Baleia-jubarte
A jubarte ou baleia-jubarte, também conhecida como baleia-corcunda, baleia-cantora, baleia-corcova, baleia-de-corcova, baleia-de-bossas, baleia-preta ou baleia-xibarte é um mamífero marinho presente na maioria dos oceanos. Ela é da ordem dos cetartiodáctilos (Cetartiodactyla), subordem dos cetáceos e infraordem dos misticetos (Mysticeti). É uma das maiores espécies de balenopterídeos (Balaenopteridae) ou rorquais. Quando salta, elevando seu corpo quase completamente para fora d’água, suas longas nadadeiras peitorais, que chegam a medir até 1/3 de seu comprimento total, poderiam ser comparadas às asas de um pássaro. Esta é a origem do nome Megaptera, que em grego antigo significa "grandes asas", enquanto novaeangliae fala do primeiro local onde foi registrada a espécie, Nova Inglaterra. É conhecida por seus comportamentos aéreos e outros mais realizados na superfície, o que as torna populares no turismo de observação de baleias. Machos produzem cantos complexos que duram de 10 a 20 minutos com a finalidade de atrair as fêmeas para acasalar. As baleias vivem na água apesar de não terem guelras, porque evoluíram há milhões de anos a partir de ancestrais que viviam na terra. Sua evolução está amplamente documentada no registro fóssil.
O nome do gênero Megaptera significa asas grandes, do grego mega-/μεγα- (grande) e pteron/πτερα (asa), referência às suas nadadeiras peitorais que se assemelham a asas. Já seu nome específico novaeangliae vem do latim novus (nova) e angliae (Inglaterra) e é uma referência geográfica de onde o espécime tipo foi descrito pela primeira vez pelo naturalista alemão Georg Heinrich Borowski em 1781. Então, seu nome científico significa "grandes asas da Nova Inglaterra". Quando a jubarte mergulha costuma arquear a região da nadadeira dorsal, deixando corcova do dorso mais saliente. Desta característica deriva seu nome em inglês, humpback whale, ou baleia corcunda.
B. acutorostra (baleia-de-minke-do-norte) A baleia-jubarte é o único representante do gênero Megaptera que faz parte de uma família de oito espécies de baleias, os balenopterídeos (Balaenopteridae; também conhecidos como rorquais). Esta família inclui as baleias azul, comum, de-bryde, sei e minke. Acredita-se que as rorquais divergiram das outras famílias de misticetos no Mioceno Médio. Embora claramente relacionado com as baleias gigantes do gênero Balaenoptera, a jubarte é o único membro de seu gênero. Recentemente, análises de sequenciamento de DNA indicam que as jubartes são mais relacionadas com certas baleias, como a baleia-comum (B. physalus) e, possivelmente, a baleia-cinzenta (Eschrichtius robustus), do que com outras rorquais como a baleia-minke. A jubarte foi identificada primeiramente como baleine de la Nouvelle Angleterre por Mathurin Jacques Brisson no seu Regnum Animale de 1756. Em 1781, Georg Heinrich Borowski descreveu a espécie, alterando o nome que Brisson deu para seu equivalente em latim, Balaena novaeangliae. Em 1804, Lacépède mudou essa espécie para a família dos balenídeos (Balaenidae), permanecendo B. jubartes. Em 1846, John Edward Gray criou o gênero Megaptera, classificando-a como Megaptera longipinna, mas em 1932, Remington Kellogg reverteu o nome da espécie para novaeangliae. Pesquisas genéticas, em meados de 2014, pela British Antarctic Survey confirmaram que a separação das populações no Atlântico Norte, Pacífico Norte e oceanos do hemisfério sul são mais distintas do que se pensava. Alguns biólogos acreditam que devem ser considerados como subespécies separadas e que evoluíram independentemente.
No dia 22 de fevereiro de 2019, o corpo de uma baleia jubarte de aproximadamente 11 m de comprimento foi encontrado em uma área de mata na Ilha do Marajó, no Pará, e não apresentava ferimentos visíveis. Diferente do que espalharam nas redes sociais (com o objetivo de tornar a notícia ainda mais misteriosa do que ela realmente é), o animal foi encontrado próximo à praia do Araruna, no litoral de Soure. Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente de Soure, diz que o animal teria morrido no mar e o corpo teria sido levado até a margem da praia pela ressaca. A ONG Bicho D’Água, que esteve no local, afirmou que o animal não era adulto e que a carcaça foi encontrada a cerca de 15 m de distância da praia, algo não tão incomum de acontecer. O Google Maps mostra que a área onde a baleia foi encontrada é cercada por água em três lados e, devido às cheias, a maré se encarregou de levar a baleia para a floresta.
Características gerais
Assim como todos os cetáceos, as jubartes possuem os todos os órgãos internalizados. As jubarte são reconhecidas facilmente devido a várias características peculiares como seu corpo atarracado, corcunda óbvia, coloração dorsal e nadadeiras peitorais longas. Suas nadadeiras apresentam manchas pretas e brancas e podem alcançar até um terço do comprimento do corpo, sendo maior do que qualquer outra espécie de cetáceo. Possuem a parte superior totalmente negra, parte inferior branca ou um pouco mais escura. Esse padrão de coloração, em que a parte superior é escura e a inferior é branca é chamado de Contra iluminação, e está presente em outros animais marinhos como orcas e tubarões. A cabeça e mandíbula inferior estão recobertas de pequenas protuberâncias características da espécie, chamadas de tubérculos, que na realidade são folículos pilosos. Ainda não se conhece qual a função destes pelos, mas se supõe que seja sensorial. Eles também produzem o que é chamado de "efeito tubérculo", melhorando a manobrabilidade das baleias na água da mesma forma que os ganchos na asa de uma coruja melhoram seu voo. No topo de sua cabeça, está o orifício respiratório, que exerce as mesmas funções das narinas, e permanece fechado durante todo o tempo em que o animal está submerso. Quando se aproxima da superfície este duplo orifício se abre e o ar quente é expelido com força pelos pulmões, condensando em contato com a atmosfera fria e formando uma nuvem de até 3 m de gotículas de água. Estima-se que as jubartes possam permanecer até cerca de 30 min submersas, e alcançar mais de 600 m de profundidade em seus mergulhos.
Tamanho
Os machos totalmente crescidos têm em média 13–14 m (43–46 ft). As fêmeas são ligeiramente maiores, com 15–16 m (49–52 ft); um grande espécime registrado tinha 19 m (62 ft) de comprimento e barbatanas peitorais medindo 6 m (20 ft) cada. A maior jubarte registrada, de acordo com os registros da caça às baleias, foi uma fêmea morta no Caribe; tinha 27 m (89 ft) de comprimento com um peso de 90 toneladas métricas (99 toneladas curtas), embora a confiabilidade desses dados extremamente atípicos seja impossível de confirmar. Os maiores exemplares medidos pelos cientistas do Comitê de Descoberta foram um macho e uma fêmea de 14,9 e 14,75 m (48,9 e 48,4 ft), respectivamente, embora isso estivesse fora de um tamanho de amostra de apenas 63 baleias. A massa corporal normalmente está na faixa de 25–30 t (28–33 ton), com grandes espécimes pesando mais de 40 toneladas métricas (44 ton).
Nadadeiras
Na região torácica, há duas longas nadadeiras peitorais, que numa jubarte adulta podem medir mais de 5 m de comprimento, as maiores dentre os cetáceos. A borda anterior da nadadeira peitoral é bastante ondulada, sua face ventral é branca enquanto a face dorsal em geral possui uma mistura de padrões de preto e branco. As nadadeiras peitorais em geral servem para ajudar a direcionar o movimento das baleias e dos golfinhos quando nadam, auxiliando na manutenção do equilíbrio. No dorso da jubarte, está a pequena nadadeira dorsal, localizada sobre uma ligeira corcova. Esta nadadeira dorsal possui um formato ligeiramente diferente para cada indivíduo. Em alguns indivíduos ela é mais arredondada e em outros pode apresentar um formato semelhante a uma foice (falcada).
Sono
Os seres humanos respiram involuntariamente. Isso significa que respiramos sem pensar nisso. Temos um reflexo de respiração que começa quando estamos dormindo ou inconscientes. Podemos esquecer de respirar, por isso não paramos de respirar quando estamos dormindo. Mas o mesmo não acontece com as baleias. O sono dos cetáceos é caracterizado por uma quantidade insignificante ou ausência completa de sono com movimentos oculares rápidos, e um grau variável de movimento durante o sono associado ao tamanho do corpo e um estado ocular assimétrico. Quando um humano está dormindo, todo o seu cérebro está ocupado dormindo. No entanto, ao contrário dos humanos, as baleias dormem com apenas metade de seus cérebros em repouso.
