Moisés
Moisés foi um líder religioso, legislador, juiz e profeta de importância central na Bíblia, sendo reconhecido como tal pelo Judaísmo, pelo Cristianismo e pelo Islamismo. Segundo a tradição bíblica, foi o grande mediador da Antiga Aliança, escolhido por Deus para libertar o povo hebreu da escravidão no Egito, conduzi-lo durante o Êxodo e estabelecer as bases religiosas, morais e jurídicas de Israel. A ele é tradicionalmente atribuída a Lei Mosaica e a redação do Pentateuco, também chamado Torá, conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia.
O nome Moisés possui alguns possíveis significados. Tradicionalmente traduz-se como "tirado das águas", embora um estudo linguístico aponte uma origem egípcia e signifique simplesmente "filho", já que o fonema "séis" é a representação de "filho de" em egípcio, assim como Ramessés. Para os judeus, o nome em hebraico Móshe (מֹשֶׁה) é associado homofonicamente ao verbo hebraico mashah, que tem o significado de "tirar"; na etimologia judaica popular, tem o significado de "retirado (isto é, salvo)" da água.
Relato bíblico
Moisés era filho de Anrão e Joquebede, da Tribo de Levi. O seu irmão mais velho era Aarão e a sua irmã chamava-se Miriam. Segundo a Bíblia, após o nascimento Moisés foi escondido por um período de três meses, antes de ser colocado em um cesto no rio Nilo: «E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses.» (Exodos 2:2). Após a filha do faraó encontrar o cesto enquanto banhava-se no rio, pediu a uma ama hebreia (a mãe natural, conforme relato bíblico) que o criasse enquanto criança: «Então lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário. E a mulher tomou o menino, e criou-o» (Exodo 2:9).
Morte (relato bíblico)
De acordo com os relatos bíblicos em Deuteronômio 32:51-52 e Números 20:12, Moisés foi avisado por Deus de que não lhe seria permitido levar os israelitas através do rio Jordão, por causa da sua transgressão nas águas de Meribá, e que morreria no monte Nebo, de onde contemplaria toda a terra de Canaã. Desta forma, ele reuniu as tribos e entregou-lhes uma mensagem de despedida, que é usada para formar o livro de Deuteronômio. Quando Moisés terminou, entoou um cântico e pronunciou uma bênção sobre o povo. Subiu ao monte Nebo, para o cume de Pisga, olhou para a Terra prometida de Israel espalhada diante dele e morreu, segundo a lenda talmúdica, em 7 de Adar, exatamente no seu aniversário dos 120 anos. O próprio Deus o sepultou em um túmulo desconhecido em um vale na terra de Moabe, defronte de Baal-Peor (Deuteronômio 34:6).
Não fora encontrado até o momento nenhuma prova arqueológica de sua existência como relatada na Bíblia, de acordo com os métodos arqueológicos e históricos. A maioria dos acadêmicos modernos acreditam que Moisés é uma figura mítica, construída paulatinamente no decorrer da história dos antigos israelitas. Não existe nenhuma evidência, histórica ou arqueológica, que comprove que Moisés realmente existiu ou se qualquer evento narrado na Bíblia cristã ou no Torá judaico, como a abertura do mar Vermelho, tenha realmente ocorrido. O judaísmo rabínico calculou o período de vida de Moisés correspondente a 1391–1271 a.C.; Jerônimo sugeriu 1592 a.C. e James Ussher sugeriu 1571 a.C. como seu ano de nascimento. O consenso acadêmico vê Moisés como uma figura lendária, embora mantendo a possibilidade de que uma figura semelhante a Moisés tenha existido.
