Salvador
Salvador é um município brasileiro, capital do estado da Bahia. Fundada em 29 de março de 1549 por Tomé de Sousa, por conta da implantação do Governo-Geral do Brasil pelo Império Português, foi a primeira capital do Brasil Colonial e está entre as cidades mais antigas continuadamente habitadas do continente americano e uma das primeiras cidades do Brasil, sendo estabelecida como uma cidade planejada, a primeira do tipo no país. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna o centro da cultura afro-brasileira. Salvador ainda é notável em todo o país pela sua gastronomia, música e arquitetura, reconhecidas também internacionalmente.
Salvador foi nomeada em homenagem a Jesus Cristo, o Salvador, conforme o cristianismo seguido pelos colonizadores católicos do Império Português. Portanto, trata-se de um hierotopônimo na toponímia do Brasil, mas também é uma redução da primeira designação, São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Além da referência religiosa, remete ainda à baía na qual está situada, que foi encontrada por Gaspar de Lemos, acompanhado por Américo Vespúcio, em 1501 no Dia de Todos os Santos, circunstância que deu nome à capitania, à província e ao estado federado dos quais foi e é capital. Ao longo do tempo, designações variaram entre essas duas referências: São Salvador, Cidade do Salvador, Salvador da Bahia, Bahia, "cidade da Bahia". Na língua inglesa, por exemplo, as denominações "Salvador da Bahia" e "São Salvador" perduram ainda para nomear o município. Também recebeu epítetos como Roma Negra e Meca da Negritude, por ser uma metrópole com uma percentagem grande de negros. Segundo dados de 2014, cerca de 82% da população de Salvador se declarou negra. De acordo com o antropólogo Vivaldo da Costa Lima, a expressão "Roma Negra" é uma derivação de "Roma Africana", cunhada por Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá. Segundo Mãe Aninha, assim como Roma é o centro do catolicismo, Salvador seria o centro do culto aos orixás. Posteriormente, nos anos 1940, a antropóloga cultural Ruth Landes, em seu livro Cidade das Mulheres, traduziu para a língua inglesa a expressão como Negro Rome. Posteriormente, quando o livro foi traduzido para o português, Negro Rome transformou-se em Roma Negra.
Primeiros povos e contato europeu
Por volta do ano 1000, os tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, esta era habitada por tupinambás, um dos povos tupis. A presença dos europeus data desde, pelo menos, o naufrágio de um navio francês em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu. Em 1535, chegou, à região, o primeiro dos donatários portugueses criados com a instituição do sistema das capitanias hereditárias, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu a Capitania da Baía de Todos os Santos das mãos do rei português D. João III. Coutinho fundou o Arraial do Pereira no dia 20 de novembro de 1536, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha.
Fundação e período colonial
Em 29 de março de 1549, chegam, pela Ponta do Padrão, na Barra, Tomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens de D. João III de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. No local de desembarque, na Praia do Porto da Barra, está o "Marco da Fundação da Cidade", uma coluna de seis metros de altura feita em pedra de lioz. O monumento foi posto pela comunidade portuguesa na Bahia em 1952, restaurado em 2013.
Período imperial
No século XIX, no período imperial, alterações sociais provocaram a mudança da elite do Pelourinho para a Vitória. Casarões dessa época ainda persistem no Corredor da Vitória a despeito da especulação imobiliária. Em 1835, ocorreu uma revolta liderada por escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês. Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo diversos ministros de Gabinete no Segundo Reinado, como José Antônio Saraiva, José Maria da Silva Paranhos, Sousa Dantas e Zacarias de Góis. Após a proclamação da República e a crise nas exportações de açúcar, porém, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional começou a diminuir.
Período republicano
Em 1912, ocorreu o bombardeio da cidade, causado pelas disputas entre as lideranças oligárquicas na sucessão do governo: foram destruídos a biblioteca e o arquivo, perdendo-se, de forma irremediável, importantes documentos históricos da cidade. Na virada entre os séculos XIX e XX, as influências das intervenções urbanísticas em Paris pelo Barão Haussmann chegaram à cidade. Por isso, em 1915 foi inaugurada a Avenida Sete de Setembro, construída a partir de algumas demolições. A nova avenida era a maior da cidade na época, com mais de quatro quilômetros de extensão, desde o Centro até a Barra. De mesma forma, a organização urbano-financeira do centro de Londres e de Wall Street da cidade de Nova Iorque também marcaram sua influência. Após vários aterros sobre a Baía de Todos os Santos, o bairro do Comércio surgiu em 1920 para concentrar as atividades financeiras na cidade, com sedes de agências de exportação e de câmbio e instituições bancárias e financeiras.
