Guerra Civil Russa
A Guerra Civil Russa foi um conflito armado múltiplo que eclodiu no território do já dissolvido Império Russo, envolvendo o novo governo bolchevique, alçado ao poder desde a Revolução de Outubro de 1917, e seus opositores, incluindo militares do antigo exército tsarista, conservadores e liberais favoráveis à monarquia, além de grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa e a correntes socialistas minoritárias (mencheviques). A data exata do início do conflito é controversa entre os historiadores: alguns defendem que teria ocorrido logo após a Revolução de Outubro, enquanto que, para outros, teria sido na primavera de 1918. A guerra civil perdurou até 1923, embora a maior parte dos combates já tivesse cessado em 1921, com a vitória dos bolcheviques.
A Guerra Civil Russa foi precedida por um período de intensas turbulências políticas e sociais no Império Russo. A Primeira Guerra Mundial havia devastado o país, levando a enormes perdas humanas e uma economia em colapso. Em meio ao crescente descontentamento, a Revolução de Fevereiro de 1917 derrubou o czar Nicolau II, encerrando séculos de governo imperial. No entanto, o Governo Provisório Russo que assumiu o poder, liderado por Alexander Kerensky, falhou em retirar a Rússia da guerra e não conseguiu resolver as crises internas, como a fome e a distribuição desigual de terras. Esse cenário de instabilidade criou um ambiente propício para a Revolução de Outubro, ainda de 1917, quando os Bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, tomaram o poder em Petrogrado, prometendo "paz, terra e pão" ao povo. A tomada do poder pelos Bolcheviques foi imediatamente contestada por várias forças políticas, sociais e regionais. O antigo regime czarista, oficiais militares leais ao Império (conhecidos como Movimento Branco), socialistas moderados, anarquistas, monarquistas e outras facções se uniram em uma resistência heterogênea contra os Bolcheviques. Além disso, potências estrangeiras, temendo a propagação do comunismo, começaram a intervir em apoio aos adversários dos Bolcheviques. Esse conflito de interesses e a oposição armada ao novo governo soviético rapidamente mergulharam o país em uma guerra civil brutal e prolongada.
No início da guerra, os Bolcheviques controlavam as áreas centrais da Rússia, incluindo as grandes cidades de Petrogrado e Moscou, que se tornou a nova capital soviética em 1918. O Exército Branco, no entanto, dominava periferias e áreas vastas, como o sul da Rússia, a Sibéria e o norte, além de contar com o apoio de potências estrangeiras como o Reino Unido, França, Estados Unidos e Japão, que temiam a propagação do comunismo. Entre 1918 e 1919, o Exército Branco lançou várias ofensivas para tentar reconquistar o poder. No sul, o general Anton Denikin liderou uma campanha em direção a Moscou, chegando perto de capturá-la. No leste, o almirante Alexander Kolchak controlava vastas áreas da Sibéria e se proclamou "Governante Supremo" da Rússia. E no noroeste, as forças de Nikolai Yudenich ameaçaram Petrogrado. No entanto, os Bolcheviques, liderados por Leon Trotsky e seu eficiente Exército Vermelho, conseguiram resistir a essas ofensivas.
A guerra terminou com uma vitória Bolchevique no atual território da Rússia. Os governos da República Russa e do Estado Russo haviam colapsado e a criação União Soviética viria um ano depois, em 1924. A Família Imperial Russa havia sido executada e movimento pró-Monarquia se enfraqueceu consideravelmente, com muitos monarquistas fugindo (perto de dois milhões de pessoas) e alguns se envolveram com movimentos partisans anti-comunistas. Estados bolcheviques foram estabelecidos na Mongólia e em Tuva. Muitos dos proeminentes intelectuais e ativistas russos foram expulsos do país. Contudo, vários territórios do antigo Império Russo ou se tornaram completamente independentes ou foram anexados por outras nações. Entre os países que conseguiram firmar sua independência estavam Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia. Outros Estados, como Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão e Moldávia conquistaram independência parcial, tiveram partes dos seus territórios tomados por outros países ou acabaram voltando sob o controle bolchevique. Os ucranianos, por exemplo, mantiveram sua independência até o final de 1921, quando foram incorporados no que viria a ser a União Soviética.


