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Bandeira do Canadá

A Bandeira Nacional do Canadá, também conhecida como a Folha de Bordo ou a Folheada, é uma bandeira formada por uma tribanda vermelha nas pontas e branca no centro, no meio da qual está uma folha de bordo estilizada com onze pontas. É a primeira bandeira nacional canadense branco vermelho

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Desenho e origens

A bandeira do Canadá é uma tribanda composta por um quadrado central branco (chamado de pala canadiana por causa desta bandeira) com dois campos vermelhos nas laterais exatamente da metade do tamanho que o quadrado. No centro está uma folha de bordo estilizada vermelha com onze pontas. O brasonamento foi registrado pela Autoridade Heráldica Canadense em 15 de março de 2005, delineando o desenho heráldico como "goles em uma pala canadiana argento, uma folha de bordo da primeira", da mesma forma que fora designada na proclamação real original de 1965. O número de pontas da folha de bordo não tem um significado especial; o número e arranjo das pontas foram escolhidos depois de testes em um túnel de vento terem mostrado que a versão de onze pontas era a que menos ficava embaçada a olho nu sob condições de ventos fortes. O desenho da folha de bordo em si foi supervisionado por Jacques Saint-Cyr.

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História

Primeiras bandeiras

A primeira bandeira conhecida que foi hasteada em solo canadense foi a Cruz de São Jorge da Bandeira da Inglaterra carregada por Giovanni Caboto quando este chegou em Terra Nova em 1497. Jacques Cartier colocou uma bandeira possuindo as flores de lis francesas em 1534 na península de Gaspé. Seu navio tinha hasteada uma bandeira vermelha com uma cruz branca, na época a bandeira naval do Reino da França. A Nova França continuou a hastear as sucessivas bandeiras militares francesas do período. A Bandeira da União foi usada similarmente no Canadá desde 1621 pela colônia britânica da Nova Escócia por ser a bandeira nacional do Reino Unido. Seu uso continuou mesmo depois da independência canadense em 1931 até a adoção da bandeira atual em 1965, sendo depois disto chamada de "Bandeira Real da União".

Grande Debate

O debate para uma bandeira oficial do Canadá se intensificou na década de 1960 e tornou-se assunto de controvérsias, culminando com o Grande Debate da Bandeira de 1964. O governo minoritário do Partido Liberal do primeiro-ministro Lester B. Pearson chegou ao poder em 1963 e tentou adotar uma bandeira canadense oficial através de um debate parlamentar. O próprio Pearson era o principal proponente de uma mudança. Tinha desempenhado um papel importante na Crise de Suez em 1956, tendo inclusive recebido o Nobel da Paz por seus esforços. Pearson tinha ficado irritado durante a crise quando o governo do Egito foi contra as forças de paz canadenses porque o Estandarte Vermelho possuía o mesmo símbolo (a Bandeira da União) usado como a bandeira do Reino Unido, um dos países beligerantes, dessa forma sendo considerada uma bandeira britânica pelos egípcios. Seu objetivo era que a bandeira do Canadá fosse distinta e inequivocamente canadense. O principal oponente contra a mudança da bandeira era John Diefenbaker, então líder da oposição e ex-primeiro-ministro que fez do assunto uma cruzada pessoal.

Nova bandeira

Um novo comitê com todos os partidos foi formado em setembro de 1964, composto por sete Liberais, cinco Conservadores, um Novo Democrata, um Crédito Social e um Créditiste, com Herman Maxwell Batten atuando como presidente e Matheson sendo o braço-direito de Pearson. Dentre as pessoas que deram suas opiniões ao grupo estavam Duguid, que expressou as mesmas visões que tinha em 1945, insistindo em um desenho que usasse as três folhas de bordo; Arthur R. M. Lower, que salientou a necessidade de um emblema distintamente canadense; Marcel Trudel, que defendia símbolos das nações fundadoras do Canadá e sem a inclusão da folha de bordo (um pensamento compartilhado por Diefenbaker); e A. Y. Jackson, que deu suas próprias sugestões de bandeiras. O comitê também considerou aproximadamente duas mil sugestões do público, além de outros 3900 desenhos, "incluindo aqueles que tinham acumulado no Departamento do Secretário de Estado e aqueles do comitê parlamentar da bandeira de 1945–1946". Depois de um período de seis meses de estudo e manobras políticas, o comitê votou em dois finalistas: o desenho de Beddoe (o "Galhardete de Pearson") e o desenho da Folha de Bordo criado por George Stanley. Os Conservadores foram todos para a o desenho da Folha de Bordo por acreditarem que os Liberais iriam votar na versão preferida do primeiro-ministro. Entretanto, os Liberais também votaram na outra opção, dando um resultado unânime de 14–0 para a criação de Stanley.

Proclamação

Depois de todas as resoluções sobre a nova bandeira terem sido passadas pelas duas câmara do parlamento, uma proclamação real foi elaborada para a aprovação da rainha Isabel II do Canadá. O documento foi criado como uma Iluminura em papel velino, com a caligrafia feita por Yvonne Diceman tanto em inglês quanto em francês e com a inclusão de ilustrações heráldicas. O texto foi escrito usando um bico de pena com tinta preta, enquanto os elementos heráldicos foram pintados com guache com destaques dourados. O Grande Selo do Canadá foi aplicado com cera sobre uma faixa de seda branca e vermelha. O documento foi assinado discretamente por Diceman e depois também recebeu as assinaturas oficiais da rainha Isabel, do primeiro-ministro Pearson e do procurador-geral Guy Favreau. Para que essas assinaturas fossem obtidas, o documento foi levado até Londres no Reino Unido para que a rainha assinasse manualmente e depois para o Caribe onde Favreau estava de férias. Este transporte para climas completamente diferentes, junto com a qualidade dos materiais utilizados na criação da proclamação, além do armazenamento e reparos subsequentes com fita adesiva, muito danificaram e deterioram o documento. A guache passou a descascar, deixando buracos nos símbolos heráldicos, principalmente no desenho da folha de bordo na bandeira no centro, com o adesivo das fitas deixando marcas no papel. Uma restauração foi realizada em 1989 motivada pelo desejo de exibir a proclamação no Museu Canadense de História para celebração do aniversário de 25 anos da bandeira. O documento hoje está guardado em um ambiente com temperatura e umidade controladas dentro de uma caixa de plexiglass.