Salvador situa-se nos hemisférios austral e ocidental, no cruzamento do paralelo de 12 graus ao sul com meridiano de 38 graus a oeste. Mais precisamente, suas coordenadas geográficas são os 12° 58' 16'' de latitude sul os 38° 30' 39'' de longitude oeste. Este ponto é determinado a partir do marco da fundação da cidade, na praia do Porto da Barra. Na geografia do país, é um dos municípios litorâneos e está na Zona da Mata da Região Nordeste do Brasil. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Salvador. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Salvador, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Salvador. Salvador está restrita à península da entrada da Baía de Todos os Santos, entretanto, este corresponde a cerca de um terço da área que possuía no início da década de 1950, quando ainda não tinham se emancipados os distritos de Candeias (1958), Água Comprida (1961, hoje Simões Filho), Santo Amaro de Ipitanga (1962, hoje Lauro de Freitas) e Madre de Deus (1989).
Hidrografia
Salvador está localizada em uma península pequena, mais ou menos triangular, que separa a Baía de Todos-os-Santos das águas abertas do Oceano Atlântico. A baía, que recebe esse nome por ter sido descoberta pelos portugueses no Dia de Todos-os-Santos, forma um porto natural. Salvador é um dos principais portos de exportação do país, encontrando-se no coração do Recôncavo Baiano, uma rica região agrícola e industrial, e englobando a porção norte do litoral da Bahia. A capital baiana está inserida na região hidrográfica do Atlântico Leste, mais especificamente na Região de Planejamento de Gestão das Águas do Recôncavo Norte (RPGA XI). O município de Salvador tem dez regiões hidrográficas delimitadas: as mais expressivas são as bacias do rio Camarajipe e a do rio Jaguaribe. O Rio Camarajipe, com seus 14 quilômetros, e o Jaguaribe, que também é conhecido como Trobogi, por atravessarem muitos bairros de Salvador, são, consequentemente, os mais poluídos da cidade; por outro lado, o Rio do Cobre, que termina na Baía de Todos-os-Santos, é o único que ainda abriga vida em seu leito. A água que abastece a capital vem da Barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu, e dos rios Joanes e Ipitanga, localizados na Região Metropolitana de Salvador.
Vegetação
Ao longo da orla marítima estão presentes coqueiros (com destaque para os coqueirais das praias de Jardim de Alá e de Piatã) e plantas rasteiras, como o capim-da-areia e a grama-da-praia. Na cidade, encontram-se importantes áreas de dunas — as Dunas da Bolandeira, no bairro de Costa Azul, as Dunas de Armação e o Parque Metropolitano do Abaeté —, todas reconhecidas como áreas de valor cultural e ambiental pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador (lei 8167 de 2012). No nordeste soteropolitano, entre Itapuã e a Praia do Flamengo, existe uma área de seis milhões de metros quadrados de dunas. Pelo intuito de preservar o ecossistema de dunas, lagoas e restingas da Área de Proteção Ambiental Lagoas e Dunas do Abaeté, foi criada a organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) chamada Unidunas. Em 2008, foi declarada de interesse público uma área, dentro da área de proteção ambiental (APA), visando à implementação do Parque das Dunas. No fim de 2013, o parque teve o reconhecimento como posto avançado da reserva da biosfera da Mata Atlântica pela Unesco. No entanto, a Unidunas, que administra o parque, alerta para a degradação do ecossistema, sobretudo em razão da retirada da vegetação de restinga.
