Bachianas brasileiras
As Bachianas Brasileiras são uma série de nove composições criadas por Heitor Villa-Lobos entre 1930 e 1945. Nessas suítes, escritas para diversas formações instrumentais, Villa-Lobos habilmente combinou elementos do folclore brasileiro com as formas musicais pré-clássicas de Johann Sebastian Bach. A influência de Bach é evidente não apenas no título da série – o sufixo "-ana" é uma homenagem comum a compositores anteriores – mas também nos movimentos, que recebem títulos duplos: um de inspiração barroca e outro de cunho brasileiro.
Pontos-chave
- Série de nove composições de Heitor Villa-Lobos, criadas entre 1930 e 1945.
- Fundem folclore brasileiro com formas musicais pré-clássicas de Bach.
- O título e os movimentos duplos refletem a homenagem a Bach e a identidade brasileira.
- Cada Bachiana é uma suíte, mas os movimentos podem ser apreciados individualmente.
- Representam uma fusão de influências europeias e expressões populares nacionais.
Embora as Bachianas se apresentem como séries, a conexão entre seus movimentos é mais estilística do que estrutural, permitindo que cada um seja executado isoladamente sem grande prejuízo à obra geral. Essa flexibilidade é demonstrada pelas modificações e adições que algumas Bachianas, como a primeira, sofreram ao longo dos anos. O conjunto é unificado principalmente pela fusão de influências barrocas e neoclássicas europeias com as ricas expressões populares brasileiras.
Bachiana Brasileira nº 1: Oito Violoncelos (1932/1937)
Composta entre 1930 e 1937, teve sua primeira audição em 12 de setembro de 1932, pela Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, sob a regência de Walter Burle Marx. A composição possui três movimentos. Contudo, a historiadora Lisa Peppercorn sugere que o primeiro movimento, "Embolada-Animato", não foi apresentado na estreia, tendo sido composto posteriormente, em 1937.
Bachiana Brasileira nº 2: Orquestra de Câmara (1934)
Também composta em 1930, estreou no II Festival Internacional de Veneza, em setembro de 1934, regida pelo compositor italiano Alfredo Casella. Esta obra é dedicada a Arminda Villa-Lobos, carinhosamente conhecida como Mindinha (1912-1985), a segunda esposa do compositor. Possui quatro movimentos, cada um reexplorando peças anteriores para piano ou para violoncelo e piano. A orquestração inclui cordas, flauta, oboé, clarinete, 2 saxofones (tenor e barítono), fagote, contrafagote, duas trompas, trombone, celesta, piano e uma rica seção de percussão (tímpano, ganzá, chocalhos, matraca, reco-reco, pandeiro, caixa clara, triângulo, pratos, tantã, bombo).
Bachiana Brasileira nº 3: Piano e Orquestra (1934)
Estreou em 1947, com José Vieira Brandão ao piano e o próprio Villa-Lobos na regência. Esta obra é composta por quatro movimentos.
Bachiana Brasileira nº 4: Piano e Orquestra (1930–1942)
Composta originalmente para piano a partir de 1930, estreou apenas em 1939. Em 1941, recebeu um novo arranjo para orquestra, que estreou em meados do ano seguinte. Esta obra é composta por quatro movimentos. A suíte inicia com o famoso prelúdio, cujo motivo deriva do thema regium (tema real), utilizado na composição de todas as peças que compõem a Oferenda Musical de Bach. No segundo movimento, o Canto do Sertão, a nota si bemol é repetida várias vezes por um instrumento, evocando o canto da araponga, uma ave conhecida por seu canto estridente e monofônico.
Bachiana brasileira nº 5 para soprano e oito violoncelos (1938–1945)
Considerada talvez a obra mais popular do compositor e a mais gravada fora do Brasil, é dividida em dois movimentos.


