Báctria
Báctria ou Bactriana é uma região histórica cuja capital era a cidade de Bactro. Fazia parte da região persa do Coração e hoje integra o Afeganistão, Tajiquistão, Uzbequistão, Paquistão e China. Se localizava ao norte do Indocuche e ao sul do rio Amu Dária.
Báctria, o território do qual Bactra [Balque] era a capital, originalmente consistia na área ao sul do Amu Dária, com seu cordão de oásis agriculturáveis dependentes de água tirada dos rios Balque, Tascurgã, Cunduz, Sar-e Pol e Xirim Tagao. Essa região teve um grande papel na história da Ásia Central. Em certas épocas, os limites políticos de Báctria se estenderam muito além dos limites geográficos da planície bactriana.
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A língua bactriana pertence ao ramo iraniano da sub-família indo-iraniana da família indo-europeia.
Dáxia, Ta-Hsia ou Ta-Hia (em em chinês: 大夏, pinyin: Dàxià) era o nome dado na Antiguidade pelos chineses han para Tucara (ou Tocara), a parte central de Báctria. O nome "Dáxia" aparece em chinês a partir do século III a.C. para designar um pouco conhecido reino localizado em algum lugar a oeste da China. Isto era, possivelmente, consequência dos primeiros contatos entre a China e o reino Greco-Báctrio. Durante o século II a.C., os greco-báctrios foram conquistados por tribos indo-europeias nômades vindas do norte, começando pelos sacas (160 a.C.). Os sacas, por sua vez, foram derrotados pelos Da Iuechi ("Iuechis Maiores") nas décadas subsequentes. Os Iuechis já haviam conquistado Báctria na época da visita do emissário chinês Zhang Qian (por volta de 127 a.C.) o qual havia sido enviado pelo imperador Han para investigar as terras a oeste da China. A primeira menção a estes eventos na literatura europeia apareceu no século I a.C., quando Estrabão descreve como "os ásios, pásios, tocários e sacaráulos" participaram da "destruição do reino Greco-Báctrio". Ptolemeu, subsequentemente, mencionou o papel central dos tocaros junto às outras tribos de Báctria. A região de Tucara (ou Tocara) incluía áreas que se tornariam partes da província de Surcã Dária no Usbequistão, do sul do Tajiquistão e do norte do Afeganistão. Os tocaros falavam uma língua que se tornaria conhecida como bactriana - uma língua iraniana. Os tocaros e sua língua não devem ser confundidos com os tocarianos, que viveram na Bacia do Tarim entre o século III e o IX, ou com as línguas tocarianas, que formam um outro ramo das línguas indo-europeias.
Complexo Arqueológico Báctria-Margiana
O Complexo Arqueológico Báctria-Margiana, também chamado Civilização do Oxo, é a moderna designação arqueológica para a cultura da Idade do Bronze da Ásia Central, datada de aproximadamente 2200–1700 a.C., localizada no leste do atual Turcomenistão, norte do Afeganistão, sul do Usbequistão e oeste do Tajiquistão, centrada no alto rio Amu Dária (Oxo), e cobrindo a antiga Báctria. Seus sítios arqueológicos foram descobertos e nomeados pelo arqueólogo soviético Viktor Sarianidi em 1976. "Báctria" era o nome grego para o persa antigo "Bāxtriš" (do nativo *Bāxçiš) (nomeado em referência a sua capital Bactra, atualmente Balkh), no que é, hoje, o norte do Afeganistão. Já "Margiana" era o nome grego para a satrapia persa de Margu, cuja capital era Merv, no atual Turcomenistão.
Ciro, o Grande
Ernst Herzfeld sugeriu que, antes de sua anexação ao Império Persa por Ciro II no século VI a.C., Báctria pertenceu ao Império Medo. O domínio medo sobre a Báctria é sugerido por Ctésias, que relaciona a submissão desta região ao rei Ciro devido à sua aparente legitimidade ao trono medo, mas isso é questionável. Junto com a Margiana, formava a décima segunda satrapia do Império Persa. Depois que Dario III foi derrotado por Alexandre, o , o sátrapa da Báctria, Besso, tentou organizar uma resistência nacional mas foi capturado por outros chefes militares e entregue a Alexandre. Ele foi, então, torturado e morto.
