Fiat Stilo
O Stilo foi um hatchback médio fabricado pela Fiat apresentado em 2001 na Europa, chegando ao Brasil no final de 2002, convivendo durante um ano com seu antecessor - o Brava e em 2010 saiu de linha e em 2011 foi sucedido pelo Bravo.
Segundo o site Auto & Design, o Stilo começou a ser prototipado em 1998 por quando três propostas de Mauro Basso (que teve o projeto escolhido), Aaron Hawkins e Thomas Sälzle liderados por Peter Fassbender. A ideia, segundo Di Giusto, era de criar "um design pan-europeu reservando características italianas aos mínimos detalhes", ou seja, pretendia-se um carro racional que pudesse atender inúmeros mercados. Com isso criou-se um carro com conceitos compatíveis com seu tempo, como o amplo espaço interno, posição alta de dirigir, altura mais elevada que seus antecessores, inspiração em mini-vans e o conceito do Next Generation Interior (NGI) em que inclui bancos e interior modular, em que era possível o reclinamento de bancos e mesas de apoio. Além disso, foi aliada a uma arquitetura mais robusta com 60% dos aços de ultra-alta resistência em sua célula de sobrevivência, aliadas a Controles de Estabilidade e Tração; Controle Eletrônico de Frenagem; controlador por velocidade baseado em radar; redes integradas de comunicação que posteriormente foi chamada de F.L.Ore.N.C.E (Fiat Luxury-car oriented for Network Control Electronics); direção elétrica; sistema de entrada remota e partida no veículo denominado de Easy N'Go e uma central de infotenimento com uma tela de 7 polegadas com display LCD, navegação GPS e outros recursos para assistência ao motorista denominada de Connect Nav Plus
Na Europa o Stilo começou a ser comercializado no final de 2001 com inúmeras opções de motor, indo do 1.2 Fire 16v utilizado no Punto até o 2.4 20v Fivetech usado no Marea brasileiro e a opção da station wagon, chamada de Stilo Multiwagon, que nunca chegou ao Brasil. Ao longo dos anos sofreu pequenos facelifts como em 2006 onde ganhou uma nova grade dianteira e novos faróis traseiros e a adoção de motores Multijet II até o fim da sua produção e sua sucessão pelo Bravo. Os testes com o Stilo no Brasil aconteciam antes mesmo do lançamento na europa segundo a Folha, porém, a Fiat não admitiu a época que o modelo seria realmente lançado no Brasil, afirmando que mesmo modelos da Lancia eram testados no país, mas sem intenção de fabricação.
Brasil
Lançado no Brasil em setembro de 2002 já como linha 2003, tinha as versões Stilo, com o motor 1.8 8v de 103 cv (a partir de R$ 30,200), Stilo 16v com o motor 1.8 16v de 122 cv (a partir de R$ 36,200) e Stilo Abarth com o motor 2.4 20v com 167 cavalos (a partir de R$ 48,400), idêntico ao do Marea, porém recalibrado para ter 7 cavalos a mais. Inovava ao apresentar em todas as versões, como opcional, o Kit NGI - Next Gen Interior, onde era possível ter um interior modular onde bancos traseiros poderiam ser ajustados para maior espaço interno traseiro ou ampliação do porta-malas; o teto solar skywindow que inicialmente era restrito as versões 16v e Abarth; as 8 bolsas inflaveis opcionais no Abarth - este vinha com as duas frontais de série, duas laterais denominadas sidebags, duas de cortina ou window bags e duas no banco traseiro opcionais, já no Stilo 16v no lançamento, apenas o airbag frontal e lateral eram possíveis de serem comprados de forma opcional e no Stilo (8v) tinha apenas as bolsas de ar frontais, mas com o passar dos anos poderia ter até 6.
Europa
Na Europa, o Stilo foi lançado em setembro de 2001 e apresentado no Salão de Genébra em fevereiro daquele mesmo ano sem a revelação do interior. Tendo como rivais diretos o Ford Focus de primeira geração, o Volkswagen Golf de quarta geração e principalmente o Peugeot 307 que havia sido apresentado ao público. A escolha do nome Stilo se deu por ser um nome italiano simples de pronunciar em várias línguas, importante para um veículo que seria global. Com os motores que iam do 1.2 16v e 80 cv - inicialmente destinado apenas a frotistas; 1.6 16v de 103 cv; 1.8 16v de 133 cv e 2.4 20v além de versões JTD diesel de 80 e 115 cavalos de potência, em versões que na maior parte dos mercados eram chamadas de Active, Active Aircon, Dynamic e Abarth. houve ainda versões especiais como a Prestigio, Blue, Sporting, Schumacher, GT e Xbox em mercados como o Reino Unido.
Seus concorrentes diretos no mercado eram Volkswagen Golf de quarta geração, Ford Focus de primeira geração, Opel Astra/Chevrolet Astra H, Chevrolet Vectra GT e Peugeot 307. Foram produzidas na casa de 100 mil unidades no mercado Brasileiro e pouco mais de 600 mil no mercado europeu. Eleito pela Revista Autoesporte o Carro do Ano de 2002 e de 2003. Para exportação os motores escolhidos foi o italiano 1.8 16V VIS (99 KW) e o 1.9 JTD diesel de 115 cv (86 KW) especialmente para Argentina, Uruguai e Chile, apesar Chile não ter recebido o JTD, foi o único país da região receber a versão italiana de duas portas e a versão multiwagon. Neste mercado o Stilo foi parcialmente substituído pelo Bravo vindo diretamente da Itália ainda em 2007 no Chile e na Venezuela e no Brasil ele ganhou um leve facelift em 2008 e uma tentativa de reposicionamento até a chegada do Bravo. Foi cogitado a manutenção do nome, porém o público alvo já conhecia o modelo no exterior. Até mesmo uma sobrevida com o motor e-Torq do Bravo foi avaliada, mas era muito pouco, muito tarde. Então o Stilo saia de cena com um pouco mais de 100 mil unidades fabricadas, encerrando sua produção em outubro de 2010.