Clima
O clima de Salvador é considerado tropical superúmido (do tipo Af, de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger). A temperatura média anual é de 26 °C. O verão é quente, com moderada precipitação, e o inverno é morno, com elevada precipitação; durante o ano inteiro o tempo é muito abafado. Ao longo do ano, normalmente, a temperatura mínima nos meses mais amenos é de 21 °C e a temperatura máxima nos meses mais quentes é de 31 °C e raramente são inferiores a 20 °C ou superiores a 33 °C. A brisa oriunda do Oceano Atlântico deixa a sensação térmica agradável, mesmo nos dias mais quentes. Os bairros litorâneos, fora da Baía de Todos os Santos, como a Pituba, Praia do Flamengo, recebem fortes ventos, vindos do mar. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), coletados na estação meteorológica de Ondina, referentes ao período de 1931 a 1955 e desde 1963 (a partir do 1° de agosto), a menor temperatura registrada em Salvador foi de 17,5 °C em 25 de julho de 2008 e a maior atingiu 37 °C em 8 de março de 1933. O maior acumulado de precipitação (chuva) em 24 horas chegou a 367,2 milímetros (mm) em 27 de abril de 1971, seguido por 232,5 mm em 21 de abril de 1996, 217,5 mm em 3 de junho de 1978 e 208,4 mm em 22 de maio de 1966. Os meses de maior precipitação foram abril de 1984 e abril de 1985, com 889,8 mm e 869,1 mm, respectivamente.
Salvador experimentou um acelerado crescimento urbano e populacional na segunda metade do século XX, chegando a um milhão de habitantes por volta de 1970, quando ultrapassou o Recife, e a dois milhões no começo dos anos 1990, se tornando o terceiro município mais populoso do país, após São Paulo e Rio de Janeiro, e o primeiro do Nordeste. Esta posição se manteve nos censos de 2000 e 2010, quando foram contabilizados, respectivamente, 2 440 828 e 2 675 656 pessoas vivendo dentro dos limites municipais. No censo mais recente, realizado em 2022, a população da capital baiana diminuiu em quase 10%, chegando a 2 417 678 habitantes, a maior redução dentre as capitais e a quarta posição nacional entre municípios (Fortaleza assumiu a terceira posição e a população do Distrito Federal/Brasília também foi maior que a soteropolitana). Em termos de densidade populacional, dentre as capitais, a capital baiana possui a décima primeira maior densidade pelo censo de 2022, com 3 486,96 habitantes por quilômetro quadrado. Esse cálculo elaborado pelo IBGE contabiliza a soma do território emerso (seco) com o espelho de águas interiores (território molhado), que são aproximadamente semelhantes em tamanho (343 e 350 quilômetros quadrados respectivamente); isso reduz aproximadamente pela metade a densidade demográfica da cidade. Por outro lado, foi projetada pela Bloomberg em 2014 como a segunda cidade mais povoada no mundo em 2025, sairia dos 19 588 habitantes por milha quadrada verificados em 1995 e alcançaria 38 643 trinta anos depois, uma densidade menor apenas que a da chinesa Honguecongue.
Composição étnica e religião
Salvador é o centro da cultura afro-brasileira. A maior parte da população é preta ou parda, sendo a capital com maior proporção de pessoas pretas e menor de brancas, segundo dados do censo de 2022: cerca de 825 mil dos 2,4 milhões de moradores do município se autodeclaram pretos, o que equivale a 34,4% ou mais de um terço da população soteropolitana. Salvador é a cidade com o maior número de descendentes de africanos no mundo, seguida pela Cidade de Nova Iorque, majoritariamente de origem iorubá, vindos da Nigéria, Togo, Benim e Gana. Segundo os critérios de cor ou raça do IBGE, em 2022 49,07% da população soteropolitana (1 186 416) se autodeclarou parda, 39,14% preta (825 509), 16,49% branca (398 688), 0,11% amarela (2 605) e 0,18% indígena (4 395[nota 1]).
Pobreza e desigualdade social
Além da desigualdade social, há tempos, a capital da Bahia também sofre com o turismo sexual, desemprego e violência, iluminação pública e saúde precárias, crescimento desordenado (favelização) e desrespeito ao meio ambiente. A cidade possui a terceira maior concentração de favelas entre os municípios do Brasil, com 262 comunidades, e a terceira maior proporção entre as capitais do país, com 34,9% da população vivendo em favelas . Apesar de ser a segunda capital mais rica do Nordeste e entre as primeiras do Brasil, alguns indicadores relativizam essa riqueza. Como no resto do Brasil — e principalmente do Nordeste —, há uma grande desigualdade em diversos aspectos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é levemente maior que o do Brasil, mas pode se reduzir a níveis da África ou se elevar a níveis da Europa, dependendo do bairro ou região da cidade considerados. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDH-M do Itaigara é 0,971, fazendo do bairro um dos detentores do melhor IDH-M do Brasil. O Caminho das Árvores, Iguatemi, Pituba e Loteamento Aquárius-Santiago de Compostela possuem 0,968. A Avenida Paulo VI e Parque Nossa Senhora da Luz possuem 0,965, fazendo destes todos citados iguais ou maiores que da Noruega, líder mundial há seis anos. Porém, locais como Areia Branca e CIA Aeroporto (0,652), Coutos, Felicidade (0,659), Bairro da Paz e Itapuã (0,664) apresentam índices menores que países como a África do Sul, Guiné Equatorial e Tajiquistão, localizados na África e Ásia Central.
