Pesquisa · Mapa mental

Bengo

Bengo é uma das 21 províncias de Angola, localizada na região centro-norte do país. Sua capital está na cidade e município de Dande.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
01

História

Formação sociopolítica

A unificação política da região, e subsequente integração ao reino do Congo, deu-se entre o final do século XIV e início do século XV, a partir de uma expedição militar capitaneada por Ampando Luqueni, oficial militar e sobrinho do rei do Congo Nímia Luqueni. Sob ordens de Nímia Luqueni, Ampando Luqueni, auxiliado por seus irmãos Anjimboa Luqueni e Anzambi Luqueni, marcharam do reino de Loango até a altura do rio Bengo-Zenza, onde, com as tropas sob seu comando, passaram a enfrenter adversários muito ferozes e tenazes nomeados como Dimbumbes-Diquixes (possivelmente jagas), que faziam investidas contra as populações e estavam arruinando a produção agrícola dos Dembos. Após derrotar os Dimbumbes-Diquixes, Ampando Luqueni foi declarado príncipe dos Dembos, sendo o primeiro governante do Principado dos Dembos, uma entidade tributária do Congo. Ele fixou sua residência em Pango Aluquém (que é justamente derivada da ortografia de Ampando Luqueni).

Século XIX: tentativas de evolução administrativa

No bojo da disputa territorial entre Portugal e a Grã-Bretanha entre a década de 1810 e a década de 1880, denominada Questão do Ambriz, Portugal passou a patrocinar expedições militares para reocupar e refundar Ambriz (que havia sido arrazada na batalha do Ambidizi). A contenda fez com que Portugal tentasse afirmar mais categoricamente sua posição. Em 1810, pela primeira vez a região é afetada por uma grande reforma administrativa, com a criação do distrito dos Dembos, com sede em Quibaxe, a partir da repartição do distrito de Golungo Alto. Essa divisão administrativa dura até 1857, quando o distrito dos Dembos é integrado ao distrito de Luanda.

Projetos coloniais e luta anticolonial

Numa busca de afirmar sua posição no interior, Portugal autorizou a montagem de empreendimentos agrícolas particulares na zona dos rios Bengo-Zenza, Dande, Onzo e Loge, que daria origem a dois projetos coloniais muito notáveis, sendo o primeiro o Forte-Palácio da Maravilha (ou Forte Cazuangongo), na década de 1900, e o segundo a Fazenda Tentativa, na zona do Caxito, em 1939. Diante da sublevação da população dos Dembos à escravização, aos regimes de trabalho forçado e à colonização, entre 1807 de 1908, o capital João de Almeida e o tenente Luís Augusto de Pina Guimarães foram destacados para comandar tropas em mais uma das Campanhas de Pacificação e Ocupação. A banza de Cazuangongo, a que conseguiu empreender maior resistência, foi totalmente destruída e os Dembos passaram a ser ocupados militarmente por Portugal. Pelo seu feito, o capitão João de Almeida ganhou o infame epíteto de "Herói dos Dembos".

Guerra Civil e recriação da província

Em janeiro de 1975, já no bojo da Guerra Civil Angolana, o MPLA conseguiu manter importantes unidades militares nas regiões de Caxito e Úcua, enquanto a FNLA (com o apoio do Zaire) manteve bases no norte e oeste da província, conseguindo controlar todas as rotas vitais benguenses e expandido suas capacidades militares em março de 1975 para dominar lentamente toda a província até outubro de 1975. Utilizando o Bengo para colocar-se em posição mais favorável para a tentativa de tomada de Luanda, na batalha de Quifangondo, em novembro de 1975, a FNLA sofre uma enorme derrota militar nas confrontações com o MPLA, e começa uma rápida retirada em direção ao Congo-Quinxassa, com o Bengo passando ao controle do novo Estado angolano.

02

Geografia

A província do Bengo limita-se ao norte com as províncias do Zaire e Uíge; ao leste com as províncias do Uíge e Cuanza Norte; ao sul com as províncias de Ícolo e Bengo e Luanda, e; ao oeste com o Oceano Atlântico. Até 2011 tinha sob sua jurisdição os municípios de Ícolo e Bengo e Quissama, quando estes foram anexados à província de Luanda.

