Balacobaco (telenovela)
Balacobaco é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Record entre 4 de outubro de 2012 e 20 de maio de 2013 em 163 capítulos, sucedendo Máscaras e precedendo Dona Xepa. É a 20.ª novela exibida pela emissora desde a retomada da dramaturgia em 2004, sendo também a nona telenovela das dez.
Originalmente a telenovela se chamaria Passado Próximo, em decorrência ao fato da protagonista se casar com o assassino de sua irmã, porém, logo depois, a direção decidiu mudá-lo para Balacobaco, expressando de forma mais humorada a temática de comédia da trama. A autora entregou a sinopse da telenovela em 2010, logo após o fim de Bela, a Feia, porém esta só foi aprovada e recebeu o aval para ser produzida dois anos depois. As gravações começaram em 8 de agosto de 2012. Gisele Joras declarou que buscou escrever um folhetim tradicional, fundamentando-se na comédia e trazendo "atrativos bem populares". A autora escreveu a telenovela diretamente de Londres, no Reino Unido, onde estava morando para estudar sobre televisão. O diretor da telenovela explicou que a intenção era fugir das dramaticidades e de histórias densas, visto que o país passava por um momento assim politicamente, buscando por uma dramaturgia mais leve e sem correr os riscos de cair em algo incompreensível como a antecessora, Máscaras: "Ela tem um humor leve que bebe em várias fontes. Queremos que as pessoas cheguem em casa e relaxem em seus sofás, esquecendo os problemas do dia a dia. É uma telenovela diferente dos moldes da que vai sair do ar". Juliana Silveira se machucou durante a gravação de uma cena onde a personagem de Alice Assef lhe dava uma surra. As gravações do último capítulo se encerraram em 27 de abril, um mês antes de ser levado ao ar. A abertura da telenovela foi inspirada nas intervenções artísticas urbanas do artista plástico britânico Banksy, sendo que três empresas de animação ficaram responsáveis por criar a vinheta com efeitos sob as obras citadas.
Cenografia e figurinos
O bairro do Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro, foi utilizado como cenário principal da telenovela, centralizando a maior parte das histórias cômicas. Já a parte nobre da telenovela, onde se passa a trama dos protagonistas, foi ambientada na Barra da Tijuca, bairro nobre na Zona Oeste da capital carioca. Nos estúdios do RecNov foi construída uma cidade cenográfica de 3.000m² que reproduziu os dois bairros, trazendo quarenta cenários diferentes. O diretor de cenografia Daniel Clabunde e a cenógrafa Fabiana Massariol foram responsáveis pela ambientação e pela criação artística do cenário, tendo apenas três meses para erguer toda a estrutura. Além disso, o cenógrafo também revelou que cada moradia dos personagens foi construída de acordo com sua personalidade, exemplificando que o apartamento de Arthur e Lígia, por serem um casal mais velho, trazia vários móveis de madeira maciça e antigo. Ao todo a cenografia foi orçada em R$ 5 milhões. Segundo Daniel, a ideia dos artistas não foi reproduzir uma cópia fiel do bairro, mas sim juntar alguns pontos principais da arquitetura colonial proveniente do final do século XIX".
Escolha do elenco
Balacobaco foi uma das poucas telenovelas que não apresentou grandes mudanças de elenco após sua escalação original, mantendo a maioria de seus nomes quando escolhidos. Paulo Figueiredo, Umberto Magnani, Bruno Ferrari e Juliane Trevisol foram os primeiros nomes confirmados no elenco. Em 25 de junho Bárbara Borges e Roberta Gualda foram anunciadas para o papel das gêmea bivitalina. Juliana Silveira foi um dos últimos nomes a serem anunciados, sendo confirmadas como a protagonista Isabel. Simone Spoladore chegou a ser cogitada pela direção para o papel, porém acabou sendo convidada para interpretar Violeta. Juliana foi escalada após fazer uma solicitação à direção, uma vez que estava incomodada por estar de férias há três anos, desde o final de Chamas da Vida, após Corpos Partidos, trama inédita desenvolvida por Ana Maria Moretzsohn da qual seria protagonista, ter sido cancelada.
