Ataque suicida
Ataque suicida é qualquer tipo de operação bélica em cujo processo quem ataca tem a intenção de morrer. Exemplos de ataques suicida são Kamikaze e homens-bomba. Um ataque suicida caracteriza-se por ser uma ação perpetrada contra um alvo específico em que o indivíduo perde a vida ao concretizar o ataque, sendo essa morte crucial e desejada pelo perpetrador, diferenciando-se de missão suicida, a qual se caracteriza por ser uma ação em que o indivíduo sabe que vai perder a vida porque não irá escapar a tempo e não há outra solução senão morrer ao completá-la, ou seja, a morte do perpetrador durante o ataque é uma necessidade e não uma causalidade. O termo “Ataque Suicida” é redutor e simplificado para classificar os ataques em que o próprio membro da organização terrorista, que efetua o ataque, morre. Os motivos adjacentes a esse tipo de ataques são, algumas vezes, diferentes dos motivos que levam alguém a suicidar-se, aproximando-se também dos motivos do sacrifício ou do martírio.
Após o 11 de Setembro, o ataque suicida começou a ser visto como um fenómeno comum do islamismo e comum na cultura árabe, contudo essa afirmação está longe de ser verdadeira. Apesar de atualmente existir um uso crescente de ataques suicidas, estes existem desde a época em que a Judeia estava ocupada pelos Romanos, altura essa onde existiam os sicários (em latim: Sicarii), um grupo extremista com a intenção de expulsar os Romanos da Judeia. A Ordem dos Assassinos (hashashin) que existiu durante o século XI no Irão também é um exemplo da utilização de ataques suicidas no passado, com o objetivo de difundir uma nova religião criada pelo fundador da Ordem. O conceito de terror associado aos ataques suicidas, contudo, surgiu com Maximilien Robespierre durante a revolução Francesa. Exemplos da ligação entre o terrorismo e os ataques suicidas são a morte de Alexandre II da Rússia em 1881 ou os ataques realizados por Camicases em 1944, mas a utilização de bombistas suicidas como se conhece hoje, surgiu nos anos 80 no Líbano, como método utilizado pelo Hezbollah, sendo a Al Qaeda quem criou uma dimensão transnacional do método principalmente com o ataque às Torres Gémeas de 11 de Setembro de 2001. Os primeiros ataques suicidas ocorridos no conflito israelo-palestiniano iniciaram-se em 1993 pelo Hezbollah, que tinha membros treinados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
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As motivações que levam os indivíduos a cometer ataques suicidas são discutíveis e envolvem preocupações completamente diferentes dos ataques terroristas convencionais, não só porque estão associados a dilemas sociais que outros ataques não envolvem, bem como dilemas morais que condicionam o combate ao terrorismo. As motivações e o perfil dos indivíduos dão origem a debates intensos, sendo que em si radica uma observação contraditória do mesmo fenómeno.
Perfil
As características adjacentes aos indivíduos que realizam os ataques suicidas são muitas das vezes a pobreza, poucas habilitações literárias e doenças crónicas ou deficiências. Robert Pape considera que não existe apenas um perfil definido de todos os indivíduos que cometem ataques suicidas. Até há pouco tempo, vários peritos consideravam os terroristas suicidas como tendo poucas habilitações literárias, desempregados, isolados socialmente, solteiros e entre a casa dos 20 anos, mas atualmente sabe-se que essas características podem não estar presentes, podendo ser casados, serem mulheres, estarem integrados na sociedade, com idade entre os 13 e os 47 anos, ou seja, apesar de apenas um pequeno número de pessoas se tornar terrorista suicida, essas mesmas pessoas podem ter estilos de vida completamente diferentes o que torna quase impossível detectá-los a tempo. As motivações de quem comete os ataques suicidas e os líderes das organizações são diferentes, ou seja, alguns indivíduos que cometem ataques suicidas são fanáticos religiosos e irracionais. Contudo, o terrorismo suicida segue uma estratégia lógica pois os líderes das organizações que comandam e recrutam quem vai cometer os ataques suicidas não são relativamente a este tópico em específico, irracionais.