Nome egípcio
A origem do nome entre alguns eruditos apontam para o egípcio, sem o elemento teofórico, més; a forma grega, mósis, mais divulgada, deriva da raiz substantiva ms, "criança" ou "filho", correlata da forma verbal msy, que significa "gerar". Note-se que na língua egípcia, à semelhança de outras do Oriente Próximo, a escrita renunciava ao uso das vogais. Més significa assim "gerado", "nascido" ou "filho". Tomem-se como exemplo os nomes dos faraós Amósis, que significa "filho de [deus] Amon-Rá", Tutemés, significando "filho do deus Tote", ou ainda Ramessés, que seria "filho de Rá". Semitas que alcançaram posições de destaque na hierarquia social egípcia receberam o nome Més, como Ramsès-Kha-em-neterou e Ramsesempere, envolveram-se em revoltas de escravos ou em tramas da corte. A memória acerca destas figuras é possivelmente a origem de tradições orais diversas que embasam os textos bíblicos, escritos a partir do século VII a.C. Estas tradições, por sua vez, passaram por várias fases de reelaboração, em distintos momentos da história do Antigo Israel, não tomando a forma que conhecemos antes do século IV a.C.
Influências egípcias
Para alguns estudiosos, a maioria das leis que Moisés impôs ao judeus é de completa conformidade com as leis egípcias, parecendo apenas uma transmutação de informação. Há também registros de um sacerdote do faraó Aquenáton ter saído do Egito, provavelmente formando outra religião. Entretanto, as pesquisas mais recentes argumentam a favor de uma redação do Pentateuco que aponta distintos estilos literários, apontando igualmente para contextos históricos específicos da história do Antigo Israel e, consequentemente, das influências assírias, babilônicas, egípcias e até helenistas sobre este povo. Dados indicam que o Egito não teve uma base escravagista minimamente sólida, pois os "escravos" eram em menor número e tinham direitos como a propriedade privada, indo de desacordo até o momento com a Bíblia.[carece de fontes?]
Leis imitadas
Pelos indícios históricos e arqueológicos, as leis referenciadas como da autoria de Moisés já eram conhecidas dos egípcios. E também o Salmo 104 é equivalente ao Grande Hino a Aton.
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Esta é a árvore genealógica segundo a Bíblia:
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Judaísmo
Há uma riqueza de histórias e informações adicionais sobre Moisés nos livros apócrifos judaicos e no gênero da exegese rabínica conhecida como Midrash, bem como nos trabalhos antigos da lei oral judaica, a Mishná e o Talmude. Historiadores judeus que viviam em Alexandria, como Eupolemo, atribuíram a Moisés a proeza de ter ensinado aos fenícios o seu alfabeto, semelhante a lendas de Toth. Artapano de Alexandria explicitamente identificou Moisés não só com Toth / Hermes, mas também com a figura grega Museu (a quem ele chama de "o professor de Orfeu"), e atribuiu a ele a divisão do Egito em 36 distritos, cada um com sua própria liturgia. Ele nomeia a princesa que adotou Moisés como Merris, esposa do faraó Quenefrés.
Cristianismo
Em Mateus 17:1-9, Marcos 9:2-8 e Lucas 9:28-36, acontece o episódio conhecido como a Transfiguração de Jesus. Nele, Jesus e seus discípulos Simão Pedro, João e Tiago vão para o alto de uma montanha, conhecida como o Monte da Transfiguração. Lá, Jesus começa a brilhar e Moisés e o profeta Elias aparecem ao seu lado, conversando com ele. Jesus é então chamado de "Filho" por uma voz no céu - presumivelmente Deus Pai - como já ocorrera antes no seu batismo. Para os cristãos, Moisés - mencionado mais vezes no Novo Testamento do que qualquer outro personagem do Antigo Testamento - muitas vezes é um símbolo da lei de Deus, como reforçado e exposto nos ensinamentos de Jesus. Escritores do Novo Testamento muitas vezes compararam as palavras e feitos de Jesus com os de Moisés para explicar a missão de Jesus, como o Profeta semelhante a Moisés, de Deuteronômio 18,15. Em At 7,39-43, 51-53, por exemplo, a rejeição de Moisés pelos judeus que adoravam o bezerro de ouro é comparada à rejeição de Jesus pelos judeus que continuavam no judaísmo tradicional.


