Club Athletico Paranaense
O Club Athletico Paranaense, mais conhecido como Athletico Paranaense ou simplesmente CAP, é um clube multiesportivo brasileiro sediado em Curitiba, capital do estado do Paraná. Fundado em 26 de março de 1924, a partir da fusão do International Foot-Ball Club e do América Futebol Clube. o Athletico se consolidou como um dos clubes mais importantes do Brasil, o clube é considerado por muitos como o maior e mais vitorioso entre os não-fundadores do Clube dos 13.
Origens
Em 1912, Joaquim Américo Guimarães reuniu um grupo de amigos e fundou o International Foot-Ball Club, que tinhas as cores preta e branca no seu uniforme e disputava torneios na baixada da Água Verde. Nos torneios internos organizados pelo Internacional, entravam em campo times secundários, formados por sócios do clube, um desses grupos decidiu dar o grito de independência e, no dia 24 de maio de 1914, fundou o América Futebol Clube que utilizava as cores vermelha e branca, seu primeiro presidente foi o capitão Augusto do Rego Barros. América e Internacional passaram então a disputar partidas amistosas e logo se tornaram adversários também na disputa do campeonato estadual. O Internacional venceu o primeiro, em 1915. O América levantou o troféu em 1917. Entre os irmãos, surgia uma rivalidade com equipes independente até 1924, os dois clubes se fundiram novamente em 21 de março daquele ano, dando origem ao Club Athletico Paranaense (grafia original e de época).
Décadas
Com a união de forças, o clube formou um time reforçado e pôde fazer frente aos mais temíveis esquadrões existentes, como o Britânia, o Savoia, o Palestra Itália e o Coritiba. Em 1924, seu ano de fundação, foi vice-campeão do Torneio Início, e na sua primeira participação no Campeonato Paranaense, terminou na 5ª colocação. Em 1925, realizando uma campanha brilhante, conquistava seu primeiro título de campeão paranaense. Foi vice-campeão estadual três vezes seguidas em 1926, 1927 e 1928. Em 1929, ganhou pela segunda vez o Campeonato Paranaense, e pela primeira vez na história de forma invicta. Em 1930, ganhou o título de bicampeão paranaense pela primeira vez em suas história, com duas vitórias sobre o Coritiba por 3–2 durante o campeonato. A partida que consagrou o bicampeonato foi na segunda vitória sobre o Coritiba, em 28 de dezembro de 1930, em uma verdadeira guerra campal com o resultado de 3–2 para o Rubro-Negro (gols de Zinder Lins, Marreco e Levoratto). A última partida do certame de 1930 o time não compareceu, para comemorar com a sua torcida. Este jogo era para ser com o Palestra Itália. Outro feito notável nesse ano aconteceu no dia 21 de julho, quando em partida amistosa venceu o poderoso Corinthians por 1–0, com gol de Marreco, além de ter realizado outros dois amistosos contra Caxias-SC (então último campeão catarinense) e a seleção da cidade da Lapa, vencendo ambos os jogos com o mesmo placar de 10–1.
Escudo
O símbolo do Athletico é composto de um monograma (CAP) aplicado sobre um escudo. O escudo teve algumas variações, desde a fundação até 1988 o formato das listras eram horizontais, com uma pequena exceção no ano de 1934, quando um escudo sem a presença de listras é encontrado em fotos da época. Em meados de 1988, o então presidente Valmor Zimermann apostou em um uniforme com listras verticais, semelhante ao do Milan durando até 1997, quando o escudo foi ajustado para o formato circular mantendo as listras verticais como elemento dentro da composição do logotipo. Já em 2018 o clube passou por um processo de rebranding, modernizando e alterando tanto o escudo como o monograma.
Mascotes
A partir do rebranding efetuado pelo clube em 2018, foi criada a "Família Furacão", novos mascotes compostos por marido, esposa, dois filhos e o Fura-Cão, o cachorro da família, substituindo o tradicional mascote do clube o "cartola", que até então era escolhido devido aos trajes que os antigos torcedores da elite de Curitiba usavam nas partidas do Furacão (fraques, cartolas, polainas, etc.).