Apesar de contar com uma grande variedade de equipamentos, nem sempre o Stilo teve desempenho à altura. Os primeiros motores 1.8 (de 8V e 16V) eram produzidos por uma joint venture entre Fiat e GM, o mesmo sendo motor utilizado nos carros da Chevrolet no Brasil, como Corsa, Montana e Meriva. As maiores críticas iriam para as versões esportivadas como a "Sporting" (com o motor 1.8 8v Flex) e "Schumacher" (e o motor 1.8 16v). A única versão que chegou a ter um temperamento verdadeiramente esportivo foi a Abarth, que possuía um motor 2.4 20V de 5 cilindros de 167cv que já equipava o Marea, mas não foi uma versão bem sucedida em vendas devido a seu alto preço, principalmente em fim de vida, onde mesmo sem opcionais e com vários downgrades, disputava em preço com veículos mais modernos e as vezes de segmento superior.
O modelo representou para a marca um prejuízo de 2000 milhões de Euros, tendo representado para a Fiat, uma perda de 2600 euros por carro vendido. O recall de 50 mil veículos - metade da produção total, por risco de soltura das rodas em modelos sem ABS acabou por comprometer a imagem do modelo, principalmente pela lentidão da montadora em realizar uma campanha para o mesmo, principalmente pelo compartilhamento desta peça com outros modelos da fabricante - correndo o risco assim, de desencadear um recall massivo de milhões de unidades. No Brasil, o modelo foi bastante criticado pelo uso do câmbio automatizado Dualogic, com diversos problemas conhecidos por reparadores e que foi usado em muitos modelos da marca. As rodas grandes para os padrões nacionais da época acabavam por gerar força excessiva no sistema de direção, causando posteriormente desgaste prematuro de buchas de bandeja, inclusive sendo um dos poucos itens criticados no teste de 60 mil km da Revista Quatro Rodas e folgas na coluna de direção. No geral, no Brasil, o modelo tem boa avaliação no quesito de confiabilidade e satisfação do consumidor.
Apesar do fracasso comercial na Europa e um prejuizo bilionário, o Stilo representou um avanço em muitos sentidos para a Fiat como a adoção de direção elétrica em veículos - o segundo no mundo a usar o sistema da TRW, a adoção de cruise control adaptativo na Europa e câmbio robotizado Dualogic que posteriormente foi adotado em toda linha Fiat. Foi também um dos primeiros veículos do mundo neste segmento a incluir, por lá, o Controle Eletrônico de Estabilidade - ESP bem como um quadro de instrumentos colorido em LCD. Estes itens seriam padrão quase 10 anos após seu lançamento em seu segmento, mostrando que o modelo estava realmente a frente do tempo. A plataforma do Stilo - a Frame, foi adotada posteriormente no Bravo com melhorias incrementais, até para conter os custos no desenvolvimento e foi evoluída para se transformar na a C-Evo/CUSW que ainda é adotada no Alfa Romeo Giulietta sendo que esta também passou por melhorias para uso no Dodge Dart, no Fiat Viaggio e Fiat Ottimo.
No Brasil
No Brasil a campanha de lançamento do Stilo começou segundo Murilo Moreno, gerente de marketing de 1996-2002 da Fiat, com uma ação chamada "Que carro é esse?" onde o comercial pergunta ao espectador "que carro é este que tem cruise control?", "que carro é esse que tem ar condicionado Dualtemp?" e outras perguntas sem os emblemas da montadora Fiat, onde o usuário, no site quecarroeesse.com.br tinha que responder de que montadora seria o carro apresentado, onde muitos usuários votaram em "Volkswagen", demonstrando que suas características não eram comuns aos Fiats de sua época. A campanha, junto a conhecida "Stilo: você tem ou você não tem" fizeram com que o modelo tivesse vendas muito acima do esperado e cravou na mente do público a referida frase.
Grupos Automotivos Envolvendo o Fiat Stilo no Brasil
No Brasil, o modelo também conta com o grupo automotivo Stilo Room, criado em 2 de junho de 2025 por entusiastas do veículo. O grupo reúne proprietários e admiradores do Stilo, promovendo encontros, troca de informações técnicas e preservação da história do modelo no país.
Na europa
A campanha de lançamento do Stilo utilizou a frase "Think Forward" - "Pense no Futuro" elaborada pela agência BGS D'Arcy em muitos mercados, cada qual com os idiomas dos repectivos mercados para mostrar que toda a tecnologia embarcada do Stilo era voltada ao futuro. Foi feito um investimento de 100 milhões de euros a época com anúncios no lançamento e outros 200 milhões em 2002 feita em meios multiplataforma e mirou menos em TV e mais em mídia impressa, online e rádio. Os anuncios de televisão iniciais eram feitos pela Leo Burnett com formatos entre 30-45 segundos iniciando por um que apresenta todas as características do modelo com abreviações como: 8AB, ESP, OSC, NGI e terminando com PiPi e foi produzido em vários idiomas.


