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Atirador

Em ciência militar, um atirador é um soldado de infantaria ou de cavalaria, colocado nos flancos ou numa posição avançada em relação ao grosso das tropas, com a missão de flagelar o inimigo com tiros de arma ligeira. Em alguns exércitos, os atiradores são designados "escaramuçadores".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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História

Antiguidade e Idade Média

Nas guerras da Antiguidade e da Idade Média, os atiradores estavam tipicamente armados com arco e flecha, dardos e fundas, por vezes protegendo-se com escudos leves. Atuando como infantaria ligeira, com as suas armas ligeiras e armadura mínima, podiam correr para a frente da linha de batalha, disparando uma saraivada de projéteis e retirando para trás das linha antes da ocorrência de um choque com as forças inimigas. O objetivo dos atiradores era o de quebrar as formações de combate inimigas, provocando-lhes baixas antes do combate principal, bem como provocar a infantaria inimiga, levando-a a atacar prematuramente, desorganizando a força inimiga. Depois de acabadas as escaramuças iniciais, os atiradores participavam no combate principal atirando sobre as formações inimigas ou juntavam-se à refrega, combatendo corpo a corpo com adagas ou espadas curtas.

Séculos XVIII e XIX

A Guerra dos Sete Anos e na Guerra da Independência Americana foram dois dos primeiros conflitos em que o uso de armas de fogo com cano de alma estriada começou a contribuir significativamente para o combate, em virtude da sua vantagem - em termos de alcance e precisão de tiro - sobre as vulgares espingardas de cano de alma lisa usadas pelos exércitos de meados do século XVIII. Muitos dos soldados do Exército Continental tinham pertencido às milícias coloniais, dando preferência às táticas de escaramuça, por influência da experiência dos combates com os índios nativos. Preferiam, nomeadamente, atirar sobre o inimigo a partir de posições abrigadas em vez de se empenharem em campo aberto. Estas tropas estavam armadas com o Long Rifle, um mosquete de cano de alma estriada desenvolvido no Velho Oeste americano.

Época moderna

No final do século XIX, o conceito de combate em formação cerrada era já coisa do passado, desaparecendo a distinção real entre a infantaria de linha e os atiradores. Vários exércitos passaram, inclusive, a designar todos os seus soldados de infantaria, como "atiradores", refletindo a nova tática usada pela infantaria, desaparecendo as outras designações tradicionais como "granadeiros" e "fuzileiros". Outros exércitos mantiveram estas designações apenas por tradição, já que estes tipos de tropas combatem, na prática, como atiradores. Apesar de tudo, a doutrina militar da antiga União Soviética e da atual Rússia ainda distingue a infantaria mecanizada ligeira destinada a realizar operações a pé nos flancos, à semelhança dos antigos atiradores, da infantaria mecanizada pesada destinada a operar em conjunto com os carros de combate na linha principal de combate.

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Atiradores nos vários exércitos

Alemanha

No Exército Alemão, atualmente, todos os soldados de infantaria são designados "Schützen" ("atiradores", em alemão). Historicamente, os Schützen constituíam um tipo de infantaria ligeira surgida pela primeira vez no Exército da Prússia, no final do século XVIII, alargando-se depois aos exércitos de outros estados alemães. Em 1787, em cada companhia dos regimentos infantaria de linha, batalhões de granadeiros e batalhões de fuzileiros prussianos, passaram a existir dez soldados escolhidos, treinados como atiradores de precisão e armados com armas de cano estriado. Estes Schützen deveriam preceder o corpo principal das tropas, fazendo tiro contra o inimigo de modo a flagelá-lo e a quebrá-lo, além de formarem uma barreira de proteção contra os próprios atiradores inimigos. Os Schützen tinham características muito semelhantes às dos Jägers (caçadores), mas não formavam normalmente unidades independentes como estes.

Brasil

Na época do Império do Brasil, os atiradores brasileiros foram soldados de infantaria ligeira treinados na capital do Brasil, naquela época situada na cidade do Rio de Janeiro, esses soldados foram equipados com fuzis Snider-Enfield e sabres. Sua guarnição era em Fortaleza de São José da Ilha das Cobras junto com os fuzileiros navais do exercito imperial brasileiro. No Exército Brasileiro, os atiradores são os reservistas formados em Tiro de Guerra. Os atiradores são reservistas de 2ª categoria aptos para desempenharem tarefas no âmbito da defesa territorial e da defesa civil. A sua formação normal é realizada durante um período de 40 semanas, com uma carga semanal de 12 horas.

França

Na época das Guerras Napoleónicas, o termo "tirailleur" ("atirador" em francês) designava genericamente os soldados de infantaria ligeira do Exército Francês. Em 1809, Napoleão Bonaparte criou os regimentos de atiradores-granadeiros e de atiradores-caçadores, ambos fazendo parte da Jovem Guarda. Em 1810, todos estes regimentos foram transformados em regimentos de atiradores da Guarda Imperial. Com a dissolução do Império Napoleónico, todos os regimentos de atiradores da Guarda foram extintos. Subsequentemente, a designação "tirailleurs" passou a ser aplicada à generalidade das unidades indígenas da infantaria colonial francesa. A primeira unidade com esta designação foi o 1º Batalhão de Tirailleurs de Vincennes, uma unidade de infantaria ligeira metropolitana que desembarcou em Argel no início de 1840. No ano seguinte, foi levantado um batalhão de tirailleurs indígenas, composto por soldados árabes e berberes recrutados na Argélia. Esta unidade destacou-se na Guerra da Crimeia, ganhando o apelido de "Turcos", pelo qual ficariam conhecidos os tirailleurs do Norte de África a partir de então. Posteriormente, além das unidades argelinas, foram levantados regimentos e batalhões de tirailleurs tunisinos, marroquinos, senegaleses, malagaxes, annamitas, tonkineses e cambojanos.

Portugal

Hoje em dia, "atirador" é a designação genérica dos soldados de infantaria do Exército Português. Os soldados armados com espingarda equipada com lança-granadas são designados "atiradores-granadeiros". Os soldados das unidades de cavalaria que exercem funções do tipo da infantaria são designados "atiradores-exploradores". Em 1808, ao serem criados os batalhões de caçadores do Exército Português, foi dado o nome de "atiradores" aos soldados armados de armas de cano de alma estriada (conhecidas por rifles ou, ocasionalmente, "carabinas") que formavam uma das companhias de cada um daqueles batalhões. Estas subunidades eram chamadas "companhias de atiradores" ou "companhias de rifles". Os membros das companhias de atiradores dos batalhões de caçadores eram considerados caçadores de elite que, com os seus rifles, podiam executar tiros de precisão a maiores distâncias que os restantes caçadores que estavam armados apenas com armas de cano de alma lisa.

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Fontes consultadas

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