Hino
A torcida do Athletico deve muito ao Capitão Othonio Benvenuto. Talvez ele nunca tenha estado em Curitiba, nunca tenha visto um jogo na Baixada ou até mesmo nem saiba os grandes jogadores que já atuaram pelo Rubro-Negro Paranaense. Mesmo com total desconhecimento da causa athleticana, o Capitão Benvenuto foi o responsável pela regência de um dos hinos de futebol mais bonitos do Brasil. Interpretado pela banda do Corpo de Bombeiros do Estado da Guanabara, a letra de Zinder Lins e a música de Genésio Ramalho impulsionam os corações dos apaixonados pelas cores vermelha e preta. A história do hino athleticano começou nas comemorações do bicampeonato invicto de 29/30. No calor da conquista, o artilheiro Zinder Lins decidiu homenagear o Athletico de uma maneira especial. Naquela época, era comum criarem-se versos para comemorar as principais vitórias e títulos. O diferencial de Zinder foi que ele compôs uma letra que servia para todas as vitórias da equipe, que poderia se tornar eterna. Ao invés de enaltecer apenas aquela conquista, ele optou por homenagear o próprio Athletico. Assim, ao som do tango, ritmo popular na época, Zinder compôs uma música que não seria passageira.
Uniformes
A camisa é um símbolo tão importante para os athleticanos que está presente no hino oficial do clube: "A camisa rubro-negra só se veste por amor". Nada mais significativo. Não há dúvida de que vestir a camisa athleticana é um ato sublime. Protegido pelo manto sagrado, o jogador passa a ser mais forte. Sabe que terá o apoio de uma torcida apaixonada. Jogará com raça e determinação. A origem da camisa rubro-negra vem das cores dos clubes que se fundiram para formar o Club Athletico Paranaense. O Internacional (alvinegro) cedeu o preto. O América (colorado) emprestou o vermelho. Estava formada a mais linda combinação de cores possível. A primeira camisa tinha listras rubro-negras na horizontal. Ao longo dos anos, muitas versões foram lançadas. Em 1989, as listras da camisa passaram a ser verticais. Atualmente, a camisa é rubro-negra, com faixas diagonais.
O Athletico detém uma das torcidas mais apaixonadas e temidas, em detrimento a tradicional pressão frente aos adversários transformando a Arena da Baixada em um Caldeirão, segundo pesquisa nacional realizada entre jogadores de diversos clubes do Brasil em 2012, a torcida athleticana é a 5ª mais temida do Brasil. A massa rubro-negra também é recordista de público em partidas de futebol, nos principais estádios de Curitiba: A única praça de futebol da capital paranaense em que o recorde não é athleticano é o Estádio da Vila Olímpica do Boqueirão, aonde a antiga marca rubro-negra de 14.537 pessoas de 1988 (Athletico 1–1 Pinheiros) foi batida pela torcida Paranista em 1997 (17.926 pessoas). Em pesquisa realizada em 2017 (DNA Torcedor) e desmembrada pelo Ibope em 2020, o Athletico tem a 19ª maior torcida do Brasil, com cerca de 1 milhão e 300 mil simpatizantes, resultando no clube com maior número de torcedores do futebol paranaense.
Valor de mercado
De acordo com um ranking de 2018 da consultoria BDO RCS Auditores Independentes, o Athletico Paranaense detinha o décimo terceiro maior valor de mercado do futebol do Brasil, com 162,1 milhões de reais.
Sedes atuais
Seu estádio é o Mário Celso Petraglia, ou Arena da Baixada, antigamente Joaquim Américo Guimarães, popularmente conhecida pelos torcedores apenas como "Caldeirão". O campo da baixada, como era conhecido desde a sua inauguração em 1914, levantado em madeira pelo Internacional (um dos times fundadores do Athletico), teve como jogo inaugural, no dia 21 de dezembro de 1913, a partida entre o Internacional e o Paranaguá, quando o clube curitibano venceu a partida por 3–0. A primeira grande reforma da Baixada ocorreu em 1967, com ampliação das arquibancadas. Essa reforma ocorreu com a ajuda dos irmãos Alberto e Alfredo (Caju) Gottardi, ex-jogadores do clube. A segunda reforma aconteceu entre 1992 e 1994, com a construção de um tobogã no gol de fundos. Em 1997 o estádio foi demolido para a construção de uma arena e entre 2012 e 2014, ocorreu a reforma completa para o complemento das arquibancadas e a adaptação aos padrões da FIFA e assim, receber quatro partidas da Copa do Mundo FIFA de 2014.
Sedes antigas
O Athletico ao longo da sua história, teve diversas sedes, conforme listadas abaixo: O Athletico nasceu oficialmente no coração de Curitiba, em plena Rua XV de Novembro. No início dos anos 20, o local já era considerado a artéria principal da cidade, abrigando bancos, estabelecimentos comerciais e até mesmo a sede da Gazeta do Povo, vizinha do Internacional. Tudo de importante acontecia por lá, sendo o ponto de encontro da elite e dos intelectuais da época. As primeiras discussões sobre a fusão de Internacional e América aconteceram no Café do Comercio, local preferido de importantes e tradicionais figuras curitibanas daqueles tempos. Como americanos e internacionalistas mantinham suas sedes na Rua XV de Novembro (a do América no número 386 e do Internacional, no 416), naturalmente a primeira sede do clube recém-nascido seria por lá.