Violência e criminalidade
A taxa de criminalidade na cidade é relativamente elevada. Dentre as capitais, foi listada como a segunda mais violenta pelo 17.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em dados de 2023 sobre crimes violentos letais. No mesmo ano, Salvador apareceu classificada entre as 50 cidades mais violentas do mundo, com 1 639 homicídios. Em 2013, 2 234 pessoas haviam sido assassinadas em Salvador, o que constitui uma taxa de homicídios de 57,51 por cem mil habitantes, enquanto no Brasil é 27,1 por cem mil habitantes. Além de ladrões ocasionais que residem nas áreas turísticas da cidade, a violência ocorre mais nos bairros periféricos, tarde da noite ou no início da manhã. Razões para os excessos violentos são estimados em 69% para rivalidades entre gangues do tráfico de drogas, dívidas de usuários de drogas ou disputas entre os viciados em crack.
Desde 1° de Janeiro de 2021, o prefeito de Salvador é Bruno Reis, do partido Democratas (DEM), eleito nas Eleições municipais de Salvador de 2020 para cumprir o mandato no poder executivo de 1 de janeiro de 2021 a 31 de Dezembro de 2024. São 43 vereadores na Câmara Municipal de Salvador, todos eleitos também em 2020 para ocupar a casa legislativa municipal. O poder legislativo conta ainda com emissora na televisão aberta e em transmissão digital desde 2014: a TV Câmara Salvador, gerida pela Fundação Cosme de Farias (FCF). O planejamento urbano é determinado por um plano diretor municipal, chamado na cidade de Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Em fevereiro de 2008, a Câmara de Salvador, aprovou uma nova versão do PDDU para Salvador. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) e mais cinco entidades da sociedade civil, a versão de 2008 que permitira o desmatamento da Mata Atlântica na Avenida Paralela, criação de paredões de prédios na orla atlântica e acarretaria prejuízos para a Prefeitura e lucros exorbitantes para as construtoras e imobiliárias. O CREA solicitou à Justiça Federal alteração em 48 itens da lei que aprovou o novo PDDU. Também foi alvo de denúncias do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e de ações no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Além disso, a Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (LOUOS) foi aprovada com medidas que alteraram o PDDU, que é uma legislação superior. Tal plano diretor ficou sem vigorar (suspenso) e um substituto foi então discutido em audiências que envolveram o PDDU, a LOUOS e o Plano Salvador 500, mas ainda com críticas à participação social e ações do MPBA. Novas versões do PDDU e da LOUOS foram aprovadas em 2016, em vigor desde então, apesar de contestações persistirem.
Relações internacionais
O Município de Salvador conta, dentro da estrutura de seu poder executivo, com um órgão central para assuntos exteriores desde a década de 2000 e, dentro do legislativo, com uma comissão permanente, a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Relações Internacionais. Esse órgão central da Prefeitura começou como a Secretaria Extraordinária de Relações Internacionais (SECRI), passou pela Assessoria de Relações Internacionais (ARI, criada por lei em 29 de dezembro de 2008), pelo Escritório Municipal da Copa do Mundo FIFA-2014 (ECOPA) e Escritório Salvador Cidade Global vinculado ao gabinete do prefeito, chegando ao Escritório de Cooperação Internacional (ECI), vinculado ao gabinete da vice-prefeita.
A princípio, Salvador era dividida apenas em Cidade Alta e Cidade Baixa, devido ao relevo acidentado, se projeta sobre a Baía de Todos os Santos, assumindo um formato triangular, em cujo vértice está o Farol da Barra. A capital baiana se mostra complexa na divisão territorial, sendo os limites das localidades e até mesmo as diferenças entre as denominações (bairros, distritos, zonas, setores) indefinidos e superpostos entre si, principalmente nas zonas do miolo urbano e subúrbios ferroviários. Apesar da fundação planejada e iniciada no atual Centro Histórico, o crescimento da capital ao longo do tempo ocorreu espontaneamente. Logo os limites se expandiram. Nessa expansão foi importante o papel das ordens católicas. Surgiram assim novas localidades como o Carmo e o Pelourinho, chamados até então de freguesias. No século XIX, ocorre uma expansão sul da cidade, surgindo a Vitória, Graça, Canela e Barra como localidades novas, e somente no início do século XX é que se faz uma reforma territorial, estabelecendo 11 distritos. A partir daí, o crescimento desordenado da cidade leva a dificuldade de estabelecer os limites e os bairros acabaram se fundindo de tal maneira, que até hoje não se conhece a quantidade direito.
