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Avenida de Maio

A Avenida de Maio, situada no bairro portenho de Monserrat, foi o primeiro bulevar que teve a Cidade de Buenos Aires, na Argentina e a coluna vertebral do centro histórico e cívico de dita urbe. Nasceu opulenta e majestosa e se transformou com o tempo em símbolo das relações argentino–espanholas, e em cenário de todas as manifestações sociais portenhas. Foi a primeira Avenida da República e de toda América do Sul.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Historia

Já antes de que se construirá a artéria os espanhóis imigravam a Argentina por ser um país de costumes e tradições similares ao deles; e buscando elevação social mediante o trabalho. O grupo de elite espanhola ocupou um lugar importante dentro do espaço social entre fins do século XIX e princípios do XX em coincidência com o crescimento econômico argentino de aquele então e com o forte financiamento nas relações internacionais de ambos países que se haviam rompido depois da guerra da Independência da Argentina. Entre 1895 e 1914 os bairros arredor a Avenida, Monserrat, San Nicolás e o chamado Concepción, concentravam mais de 50% dos espanhóis da cidade (entre 1904 y 1909 se afincaram na Argentina mais de 170.000 espanhóis, 32,4 % deles se estabeleceram em Montserrat y 24,1 % em Concepción ). Previa a inauguração da avenida existiam em seu entorno associações de espanhóis como o Centro Gallego, La Unión Gallega, La Asociación Patriótica Española e o Centro Asturiano. Também a imprensa escrita dos imigrantes se fazia presente com publicações como El Correo Español, La España, El Gallego, Antón Perulero e Almanaque Sudamericano. Ao abrir-se a artéria se converteu na preferida de a coletividade espanhola e assim a maioria dos hotéis, cafés e casas comerciais foram propriedade dos ibéricos. A zarzuela se estabeleceu então nela ao estabelecer-se os teatros Mayo, em 1893, e El Avenida, em 1908. O primeiro tinha a particularidade de que pelo estreito do terreno sobre a frente da Rua Rivadavia, se abriam as janelas dos camarins, por não haver sido possível construir-los na planta baixa. Inaugurado pelo ator espanhol Mariano Galé, brindou sainetes, operetas e zarzuelas, além de obras de comediantes argentinos. Foi derrubado ao abrir-se a Avenida 9 de Julho.

A aprovação do projeto

A cidade de Buenos Aires iniciou um importante desenvolvimento a partir de 1880, ano em que foi designada capital da Nação Argentina e o presidente Julio Argentino Roca nomeou intendente da mesma a Torcuato de Alvear. O impulso gerado pelas obras portuárias e as ferrovias incrementaram o comércio, a inversão e a imigração que se centrou na urbe. Os políticos e literatos conhecidos como a Generación del 80 renderam culto ao progresso e trabalharam estreitamente com inversões estrangeiras, buscando transformar a gran aldea em uma cidade moderna e avançada. Imitando as ideias européias imperantes do momento, consideraram que amplos bulevares contribuíram a lograr-lo.

As demolições e a inauguração

Em 25 de maio de 1888 se iniciou a destruição dos edifícios públicos mais antigos, todos situados sobre a Praça de Maio: a Casa da Polícia, os três arcos do lado norte do Cabildo e o Quartel de Bombeiros. Devido a que Crespo deixou a intendência por enfermidade, era intendente interino Guillermo Cranwell, até que Francisco Seeber, o intendente designado pelo presidente Juárez Celman, voltara da Europa. Seeber, que havia quedado impressionado pelas ideias arquitetônicas do Barão de Haussman em Paris, desejava executar em Buenos Aires obras similares a da Avenida de Maio para uma maior higiene e viabilidade. Porém, no entanto, começavam já a construir se os primeiros grandes edifícios de comércio.

Características iniciais

A avenida teve desde sua inauguração 30 metros de ancho, composto por veredas de 6,5 metros e calçada de 17 metros. La altura dos edifícios se fixou entre 20 e 24 metros, sem contar os trechos de mansarda. Hoje em dia pode ver-se facilmente que esta disposição já não se cumpre. Copiando as ideias de Paris, tinha em algumas esquinas sótãos em onde se guardavam os instrumentos de limpeza; e a ambos os lados sendo túneis que ainda existem — mas arruinados e sem uso— a um metro e meio por debaixo da linha de edificação, que transportavam os canos de água corrente, gás e cabos. Corriam em forma paralela as fachadas, medindo 2,30 por 1,23 metros no interior abobadado, passando por debaixo deles a canoa de deságüe pluvial: tudo isto deixava uma área livre entre a estrutura e os cimentos dos edifícios, que ficou para o proprietário e que ainda hoje muitos a seguem utilizando. Os túneis, que poderiam utilizar-se para o que foram pensados (um sistema que havia menos caro o custo dos arreglos em algum serviço), tem sido, no entanto sistematicamente destruídos.