Suicídio, martírio ou sacrifício?
Existe alguma confusão entre os termos “suicídio”, “martírio” e “sacrifício” e a diferença entre as três definições é crucial para entender as motivações adjacentes aos ataques suicidas. Segundo Ofer Zur, o termo suicídio caracteriza-se no ato de tirar a própria vida e o objetivo desse mesmo ato é, apenas e só, a morte do individuo que o comete. Dependendo da religião, cultura, sistemas penais e/ou tradições da sociedade, o suicídio é visto de diferentes formas, podendo ser considerado crime em alguns locais, assim como pecado em certas religiões. No entanto o suicídio também pode ser visto como um ato heroico e, de certa forma honorável, dando como exemplo alguém que prefira morrer a ter que continuar a vida em sofrimento. No que toca ao sacrifício e ao martírio, a diferença é apenas o motivo do mesmo, ou seja, o significado de sacrifício traduz-se em abdicar de alguém, ou algo, considerado importante para esse mesmo individuo, por algo que essa pessoa considera ainda mais importante. Podem, por exemplo, sacrificar a sua vida em prol do terrorismo ou em prol de destruir o inimigo. Já o martírio caracteriza-se por sacrificar a sua própria vida com a certeza de ter um lugar no “paraíso” depois da morte e de não ir para o "inferno", sendo um ato repleto de conceções religiosas e de fé, afastando-se assim da definição de sacrifício.
Mulheres-bomba
Apesar dos homens serem vistos como os líderes, os ataques perpetrados por mulheres são, de forma significativa, mais mortíferos que os ataques cometidos por homens. Essa eficácia deve-se ao papel que a mulher tem na sociedade, não se estando à espera que alguém do género feminino cometa atos que até há pouco tempo eram apenas levados a cabo por homens. Assim é mais fácil para uma mulher esconder os explosivos (devido às roupas utilizadas) e as medidas de segurança não são tão rígidas como são para os homens. Atualmente as mulheres são usadas como mártires, embora nos primeiros ataques realizados pelos Hamas recusavam-nas e davam como justificação o facto de serem mais fracas que os homens, tanto psicológica como fisicamente, e que iriam ser ataques ineficazes se fossem elas a fazê-lo. São, no entanto, utilizadas contemporaneamente, não por uma questão de igualdade de género mas sim porque corresponde aos objetivos que a organização terrorista pretende.
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Os ataques suicidas são eficazes no terrorismo porque demonstram um grande comprometimento a uma causa específica. Nos locais onde as pessoas estão vulneráveis sentimentalmente, este tipo de ataques aumentam os sentimentos de raiva e sofrimento que estão associados a essas populações, conseguindo mudar a opinião das mesmas para apoiar as organizações terroristas. Os objetivos fundamentais das campanhas de suicídio realizadas nesses locais é causar medo, ansiedade, desmoralização dos civis e fazê-los entender que o governo e a proteção que deviam ter, não existe. A prevenção do terrorismo é difícil devido às suas origens complexas. Tentar impedir os bombistas suicidas de completar o ataque é, usualmente, fútil, sendo mais eficaz a eliminação das condições que fazem com que a população suporte os grupos terroristas. A interrupção do suporte financeiro e das redes de contactos também é um método de bastante sucesso. Como a exposição aos atos terroristas é algo comum em Israel, existe a necessidade de tornar os civis resilientes a esses ataques tentando transmitir mecanismos aos indivíduos de como lidar em situações dessas, tornando-os capazes de evitar os ataques ou de minimizar os danos depois do ataque acontecer. Consequentemente os ataques suicidas deixam de ter o efeito psicológico e estratégico que tinham e deixam de ser um método eficaz.


