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Os 120 Mártires da China

Os 120 Mártires da China, ou Agostinho Zhao Rong e 119 Companheiros, mártires na China, são mártires católicos da China e santos da Igreja Católica canonizados no dia 1 de Outubro de 2000 pelo Papa João Paulo II.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/10/2026
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Nos séculos XVII e XVIII

No século XVI, uma nova e mais forte vaga de evangelização na China foi iniciada por missionários católicos, sob a orientação do Padroado português, nomeadamente pelos jesuítas, de entre os quais se destacavam Matteo Ricci, Adam Schall e Ferdinand Verbiest. Já antes, a China conheceu outras vagas tentativas de evangelização com algum sucesso relativo: no século V até ao século X, com os nestorianos, que sofreram perseguições no século IX; e nos séculos XIII e XIV, com os missionários franciscanos, de entre os quais se destacavam Giovanni da Montecorvino, que foi o primeiro arcebispo de Pequim. Porém, com o início da dinastia Ming (1368–1644), o cristianismo voltou a ser perseguido. No século XVI, devido à sua religiosidade, ao seu vasto saber em vários campos da ciência e aos seus conhecimentos humanísticos, estes missionários católicos conseguiram fascinar a elite intelectual chinesa e acabaram por ser empregados pelo Imperador chinês como matemáticos, astrónomos, mecânicos, músicos, pintores, fabricantes de instrumentos (principalmente de relógios e mapas) e em outras áreas que exigiam um grau superior de competência técnica. Fora da Corte imperial em Pequim, eles conseguiram também estabelecer-se em várias cidades chinesas e converteram muitos chineses: em 1617, a Igreja chinesa contava com 13 mil convertidos; em 1650, já conseguiu 150 mil novos convertidos; e de 1650 até 1664, o número de convertidos aproximava-se dos 255 mil.

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No século XIX

Durante os reinados do Imperador Jiaqing (1796-1820) e de Daoguang (1820-1850), as perseguições tornaram-se bastante severas e vários decretos imperiais foram publicados com o fim de dizimar a Igreja: uma em 1811 contra os chineses que estavam a estudar para receber as ordens sacras; mais uma em 1811 contra os padres que estavam a propagar a religião cristã, nomeadamente os missionários estrangeiros (europeus); e outra em 1813 que livravam de qualquer castigo as pessoas que espontanea e voluntariamente abandonavam a fé cristã (os apóstatas voluntários). Muitos católicos chineses, missionários e sacerdotes foram martirizados nesta época difícil, de entre os quais se destacavam os seguintes mártires canonizados: Finalmente, na sequência da assinatura do Tratado de Whampoa entre a França e a China em 1844, a situação da Igreja chinesa começou a melhorar com a publicação de dois decretos pelo Imperador Daoguang: um em 1844, que permitia aos chineses seguirem a religião cristã; e outra em 1846, que devolvia aos cristãos as suas propriedades anteriormente confiscadas e que estipulava que os oficiais que voltassem a prender cristãos inofensivos deviam ser julgados. Porém, apesar disso, ainda continuou a haver algumas perseguições graves em várias províncias chinesas, produzindo em Guangxi e em Guizhou os seguintes mártires canonizados:

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Na rebelião dos boxers (1900)

Com as novas leis favoráveis à ação missionaria, a Igreja Católica cresceu muito na China. Porém, os cristãos chineses e os missionários (católicos ou protestantes) passaram a estar cada vez mais associados ao imperialismo ocidental e, por isso, eram periodicamente perseguidos e assassinados pelos radicais chineses anti-ocidentais. Causado principalmente pelas grandes transformações sócio-económicas e pelas injustiças provocadas em parte pelos tratados desiguais que a China foi forçada a assinar, o ódio ao Ocidente foi crescendo em vários sectores da população chinesa, que tendia tradicionalmente para a xenofobia. E este ódio dificultava a vida da Igreja, que sofria periodicamente perseguições populares anti-ocidentais que eram por vezes apoiadas pelos mandarins regionais ou locais. A maior e mais sangrenta destas perseguições foi o Levante dos boxers (1899-1900), que teve apoio da Imperatriz Cixi e seus aliados conservadores e xenófobos. Nesta rebelião anti-ocidental, a segurança das missões e dos cristãos em geral tornou-se insustentável e muitos leigos, missionários e sacerdotes católicos, ortodoxos e protestantes foram martirizados pelos boxers chineses. Para além de matarem missionários e estrangeiros, eles também massacraram muitos cristãos chineses, acusando-lhes de serem traidores da Nação chinesa.

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Na República da China (1911-1949)

Anos mais tarde, o pensamento ultra-nacionalista e xenófobo de que o cristianismo era um aliado do imperialismo ocidental voltou a mobilizar pessoas e populações inteiras em certas regiões da China, particularmente nas zonas com maior presença dos guerrilheiros e militantes comunistas. Como por exemplo, na província de Guangdong, piratas influenciados pela propaganda comunista anti-ocidental e anti-cristã mataram perto da aldeia de Li-Thau-Tseul (ou Litouzui) dois missionários salesianos que estavam na altura a navegarem no rio Bei Jiang (Rio Norte). Este acontecimento deu-se no dia 25 de Fevereiro de 1930 e os dois mártires em causa eram o padre italiano Callisto Caravario, S.D.B. (1903-1930), e o bispo italiano e vigário apostólico de Shiu Chow Luigi Versiglia, S.B.D. (1873-1930).

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Canonização

Simbolizando a universalidade da Igreja Católica, os 120 mártires chineses, já todos eles beatificados em diferentes alturas por diferentes Papas, foram escolhidos para representar os inúmeros mártires que morreram na China por fidelidade corajosa à fé católica, incluindo aqueles que morreram já na época comunista (desde 1949), cujo grande número ainda está por definir. A canonização realizou-se no Vaticano, no dia 1 de Outubro de 2000, no contexto do Grande Jubileu, pelo Papa João Paulo II, que pronunciou a seguinte homilia a respeito deles: Hoje a Igreja agradece ao seu Senhor, que a abençoa e a imbui de luz com o esplendor da santidade destes filhos e filhas da China. Não é porventura o Ano Santo o momento mais oportuno para fazer resplandecer o seu testemunho heróico? A jovem Ana Wang, com catorze anos, resiste às ameaças do carnífice que a convida a renegar e, dispondo-se à decapitação, declara com o rosto radiante: "A porta do Céu está aberta a todos" e murmura três vezes "Jesus". E Chi Zhuzi, com dezoito anos, grita destemido aos que acabavam de lhe cortar o braço direito e se preparavam para o esfolar vivo: "Cada pedaço da minha carne, cada gota do meu sangue vos repetirão que sou cristão".

Reacção negativa do Governo chinês

Apesar da lista não incluir nenhum mártir da época comunista, o Governo comunista chinês reagiu de forma negativa à canonização dos 120 mártires, particularmente dos 33 missionários europeus contemplados na lista. O Governo chinês e a Associação Patriótica Católica Chinesa acusaram a Santa Sé de canonizar pessoas que cometeram "crimes enormes" e que por isso foram punidos pelo povo, de desrespeitar "os direitos da Igreja na China", de distorcer a história e de encorajar com este acto os católicos chineses a oporem-se ao Partido Comunista Chinês. Também criticaram a escolha do dia 1 de Outubro para a realização da canonização. As autoridades chinesas, que glorificavam a rebelião dos boxers como sendo um movimento patriótico contra o imperialismo, consideravam por isso o trabalho dos missionários equivalente à acção colonizadora ocidental do século XIX.

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