Identificação
Os padrões variados na cauda permitem distinguir os espécimes. A identificação é feita comparando a quantidade as marcas negras e brancas e cicatrizes na cauda. As jubarte recebem um número de catálogo. Um estudo usando dados de 1973 a 1998 em baleias no Atlântico Norte deu aos pesquisadores informações detalhadas sobre os tempos de gestação, taxas de crescimento e períodos de parto, além de permitir previsões populacionais mais precisas ao simular a técnica de marcação-liberação-recaptura. Um catálogo fotográfico de todas as baleias do Atlântico Norte conhecidas foi desenvolvido durante este período e é mantido pelo College of the Atlantic.
Migaloo
Migaloo é o nome de uma jubarte totalmente branca. Foi fotografada pela primeira vez em junho de 1991. Naquela época, ele era a única baleia totalmente branca registrada no mundo. Por isso, foi nomeada como Migaloo, que na linguagem dos aborígenes de Queensland refere-se ao “companheiro branco”. No ano de 2014, um grupo de pesquisadores do Southern Cross University Whale Research Centre conseguiram coletar amostras da pele da baleia. Por meio delas, foi possível notar que Migaloo é um macho, com estimativa de nascimento em 1986. Para os cientistas, a jubarte pode ser albina, porém é necessário mais testes para concluir a afirmação. Migaloo faz parte de uma população de 15 a 17 mil baleias jubartes da região leste da Austrália, e oferece informações importantes sobre o comportamento migratório das jubartes em toda a costa australiana. Por causa disso, todas as embarcações, incluindo jet-skis, são proibidas de chegar a cerca de 500 m de Migaloo. Além disso, as aeronaves não podem chegar a menos de 2 000 ft. A multa por violar a lei é de US$ 16 500. Durante os últimos anos, Migaloo foi vista diversas vezes, sempre perto da mesma baleia jubarte macho, conhecida como Milo. Ela é reconhecida devido a um padrão único de pigmentação. Vale dizer que antes disso, os cientistas não sabiam que os machos da espécie viajavam com os companheiros ao longo de suas migrações.
De todas as grandes espécies de baleias, as jubartes são as mais animadas e acrobáticas. Elas viajam sozinhas ou em pequenos grupos chamados de vagens de duas a três baleias. Para se comunicar, as baleias tocam as barbatanas umas com as outras, vocalizam e batem as barbatanas na água. A vida útil dos rorquais varia de 45 a 100 anos. As jubartes fêmeas tornam-se sexualmente maduras aos cinco anos de idade, enquanto os machos amadurecem por volta dos sete anos de idade. A região ao redor do arquipélago de Abrolhos parece ser um local bastante apropriado para as fêmeas e suas crias: em nenhum lugar do mundo tem-se uma concentração tão grande de filhotes — quase 50% dos grupos de baleias avistados. Durante as observações de ponto fixo na costa baiana e os cruzeiros de pesquisa no Brasil, as jubartes são avistadas realizando comportamentos como a natação (deslocamento em uma única direção), milling (movimentação sem uma direção definida), batida de cabeça (impulsiona a parte dianteira para fora da água horizontalmente e acaba por chocar a parte inferior da sua cabeça na água), repouso (boiadas na superfície) e comportamento ativo, igualmente observados em outras áreas de reprodução. A exposição caudal parada se caracteriza-se pela exposição da nadadeira caudal acima da superfície da água. A baleia posiciona-se por até 15 minutos de cabeça para baixo, somente com a cauda e, às vezes, parte do pedúnculo acima da superfície do oceano. Depois desse período, voltam à posição horizontal, normalmente permanecendo em repouso, boiando e respirando algumas vezes em intervalos curtos para logo em seguida repetir o comportamento.