Alexandre, o Grande
Historicamente, a região foi lar de um povo indo-europeu hábil no combate com cavalaria, a qual era uma das melhores do mundo até então. Mas isso não foi suficiente para parar Alexandre, o Grande, embora este tenha ficado gravemente ferido num combate contra eles e ficado temporariamente cego. A região foi incorporada ao seu recém-formado Império Macedônio. Alexandre conquistou Sogdiana. Entretanto, no sul, além do rio Oxo, ele encontrou forte resistência. Depois de dois anos de guerra e forte insurgência, Alexandre conseguiu manter um controle frágil sobre Báctria. Depois da morte de Alexandre, Diodoro Sículo conta que Filipe ficou encarregado do controle de Báctria, mas Marco Juniano Justino conta que foi Amintas quem recebeu esse encargo. Depois do Tratado de Triparadisso, tanto Diodoro Sículo quanto Arriano concordam que o sátrapa Estasanor adquiriu o controle de Báctria. Por fim, o império de Alexandre foi dividido entre os generais de seu exército. Báctria tornou-se, então, parte do Império Selêucida, que foi nomeado em referência a seu fundador, Seleuco I Nicátor.
Império Selêucida
Os macedônios, especialmente Seleuco I e seu filho Antíoco I Sóter, estabeleceram o Império Selêucida e fundaram muitas cidades gregas. A língua grega antiga tornou-se a dominante na região durante algum tempo. O paradoxo de que a presença grega é mais proeminente em Báctria do que em áreas bem mais próximas à Grécia pode possivelmente ser explicada pela ocorrência de deportações de gregos para Báctria no passado. Por exemploː durante o reinado de Dario I, os habitantes da cidade grega de Barca (Cirenaica) foram deportados para Báctria por se recusar a entregar assassinos. Além disso, Xerxes I também instalou os Branquidas em Báctriaː eles eram descendentes de sacerdotes gregos que haviam vivido em Dídimos e que haviam traído o templo. Heródoto ainda registra um comandante persa que ameaçou escravizar as filhas dos revoltosos da Revolta Jônica e enviá-las para a Báctria. Entretanto, estes poucos exemplos não são indicativos de deportação em massa de gregos para a Ásia Central.
Reino Greco-Báctrio
Consideráveis dificuldades enfrentadas pelos reis selêucidas e os ataques de Ptolemeu II Filadelfo deram, a Diódoto I, a oportunidade de declarar a independência de Báctria em aproximadamente 245 a.C. e conquistar a Sogdiana. Diódoto foi o fundador do Reino Greco-Báctrio. Ele e seus sucessores conseguiram se manter diante dos ataques dos selêucidas, particularmente de Antíoco III Magno, que foi definitivamente derrotado pela República Romana em 190 a.C. Os greco-báctrios eram tão poderosos que eles foram capazes de expandir seu território até a Índia. Quanto a Báctria, uma parte se localiza ao longo de Aria em direção ao norte, embora sua maior parte se localize acima e a leste de Aria. E grande parte dela produz tudo com exceção de azeite. Os gregos que levaram Báctria à revolta se tornaram tão poderosos por causa da fertilidade do país do qual se tornaram senhores, não apenas Báctria e arredores, mas também a Índia, como diz Apolodoro de Artemitaː e mais tribos foram conquistadas por eles do que por Alexandre...
Reino Indo-Grego
O rei bactriano Eutidemo I e seu filho Demétrio I de Báctria cruzaram o Indocuche e começaram a conquista do vale do Indo. Por um curto período, eles concentraram grande poderː um grande reino grego parecia estar se iniciando no leste. Mas o império foi dilacerado por rivalidades internas e contínuas usurpações. Quando Demétrio avançou a leste do rio Indo, um de seus generais, Eucrátides, se autoproclamou rei de Báctria. Eucrátides I, assim como Ptolomeu, Alexandre e Seleuco, fundou uma cidade com seu nomeː Eucratideia. Em seguida, muitas províncias do reino também proclamaram a independência, e começaram a guerrear entre si. Muitos dos governantes desses reinos somente são conhecidos atualmente devido a suas moedas, muitas das quais foram encontradas no Afeganistão. Essas guerras minaram a posição dominante dos gregos. Depois de Demétrio e Eucrátides, os reis abandonaram o padrão ático de cunhagem e introduziram padrões locais, sem dúvida para ganhar apoio fora da minoria grega.
Os habitantes de Báctria eram chamados bactrianos. Muitas rotas comerciais importantes provenientes da Índia e da China passavam por Báctria desde a Idade do Bronze, o que permitiu uma considerável acumulação de riqueza por parte da população nômade. A primeira civilização protourbana da área surgiu por volta do segundo milênio antes de Cristo. O controle dessas lucrativas rotas comerciais, no entanto, atraiu o interesse estrangeiro e, no século VI a.C., os bactrianos foram conquistados pelo Império Aquemênida. No século IV a.C., foram conquistados por Alexandre, o Grande. Essas conquistas marcaram o fim da independência bactriana. A partir de 304 a.C. aproximadamente, a região tornou-se parte do Império Selêucida. A partir de 250 a.C. aproximadamente, tornou-se o centro do reino Greco-Báctrio, governado pelos descendentes dos gregos que haviam chegado à região após a chegada das tropas de Alexandre.


