Johan Cruijff
Hendrik Johannes "Johan" Cruijff ou Cruyff OCO, foi um futebolista e treinador neerlandês que atuou como meia-atacante e segundo-atacante. Considerado como um dos maiores jogadores de todos os tempos, inspirou muitos jogadores e treinadores a partir de suas extraordinárias atuações no Ajax, Barcelona e principalmente, na Seleção Neerlandesa durante a Copa do Mundo FIFA de 1974.
Ajax
Cruijff foi praticamente criado no Ajax: seu pai, Hermanus, dono de uma mercearia, fornecia frutas ao clube, embora a paixão inicial de Johan e do irmão Henny fosse o beisebol. Os vínculos continuaram por parte de mãe, Petronella, que foi trabalhar como faxineira do clube após tornar-se viúva (quando o garoto Cruijff, que frequentava os vestiários já com quatro anos, possuía doze). Ela também trabalharia como empregada doméstica de Vic Buckingham, treinador inglês do Ajax; e o porteiro do clube se tornaria o padrasto de Cruijff. Por ideia da mãe, o filho entrou nas categorias de base do Ajax; ela acreditava que assim ele poderia superar a deficiência que tinha nos pés, cuja má formação o obrigava a utilizar aparelhos ortopédicos: ironicamente, só assim ele, cuja uma das características futuras seria suas corridas fulminantes, conseguia caminhar. Sua sugestão provar-se-ia como divisora de águas não só do clube, mas do futebol nacional e internacional. Passando a adolescência no clube, chegou a ser gandula na final da Liga dos Campeões de 1961–62, realizada no estádio do Ajax.
Barcelona
Chegou ao Barça na negociação mais cara do futebol até então, por cinco milhões de florins, preço tão alto que o governo espanhol não aprovou a transferência. Só conseguiu ser levado porque foi registrado oficialmente como uma peça de máquina de agricultura. Cruijff justificou o alto investimento: marcou duas vezes na estreia e reconduziu o Barça a um título espanhol que não vinha havia 14 anos, quando ainda jogavam pelo clube Luis Suárez, László Kubala, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis e Evaristo.[carece de fontes?] A campanha do campeã espanhola de 1973–74 incluiu uma goleada por 5–0 em pleno clássico com o Real Madrid em pleno Estádio Santiago Bernabéu, oito dias após Cruijff tornar-se pai de Jordi — batizando o filho com nome catalão quando esse idioma ainda era proibido na Espanha, o que burlou por registrá-lo nos Países Baixos. Naquela goleada, o atacante marcou o segundo gol, driblando dois adversários antes de abater o goleiro, e deu as assistências para os dois últimos, em exibição terminada sob aplausos da própria torcida rival.
Retorno aos gramados
Fizera sua despedida em 7 de novembro de 1978, com a camisa do Ajax, em amistoso contra o clube que havia sido o sucessor imediato da equipe na hegemonia da Copa dos Campeões: o Bayern de Munique, que conquistaria o troféu também três vezes seguidas após o último do Ajax.[carece de fontes?] Os alemães venceriam por 8 a 0. Este acabaria, entretanto, sendo um final provisório: em virtude de investimentos desastrosos em criações de porcos, que o fariam perder milhões, Cruijff se viu forçado a voltar a jogar, ainda que assumidamente também sentisse falta da satisfação proporcionada pelo futebol - desde que sem maiores cobranças. Com efeito, terminou por escolher o futebol dos Estados Unidos, onde poderia viver tranquilo, no anonimato.
Feyenoord
Depois de duas temporadas, porém, Cruijff foi despedido do Ajax depois do segundo título seguido no campeonato por se recusarem a lhe pagar o que queria, pois já o consideravam velho demais. Aos 36 anos, o jogador preparou sua vingança, firmando contrato com o rival Feyenoord. No time de Roterdã, jogando sua última temporada profissional, ele, convivendo agora com um jovem Ruud Gullit, ganharia pela terceira vez seguida a Eredivisie, quebrando um jejum de dez anos do novo clube no campeonato nacional,[carece de fontes?] e venceria também a Copa dos Países Baixos. Seriam os únicos troféus oficiais do Feyenoord na década de 1980 — a equipe só voltaria a faturar a Copa em 1991, e o campeonato, em 1993.[carece de fontes?]