Isabel (Juliana Silveira) é uma arquiteta bem sucedida que vê sua vida ruir quando descobre que seu marido, Danilo (Roger Gobeth), perdeu tudo em jogos de azar e esquemas ilegais, além de sua irmã morrer em um acidente misterioso, deixando-a com a guarda da sobrinha Taís (Letícia Medina). O dono do cassino clandestino que Danilo deve, Norberto (Bruno Ferrari), fica obcecado por Isabel, fazendo tudo para tê-la, até mesmo esconder sua verdadeira face ao fingir ser um empresário sério e o responsável pela morte de sua irmã. Ele namora Diva (Barbara Borges), gêmea bivitalina de Dóris (Roberta Gualda), que querem se vingar de Isabel, já que a arquiteta foi responsável por mandá-las para a cadeia quando tentaram roubar seu carro dez anos antes. Quem acaba se mostrando o grande amor da vida de Isabel é Eduardo (Victor Pecoraro), dono da agência de turismo ecológico Aventura Radical, construída com a herança de seu falecido pai. Sua mãe, Lígia (Lu Grimaldi), se casou novamente com o mulherengo Arthur (Luiz Guilherme), pai de Norberto do primeiro casamento, o que sempre gerou grande confusão, já que o mau-caráter cultiva inveja e raiva por Eduardo há muito tempo, tanto pelo fato de ser sócio minoritário em sua empresa, quanto pelo sucesso do bom rapaz.
Balacobaco é uma trilha sonora condizente à novela de mesmo título, exibida pela Rede Record. O álbum foi lançado em 11 de novembro de 2012.
Balacobaco recebeu críticas positivas dos profissionais especializados. Nilson Xavier, da coluna Blogosfera do UOL, disse que a telenovela "afastou o fantasma" de Máscaras ao apostar em uma abordagem totalmente oposta, elogiando a proposta "colorida, espalhafatosa e com trilha popularíssima" e acrescentando que foi louvável manter a mesma temática do início ao fim. O jornalista comparou Balacobaco à Cheias de Charme e Avenida Brasil, por abordarem o cotidiano nos bairros de classe C, elogiando a atuação de Bruno Ferrari. Heloísa Tolipan, do Jornal do Brasil, elogiou o apelo popular da trama, destacando as atuações de Bárbara Borges e Roberta Gualda como os elementos chaves da telenovela, das quais foram citadas como personagens bem construídos. Geraldo Bessa, do portal Terra, disse que Balacobaco conseguiu se despedir com dignidade depois de receber a difícil missão de suceder o fracasso de Máscaras, elogiando as atuações de Juliana Silveira, dita como madura, e Simone Spoladore e André Mattos: "Entre disfarces e nuances, pai e filha protagonizam sequências divertidas e bem construídas, onde a dupla mostra-se versátil e à vontade". O jornalista criticou a escalação de Victor Pecoraro como protagonista, descrito como inexpressivo, analisando que Bruno Ferrari acabou roubando a cena com "maldades e da boa atuação" em seu antagonista.
A estreia de Balacobaco obteve 8 pontos de audiência com picos de 13, representando um aumento de dois pontos em relação ao último capítulo de sua antecessora, Máscaras. No final da primeira semana, porém, a trama havia perdido uma parcela da audiência, finalizando os cinco primeiros dias com 4,8 pontos, fato justificado pela inconstante mudança de horário de um dia para o outro. Duas semanas depois, fixada às 22h30, a trama conseguiu recuperar-se e, em 26 de outubro, marcou 14 pontos. O último capítulo da telenovela, exibido no dia 20 de maio, obteve média de 8 pontos com picos de 11 pontos e share de 15%. A média final da telenovela foi de 7 pontos, a segunda menor de novelas da emissora desde a retomada da teledramaturgia, em 2004, sendo maior apenas que a antecessora, Máscaras.


