Atos Pró-Lula
Os Atos Pró-Lula, também conhecidos Vira Voto, Bora Lula e Juventude na Rua pela Democracia, foram movimentos populares convocados por estudantes e setores de esquerda com o objetivo de reeleger Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) aos cargos de presidente da república e vice-presidente, respectivamente. As manifestações ocorreram durante todo o segundo turno da eleição presidencial de 2026 e atraíram um grande número de pessoas nas ruas de quase todas as capitais brasileiras, sendo comparadas com os atos das Diretas Já. Os movimentos foram apontados como um dos fatores atrelados pela inédita virada do resultado final da eleição, causando a reeleição de Lula e de Alckmin, uma vez que no primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) havia vencido com 47,03% dos votos válidos, com um diferença de 2,3 milhões de votos contra Lula.
No dia posterior ao resultado da eleição presidencial no primeiro turno (5 de outubro), um grupo de estudantes de direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) pelo campus de Niterói, saiu às ruas para manifestar apoio ao presidente Lula e protestar contra uma possível vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno. O primeiro ato teve início por volta das 19h e foi convocado pelo estudante Gustavo Duarte, que, ao analisar a ideia junto com dois colegas, de cada centro acadêmico postar uma mensagem de apoio ao candidato Lula, não seria suficiente, e decidiu, junto com seus colegas, realizar uma passeata nas ruas, fechando parcerias com outros grupos e com a União Nacional dos Estudantes (UNE). Além disso, o deputado federal reeleito por Minas Gerais, André Janones (REDE), resolveu fortalecer o seu canal no WhatsApp, Exército do Lula, com missões diárias nas redes sociais, além de ter sido usado para convocar as manifestações, causando o seu rápido crescimento através de campanhas de rua.
No dia seguinte (6 de outubro) ao da primeira manifestação em apoio à lula, um segundo ato foi organizado pela UFF de Niterói e atraiu um número maior de pessoas, além deste ter ocorrido também em outras cidades do Brasil como Feira de Santana, Cruz das Almas, Eunápolis, Recife, Maringá e Parintins, e o entorno do estado do Rio de Janeiro. No dia 7 de outubro, foi realizado o primeiro ato na cidade do Rio de Janeiro, com as manifestações acontecendo na Cinelândia, reunindo estudantes de universidades públicas e privadas, além dos alunos do Colégio Pedro II. O movimento, chamado de Juventude na Rua pela Democracia, teve início por volta do meio-dia e não foi divulgada a quantidade de pessoas presentes. No dia 9, foi realizado o ato Estudantes Contra Flávio Bolsonaro em Belo Horizonte na Praça Afonso Arinos. Em 10 de outubro, Lula participou da manifestação em Natal e reuniu também governadores aliados do nordeste que haviam sido reeleitos como Elmano de Freitas (PT-CE), Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Rafael Fonteles (PT-PI) além de Fátima Bezerra (PT-RN) e o então candidato Cadu Xavier (PT-RN), junto com outros políticos aliados da região.
Após as manifestações em Recife, na noite de 7 de outubro, o prédio do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupit) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi alvo de um incêndio no dia 7 de outubro, causado por um curto-circuito. Mesmo sem a confirmação de ligação direta, supostos apoiadores de Flávio Bolsonaro teriam enviado ameaças aos estudantes, levando ao registro de denúncias para as autoridades locais e federais. Outras ameaças a manifestantes em partes do Brasil também chegaram a ser registradas. Durante os atos do dia 8 de outubro em Aracaju, no Sergipe, um policial apaisana atirou para cima enquanto manifestantes passavam pelas ruas, interrompendo a passeata. O policial foi identificado e afastado das atividades no dia seguinte. No dia 11 de outubro, durante as manifestações pró-Lula em São Paulo, que contou com a presença do candidato à reeeleição, um grupo de manifestantes subiu nas estações Consolação e Trianon-Masp pela Avenida Paulista. Um dos integrantes, que estava sem camisa e com o rosto coberto pelo tecido apareceu balançando a bandeira de campanha de Lula, além da Palestina e do orgulho lésbico. Além disso, alguns participantes haviam depredado e pichado a entrada das estações citadas com diversas frases críticas à Flávio Bolsonaro e Trump. No mesmo dia, uma imagem falsa gerada por Inteligência Artificial de uma mulher negra limpando as estações depredadas circularam pelas redes sociais.
Após a divulgação de manifestações de apoio à Lula pelos campus da Universidade Presbiteriana Mackenzie, um polo de Higienópolis baixou uma norma no dia 8 de outubro proibindo os atos por lá. No Rio, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro proibiu o movimento "A PUC Também é Nossa", que iria reunir manifestantes em apoio à Flávio Bolsonaro no dia 13 de outubro. A campanha de Flávio também organizou manifestações e carreatas pelas ruas através do Bloco do 22, mas atraindo um número menor de pessoas em comparação aos atos de Lula. Na manifestação da Paulista no dia 18, uma manifestante carregou um missel inflável pedindo uma intervenção dos Estados Unidos. No ato do dia 24 no Rio de Janeiro, um caso de racismo foi registrado e denunciado ao Ministério da Igualdade Racial. ==Referências==