Bairros
A cidade está dividida em dois níveis bem diferentes: a Cidade Baixa, localizada na planície estreita banhada pela Baía de Todos os Santos, e a Cidade Alta, localizada no platô que eleva-se de forma aguda caracterizada por uma encosta íngreme. Na Cidade Baixa encontram-se atividades portuárias e comerciais atacadistas, na Cidade Alta estão os bairros residenciais e o comércio varejista, assim como a administração pública. Embora a criação de Salvador fosse idealizada pelo Reino de Portugal e seu projeto conduzido pelo engenheiro português Luís Dias (que foi responsável pelo projeto original da cidade), o crescimento contínuo da capital através das décadas foi completamente espontânea. Os muros da cidade-fortaleza não podiam segurar a expansão da cidade, daí surgiam novas localidades, por exemplo, em direção ao bairro do Carmo é a área onde está a atual Praça Castro Alves. Na época de sua fundação, Salvador tinha duas praças e o primeiro bairro a surgir foi a região do Centro. Pelourinho e o bairro do Carmo vieram posteriormente, criado como uma consequência da crescente necessidade de espaço que as ordens religiosas tiveram.
Ao longo da história brasileira Salvador tem desempenhado um papel importante. Durante todo o domínio português a cidade era uma das maiores e mais importantes da colônia. Devido à sua localização na costa do Nordeste do Brasil e contanto com uma grande baía (sendo um dos portos e centro de comércio mais importantes da América, principalmente no tráfico de escravos e mercadorias), a cidade serviu como um importante elo no Império Português, mantendo estreitos laços comerciais com Portugal e a África. Salvador foi a primeira capital do Brasil e permaneceu como sendo até 1763, quando foi substituída pelo Rio de Janeiro motivada em grande parte pelo ciclo do ouro. Nas últimas décadas, com o rápido crescimento da sua população bem como a necessidade por moradia e emprego, vários prédios de escritórios e apartamentos foram construídos, muitas vezes no lugar das antigas edificações do período colonial o que causou uma perda irreparável na história da cidade. Conta com uma grande refinaria de petróleo, um polo petroquímico, centros de abastecimento e galpões industriais em seu território e entorno. Muito desses investimentos está concentrado justamente na Região Metropolitana.
Turismo
A cidade é um importante destino turístico do país. Quanto ao turismo, fica atrás apenas do Rio de Janeiro em procura. No início do século XXI, foram eleitos, com auxílio do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), os "sete pontos mágicos de Salvador"; são eles: o Parque do Abaeté no bairro de Itapuã, o Farol da Barra no bairro da Barra, o Complexo do Contorno e o bairro do Comércio, a Península de Itapagipe, o Centro Histórico, o Dique do Tororó e Baía de Todos os Santos que banha boa parte do litoral da cidade. Dentre os pontos de interesse estão o seu famoso Pelourinho, suas igrejas históricas e suas praias. O interesse pela cidade se dá pela beleza do conjunto arquitetônico e da cultura local (música, culinária e religião).
Transportes
O município dispõe de transportes em diversos modos: rodoviário, ferroviário, vertical, aéreo e aquático. As principais vias terrestres são as rodovias BR-324 (federal) e BA-099 (estadual) e as avenidas Avenida Luís Viana (Paralela) e Afrânio Peixoto (Suburbana). Dessas, a Avenida Paralela e a rodovia federal são importantes vias metropolitanas e os principais corredores de ônibus urbano. Os trilhos estão presentes com o Sistema de Trens do Subúrbio e o Sistema Metroviário. Os ascensores fazem a ligação vertical entre os planos da cidade (Alta e Baixa) em quatro pontos (Elevador Lacerda e planos inclinados Gonçalves, Pilar e Liberdade-Calçada). Nas águas, o transporte é marítimo municipal e intermunicipal, por barcas (Sistema Ferry-Boat) e por lanchas e catamarãs. Afora isso, há ainda as passarelas e escadarias e os serviços de táxi, vans, ônibus metropolitanos e transportes fretados.