Adoção

Isabel II proclamou a nova bandeira em 28 de janeiro de 1965, com a inauguração sendo em 15 de fevereiro do mesmo ano durante uma cerimônia oficial na Colina do Parlamento em Ottawa, tendo a presença do governador-geral major-general Georges Vanier, o primeiro-ministro Lester B. Pearson, membros do gabinete e outros parlamentaristas. O Estandarte Vermelho foi abaixado do mastro ao meio-dia enquanto a nova bandeira da folha de bordo era levantada. A multidão também presente cantou o hino "O Canada" e depois "God Save the Queen". Sobre a bandeira, Vanier disse que ela "irá simbolizar para cada um de nós – e para o mundo – a unidade do propósito e alta resolução as quais o destino nos acena". Maurice Bourget, então Presidente do Senado, afirmou que "a Bandeira é o símbolo da unidade da nação, por isso, além de qualquer dúvida, representa todos os cidadãos do Canadá sem distinção de raça, idioma, crença ou opinião". Ainda houve oposição contra a mudança, com Stanley tendo inclusive recebido ameaças de morte por ter "assassinado a bandeira". Mesmo assim ele compareceu à cerimônia de inauguração.

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Bandeira Real da União

A Bandeira Real da União ainda é uma bandeira oficial no Canadá e é hasteada em certas ocasiões como um símbolo da filiação canadense à Commonwealth. Regulamentos requerem que a Bandeira da União seja hasteada em instalações federais ao lado da Folha de Bordo quando fisicamente possível, preferencialmente com um segundo mastro, nos seguintes dias: Dia da Commonwealth (o segundo domingo de março), Dia de Vitória (último domingo antes do 25 de maio, em homenagem a rainha Vitória) e no aniversário do Estatuto de Westminster (11 de dezembro). A Bandeira Real da União também pode ser hasteada no Memorial Nacional da Guerra e em outros locais durante cerimônias que homenageiam o envolvimento canadense com forças de outros países da Commonwealth durante tempos de guerra. A bandeira nacional sempre tem precedência sobre a Bandeira Real da União, com a segunda ocupando um lugar de honra. A Bandeira Real da União ainda faz parte das bandeiras provinciais de Ontário e Manitoba, ocupando o cantão de ambas, enquanto versões estilizadas também estão presentes nas bandeiras da Colúmbia Britânica e de Terra Nova e Labrador. Vários tenente-governadores provinciais costumavam usar uma versão modificada da bandeira do Reino Unido como seus estandartes pessoais, porém o tenente-governador da Nova Escócia é o único que ainda a mantém uma versão sem alterações no desenho de seu estandarte. A Bandeira Real da União e o Estandarte Vermelho ainda são hasteados por grupos de veteranos de guerra do Canadá e outros que continuam a salientar a importância da herança britânica e a conexão com a Commonwealth.

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Protocolo

Não existe uma lei ditando o uso adequado da bandeira. Entretanto, o Patrimônio Canadense já publicou uma série de orientações sobre como exibi-la corretamente sozinha e junto com outras. As diretrizes lidam com a ordem de precedência em que a Folha de Bordo é colocada, onde a bandeira pode ser usada, como ser usada e o que as pessoas podem fazer para honrá-la. A bandeira em si pode ser hasteada em qualquer dia em edifícios operados pelo Governo do Canadá, em aeroportos, bases militares e escritórios diplomáticos, além por cidadãos comuns, também em qualquer momento do dia. Ao exibir a bandeira ela deve ser hasteada em um mastro próprio e não deve estar em um nível inferior a outras bandeiras, com exceção, em ordem decrescente, do estandarte pessoal da rainha, o estandarte do governador-geral, quaisquer estandartes pessoais de membros da família real, ou bandeiras de tenente-governadores.

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Promoção

O governo canadense já patrocinou programas de divulgação e promoção da bandeira. Exemplos incluem o Programa Parlamentar Canadense da Bandeira feito pelo Departamento do Patrimônio Canadense e também um programa realizado pelo Departamento de Obras Públicas e Serviços Governamentais. Estes aumentaram a exposição da bandeira e o conceito de que fazia parte da identidade nacional. Para aumentar a conscientização, o Programa Parlamentar da Bandeira foi estabelecido em 1972 pelo gabinete e iniciado no ano seguinte, permitindo que parlamentares membros da Câmara dos Comuns distribuíssem bandeiras e broches para seus eleitores. As bandeiras que são hasteadas na Torre da Paz do Centre Block, no East Block e no West Block da Colina do Parlamento são empacotadas pelo Departamento de Obras Públicas e oferecidas ao público de graça. Entretanto, o programa tem uma lista de espera de quase sessenta anos para a bandeira da Torre da Paz e 45 anos para as bandeiras do East e West Block (números de 31 de março de 2016).

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Fontes consultadas

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