Augusto I, Eleitor da Saxónia
Augusto I da Saxónia foi governante da Saxónia de 1553 a 1586.
Augusto era a filho mais novo do duque Henrique IV da Saxónia e da sua esposa, a duquesa Catarina de Mecklemburgo. Entre os seus irmãos encontrava-se o príncipe-eleitor Maurício da Saxónia. Os seus avós paternos eram o duque Alberto III da Saxónia e a princesa Sidónia de Poděbrady. Os seus avós maternos eram o duque Magnus II de Mecklemburgo e a duquesa Sofia da Pomerania-Stettin.
Augusto pertencia ao ramo albertino da Casa de Wettin. Educado como luterano, recebeu uma boa educação e estudou na Universidade de Leipzig. Quando o duque Henrique morreu em 1541, deixou expresso no seu testamento o desejo de que as suas terras fossem divididas de igual forma entre os seus dois filhos, contudo, o seu pedido ia contra as Leis Albertinas e o ducado foi herdado quase na sua totalidade pelo seu filho mais velho, Maurício. Apesar de tudo, Augusto manteve uma boa relação com o irmão e, para melhorar as relações externas do ducado, passou algum tempo na corte do imperador Fernando I em Viena. Em 1544, Maurício conseguiu fazer com que o seu irmão fosse nomeado administrador do bispado de Merseburg, mas Augusto era muito extravagante e não demorou a regressar à corte da Saxónia em Dresden. Augusto apoiou o seu irmão durante a guerra da Liga de Esmalcalda e durante o período em que várias negociações políticas acabaram com a transferência do eleitorado da Saxónia do príncipe-eleitor João Frederico I, chefe do ramo ernestino da Casa de Wettin, para Maurício.
Augusto casou-se no dia 7 de outubro de 1548 com a princesa Ana da Dinamarca, filha do rei Cristiano III. O casal teve quinze filhos: Pouco depois deste casamento, Augusto desejou ter mais poder e influência. Em consequência disso, Maurício começou a tomar providências mais generosas para o seu irmão que chegou mesmo a ser regente da Saxónia em 1552, quando o príncipe-eleitor de ausentou do estado. Augusto estava de visita à Dinamarca quando Maurício morreu em julho de 1553 e tornou-se príncipe-eleitor da Saxónia.
Uma das primeiras acções de Augusto como príncipe-eleitor da Saxónia foi a de pacificar a sua relação com João Frederico para assim fortalecer a sua posição no eleitorado. Este objectivo foi assegurado com um tratado assinado em Naumburg em Fevereiro de 1554 quando, em troca de Altenburg e outras terras, João Frederico reconheceu Augusto como príncipe-eleitor da Saxónia. Contudo, Augusto nunca deixou de temer que o ramo ernestino fosse tentar recuperar a sua antiga posição e a sua política tanto na Saxónia como com o restante Sacro-Império foi caracterizada por esse medo. No que dizia respeito a política externa, Augusto agiu de duas formas: primeiro cultivar a amizade com os Habsburgo, segundo manter a paz entre as religiões. Devido a esta segunda política, pode-se notar a sua influência no tratado de paz de Augsburg de 1555, a sua conduta retorcida no diet de Augsburg onze anos depois e a sua hesitação em quebrar todos os laços com os calvinistas. A sua política de paz religiosa também foi promovida através do casamento que negociou em 1561 entre a sua sobrinha Ana e o então católico príncipe de Orange que era na altura um dos principais vassalos dos Habsburgo na Holanda.
A hostilidade entre os ramos albertino e ernestino deu grandes problemas a Augusto. Um pregador chamado Matthias Flacius tinha uma posição influente no ducado da Saxónia e ensinava uma forma de luteranismo diferente da que se aplicava no eleitorado da Saxónia. Esta divergência foi aumentada quando Flacius começou a fazer ataques pessoais a Augusto com o objectivo de causar a sua queda do poder e incentivou o duque João Frederico a recuperar o seu antigo poder. Ao lado da causa de Flacius estava um cavaleiro, Wilhelm von Grumbach, que, pouco satisfeito com uma guerra de palavras, viajou até ao eleitorado e procurou obter a ajuda de potências estrangeiras para o ajudarem no seu plano de derrubar Augusto. Depois algum atraso, Grumbach e o seu protector, João Frederico, receberam uma interdição imperial e Augusto foi o responsável por a executar. A sua campanha de 1567 foi curta e teve sucesso. João Frederico rendeu-se e passou o resto da vida na prisão. Grumbach foi executado e a posição de Augusto reforçou-se.
Muito do reinado de Augusto foi dedicado à expansão territorial. Em 1573, tornou-se guardião dos dois filhos do duque João Guilherme de Saxe-Weimar e, nessa capacidade, pôde acrescentar parte do condado de Hanneberg ao eleitorado da Saxónia. O facto de ter um território abastado permitiu-lhe tirar vantagem da pobreza dos seus vizinhos e foi dessa forma que adquiriu o território de Vogtland e o condado de Mansfeld. Em 1555 escolheu um homem da sua confiança para se tornar bispo de Meissen e, em 1561, conseguiu fazer com que o seu filho Alexandre fosse nomeado bispo de Merseburg e, três anos depois, bispo de Naumburg. Quando o seu filho morreu em 1565, esses bispados passaram a estar sob o governo directo de Augusto. Como governante da Saxónia, Augusto foi económico e culto. Favoreceu trocas comerciais encorajando emigrantes flamengos a escolher o seu estado para viver e, para isso, melhorou as estradas e passou a regulá-las através da criação dos primeiros postos de controlo. Interessou-se principalmente pelo desenvolvimento da agricultura e construiu vários edifícios na cidade de Dresden. As suas leis foram numerosas e compreensíveis. A constituição de 1572 foi da sua autoria e, através dela, a igreja, as universidades e a polícia passaram a ser regulados, a administração da justiça foi melhorada e o aumento de impostos feito com mais justiça.
A 1 de outubro de 1585, a princesa Ana morreu. Três meses depois, a 3 de Janeiro de 1586, Augusto casou-se pela segunda vez, desta vez com a princesa Inês Edviges de Anhalt. A noiva tinha apenas treze anos de idade, o noivo tinha quase sessenta. Augusto acabaria por morrer um mês depois da cerimónia e foi enterrado na Catedral de Freiberg. O seu único filho varão que chegou à idade adulta, Cristiano, foi o seu sucessor. Augusto era um homem ambicioso, cruel e supersticioso, mas essas características eram compensadas pela sua moderação política e os seus métodos de governo sensatos. Escreveu um pequeno trabalho sobre agricultura intitulado Künstlich Obstund Gartenbüchlein. Era também conhecido pelas suas várias colecções de museu, incluindo a melhor colecção de armas da Europa do norte, quadros e uma dispendiosa colecção de ferramentas. A biblioteca que tem o seu nome em Wolfenbüttel tem a maior colecção do mundo de documentos originais sobre a Reforma Luterana e História da Alemanha e da Europa Moderna.