Os meios de transporte

Por pedido dos proprietários dos imóveis a avenida jamais foi percorrida por elétricos, mas por debaixo dela circulariam como até hoje tanto um subterrâneo como um trem. Em efeito, na primeira década do século XX o tráfico viário em Buenos Aires aumentou em forma significativa e era necessária a criação de novas formas de transporte maciço. O Congresso Nacional, em 1909, entregou a concessão a Ferrovia do Oeste (FCO) para construir um subterrâneo de carga de dupla via que unira a via principal do Ferrovia do Oeste (atualmente Ferrovia Domingo Faustino Sarmiento) nas proximidades da Rua Sadi Carnot (atualmente Mario Bravo) com o porto. Mas em 28 de dezembro desse mesmo ano a Municipalidade da Cidade de Buenos Aires entregou una concessão para a Companhia de Tranvías Anglo Argentina (CTAA), que explorava 80% do sistema de elétricos, para construir um subterrâneo de passageiros. O projeto incluía em seu traçado o tramo Praça de Maio-Praça Miserere, por debaixo da Avenida de Maio, que havia sido concedido à ferrovia.

Hotéis e edifícios comerciais

Os primeiros edifícios construídos foram principalmente de hotéis que anteriormente se instalaram na zona portuária. Vários deles eram de luxo, destinados a captar aos estrangeiros que vinham por motivos de negócios. El Metrópole possuía comodidades que no contavam nem sequer os melhores estabelecimentos europeus. El Majestic se inaugurou em maio de 1910 na esquina de Santiago del Estero para receber as delegações estrangeiras que chegavam para a celebração do Centenário Pátrio. O projeto original foi dos arquitetos Collivadino e Benedetti. Outro hotel muito luxuoso foi o Grande Hotel Espanha, criado em 1897 com 315 quartos. O Hotel Castelar, ainda existente, foi construído em 1928 pelo arquiteto Mario Palanti, em estilo acadêmico. Seu nome inaugural foi Excelsior, mas o novo nome se deu Francisco Piccaluga, seu primeiro dono, em homenagem a Emilio Castelar y Ripoll, presidente da Primeira República Espanhola. No subsolo do hotel funcionava a peña Signo, importante lugar de reunião da intelectualidade argentina e do estrangeiro, contando entre sus concorrentes a renomeados artistas como Alfonsina Storni, Norah Lange, Oliverio Girondo, Luisa Vehil, Milagros de la Vega, Conrado Nalé Roxlo, Jorge Luis Borges e Federico García Lorca que habitou seis meses entre 1933 e 1934 na habitação 704 do hotel, hoje museu–habitação, e havia vindo ao país para representar Bodas de Sangre com Lola Membrives no Teatro Avenida. No mesmo subsolo funcionavam os estúdios de Rádio Stentor, utilizados pela Sociedade de Amigos da Arte como comunicadores das atividades culturais que se realizavam principalmente na Avenida de Maio.

Os cafés

Surgiram na avenida numerosos cafés a espanhola que inclusive preparavam o clássico chocolate com churros. Neles, artistas, escritores e políticos criaram um refugio de intelectuais, a vez que os exilados franquistas e republicanos discutiram ou pelearon violentamente mientras durou a Guerra Civil Espanhola. O mais representativo e destacado foi o café mais antigo de Buenos Aires que ainda segue funcionando: o Café Tortoni, inaugurado em 1858 e que funciona desde 1880 no sítio atual, ainda sua entrada estava situada sobre a Avenida Rivadavia. Em 1898 se lhe construiu a entrada principal no nº 825-833 de Avenida de Maio, que como se mencionou se havia inaugurado em 1894. La fachada foi realizada pelo arquiteto Alejandro Christophersen. Foi o primeiro bar da cidade em colocar sillas e mesas nas veredas.

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