Manuel Azaña Díaz
Manuel Azaña Díaz foi uma figura central na política espanhola, atuando como o segundo e último Presidente efetivo da Segunda República Espanhola. Sua trajetória foi marcada por um forte engajamento político e intelectual, desde sua formação reformista até os desafios da Guerra Civil.
Pontos-chave
- Manuel Azaña foi o segundo e último Presidente da Segunda República Espanhola.
- Formou-se em Direito e iniciou sua carreira política no Partido Reformista, sendo um crítico ferrenho da ditadura de Primo de Rivera.
- Desempenhou papéis cruciais no governo provisório da Segunda República, incluindo Ministro da Guerra e Presidente do Governo provisório.
- Fundou o Partido da Esquerda Republicana e foi acusado de instigar a Revolução de 1934, sendo posteriormente absolvido.
- Durante a Guerra Civil, buscou a reconciliação e, após a queda de Barcelona, renunciou à presidência e exilou-se na França.
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Nascido em uma família abastada e órfão na infância, Manuel Azaña estudou no mosteiro do Escorial e licenciou-se em Direito pela Universidade de Saragoça em 1897, obtendo seu doutorado em 1900 com a tese 'A responsabilidade das multidões'. Sua jornada política começou em 1914, ao filiar-se ao Partido Reformista de Melquíades Álvarez e ser eleito secretário do Ateneu de Madrid. Apesar de uma candidatura malsucedida a Deputado, Azaña se destacou no meio intelectual, fundando a revista 'La Pluma' em 1920 e dirigindo o semanário 'España' em 1922. Sua oposição à ditadura de Primo de Rivera e ao Rei Afonso XIII o levou a publicar um manifesto enérgico em 1924 e a fundar o Partido de Acção Republicana com José Giral em 1925.
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Azaña participou ativamente do Pacto de San Sebastián em 1930, que foi o embrião do futuro governo republicano. Com o triunfo das candidaturas republicanas nas eleições municipais de 12 de abril de 1931 e a subsequente saída do Rei Afonso XIII, ele foi nomeado Ministro da Guerra do Governo provisório da Segunda República em 14 de abril de 1931. Em outubro do mesmo ano, substituiu Niceto Alcalá-Zamora como Presidente do Governo provisório, após a demissão deste devido à aprovação do Artigo 14º (posteriormente 16º) da Constituição, que tratava da questão religiosa. Durante o debate deste artigo, Azaña, que era maçom, proferiu um de seus discursos mais célebres, incluindo a frase "Espanha parou de ser católica", defendendo a natureza política e não religiosa da organização do Estado.
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Em 19 de novembro de 1933, a vitória da coalizão entre o Partido Republicano Radical de Alejandro Lerroux e a Confederação Espanhola de Direitas Autônomas (CEDA) de José María Gil-Robles levou Azaña a uma retirada temporária da política, dedicando-se à atividade literária e editorial. Nesse período, publicou 'Una política' e 'En el Poder y en la Oposición', coletâneas de seus discursos parlamentares. Contudo, seu afastamento foi breve. Em 1934, ele fundou o Partido da Esquerda Republicana, resultado da fusão de seu Acção Republicana com o Radical-Socialista de Marcelino Domingo e a Organização Republicana Galega Autónoma (ORGA) de Santiago Casares Quiroga. A Revolução de 1934 nas Astúrias e em Barcelona resultou em sua prisão sob acusação de instigação, a bordo do destróier Sánchez Barcáiztegui. Ele foi absolvido no processo judicial, evento que narrou em seu livro 'Mi Rebelión en Barcelona'.
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O início da Guerra Civil Espanhola foi um golpe devastador para Azaña, que havia tentado, sem sucesso, alertar as forças republicanas sobre os perigos da desunião. Ele se sentiu isolado em Madrid pelo Governo republicano, e o desenrolar do conflito deteriorou seu estado de ânimo, conforme registrado em suas memórias, que detalham seus desentendimentos com líderes como Francisco Largo Caballero e Juan Negrín. Em 18 de julho de 1938, em um discurso memorável perante as Cortes reunidas em Barcelona, ele clamou pela reconciliação entre os lados em conflito, sob o lema "Paz, Piedad, Perdón". Com a ocupação de Barcelona pelo Exército Nacional em 26 de janeiro de 1939 e de Gerona em 5 de fevereiro, Azaña retirou-se para a França. Em 27 de fevereiro, ao tomar conhecimento do reconhecimento do governo do General Franco pela França e pela Grã-Bretanha, ele redigiu sua carta de demissão como Presidente da República, apresentando-a no dia seguinte. Foi interinamente substituído pelo Presidente das Cortes, Diego Martínez Barrio.