Estreou pelos Países Baixos em 1966, aos 19 anos, em jogo contra a ainda respeitada Hungria, em partida válida pelas eliminatórias para a Eurocopa de 1968. O jovem Cruijff logo marcou um gol, embora a impressão final tenha sido agridoce: ele também foi expulso, sendo o primeiro atleta a sofrer essa punição na história da Seleção. A indisciplina pesaria para que chegasse a ficar um ano sem defender o país. Quando voltou, ajudaria a transformar a Seleção, então modesta, em uma potência mundial. Mas isso ainda demoraria a ocorrer: o país não se classificaria para as fases finais da própria Euro 1968, para a Euro 1972,[carece de fontes?] e o mesmo para a da Copa do Mundo de 1970 — cujas Eliminatórias deram-se em um período em que ele ainda não havia se firmado na Oranje, que, para o mundial do México, perdeu a vaga para a Bulgária. Com a base titular da Seleção formada pelos jogadores dos continentalmente vitoriosos Feyenoord (Wim Jansen, Willem van Hanegem e Wim Rijsbergen) e Ajax (Arie Haan, Ruud Krol, Johan Neeskens, Johnny Rep e Wim Suurbier, além do próprio Cruijff, já barcelonista no mundial), que no período entre 1970 e 1974 deixaram a taça da Copa dos Campeões da UEFA nos Países Baixos,[carece de fontes?] o conjunto, ainda que desunido - os jogadores de um time não costumavam conversar com os do rival, e Cruijff não esconderia isso no livro Futebol Total, que ele publicaria ainda naquele ano — finalmente obteve a classificação para a Copa do Mundo de 1974. Cruijff, já treinado por Rinus Michels no Barcelona, o seria também na Oranje na competição. O treinador não hesitou em transportar para a Seleção o rodízio que funcionara bem no Ajax de ambos. O chamado "futebol total" do Ajax transfomar-se-ia para os olhos do mundo no "Carrossel Holandês" no torneio: um grupo de grande talento que trouxe inovações para a época como a valorização da troca de passes e posse de bola, a linha defensiva de impedimento e marcação firme, tentando roubar a bola ainda na intermediária adversária.
No final da década de 1960, já demonstrava suas ideias revolucionárias. Deixou a todos no Ajax loucos não só ao impor as suas noções de táticas, como também a tomar a iniciativa de negociar seus termos salariais. As ideias ousadas de Cruijff combinaram-se com a igualmente ousada ambição de um professor de ginásticas para crianças surdas, Rinus Michels, quando eles se encontraram em 1965 no Ajax, onde Michels chegara para ser técnico. Michels planejava transformar o clube, uma equipe semiprofissional que fazia jogos pelo leste de Amesterdão, em um time internacional de ponta — o que ele e Cruijff conseguiriam em seis anos. Sua ficha publicada em edição especial da Placar sobre os cem melhores jogadores do século XX, dos quais ele foi eleito pela revista o terceiro, atrás só do vencedor Pelé e de Diego Maradona, era bem sincera no campo "posição", onde estava escrito "todas, menos o gol". Diferentemente do brasileiro e do argentino, Cruijff não era tão malabarista, se assemelhando mais ao estilo de um de seus ídolos, Alfredo Di Stéfano; seus trunfos concentravam-se na velocidade, intuição, inteligência e objetividade em campo, ditando um jogo de toques rápidos em que os jogadores não possuíam posições fixas, trocando-as constantemente, com exceção óbvia ao goleiro — que nem por isso deixava de ter a sua contribuição no "sistema", cabendo a ele a função de iniciar os ataques. O chamado "futebol total" surgiu em volta de Cruijff, um jogador com fome de jogo, que, com fome de bola, ia atrás no campo para marcar o adversário e tirá-la dele, com todas as condições para isso: tinha um fôlego privilegiado, era magro, sendo exímio no controle de velocidade e já mentalizando que jogadas poderia fazer antes mesmo de receber a bola.
Na nova função, obteve sucesso. Dois anos após parar de jogar, pelo Feyenoord, voltou ao Ajax para comandar seu ex-clube à beira do gramado. Ficaria por duas temporadas, mas não conquistaria o campeonato neerlandês no período, em que o clube hegemônico nele foi o PSV Eindhoven.[carece de fontes?] Tentou reintroduzir o estilo do "futebol total", mas só confundiu os jogadores, já desabituados com o sistema. Não escondia que priorizava desenvolver novamente o futebol do clube, desde as divisões de base, a ganhar logo títulos. Ainda assim, comandou Marco van Basten, Frank Rijkaard e o jovem Dennis Bergkamp na conquista da Taça das Taças de 1987,[carece de fontes?] faturando também as Copas nacionais do mesmo ano e do anterior. Van Basten marcou o gol do título europeu após ouvir dizeres nada sutis do técnico: "se você não vencer, eu destruo você". No ano seguinte, os Países Baixos finalmente conquistariam um torneio, a Euro 1988, sob o comando de Rinus Michels, com o método conjunto de ambos e com jogadores que haviam jogado com Cruijff, dentre eles o trio Gullit-Van Basten-Rijkaard. Após o título, Michels foi alçado a dirigente da Real Associação Neerlandesa de Futebol e esperava-se que Cruijff fosse seu substituto como novo treinador da Seleção, chegando a haver mal estar público com a declarada insatisfação de Van Basten pela escolha de Leo Beenhakker ao cargo.