Lobtail: Novo comportamento alimentar
As baleias-jubarte tem uma relação de aprendizado de comportamentos a partir da observação de outro indivíduos do mesmo grupo ou grupos diferentes. Há um artigo chamado Network-Based Diffusion Analysis Reveals Cultural Transmission of Lobtail Feeding in Humpback Whales (Análise de difusão baseada em redes revela transmissão cultural da alimentação por meio da cauda em baleias jubarte) de 2013, onde foram identificadas mudanças em estratégias de obtenção de alimento em baleias-jubarte no Golfo do Maine, localizado no Oceano Atlântico, na costa nordeste da América do Norte. Inicialmente a captura de presas era realizada pela produção de bolhas abaixo de um cardume de peixes, para agrupá-los e obter maior volume de alimento. Posteriormente, em 1980, foi observado um indivíduo que modificou essa técnica, utilizando a nadadeira caudal para atingir a superfície da água e nos anos seguintes, entre 1981 e 1989, houve um aumento acentuado do uso dessa técnica, sendo disseminado entre a população por provavelmente geral um maior volume de peixes a serem capturados.
Baleia salva mergulhadora
Nan Hauser é uma bióloga de 63 anos que há 28 anos mergulha em meio às baleias. Ela fazia uma imersão de rotina quando uma jubarte que ela conhece bem, começou a ter um comportamento estranho. A mergulhadora e o vídeo que ela conseguiu gravar são testemunhas que o animal não deixava que ela submergisse. Enquanto ela tentava mergulhar para o fundo, o animal a empurrava com a sua cabeça para a superfície. Por mais de 10 minutos, Hauser tentou compreender o comportamento do cetáceo. A bióloga afirma que nunca tinha passado tanto tempo tão perto desses animais e que, após algum tempo de intensa atividade, ficou ferida. Hauser decidiu, portanto, retornar à embarcação onde os seus companheiros de imersão estavam esperando por ela. Quando ela se afastou um pouco do cetáceo, se deu conta que havia um outro animal nadando com eles: um tubarão tigre com mais de 4 m de comprimento. Para a sua surpresa, depois de ter subido até a embarcação, ela pôde presenciar o momento em que a baleia sai até a superfície por um momento para se certificar de que a humana está a salvo. Ela aproveita para respirar, e, enquanto a humana lhe agradece por ter salvado a sua vida, ela submerge e se afasta.
Estrutura social
A organização social das baleias-jubarte é caracterizada por grupos pequenos e associações breves, com ocorrência comum de indivíduos sozinhos, duplas e trios. As associações estáveis em pares também, geralmente, são formadas por fêmea e filhote, que podem permanecer juntos por até três anos. Os agrupamentos são mais estáveis no verão, quando cooperam entre si para fins alimentares. Já nas áreas de reprodução no inverno, grupos maiores e não duradouros são observados em associação com demonstrações de competição sexual agressiva entre machos por uma fêmea que servem para estabelecer as relações dominantes entre os machos. Caracterizados por serem ativos e com vários comportamentos aéreos, grupos competitivos são constituídos por dois a vinte machos e um animal nuclear, que é uma fêmea em estro ou pré-estro e pode ou não estar amamentando um filhote. Análises genéticas de paternidade mostram que fêmeas acasalam com vários machos.
Reprodução e filhote
Rituais de acasalamento acontecem no inverno em áreas de reprodução em torno da Linha do equador. Podem formar-se grupos competitivos de machos em torno de uma fêmea para garantir a cópula com a mesma. Esses grupos costumam ser ativos, realizando saltos, batidas de cabeça, de cauda e da nadadeira peitoral, entre outros. O canto dos machos pode ser uma das formas de seleção pela fêmea ou de machos estabeleceram dominância, o que explicaria porque só os machos cantam. Pensa-se que seu canto também possa induzir as fêmeas ao estro. Fêmeas geralmente engravidam a cada dois ou três anos e a gestação pode durar 11,5 meses. Os meses de pico de nascimento no Hemisfério Norte são janeiro e fevereiro e no Hemisfério Sul em agosto e setembro. As mães permanecem com o filhote por um a dois anos. Pesquisas recentes sobre DNA mitocondrial revelam que grupos que vivem próximos uns dos outros podem representar focos de procriação distintos. Nascimentos raramente foram observados. Um nascimento testemunhado em Madagascar ocorreu dentro de quatro minutos. Sabe-se que se hibridizam com outros rorquais; há um relato bem documentado de um híbrido de baleia jubarte-azul no Pacífico Sul. Os filhotes, que podem ser chamados