parte do Hejaz na era pré-islâmica. Mantiveram laços estreitos com os coraixitas de Meca e os habitantes de Medina, e lutaram em várias batalhas contra o profeta islâmico Maomé antes de se converterem ao Islã antes de sua morte em 632. Participaram da conquista muçulmana do Levante, e estabeleceram-se na Alta Mesopotâmia, enquanto parte da tribo permaneceu no Hejaz. Durante o início da era muçulmana, a tribo produziu generais notáveis como Safuane ibne Muatal, Abulatar e Omeir ibne Hubabe. Aqueles que permaneceram na Arábia foram em grande parte absorvidos pelos harbitas do Iêmem no início do século IX, enquanto aqueles na Síria e Mesopotâmia foram expulsos para o Alto Egito pelos califas fatímidas no final do século X por ajudarem os cármatas. Em meados do século XI, uma fome prolongada no Egito levou a tribo a migrar para o oeste com hilalitas à Líbia. Os soleimitas e suas subtribos se estabeleceram principalmente na Cirenaica, onde até os dias atuais muitas das tribos árabes daquela região traçam sua descendência deles.
De acordo com a tradição genealógica árabe, eram descendentes de Solaíme ibne Mançor ibne Icrime ibne Caçafa ibne Caice Ailane. Assim, faziam parte do grupo tribal mais amplo dos caicitas (Caice Ailane). Se dividiam em três divisões principais, Inru Alcaice, harititas (Harite) e talabaitas (Talaba), todas fundadas por filhos ou netos do progenitor da tribo, Solaíme.
Na era pré-islâmica, ou seja, antes de 610, e no início da era islâmica, habitavam o norte de Hejaz, com o campo vulcânico Harra formando o coração de seu território. Este último era anteriormente denominado Harrate Bani Solaime em homenagem à tribo. Era uma região defensiva ideal, pois os cavaleiros inimigos não podiam controlar seu terreno ou entrar nas encostas leste e oeste, onde os soleimitas tinha seus himas (pastagens protegidas). A divisão Inru Alcaice habitava em grande parte as encostas orientais, onde os bazitas possuíam lucrativas minas de ouro. Os harititas estavam concentrados principalmente nas encostas ocidentais, embora membros de seu ramo moauita habitassem a cidade de Iatrebe (Medina) antes da chegada das tribos judaicas árabes dos aucitas e cazerajitas. Com o tempo, o ramo moauita se converteu ao judaísmo. Alguns membros do ramo talabaita também viviam em Meca e Medina.
Era pré-islâmica
De sua terra natal no Hejaz, mantinham relações estreitas com outras tribos caicitas, particularmente os hauazinitas. Os membros do clã dacuanita formaram fortes laços com os habitantes de Meca no final do século VI, a saber, os coraixitas. Antes disso, um chefe dacuanita, Maomé ibne Alcuzai, foi nomeado comandante de um contingente de confederados tribais rebiaítas e modaritas por Abramo, o vice-rei axumita do Iêmem e inimigo dos mecanos. Outro membro dacuanita, Aláqueme ibne Omaia, serviu como motácibe da Meca pré-islâmica, encarregado de supervisionar a lei e a ordem com o consentimento unânime dos clãs coraixitas. Os soleimitas também mantinham boas relações com o povo de Medina, vendendo cavalos, camelos, ovelhas e manteiga clarificada nos mercados da cidade e mediando entre clãs rivais dos aucitas. Também adoravam Camis, o ídolo pagão compartilhado com os cazerajitas.
Período islâmico
Durante as atividades de Maomé em Meca e Medina, os soleimitas, como seus aliados coraixitas, eram hostis a ele e sua mensagem. Uma exceção entre os homens da tribo era Safuane ibne Muatal, um dacuanita em Medina que se tornou companheiro de Maomé. Vários clãs se juntaram ao chefe quilatida Amir ibne Atufail em seu ataque aos missionários muçulmanos em Bir Maona em 625. Os soleimitas sob o chefe dacuanita Sufiane ibne Abde Xemece continuaram a lutar ao lado dos coraixitas na Batalha da Trincheira em 627, mas quando Maomé entrou vitoriosamente em Meca em janeiro de 630, a grande maioria dos soleimitas se converteu ao Islã e desertou para o seu lado. Eles lutaram ao lado de Maomé e dos coraixitas contra uma coalizão de tribos árabes pagãs na Batalha de Hunaine no final daquele ano; apenas o filho de Sufiane ibne Abde Xemece, Abulatar, lutou ao lado dos pagãos.