Educação
Alguns dos principais colégios particulares da cidade são: Colégio Anglo-Brasileiro, Colégio Anchieta, Colégio Oficina, Colégio Salesiano de Salvador, Colégio Nossa Senhora das Mercês, Colégio Miró, Colégio Marista de Salvador, Colégio Antônio Vieira, Colégio Módulo, Colégio Sartre, Colégio São Paulo, Colégio Cândido Portinari, Colégio Integral (agora propriedade do Colégio Sartre), Colégio Nossa Senhora da Conceição, Colégio Santíssimo Sacramento, Colégio Diplomata, Colégio Nossa Senhora do Resgate, Colégio Gregor Mendel e Colégio Dois de Julho. Também existem escolas públicas históricas da cidade, destacando-se o Colégio Odorico Tavares (desativado), Colégio Estadual da Bahia ("Colégio Central"), o Instituto Central de Educação Isaías Alves (ICEIA) que se transformou no Centro Estadual de Educação Profissional, Formação e Eventos Isaias Alves, o Instituto Federal da Bahia (IFBA), o Colégio Militar de Salvador, as quatro unidades do Colégio da Polícia Militar da Bahia (Lobato, Dendezeiros, João Florêncio Gomes, Luiz Tarquínio), o Colégio Estadual Raphael Serravalle, o Colégio Estadual Dois de Julho, o Colégio Estadual do STIEP Carlos Marighella, o Colégio Estadual Manoel Vitorino, o Colégio Estadual Deputado Manoel Novaes, o Colégio Estadual Goes Calmon, o Colégio Estadual Nelson Mandela, Colégio Estadual Vila Canária, Colégio Estadual Frederico Costa, Colégio Estadual Mário Augusto Teixeira de Freitas, Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas, o Colégio Estadual Anisio Teixeira, o Colégio Estadual Governador Otávio Mangabeira, o Colégio Estadual Daniel Lisboa, o Colégio Estadual Evaristo da Veiga, o Colégio Estadual Manoel Devoto, o Colégio Estadual Thales de Azevedo, a Escola Estadual Luiza Mahim, entre outros.
Mídia e telecomunicações
O setor de telecomunicações e mídia em geral são bastante importantes. Uma vez que foi sede da administração portuguesa no Brasil, teve importantes jornais a nível nacional, assim acompanha as grandes mudanças, sendo uma das primeiras a implantar novas tecnologias no país. Um exemplo é o telefone celular, o primeiro celular lançado no Brasil foi pela TELERJ, na cidade do Rio de Janeiro em 1990, e logo foi seguido da cidade de Salvador. Salvador possui um dos jornais impressos mais antigos do Brasil, o A Tarde, publicado diariamente desde 1912, bem como é sede da Rede Bahia, o maior conglomerado de mídia do Norte e Nordeste.
A cultura desenvolvida em Salvador, uma das primeiras cidades fundadas e capital do Brasil por mais de dois séculos, e no Recôncavo da Bahia, exerceu forte influência em outras regiões do país, e na própria imagem que se tem do Brasil no exterior. Desde o século XVII observa-se no estado uma dualidade religiosa: de um lado, a religião católica (de origem europeia); do outro, o candomblé (de origem africana). Aspectos históricos e culturais de Salvador foram herdados pela miscigenação de grupos étnicos africanos, europeus e indígenas. Esta mistura pode ser vista na religião, cozinha, manifestações culturais e personalidade do povo baiano.[carece de fontes?] Já no século XIX, firmou-se o gosto do baiano — tanto o de origem abastada quanto o pobre — pelo epigrama (tipo de poesia satírica); pelas modinhas (poesia lírica musicada); e, também, pelos sermões religiosos, praticado desde Frei Vicente do Salvador e tendo o ápice em Antônio Vieira. A chegada dos africanos vindos do golfo do Benim e do Sudão, no século XVIII, foi decisiva para desenvolver a cultura da Bahia como um todo. Segundo Nina Rodrigues, isso é o que diferencia a cultura baiana da cultura encontrada nos outros estados brasileiros. Nesses, os africanos que vieram eram, predominantemente, os negros bantos de Angola.[carece de fontes?]