de bezerros, nascem com aproximadamente 4 m de comprimento e pesam cerca de 1 t. Ingerem até 100 L de leite por dia e o desmame ocorre entre os 6 e 10 meses de vida do filhote. Os filhotes cutucam o abdômen da mãe para expor suas glândulas mamárias, e sugam o leite diretamente delas. Logo após nascer, os filhotes precisam chegar até a superfície para encher seus pulmões com ar pela primeira vez, ele é ajudado pela mãe que o apoia em sua costa para que ele possa emergir. Após o nascimento e estabelecida a respiração é hora da alimentação da jovem baleia, assim como todos os mamíferos, as Jubartes amamentam seus filhotes, o leite é composto por um alto teor de gordura, necessário para que o filhote cresça e se desenvolva com saúde. Os filhotes ao sentirem necessidade de mamar tocam suavemente sua mãe, e mantendo-se próximo a ela, dobram sua língua em forma de U para canalizar o leite, em seguida, através de contrações do abdômen a mãe jorra este leite que possui grande concentração de gordura (cerca de 40%), o que impede que o mesmo se misture com a água do mar. Todo este processo dura cerca de um minuto, porém os filhotes chegam a serem amamentados de 2 a 3 vezes por hora, inclusive à noite. Os próximos meses são críticos para a vida do filhote, é nesse período que ele está mais exposto a uma série de ameaças e perigos. Um filhote que se perca de sua mãe poderá sofrer de inanição com consequências fatais. Predadores como orcas e tubarões brancos podem atacar os bezerros. Os seres humanos também representam uma ameaça a esses bebês, que podem se enroscar em redes de pesca. A fim de proteger seus filhotes, as fêmeas mantêm contato corporal durante todo o período. Por exemplo, se algum barco se aproxima, elas se colocam entre o filhote e a embarcação como forma de proteção.
Relações interespecíficas
As jubartes são amigáveis e interagem com outros cetáceos, como os golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops). As baleias-francas interagem com as jubarte. Esses comportamentos foram registrados em todos os oceanos. Registros de jubartes e francas-austrais demonstrando o que foram interpretados como comportamentos de acasalamento, foram documentados ao largo do Moçambique e nas costas brasileiras. As jubartes aparecem em grupos mistos com outras espécies, como as: baleia-azul, comum, minke, cinzenta e cachalote. A interação com as baleias-cinzenta, comum e franca foi observada. Equipes de pesquisadores observaram uma jubarte macho cantando um tipo desconhecido de música e se aproximando de uma comum em Rarotonga em 2014. Um indivíduo foi observado brincando com um golfinho-nariz-de-garrafa em águas havaianas. Incidentes de jubartes protegendo outros animais, como focas e outras baleias contra orcas foram documentados e filmados. Estudos de tais incidentes indicam que o fenômeno é amplo e global, com incidentes sendo registrados em vários locais em todo o mundo. Em setembro de 2017, em Rarotonga, nas ilhas Cook, a mergulhadora e bióloga de baleias Nan Hauser relatou que duas jubartes adultas a protegeram de um tubarão-tigre de 4,5 m (15 ft), com uma baleia empurrando-a para longe do tubarão enquanto a outra usava sua cauda para bloquear os avanços do tubarão.
Importância para o ecossistema
As baleias jubarte são consideradas “jardineiras do mar”. Isso porque, com seu grande volume de fezes e urina, e com a transposição de nutrientes de suas áreas circumpolares de alimentação para os mares tropicais onde se reproduzem, as baleias fertilizam as camadas superficiais dos oceanos, aumentando a produtividade do fitoplâncton, a base da cadeia alimentar marinha. Isso é fundamental para toda a biodiversidade marinha e também para a pesca, que depende de uma boa produtividade na base da cadeia alimentar para ter bons resultados. As baleias também são extremamente importantes para o ciclo de carbono dos oceanos, ajudando a reduzir as mudanças climáticas através do armazenamento de carbono nos seus grandes corpos e depósito de grandes volumes de carbono nos fundos oceânicos quando morrem, carbono esse que levará centenas ou milhares de anos para retornar à atmosfera. As baleias mortas também são importantes para os ecossistemas oceânicos, alimentando outros animais como tubarões e aves quando as carcaças boiam nos primeiros dias da morte, e provendo as comunidades dos fundos oceânicos de grande profundidade com alimento escasso e fundamental para esses ecossistemas depois que os cadáveres afundam. Esse evento recebe o nome de ‘’Whale Fall’’.
