Baleia-da-groenlândia
As baleias-da-groenlândia também são conhecidas como baleia-da-gronelândia, baleia-franca-do-ártico, baleia-franca-da-gronelândia ou grande-polar. Em inglês são chamadas de bowheads, que ao se traduzido significa cabeças de lombada. São os únicos membros da família Balaenidae. E vivem a maior parte do tempo nos oceanos com latitudes setentrionais. As baleias-da-groenlândia nunca foram vistas no Hemisfério Sul.
Essas baleias são facilmente identificáveis pelo seu grande tamanho, não possuem a barbatana dorsal, caracterizam-se por ter uma cor escura, queixo branco e cabeça triangular quando analisadas de perfil. Possuem, predominantemente, uma coloração preta, mas a maioria tem padrões brancos característicos no queixo, nas partes inferiores, ao redor suas caudas e/ou em suas nadadeiras. Os padrões brancos ao redor da cauda e nas barbatanas aumentam com o passar da idade. Além disso, a maioria das baleias-da-groenlândia acumulam marcas em seu dorso, possivelmente são resultantes do contato com o mar e o gelo. Esses enormes mamíferos marinhos estão entre os maiores animais que vivem na terra, pesando em média de 75 a 100 toneladas. Os machos crescem até de 14 a17 metros de comprimento e as fêmeas de 16 a 18 metros. Suas nadadeiras têm de 2 a 6 metros de diâmetro. As cabeças dessas baleias constituem mais de um terço do volume de seus corpos, suas barbatanas podem ter até 4 metros (nenhuma outra baleia já encontrada tem barbatanas com o comprimento superior a 2,8 metros). Para que possam se proteger das baixas temperaturas e viver na água gelada, estão envolvidas por um tecido adiposo de 5,5 a 28 centímetros de espessura, cobertas por uma epiderme de até 2,5 cm de espessura. Esta combinação de gordura e pele é classificada como a mais espessa de todas as espécies já encontradas de baleias.
O período de acasalamento acontece no final do inverno ou início da primavera, mas atividade sexual pode ocorrer em qualquer estação. Os grupos de acasalamento constituem de um par macho-fêmea ou vários machos e uma fêmea. A acústica desempenha um papel vital na reprodução, pois as baleias-da-groenlândia são vocalmente ativas durante a época de acasalamento e podem se ouvir de 5 a 10 km de distância. Como característica do comportamento sexual foi identificado: o rompimento (quando a baleia pula completamente para fora da água) e os golpes de sorte (quando elas batem a cauda na superfície da água). Esse comportamento, além de desempenhar um papel em atrair um parceiro, também é usado com o objetivo de afirmar domínio. A dominância, às vezes, é expressa por meio de contato físico ou competição de esperma. No entanto, existe a possibilidade de que a cooperação ocorra entre os machos durante o acasalamento, tornando mais provável que pelo menos um deles seja capaz de semear uma fêmea. Mais de um ano após o acasalamento(de 13 a 14 meses), os filhotes nascem, geralmente, durante a migração da primavera entre abril e junho. Os filhotes possuem cerca de 4 metros de comprimento ao nascer. As fêmeas conseguem iniciar um novo ciclo reprodutivo após o intervalo de 3 a 4 anos. Na primavera seguinte, o jovem as baleias, agora com 6 a 8 m de comprimento, são desmamadas de suas mães. Depois disso, o crescimento é lento em comparação com outras baleias. Com 15 anos de idade chegam a medir de 12 a 14 metros de comprimento, é quando as fêmeas tornam-se sexualmente maduras, já os machos tornam-se sexualmente ativos quando possuem de 12 a 13 metros de comprimento. As baleias-da-groenlândia podem viver mais do que outros mamíferos. Pontas de arpão antigas coletadas em baleias indicam que elas podem ter vivido por mais de um século.
Alimentam-se por toda a coluna de água, na superfície (chamado "skimming") e, às vezes, em ou perto do fundo do mar (como evidenciado pela lama espalhada em suas cabeças e costas). A boca enorme possui a capacidade de engolir grandes volumes de água, incluindo presas, e, à medida que a língua sobe, a água é empurrada para fora, prendendo a presa nas superfícies internas das cerdas bucais (barbas de baleia), que serve como um filtro em toda a boca. A língua maciça (até 5 metros de comprimento e 3 metros de largura) consegue varrer a comida da barbatana para um sistema digestivo muito estreito. Cerca de 60 espécies de animais foram encontradas em estômagos de uma baleias-da-groenlândia, mas suas presas preferidas são os copépodes (11 espécies) e euphausiids (2 espécies), bem como anfípodes. Às vezes, até uma dúzia dessas baleias se alimentam juntas em uma formação escalonada, semelhante a um linha de gansos migratórios. Esse esforço coordenado ajuda as baleias a prenderem suas presas. Os únicos predadores de baleias-da-groenlândia, além de humanos, são orcas (Orcinus orca).
Essa espécie de baleia pode ter sido uma única "panmictic" (interrupção aleatória), na qual a população surgiu no hemisfério norte durante o Plioceno (aproximadamente 8 milhões anos atrás), de acordo com os registros fósseis. As temperaturas de hoje são relativamente baixas o suficiente para manter o gelo na maioria das passagens leste-oeste do Ártico, isolando essa espécie. Embora o gelo possa ter contribuído para esse isolamento, a baleia é comumente caçada e possui um alto valor comercial. Os baleeiros comerciais dos séculos XVII a XIX, eram tão eficientes que eles eliminaram as ações após conseguirem um grande estoque dessas baleias. Após um século, a comercialização foi diminuindo, mas ainda sim é uma espécie considerada ameaçadas. Atualmente, existem cinco estoques de baleias-da-groenlândia definidas como segmentos geograficamente distintos da população total da espécie: o mar de Bering (Alasca), Mar de Okhotsk (Rússia Oriental), Estreito de Davis (nordeste do Canadá), Baía de Hudson (talvez uma parte do estreito de Davis) e Spitsbergen (Atlântico Norte). O maior remanescente desses estoque, é o do mar de Bering, e consiste em aproximadamente 8.000 baleias que migram do mar de Bering no inverno até o mar de tchuktchi para o mar de Beaufort no verão. A comercialização dessa baleia ainda existe e possui uma crescente taxa anual de 3%, no Alasca é caçado, aproximadamente, 40 baleias por ano. O governo canadense permitiu a caça limitada das baleias-da-groenlândia no estoque do mar de Bering, bem como os estoques na Baía de Hudson e Estreito de Davis. Há muito pouco conhecimento sobre outras áreas onde existem essas baleias. Atualmente, apenas 300 a 400 espécimes vivem no Mar de Ocótsqui (originalmente existiam mais de 3.000 ); 350 (originalmente 11.700) estão na unidade populacional do Estreito de Davis; 270 (originalmente cerca de 580) na Baía de Hudson; e o número de indvíduos em Spitsbergen está "apenas nas dezenas", onde pode ter havido até 24.000.