Arquitetura
A palavra "pelourinho", em sentido amplo, corresponde a uma coluna de pedra localizada normalmente ao centro de um praça, onde eram expostos e castigados criminosos. No Brasil, e em especial o pelourinho de Salvador, o uso principal era para castigar escravos através de chicotadas durante o período colonial. Tempos depois do fim da escravidão no Brasil, este local da cidade passou a atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, etc., tornando o Pelourinho em um centro cultural. O Pelourinho está dentro do Centro Histórico de Salvador, o qual é tombado pela Unesco, e, assim, permite a Salvador ser membro da Organização das Cidades do Patrimônio Mundial.
Literatura
Gregório de Matos, nascido em Salvador em 1636, foi educado pelos jesuítas e tornou-se o mais importante poeta barroco no Brasil colonial por suas obras religiosas e satíricas. O padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa em 1608, mas foi criado e educado no Colégio Jesuíta de Salvador e morreu na cidade em 1697. Seus sermões eruditos lhe renderam o título de melhor escritor do idioma português no estilo barroco. Após a Independência do Brasil (1822), Salvador continuou a desempenhar um papel importante na literatura brasileira. Significativos escritores do século XIX associados da cidade incluem o poeta romântico Castro Alves (1847-1871), conhecido por sua luta contra a escravidão, e o diplomata Ruy Barbosa (1849-1923).
Eventos e feriados
Dois eventos na cidade foram declarados feriados municipais a partir da lei n.º 1 997, de 21 de junho de 1967, quais sejam: São João (em 24 de junho) e Nossa Senhora da Conceição (em 8 de dezembro). Essa mesma lei também considera as datas de Corpus Christi e da Sexta-feira Santa, porém tais comemorações já são feriados nacionais. A procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes acontece em 1° de janeiro. Várias embarcações de todos os tipos velejam na Baía de Todos os Santos carregando a imagem do Bom Jesus da igreja da Conceição da Praia para a capela da Boa Viagem, num lindo desfile de fé. De 3 a 6 de janeiro tem Reis, a Festa da Lapinha. Na segunda quinta-feira do mês de janeiro se faz a Lavagem do Bonfim. Uma enorme procissão, em que os participantes vestem trajes brancos, em homenagem a Oxalá. A multidão parte da igreja da Conceição da Praia em direção à Igreja do Bonfim, no alto da Colina Sagrada, no bairro de mesmo nome. A cada ano aproximadamente 800 mil pessoas participam da grandiosidade desse evento religioso. Ao chegarem ao final do cortejo, baianas com suas roupas típicas despejam os vasos com água de cheiro no adro da Igreja do Bonfim e sobre as cabeças dos fiéis. É uma festa católica, misturada com Candomblé, que tem se tornado cada vez mais profana que religiosa. Ao final da lavagem da escadaria da igreja, começa a parte mais popular da festa, com muita cerveja, pagode, reggae e comidas servidas em barracas que se espalham por quase todo o bairro do Bonfim. Durante a realização dessa festa, a Cidade Baixa fica praticamente interditada para o tráfego de veículos pelas ruas e avenidas por onde o cortejo se desloca. Apesar de não ser feriado na cidade, os estabelecimentos comerciais que ficam ao longo do percurso fecham as portas em respeito à realização da festa e por pura falta de condições de funcionarem enquanto milhares de pessoas se divertem pelas ruas.[carece de fontes?]
Esportes
O esporte mais popular na cidade é o futebol. Os principais clubes da cidade são o Esporte Clube Bahia (detentor de dois títulos nacionais, o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1959 e o Campeonato Brasileiro de Futebol de 1988, cinco títulos regionais, 51 títulos estaduais e da maior torcida do Estado e da Região Nordeste) e o Esporte Clube Vitória (que possui um Campeonato Brasileiro - Série B, 30 títulos estaduais, cinco títulos regionais, além de campanhas de destaque sendo vice-campeão do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1993 e da Copa do Brasil de 2010). Atualmente, ambos disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Como praças esportivas do futebol, o grande palco sempre foi o Estádio Octávio Mangabeira, estádio do governo estadual no qual o Bahia mandava seus jogos, que foi reconstruído, e agora conta com o nome de Itaipava Arena Fonte Nova. O segundo mais importante estádio da cidade é o Estádio Manoel Barradas, mais conhecido como Barradão, que é o estádio do Vitória. Há também o Estádio de Pituaçu, de propriedade do governo estadual no qual o Bahia manda ocasionalmente seus jogos, e também há estádios de menor destaque atual (porém muito famosos no passado), como o Parque Santiago.