As jubartes habitam todos os principais oceanos, em uma ampla faixa que vai da borda do gelo da Antártica até a latitude 81° N. As quatro populações globais reconhecidas são as do Pacífico Norte, Atlântico, Oceano Antártico e Oceano Índico. Essas populações são distintas. Embora a espécie tenha distribuição cosmopolita e geralmente não seja considerada como cruzando a linha do equador, observações sazonais em Cabo Verde sugerem possíveis interações entre as populações de ambos os hemisférios. Com exceção do grupo do mar da Arábia, presenças durante todo o ano foram confirmadas entre águas britânicas e norueguesas. Partes de áreas de invernada ao redor do globo foram mal estudadas ou não foram detectadas, como em torno das ilhas Picárnia, ilhas Marianas Setentrionais (por exemplo, Marpi e recifes CK nas proximidades de Saipã), ilhas Vulcano, baía de Pesalengue, Trindade e Martim Vaz, Maurícia e Aldabra.
Ásia
As baleias novamente migram dos arquipélagos japoneses para o mar do Japão. As conexões entre esses estoques e as baleias vistas no mar de Ocótsqui, nas costas de Camchata e ao redor das ilhas Comandante foram estudadas. As distribuições históricas do inverno poderiam ter sido muito mais amplas e mais ao sul, já que as baleias foram vistas em áreas ao longo de Batanes, Sulu e Celebes incluindo Palauã, Lução, Malásia e Mindanau, com densidades mais altas ao redor do atual cabo Eluanbi e do Parque Nacional de Kenting. Avistamentos não confirmados foram relatados perto de Bornéu nos tempos modernos. A primeira confirmação na Taiuã moderna era de um par ao largo de Hualiém em 1994, seguido por uma fuga bem-sucedida do emaranhamento ao largo de Taitum em 1999, e avistamentos contínuos ao redor da ilha das Orquídeas em 2000. Poucos / nenhum migra regularmente para o Parque Nacional de Kenting. Ademais, apesar dos avistamentos relatados quase anualmente nas ilhas Verde e da Orquídeas, estadias relativamente curtas nessas águas indicam recuperações, pois o forrageio de inverno não ocorreu. Avistamentos, incluindo de um par de filhotes, ocorreram ao longo da costa leste de Taiuã. Em torno de Honcongue, dois avistamentos documentados foram registrados em 2009 e 2016. Um dos primeiros dentro do mar Amarelo de um grupo de 3 ou 4 indivíduos, incluindo um par de filhotes no condado de Xangai em outubro de 2015.
Mar da Arábia
Uma população não migratória no mar da Arábia permanece lá durante todo o ano. As migrações anuais mais típicas cobrem até 25 000 km (16 000 mi), tornando-se uma das espécies de mamíferos mais viajadas. Estudos genéticos e pesquisas visuais indicam que o grupo árabe é o mais isolado de todos os grupos jubarte e é o mais ameaçado, com possivelmente menos de 100 animais. No mar da Arábia, a ilha e o golfo de Maceira, as ilhas Halaniate e a baía de Curia Muria são pontos quentes para a espécie. As baleias foram historicamente comuns em águas continentais e marginais, como as ilhas Halaniate, ao longo das costas indianas, golfo Pérsico e golfo de Adem, e migrações recentes para o golfo incluindo pares de vacas e filhotes. Não se sabe se as baleias vistas no mar Vermelho se originam nesta população, no entanto, os avistamentos aumentaram desde 2006, mesmo na parte norte do mar, como no golfo de Acaba. Os indivíduos podem chegar às Maldivas, Seri Lanca ou mais a leste. As jubartes têm sido consideradas vagabundas no Golfo Pérsico, no entanto, novos estudos indicam que presenças mais regulares podem ser esperadas. As origens das baleias que ocorrem nas Maldivas não são claras nas populações da Arábia ou do Pacífico sul, e as sobreposições são possíveis.
A espécie alimenta-se exclusivamente durante o verão e vive de suas reservas de gordura durante o inverno. É um predador ativo que caça krill, copépodes e peixes em cardumes, como arenque (Clupea harengus), salmão, carapau (Scomber scombrus), escamudo (Pollachius virens) e arinca (Melanogrammus aeglefinus). A baleia-jubarte tem o mais diversificado repertório de métodos alimentícios de todas as baleias. Sem dúvida a técnica de pesca mais original da jubarte é a de rede de bolhas: várias baleias formam um grupo que cerca o cardume por baixo e expulsam o ar de seus pulmões, formando uma rede de bolhas que vão forçando o cardume a se concentrar e subir para a superfície. Esta cortina de bolhas serve também para esconder visualmente as baleias até o ataque final, quando estas sobem com a boca aberta, filtrando milhares de krills e peixes na barbatana, expelindo a água salgada e engolindo de vez.
Predadores
As jubartes podem ser atacadas pelas orcas ou tubarões-branco. Esses ataques geralmente não resultam em algo mais sério que escoriações ou cicatrizes em adultos, mas podem matar os filhotes para se alimentar.
As jubartes e o Brasil
A população brasileira de jubartes se distribuía originalmente, durante a época reprodutiva, do Rio Grande do Norte a São Paulo; atualmente se concentra principalmente no Banco dos Abrolhos, uma extensão da plataforma continental recoberta por recifes de coral entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Com a recuperação populacional da espécie observada em anos recentes, avistagens ao norte e ao sul desta região vêm se tornando mais frequentes, como na Bacia de Campos no Rio de Janeiro e no entorno de Ilhabela em São Paulo. A área de alimentação principal das jubartes brasileiras se encontra no entorno das ilhas Geórgia do Sul na região antártica. No Brasil, as jubartes foram caçadas desde 1602, primeiro na região do Recôncavo baiano, com a chegada dos baleeiros bascos, e depois pelas estações costeiras de caça à baleia, chamadas Armações, que se estabeleceram entre a Bahia e Santa Catarina e mataram jubartes sistematicamente pelo menos entre a Bahia e o litoral de São Paulo. Na primeira metade do século XX, baleeiros noruegueses e japoneses trouxeram navios para matar as baleias que restavam em águas brasileiras, um massacre que só terminou de vez em 1985 quando o então Presidente José Sarney suspendeu a caça de baleias no país. Em 1987, a aprovação pelo Congresso da Lei Federal 7/643, que proíbe a captura e o molestamento intencional de toda espécie de cetáceo em águas jurisdicionais brasileiras, coroou quase duas décadas de campanhas contra a matança por ativistas brasileiros, e inaugurou uma nova política de Estado do Brasil a favor da conservação e do uso exclusivamente não-letal desses animais através da pesquisa científica e do ecoturismo. Na Praia do Forte, as ruínas da armação baleeira existente no que hoje são os jardins do Tivoli Ecoresort constituem um dos mais antigos testemunhos históricos da atividade baleeira ainda existentes no Brasil. Atualmente, a população das jubartes se recupera, e as pessoas tem a consciência de que uma baleia vale mais viva do que morta.
A caça das baleias
Baleias-jubarte começaram a ser caçadas no início do século XVIII. No século XIX, muitas nações estavam caçando-as intensamente no Oceano Atlântico e, em menor quantidade, nos oceanos Índico e Pacífico. No final desse século, foram introduzidos o uso de arpões explosivos para aumentar ainda mais a caça. No século XX, ao menos 200 000 baleias foram capturadas. A caça comercial de baleias expandiu-se pelo mundo, devastando grandes populações e reduzindo muitas espécies a menos que 10% de sua abundância original. A superexploração de muitas espécies resultou na criação da Comissão Internacional Baleeira em 1946 como um meio de regular a indústria baleeira, mas grandes números de baleias continuaram a ser mortas. Alguns países (Espanha, França, Holanda, Inglaterra) renunciaram a esta atividade de forma voluntária. Para impedir a extinção das baleias, uma moratória internacional foi instituída, em 1986, proibindo a caça comercial que continua sendo aplicada atualmente. Quando esta moratória foi decidida, as baleias eram já tão raras que sua caça não era rentável. Oficialmente tinham-se caçado 250 000 exemplares, mas provavelmente o número era muito maior. A União Soviética era considerada o primeiro país a mentir sobre estes dados, declarando 2 710 mortes enquanto se calcula atualmente que caçaram ao menos 48 000 exemplares. Após a moratória, o crescimento populacional foi verificado para a maioria das subpopulações. Foi um item importante para a economia, pois da baleia se aproveitava quase tudo: A língua era uma iguaria exportada para Europa; Os ossos eram usados para confecção de botões e farinha; As barbatanas se transformavam em leques e espartilhos; O óleo, um dos principais itens, era usado nas construções e iluminação pública.
Ameaças
As baleias ainda sofrem ameaças, como colisão com embarcações, emalhamento em redes de pesca, poluição sonora e do mar. Como outros cetáceos, jubartes podem ser machucadas com o barulho excessivo, podendo causar feridas traumáticas nos ouvidos.
O turismo de observação
A boca de uma baleia-jubarte pode alcançar até três metros, mas sua garganta pode se estender somente até cerca de 38 cm de diâmetro, de modo que é impossível que a espécie seja capaz de engolir um ser humano. As baleias-jubarte geralmente são "amigáveis", aproximando-se espontaneamente dos barcos, nadando e realizando saltos a seu redor. Elas também não aparentam ter medo de dispositivos como câmeras fotográficas ou celulares. Por esse comportamento tranquilo, são consideradas Gigantes Gentis. Devido ao fato de serem fáceis de chegar perto, curiosas, identificáveis como indivíduos e expõem inúmeros comportamentos, é uma espécie ideal para o turismo de observação de baleias em vários lugares do mundo. Em 1994, um estudo detalhado calculou que o turismo de observação de baleias já gerava cerca de 500 milhões de dólares/ano em todo o planeta. Em muitos países, os projetos de pesquisa e preservação das baleias também se beneficiam do whalewatching, recebendo tanto informações importantes pela observação a partir de barcos de turismo, como através de doações voluntárias feitas pelos operadores de turismo. O que é uma forma de sensibilização ambiental, mostrando que uma baleia vale mais viva do que morta. No Brasil, os locais mais populares de observação de baleias-jubarte estão no litoral da Bahia: Morro de São Paulo, Praia do Forte, Itacaré e Caravelas. Incluindo a Jubarte, o Brasil é visitado por 37 espécies diferentes de baleias.[carece de fontes?]
Pesquisas
Institutos e projetos de conservação e pesquisa sobre esses animais têm registrado o crescimento e a ocorrência da sua população no Brasil. Dentre eles há o Projeto Baleia Jubarte (PBJ) executado pelo Instituto Baleia Jubarte (IBJ) que iniciou suas pesquisas em 1987 quando foi redescoberta a presença de uma pequena população remanescente de baleias jubarte em Abrolhos. Sua finalidade é de promover a proteção e pesquisa destes mamíferos no Brasil. Esse projeto realiza trabalhos de ecologia, comportamento, bioacústica, foto-identificação, análises genéticas, necrópsias, resgate em encalhes e educação ambiental. A primeira base do projeto foi construída em Caravelas, de onde saem os cruzeiros de pesquisa para Abrolhos. Em 1988, foram realizados os primeiros cruzeiros para fotografar as baleias jubarte e as primeiras tentativas de estudar os animais a partir de uma estação em terra no arquipélago dos Abrolhos.
Conservação
A baleia-jubarte, listada como "em perigo" pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), está registrada em seu Apêndice I e é protegida por todos os países com populações reprodutoras conhecidas. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) avalia a espécie como menos preocupante (LC), pois é cosmopolita e sua grande distribuição abrange todos os oceanos. Segundo os dados mais recentes disponíveis, a população global é estimada em 135 000 indivíduos, e a população adulta em cerca de 84 000 indivíduos, o que é superior ao nível de três gerações atrás. Isso vale para a população global, bem como para as três principais populações regionais individualmente – Pacífico Norte, Atlântico Norte e Hemisfério Sul. A subpopulação do Mar Arábico parece ser isolada, é muito pequeno e está listado separadamente como em perigo.
Bake kujira
Bake kujira (Baleia fantasma) é um místico youkai do oeste japonês. Segundo a crença, eles são esqueletos fantasmagóricos de baleias que navegam perto da superfície do mar e habitam o litoral do Japão. Os espectros singram os oceanos seguidos por um séquito de misteriosos peixes e pássaros. Geralmente, aparecem em noites de chuva próxima a aldeias costeiras de baleeiros. Muitos pescadores afirmam que as almas das baleias caçadas assombram os mares em busca de vingança contra aqueles que tiraram suas vidas. De acordo com a lenda “A Maldição da baleia” trará: fome, pragas, incêndios e outros tipos de desastres para as aldeias manchadas com seu sangue. Em 1983, uma ossada de baleia intacta foi descoberta flutuando na costa de Anamizu, prefeitura de Ishikawa. Logo, o esqueleto foi nomeado como a “Bake kujira real".