Países Baixos
No futebol dos Países Baixos, há o antes e o depois de Cruijff. Graças à geração simbolizada por ele, a Seleção Neerlandesa tornou-se uma das mais respeitadas do mundo. Atualmente, entretanto, não é nas ideias dele que o jogo da Oranje se baseia. Arthur van den Boogard, cronista esportivo do país, chamou isso de "pós-Cruijff". O revolucionário, que já não era uma unanimidade, teve sua imagem sendo abalada conforme seus pensamentos não vinham mais se adequando à realidade do futebol atual, como a falta de necessidade de alas. Também perdeu popularidade como comentarista esportivo nos programas televisivos do país, função que desempenhara com sucesso na década de 1990.
Barcelona
Se o Ajax deixara os projetos iniciados por Cruijff de lado, no Barcelona, onde ele procurou realizar a mesma obra, foi diferente: atualmente, a academia barcelonista conta com doze equipes, cada uma com até 24 jogadores. A maioria dos técnicos são licenciados pela UEFA para dirigir as categorias inferiores do Barça, consideradas as maiores produtoras de jogadores de alto nível, chegando a levar até 15 anos para formar um atleta. "Talvez o maior legado de Cruijff seja a metodologia que ele trouxe para o clube", disse José Ramón Alexanko, membro do chamado Dream Team campeão europeu sob o comando dele em 1992. Segundo o próprio Cruijff, a filosofia a ser seguida era a de que, como há sempre uma pessoa por trás do jogador, ela "precisa ser educada na técnica do jogo, no caráter e na inteligência".
Cruijff batizou um asteroide, o de número 14282. Em 8 de julho de 1974, semanas após o vice-campeonato na Copa do Mundo FIFA de 1974, Cruijff foi condecorado com a classe de cavaleiro da Ordem da Casa de Orange. Ele também era membro honorário da Real Associação Neerlandesa de Futebol e do Ajax. Foi eleito em 2004 o sexto maior neerlandês da história, estando à frente de nomes como Anne Frank, Rembrandt e Vincent van Gogh. Além do futebol, apreciava também jogar golfe. Na década de 1970, ele chegou a gravar uma música de relativo sucesso nas paradas neerlandesas, "Oei Oei Oei (Dat Was Me Weer een Loei)" - em português, "Oi Oi Oi (Que belo chute)", que foi relançada após sua transferência para a Espanha, onde foi ainda mais popular. Seus maiores ídolos musicais eram Nat King Cole, The Beatles e Richard Clayderman. Ele esteve casado com Danny Coster desde antes da fama internacional, em 1968, e a considerava a pessoa mais importante da vida: "Sem ela eu teria cometido tantos erros... ela me mantém no caminho certo". O casal escandalizava a conservadora sociedade espanhola nos tempos franquistas, em que agiam como jovens europeus modernos, fumando e usando cabelos compridos (no caso de Cruijff) e minissaia (no caso da mulher). Teve três filhos com ela: Chantal, Susila e Jordi.
Em 22 de outubro de 2015, Cruijff anunciou oficialmente que foi diagnosticado com câncer de pulmão. Ele foi um fumante inveterado ao longo de sua vida, inclusive no período de maior brilho de sua carreira, mas havia parado de fumar em 1991. Morreu vitimado pela doença, em Barcelona, no dia 24 de março de 2016. Sobre a doença, que influenciou em biografia que já vinha sendo preparada, e a perda paterna, Jordi Cruijff assim declararia na entrevista dada em 2017 à El Gráfico: Sua morte ocorreu em período de Data FIFA, rendendo minutos de silêncio imediatos, ou ainda um minuto de aplausos ao longo do minuto 14 de partidas, desde a um jogo entre a Argentina e Chile em Santiago, na América do Sul, ao clássico de Roterdã, entre o velho rival Feyenoord e Sparta. No dia seguinte, houve partida da Seleção Neerlandesa em Amsterdã, contra a França, repetindo as homenagens ao longo do minuto 14, em que a partida foi paralisada pela organização. O jogo foi no estádio do Ajax; a partida partida realizada pelo clube no local, em 3 de abril, teve homenagem similar, além de cortejo proveniente do bairro proletário de Betondorp (onde Cruijff crescera) com faixas e imagens do ídolo e participação de alguns ex-jogadores como Edwin van der Sar e Marc Overmars. A partida terminou em 3–0 sobre o Zwolle. Antes dela, jogadores das duas equipes vestiram agasalhos com o número 14. O tributo, que levou o filho Jordi às lágrimas, incluiu réplicas gigantes de camisas do Ajax, da Seleção e do Barcelona.
Seleção Neerlandesa
Expanda a caixa de informações para conferir todos os jogos de Cruijff pela Seleção Nacional
Durante a sua carreira, Cruijff também se tornou um fenômeno nacional por causa dos seus comentários, alguns dos quais se destacam pelo brilho e pura lógica. A sua forma de discurso foi chamada de "Cruijffiaans", o que pode ser traduzido como "Cruijfismos", nos Países Baixos. Alguns exemplos:


