Baeza
Baeza é um município da Espanha na província de Jaén, comunidade autónoma da Andaluzia. Tem km² de área e em 2021 tinha 15 762 habitantes. Foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 3 de julho de 2003, juntamente com Úbeda, a cidade vizinha, segundo os critérios (ii) e (iv). A cidade, em especial, seu centro histórico, é marcada pela influência cultural e arquitetônica dos árabes. A conquista de Baeza pelos reis cristãos, foi um ponto chave para a vitória espanhola nas Guerras de Reconquista, devido à sua localização mais ao sul da Espanha.
Baeza está localizada 766 metros acima do nível do mar, em uma posição importante da região histórica de La Loma, na margem direita do Rio Guadalquivir (o maior da Andaluzia). A cidade está situada sobre três colinas e um pequeno vale no meio, uma posição bastante elevada sobre o vale do Rio Guadalquivir, localização favorável por ser uma região muito importante na antiguidade.
Imagem: Universidad Internacional de Andalucía (UNIA) · BY-NC · Openverse
Baeza, como o resto da La Loma, tem um clima mediterrâneo-continental, com invernos bastante frios, temperatura média de 6°C em janeiro, e verões quentes. A temperatura média anual é de cerca de 15 ° C, e as chuvas concentram-se principalmente entre os meses de outubro e maio, com verões muito secos.
Melhor época do ano para visitar
O índice de turismo, dá preferência a dias pouco encobertos e sem chuva, com sensação de temperatura entre 18 °C e 27 °C. Portanto, a melhor época do ano para visitar Baeza e realizar atividades turísticas gerais ao ar livre é entre os meses de junho e setembro.
Imagem: Universidad Internacional de Andalucía (UNIA) · BY-NC · Openverse
Pré-história
As primeiras ocupações do município de Baeza, segundo a arqueologia, iniciam-se no Paleolítico Médio, sendo encontrados sítios Mousterianos nas proximidades dos cursos d'água de maior relevância. O primeiro registro de presença humana se deu na zona de Las Montalvas, por grupos nômades, caçadores e coletores, a nordeste da zona urbana da atual Baeza, onde foram encontrados produtos microlíticos, da fase Epipaleolítica. Já no Neolítico, as ocupações se limitaram à esquerda do rio Guadalquivir, às Montanhas Subbétias, com a formação de pequenos povoados na encosta da Sierra Mágina. Os primeiros assentamentos da planície de La Loma são calcolíticos, mas também há registros de outros da Idade do Bronze, quando se iniciou a sedentarização do ser humano e de certa estratificação social. Na colina do Alcazar há registro de diversas povoações ibéricas ao longo do tempo.
História antiga
Durante o domínio romano da região, Baeza era uma cidade romana denominada Vivatia, pertencente à Hispânia Citerior, uma das duas províncias em que a Espanha foi dividida após ser conquistada pela República Romana. Nesse período a cidade era livre para promulgar suas próprias leis e possuía certa autonomia, mas pagava tributos, além de ser subordinada a seus conquistadores. Durante o Império, Vivácia é elevada à condição de Município Flavio devido à sua posição estratégica tanto na comunicação entre as regiões, como no âmbito comercial, em virtude da extração de insumos agrícola e minerais. Com essa ascensão, a cidade passou a fazer parte do aparato administrativo imperial, ampliando seus poderes. Com a crise do Império Romano do Ocidente, Vivácia foi alvo de invasões bárbaras, que culminaram no domínio visigodo da cidade por volta do século 550, a qual passou a se chamar Biácia. Essa passou a ser dominada pela aristocracia goda, que se funde com a hispano-romana, dando origem à miscigenação e sincretismo cultural entre os dois povos. O restante da sociedade era composto pelo campesinato, classe mais numerosa, formada predominantemente por hispano-romanos, e também por um incipiente grupo judeu muito ligado ao comércio. Biata era considerada um importante centro urbano, além de ser a sede episcopal da igreja, e muitas relíquias do período estão conservadas e ainda podem ser observadas em Baeza.
Idade média
Com a chegada dos muçulmanos à Península Ibérica no século VIII, o território da Espanha foi distribuído entre hispânicos, tribos árabes e omíadas, e a maior parte ficou sob domínio islâmico, do Califado de Córdova. Sob esse novo governo, Baeza foi chamada de Baiaça e não houve grandes mudanças nas estruturas sociais, ocorrendo, mais uma vez, sincretismo e miscigenação. Era permitido aos cristãos, que não se converteram ao islamismo, e a outras minorias religiosas, manter a sua religião, com a condição de que aceitassem e respeitassem a autoridade do Islã e pagassem a jizia, imposto específico para os não islâmicos. Nesse período, houve um crescimento populacional associado a um processo de urbanização e à crescente importância das cidades. O domínio do Califado durou até 1031, quando esse se desfez, após um intenso período de instabilidade e revoltas contra o Emir de Córdova, evento esse nomeado Fitna do Alandalus ou Guerra civil do Alandalus, culminando na divisão da Alandalus em vários reinos Taifas. A partir do século X, as guerras de reconquista passaram a ocorrer, com investidas militares dos reinos cristãos ibéricos contra os muçulmanos. Em 1147, Baeza é reconquistada por Afonso VII, no entanto dez anos depois foi tomada pelos almoádas, alternando sua posse ao longo dos anos entre islâmicos e cristãos. Somente em 1227 foi definitivamente reconquistada por Fernando III de Castela, sendo os muçulmanos expulsados para o Albaicín de Granada. Baeza recupera então seu status de centro diocese, gerando o repovoamento da cidade, cuja população, durante os anos de conflito, procurou abrigo no campo. No final do século XV, duas famílias nobres da cidade, os Benavides e os Carvajales, enfrentaram-se pelo domínio do Alcazar e do Conselho, ou seja, pelo poder, fato este conhecido como Guerra Civil Baezana. Esse conflito foi encerrado com a ação da rainha Isabel a Católica, a qual ordenou a demolição do Alcazar e de algumas outras fortificações a fim de garantir a paz e evitar novos confrontos.
Idade moderna
Foi o período de magnificência arquitetônica, riqueza e prosperidade de Baeza. Isso devido ao grande crescimento econômico vivenciado pela cidade, consequência do aumento da produção agrícola, dos preços de venda e da indústria de tecidos. Nesse contexto houve um considerável crescimento populacional, de modo que o número de habitantes no século XVI era praticamente o dobro do anterior, gerando expansão urbana. Em suma, foi uma época marcada pela modernização da cidade medieval, de acordo com a mentalidade humanista, renascentista, na busca pela beleza e harmonia estética. Sendo assim, ocorreu substancial melhoria da cidade, mediante ampliação de ruas e praças, criação de novas áreas urbanas, edifícios públicos, civis, privados e religiosos, que refletiam esse momento de prosperidade e enriquecimento de Baeza, concedendo-lhe suntuosidade e aura de capital. A partir do final do século XVII, a cidade, marcada pela concentração fundiária pela Igreja e nobreza, enfrentou um período de recessão econômica, tal como ocorria nas demais regiões da Espanha, devido a uma série de guerras estéreis, altos impostos, variações climáticas que geraram a redução da produção agrícola, crises epidêmicas e retração populacional, sinalizando, desse modo, a decadência de Baeza.
Idade contemporânea
No século XIX, a invasão e ocupação napoleônica acentuaram os problemas socioeconômicos enfrentados por Baeza, aumentando as áreas de ruínas em seu perímetro. No final do século a cidade viveu uma suave recuperação, que foi logo interrompida, sucedida no século XX por tensões políticas, sociais, ideológicas, com a ascensão das doutrinas socialista e anárco-sindicalista, e crescimento do incipiente movimento operário. Com a Guerra Civil Espanhola, de 1936-1939, e a ditadura de Franco, a situação de Baeza se agravou em decorrência dos efeitos da guerra, simultaneamente com a desapropriação de terras e as precárias colheitas que deram origem ao período denominado de “Anos de fome”, resultando num fluxo emigratório. Somente em 1978, com o estabelecimento da Monarquia Parlamentar, que os índices econômicos e sociais começaram a melhorar. A entrada na União Europeia e o fornecimento de subsídios incentivaram a economia, gerando riqueza e melhores condições de vida. Em 2003, Baeza foi declarada, juntamente com Úbeda, Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
Ao longo da história Baeza sofreu sucessivas destruições de diversos edfícios mas, apesar disso a cidade ainda conserva uma grande riqueza de patrimônios monumentais que representam várias épocas, culturas e estilos arquitetônicos. Em Baeza, você pode ver vestígios da Idade do Bronze, da Era Romana e da Hispânia Visigótica, Islâmica e Cristã. No entanto, o mais rico patrimônio monumental preservado corresponde aos vários estilos artísticos presentes na Baeza Crista: desde o românico tardio e gótico, ao renascentista, maneirista, barroco e neoclássico. Não em vão que em 2003, o centro histórico da população, com sua antiga cidade dentro de muralhas, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Esse monumento é uma estátua de Antonio Pérez Almohano (1201 - 1252) e retrata o Rei Fernando lll. A obra criada em bronze foi feita para comemorar a entrada do Rei em Baeza e está situada sob uma base de pedra.
Imagem: Erlenmeyer · BY-SA · Openverse
• A feira anual da cidade se celebra em torno do dia 15 de agosto, dia da Ascensão de Maria, festa da padroeira da cidade, Santa Maria de Alcázar. • Peregrinação de La Yedra - 8 de setembro - É realizada devido a festa do Nascimento de Maria, uma das treze festas dedicadas a Santa Maria no calendário romano da igreja católica que se celebra no dia 8 de setembro, nove meses depois da festa da Imaculada Conceição da Virgem, celebrada dia 8 de dezembro. • Semana Santa - semana anterior a Páscoa - É a comemoração anual da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo realizada através dos cultos externos das corporações penitenciárias – e três gloriosas – da cidade por ocasião da celebração litúrgica da paixão e da Páscoa dentro da Igreja Católica. • Corpus Christi - É uma festa da Igreja Católica destinada à celebração da Eucaristia. Seu principal objetivo é proclamar e aumentar a fé dos crentes na presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, dando-lhe adoração pública na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade. Corpus Christi é celebrado 60 dias após o domingo de Ressurreição. Especificamente, Corpus Christi é quinta-feira após o nono domingo sucedente à primeira lua cheia de primavera do hemisfério norte. Em alguns países, este festival foi movido no domingo seguinte para se adequar ao calendário de trabalho.
Imagem: · BY-SA · Openverse
Baeza e Úbeda são cidades da comunidade de Andaluzia na Espanha, região a qual foi dominada por um império árabe conhecido como Al-Andalús, nos séculos XII ao XV. Essa dominação islâmica que já chegou a ocupar a quase totalidade do território espanhol, influenciou a cultura, a tradição, os costumes e a etnia dos povos dessas cidades por vários séculos. A idade média da província de Jaen, onde se localiza os dois municípios, foi marcada por um sincretismo cultural muito forte entre as tradições castelhanas e andaluzas. Vale ressaltar que o contato com o mundo árabe foi responsável por avançar a tecnologia das comunidades, em um período o qual o conhecimento cientifico não era valorizado, o conhecimento sobre matemática, arquitetura e medicinal foi difundido principalmente pelos islâmicos. Essa gama de informações trazidas com a formação do império de Al-Andalus, foi combinado com a cultura europeia e como efeito dessa mistura, originou nessas 2 cidades vizinhas a criação de uma das maiores manifestações do movimento renascentista da Europa. O movimento artístico que nasceu nessas cidades foi o responsável por caracterizá-las como patrimônio cultural da UNESCO. A arquitetura das igrejas, casas, praças e museus é de certa forma a materialização do renascentismo, mas com um detalhe, a influência árabe destaca a arte dessas cidades das demais que também são símbolos do movimento.
Imagem: estudio campo baeza · BY-NC · Openverse
Jaén é a primeira província espanhola a definir seus indicadores para medir o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Nesse âmbito, a FAMP ( Federação Andaluzia de Municípios e Províncias) promoveu com uma grande maioria de corporações locais com ajuda aprovada para a implementação de Estratégias Integradas de Desenvolvimento Urbano Sustentável, um trabalho para apoiar a gestão desses programas e a organização dessas atividades de treinamento, a fim de promover o desenvolvimento de forma sustentável tanto ambiental quanto energético. As cidades Úbeda e Baeza se juntam a linhas de ações conjuntas para influenciar o crescimento e desenvolvimento sustentável de ambas. Com o investimento nas EDUSI será possivel o avanço de áreas urbanas funcionais. E essas cidades se tornaram exemplos a serem seguidos na comunidade europeia. Os principais objetivos do projeto são melhorar a qualidade de vida da região por meio da criação de atividade econômica e emprego respeitoso com o meio ambiente, conservar a natureza local, otimizar o uso dos recursos naturais e também fomentar mudanças de hábitos e atitudes da população para que sejam mais sustentáveis e possa haver um combate a exclusão social.


