Radial Leste
Radial Leste é uma importante via arterial do município de São Paulo, cruzando todo o eixo leste da capital paulista em direção à região central, servindo às subprefeituras da Mooca, Penha, Itaquera e Guaianases, além de ser a principal via de ligação da capital com o município de Ferraz de Vasconcelos. No sentido Centro-Bairro, a Radial Leste tem seu início na região do Parque Dom Pedro II, na altura da rua da Figueira, embora seu fluxo de veículos mais importante provenha do elevado do Glicério, que a conecta com a Ligação Leste-Oeste e com a Avenida do Estado.
O projeto para a construção da Radial Leste foi apresentado em 1945 pelo então prefeito da cidade de São Paulo, Prestes Maia. No entanto, suas obras só foram iniciadas doze anos depois, em 1957. Na época, as avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia encontravam-se congestionadas devido ao grande fluxo de automóveis, linhas de bonde e ônibus na região, sendo assim a Radial Leste surgia como via necessária para aliviar o trânsito nas mesmas e opção de caminho para o motorista. Boa parte das áreas utilizadas para a construção da avenida faziam parte da faixa patrimonial da Estrada de Ferro Central do Brasil, o que facilitou sua construção. O primeiro trecho da via, entre o Parque Dom Pedro II e a região do Brás ficou pronto em agosto de 1957, quando foi inaugurado o viaduto sobre os trilhos da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. A implantação da nova via estimulou a especulação imobiliária na região e serviu como estímulo para a ocupação da região leste de São Paulo, que se tornaria a mais populosa da cidade algumas décadas depois. Após mais de uma década paralisado, o prolongamento da Radial Leste da região do Tatuapé à Vila Matilde foi retomado em 1966 na gestão do prefeito José Vicente Faria Lima, quando foi inaugurado em 17 de maio de 1967 mais um trecho de 800 metros de extensão, entre a praça Presidente Kennedy (na altura da rua dos Trilhos) e a rua Bresser e o viaduto Alcântara Machado, de 1 150 metros de extensão.
Radial Leste é um termo não-oficial atribuído à via, ou seja, a avenida recebe diversos nomes ao longo de toda sua extensão:
Uma ciclovia de 12,2 quilômetros, chamada "Ciclovia Caminho Verde", foi inaugurada em 2008, durante a gestão do então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. A ciclovia acompanha a Linha 3 do Metrô. O trecho, pontuado por jardins e árvores e uma topografia plana, liga a Estação Tatuapé até a Estação Corinthians Itaquera, acompanhando justamente a linha metroviária atraindo os ciclistas tanto quanto para meio de transporte quanto para a área de lazer. Em outubro de 2014, já na gestão do prefeito Fernando Haddad, o secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, anunciou uma parceira entre a Prefeitura e o Metrô para estender o trecho da ciclovia, ligando a região do Parque Dom Pedro II à Estação Tatuapé do Metrô. Com isso, seria criada uma ligação direta para circulação de ciclistas desde da região de Itaquera até o centro da cidade. A obra ainda não tem data para começar. Na futura ligação será incluída a estrutura cicloviária do Jardim Helena com a ciclovia da Radial Leste. Isso favorecerá um grande eixo de circulação ligando o centro da cidade de São Paulo ao extremo leste paulistano. Esse trecho terá entre seis e oito quilômetros de extensão e se ligará com as ciclovias criadas no centro da capital facilitando assim o trajeto para os ciclistas.
No percurso da Radial Leste existem variados tipos de estabelecimentos contendo treze concessionárias de veículos, treze restaurantes, dez postos de gasolina, seis escolas, cinco motéis, três hospitais, três supermercados, dois sex shops, duas casas noturnas, três shoppings nas redondezas, uma alfaiataria e duas agências bancárias e dois pet shops.
Ainda na gestão do prefeito Fernando Haddad, as principais vias arteriais da capital paulista tiveram a velocidade máxima reduzida e passaram a ter o limite padronizado em 50 km/h. Sob a supervisão do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, a alteração da velocidade máxima das vias passou a valer em toda a cidade com exceção do Corredor Norte-Sul no trecho entre o Terminal Bandeira e a Avenida dos Bandeirantes, e as pistas central e expressa das marginais. A redução da velocidade faz parte do projeto "Programa de Proteção à Vida" da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo e visa melhorar a segurança dos usuários mais vulneráveis do sistema viário, como pedestres e ciclistas, e reduzir acidentes automobilísticos. A Radial Leste e as vias que compõem o Eixo Leste-Oeste também tiveram suas velocidades máximas reduzida de 60 km/h para 50 km/h, segundo o plano da Prefeitura, no dia 11 de setembro de 2015 proposto pelo ex prefeito Fernando Haddad.
Foi durante a Copa do Mundo FIFA de 2014 que o muro que separa a Radial Leste, principal via de acesso à Arena Corinthians, da linha 3-Vermelha do Metrô recebeu o projeto 4KM, tornando-se o maior corredor de grafite a céu aberto da América Latina. Elaborado pela Secretaria Estadual de Turismo e pelo Comitê Paulista para a Copa do Mundo, com verbas do governo e da iniciativa privada, o projeto recebeu a inscrição de quinhentos e dois projetos de grafite por trezentos e oitenta e nove artistas para a seleção. No entanto, apenas setenta foram os escolhidos. Os desenhos feitos no muro entre as estações Patriarca - Vila Ré e Corinthians - Itaquera e próximo à Arena Corinthians, tiveram três temas para serem explorados: turismo em São Paulo, torcida brasileira e futebol (esses temas foram escolhidos devido a copa do mundo de 2014 que ocorreu no Brasil), mas os artistas também poderiam escolher temas livres para suas obras. Os grafites ficam visíveis apenas para as pessoas que percorrem pela avenida e não para quem estiver dentro dos vagões do metro. Cada grafiteiro tinha um espaço de 50 metros de comprimento por 2,5 metros de altura e 40 litros de tinta látex e mais 60 tubos de spray. O governo gastou especificamente R$ 1,3 milhão, mais R$ 500 mil vieram de patrocinadores, como a Nike, e o cachê dos 70 grafiteiros é de R$ 6 500 cada.
Imagem: Mílton Jung · BY · Openverse
Nascimento
A avenida foi pensada para ser um raio dentro de uma circunferência, por isso o nome "Radial". Outra importante avenida que possui essa característica é a Avenida 23 de Maio. A criação da Avenida Radial Leste foi o resultado que a prefeitura da época encontrou para diminuir os congestionamentos presentes nas avenidas ao redor, como Rangel Pestana e Celso Garcia.
Acidentes
Considerada um dos mais perigosos locais para pedestres e motoristas durante os anos 1970, a Radial contabilizou, em apenas um ano, mais de 1.500 acidentes. Por causa dessa fama, ambulâncias eram mantidas ao longo da Avenida durante todo o dia, a fim de socorrer os acidentes que ocorriam com uma certa frequência ao longo do dia.
Moradia e vizinhança
A Avenida não possui muitas casas residenciais. Estar entre as avenidas mais movimentadas de São Paulo, ao lado da Arena Corinthians e de muito barulho, faz com que moradores que ali residem queriam mudar-se rapidamente, deixando a região da Arena Corinthians praticamente isolada de áreas residenciais.
Trânsito
Campeã no quesito buzinas, a Radial Leste é o ponto da cidade em que mais se ouve o estridente som de motos e de carros, devido ao seu enorme fluxo de frotas de automóveis.