Athletiba
O Athletiba é o nome do clássico disputado entre Athletico e Coritiba, considerado o mais tradicional da capital paranaense e uma das maiores rivalidades brasileiras. O primeiro confronto oficial considerado válido para as estatísticas se deu em 8 de junho de 1924, no Parque Graciosa, pelo Campeonato Paranaense, em que o Coritiba goleou o Athletico pelo placar de 6 a 3. De acordo com athleticanos, o primeiro confronto teria ocorrido anteriormente, em 20 de abril de 1924, logo após a fundação do Athletico, numa disputa de trinta minutos em que venceu o estreante por 2–0. A validade de tal exibição é contestada pois não se tratava de uma partida oficial com noventa minutos de duração.
Paratico
O clássico Paratico é a rivalidade entre Athletico e Paraná Clube. Ambos confrontaram-se no primeiro (e até então único) clássico paranaense realizado por uma competição internacional, pela Copa Sul-Americana de 2006. Os resultados foram de vitória athleticana, por 1–0 na Arena da Baixada, e outra por 3–1 no Pinheirão. O time tricolor acabou eliminado pelo Rubro-Negro.
Interestaduais
O Athletico desenvolveu ao longo da sua trajetória, rivalidades com clubes de fora do Estado do Paraná, motivadas por polêmicas ou histórico de jogos eliminatórios entre os clubes, tais como São Paulo, Bahia e Flamengo. Dentre as rivalidades cultivadas, a que mais se destaca é frente ao Tricolor Paulista.
Futsal
A Federação Paranaense de Futebol de Salão tem no Club Athletico Paranaense um dos seus fundadores. Com tradição no "esporte da bola pesada", o Rubro-Negro entre a década de 80 até 1994, conquistou seguidos títulos nas categorias inferiores, em cujos campeonatos a sua simples presença foi motivo de sucesso. A modalidade foi descontinuada com a demolição do antigo Ginásio João Alfredo Silva em 1995.
Basquete
Desde os tempos do Internacional, introdutor do basquete em Curitiba, em 1919, época em que essa modalidade esportiva era conhecida por "cestobol", e depois de sua fusão com o América, o Athletico e sempre teve destaque nas suas participações em desportos olímpicos, fazendo muitos campeões paranaenses e brasileiros, e alguns com participações internacionais. No basquete, muitos títulos foram conquistados, como nos anos de 1935, com Luiz Cecatto, Yves Legat, Guilherme Catrambry, Horácio Mancini, Alcides Maciel e Aleixo Krause. Em 1939, Osni Vasconcelos, Luiz Cecatto, Oswaldo Andrade (Pixe), João de Deus Batista, Horácio Mancini, João Soika, José F. Fernandes, Joaquim Peixoto e Aírton G. Pombo, conquistavam mais um título para as cores rubro-negras, fato que se repetiria no ano de 1941, com João de Deus Balista, João Soika, Abílio Ribeiro (presidente do Atlético entre 1956 e 1959, sendo campeão em 1958), Luiz Cecatto, Celso Meyer, Wilson Machado, Edson Medeiros e José Correia de Almeida.
Atletismo
Nas décadas de trinta e quarenta, o Athletico Paranaense também pontificou no atletismo, conquistando incontáveis títulos, com significativos recordes dos atletas Ramos Afonso, Jair Mattos, Eduardo Casperski, Hamilton Saporski Dallin, Guilherme Catrambry e Z. Lins.
Tiro
Uma modalidade de esporte de certa forma elitizada, mas que no Athletico era praticado desde a sua fundação. Os capitães Dilermando Assis, Amority Osório e Teimo Borba, mais Heitor Requião, nas décadas iniciais da existência rubro-negra, inscreveram seus nomes na história, por terem envergado a jaqueta athleticana em diversas competições locais e no âmbito nacional. A família Amaral - Eugênio, pai, e Leonel, filho - constituíram-se em expressivos destaques desde os anos cinquenta, Leonel foi integrante da Seleção Brasileira de Tiro em várias competições internacionais.
Ciclismo
Marcantes foram os anos cinquenta na história do ciclismo paranaense. A presença dos atletas José Kalkbrenner, Alfredo Kalkbrenner, Garibaldo Muoio, Adir de Lima, Wanderley e Waldemar Erdesdobler, Acir Santos e Alvino Marconcin, marcaram essa época com as cores rubro-negras, pois levaram a bandeira do Furacão aos mastros representativos das vitórias conquistadas. Na década de noventa, com uma grande equipe, onde despontou o jovem atleta Gerson Feix, o Athletico voltou a brilhar no velocismo paranaense e brasileiro.