Clima

Enquanto que na faixa litorânea da província prevalece, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, o clima semiárido quente (BSh), na região interiorana é dominante o clima tropical de savana (Aw/As).

Ecologia, flora, fauna e patrimônio natural

Domina a maior parte da paisagem da província, isto é, o norte, o sul, o oeste, o centro e o centro-leste benguense, a ecorregião das "savanas e florestas de escarpa angolanas", com floresta de árvores altas rodeada por gramíneas altas, com áreas de mangal e pântano nas margens do rio, especialmente nos estuários. Já o nordeste e leste da província é dominado pelo "mosaico floresta-savana do Congo ocidental", uma ecorregião composta de pastagens arborizadas com trechos de floresta, bem como floresta perene seca nas proções com maior elevação e florestas de galeria de dossel denso ao longo dos rios, particularmente na zona mais interior dos rios Loge, Lué, Lifune, Uezo e Onzo.

Demografia

Tradicionalmente a província do Bengo é habitada por uma maioria étnica de ambundos, que, desde a Guerra de Independência de Angola passou a coexistir com um número considerável de congos e de ovimbundos no seu território. Nas últimas décadas, o enorme crescimento demográfico de Luanda fez com que uma certa parte da sua população fosse morar no Bengo onde as camadas económicamente privilegiadas de Luanda passaram também a construir um número crescente de residências secundárias.

Zonas litorâneas

A província possui pelo menos três zonas litorâneas importantes, sendo a enseada do Cacuaco, a baía do Dande-Catumbo e o complexo estuarino de Loge-Ambriz (ou Laguna da Ganga), onde há o estratégico porto de Ambriz.

03

Economia

Antes da divisão administrativa de 2011, a província tinha uma economia relativamente dinâmica, porém muito dependente da motriz econômica de Luanda. A perda de Ícolo e Bengo e Quissama afetou, respectivamente, os setores industriais e de comércio e serviços, pois ambas municipalidades eram especializadas em tais segmentos. Outro fato importante é que a dependência de Luanda aumentou, embora que os encargos administrativos diminuíram.

Agropecuária e extrativismo

O setor agropecuário detém muita importância para a província, principalmente pelas grandes lavouras temporárias que servem de subsistência e suprimento ao restante do país, com destaque à cultura do algodão, ananás, mandioca, rícino, feijão, cana-de-açúcar e massambala. Já as culturas permanentes têm como destaque a palmeira de dendém, hortícolas diversas, citrinos, as imensas plantações de banana, goiaba, mamão e a tradicional lavoura do café. A pecuária é especializada na criação de bovinos, caprinos e suínos, principalmente para corte e leite; em outro aspecto existe também atividades de criação de aves (para carne e leite) e piscícolas (pesca marítima e fluvial).

Indústria e mineração

Na mineração industrial, registra-se a extração de urânio, de quartzo, de feldspato, de gesso, de enxofre, de caulino, de calcário-dolomite, de ferro e de mica. O setor industrial está especializado na geração hidroelétrica, na fabricação de materiais de construção, em fábricas de alimentos (em especial agroindústrias) e bebidas, no setor têxtil (beneficiamento do sisal), e na siderurgia.

Comércio e serviços

O setor de comercio está concentrado em Dande, resumindo-se aos centros atacadistas de distribuição de alimentos e produtos básicos para a província, e; o setor de serviços está ligado ao turismo dos parques públicos e praias marítimas do Bengo. Nos serviços logísticos além do porto de Ambriz, há o porto de Barra do Dande, o único de águas profundas da província do Bengo, que serve de suporte direto ao porto de Luanda.

04

Cultura e lazer

Imagem: NordNordWest · BY-SA · Openverse

Algumas das principais celebrações religiosas benguenses são a Procissão de Santa Ana de Caxito e a Procissão de Nossa Senhora da Muxima, de cariz católica, e a Festa da Quianda da Lagoa do Ibendoa, relacionada ao culto da Quianda.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando