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Balborinho

O balborinho é um ser mítico do folclore português. O balborinho é um redemoinho de vento que surge nas horas abertas, principalmente nas encruzilhadas dos caminhos. Dentro do balborinho vão as almas penadas de campesinos que cometeram delitos agrários, e não podem entrar no céu por estarem em dívida para com os vivos, tendo necessidade de lhes restituir o que surripiaram.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Relatos etnográficos

Vários etnólogos e antropólogos portugueses do século XIX e XX, dos quais se destacam José Leite de Vasconcellos, Teófilo Braga, Adolfo Coelho e Pedro Tudella, recolheram um vasto rol de relatos junto de populares, de Norte a Sul de Portugal, a respeito das mais variadas críptides do folclore português, incluindo, naturalmente, o Balborinho. Dentre esses relatos, sobressaem os seguintes: Em várias zonas do país, no século XIX, havia a crença de que no seio dos balborinhos surgem diabos e bruxas. A forma de espaventar estes seres que provêm do balborinho, porém, variava de terra para terra. Bolborinho do demonho/ Vae-te co Sant'Antonho.

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Abonações literárias

Na obra «Tradições» de Adolfo Coelho, consta a seguinte passagem, alusiva ao balborinho: No romance gráfico português, de 1987, «Mataram-no duas vezes - A lei do Trabuco e do Punhal», de Luis Avelar e Pedro Massano, à página 9, há a representação de dois bandoleiros da quadrilha de João Brandão, do século XIX, no rescaldo da guerra civil portuguesa, a dissipar um balborinho lançando-lhe uma navalha.

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Analogias mitológicas

Dentro do rol do folclore tradicional português, o balborinho assemelha-se ao rosemunho, manifestando-se ambos sob a forma de redemoinho, diferindo antes na sua etiologia, na hora da sua ocorrência e na forma de se dissiparem. O autor Miguel Abrantes entende que ambas são a mesma entidade folclórica, apenas com nomes diferentes, ao passo que Teófilo Braga, por seu turno, as entendia como duas entidades distintas. José Leite de Vasconcellos, na sua obra «Tradições populares de Portugal», ao coligir as tradições orais populares a respeito do balborinho, faz uma analogia com outras tradições folclóricas de outras culturas, que poderão ter influído nesta superstição popular portuguesa. Concretamente, socorre-se dos estudos do antropólogo britânico Edward Burnett Tylor, para fazer um paralelismo entre o balborinho e a crença muçulmana de que as trombas de areia (remoinhos ou tornados que se formam no deserto) se tratam de djinn em fuga. Servindo-se da mesma obra de Tylor, alude ainda aos p'hepo do Sael e ao Boungie congolês, ambos espíritos ou demónios do vento, que se manifestam sob a forma de torvelinho.

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Fontes consultadas

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