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Assunção de Maria

A Assunção da Virgem Maria — chamada, de modo mais simples, apenas A Assunção — é, segundo a tradição da Igreja Católica Apostólica Romana, da Igreja Ortodoxa, das Igrejas Ortodoxas Orientais e também de alguns setores do Anglicanismo, o mistério pelo qual a Virgem Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma ao término de sua vida terrena.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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História da tradição

Embora a Assunção (em latim: assūmptiō - "elevado") tenha sido definida em tempos relativamente recentes como um dogma infalível pela Igreja Católica e, a despeito de uma afirmativa de Epifânio de Salamina em 377 de que ninguém sabia se Maria havia morrido ou não, relatos apócrifos sobre a assunção de Maria ao Céu circulam desde pelo menos o século IV. A própria Igreja Católica interpreta o capítulo 12 do Apocalipse como fazendo referência ao evento. A mais antiga narrativa é o chamado Liber Requiei Mariae ("O Livro do Repouso de Maria"), que sobrevive intacto apenas em uma tradução etíope. Provavelmente composta no início do século IV, esta narrativa apócrifa cristã pode ser do início do século III. Também muito primitivas são as diferentes tradições das "Narrativas da Dormição dos 'Seis Livros'". As versões mais antigas deste apócrifo foram preservadas em diversos manuscritos em siríaco dos séculos V e VI, embora o texto em si seja provavelmente do século IV.

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Doutrina católica

Definição dogmática

Em 1 de novembro de 1950, na constituição apostólica Munificentissimus Deus, o papa Pio XII declarou a Assunção de Maria como um dogma: Desde a declaração solene da infalibilidade papal pelo Concílio Vaticano Primeiro em 1870, esta declaração de Pio XII foi a única vez que um papa fez uso, ex cathedra, da prerrogativa. Pio XII deliberadamente deixou em aberto a questão se Maria teria ou não morrido antes da Assunção. Antes da definição dogmática, em Deiparae Virginis Mariae, Pio XII buscou a opinião dos bispos católicos e um grande número deles apontou para o Gênesis (Gênesis 3:15) como um suporte escritural para o dogma. Em Munificentissimus Deus (item 39), Pio faz referência à "luta contra o inimigo infernal" como neste versículo e a "vitória completa sobre o pecado e a morte", como em I Coríntios (I Coríntios 15:54).

Questões teológicas

Na afirmação dogmática de Pio XII, a frase "tendo completado o curso de sua vida terrena" deixa em aberto a questão se a Virgem Maria teria ou não morrido antes de sua assunção ou se ela foi assumida antes da morte; ambas as possibilidades são permitidas. Acredita-se que a Assunção de Maria se deu como presente divino a ela apenas, por ser a "Mãe de Deus" (Teótoco). A visão de Ludwig Ott é a de que, como terminou sua vida como um glorioso exemplo para a raça humana, a perspectiva do presente da assunção seria também oferecido para toda a raça humana. Em sua obra, "Fundamentals of Catholic Dogma", Otto afirma que "o fato de sua morte é aceito por quase todos os pais e teólogos da Igreja, e é expressamente afirmado na liturgia", ao que ele adiciona diversas citações úteis e conclui que "para Maria, morte, como consequência de estar livre do pecado original e dos pecados pessoais, não foi uma punição pelo pecado". Porém, parece adequado que "o corpo de Maria, que por natureza era mortal, deva, em conformidade com o de seu filho Jesus, se sujeitar à lei geral da morte".

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Assunção e a Dormição

A festa católica romana da Assunção é celebrada em 15 de agosto enquanto que os ortodoxos e católicos orientais celebram a Dormição de Maria (a Mãe de Deus "indo dormir") na mesma data, mas precedido de um período de 14 dias de jejum. Os ortodoxos acreditam que Maria teria tido uma morte natural, que sua alma foi recebida por Cristo após a morte, que seu corpo foi ressuscitado no terceiro dia após a morte (depois do túmulo ter sido encontrado vazio) e que ela foi corporalmente elevada aos Céus numa antecipação da ressurreição dos mortos geral. "…a tradição ortodoxa é clara e firme sobre o ponto central [da Dormição]: a Santa Virgem passou, como seu Filho, pela morte física, mas seu corpo — como o d'Ele — foi posteriormente ressuscitado dos mortos e ela foi elevada ao Céu, de corpo e, também, alma. Ela passou para além da morte e o julgamento, e vive plenamente na era que está por vir. A ressurreição do corpo… foi, no caso dela, antecipada e já é um fato consumado. Isto não significa, porém, que ela teria se desassociado do resto da humanidade e se colocado numa categoria diferente: pois todos nós esperamos compartilhar um dia desta mesma glória da ressurreição dos corpos que ela já usufrui".

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Anglicanismo

Embora a Assunção de Maria não seja uma doutrina anglicana, a data de 15 de agosto é observada por alguns fiéis como uma festa em honra a Maria. o "Livro de Oração Comum", nas versões da Igreja Episcopal Escocesa e da Igreja Anglicana do Canadá, marcam a data como "Dormição da Bem-Aventurada Virgem Maria". Na Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América, a data é observada como "Feriado de Santa Maria, a Virgem". Na Igreja da Inglaterra, a data é uma "Festa da Bem-Aventurada Virgem Maria". Em algumas igrejas da Comunhão Anglicana e parte do movimento "Continuando Anglicano", muitos anglo-católicos geralmente observam o feriado como sendo a festa da Assunção. A afirmação conjunta da Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana sobre a Virgem Maria atribui um lugar tanto para a Dormição quanto para a Assunção de Maria na devoção anglicana.

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Protestantismo

O reformador protestante Heinrich Bullinger acreditava na Assunção de Maria. Seu polêmico tratado de 1539 contra a idolatria expressou sua crença de que o sacrosactum corpus de Maria havia sido levado ao Céu por anjos: "Hac causa credimus ut Deiparae virginis Mariae purissimum thalamum et spiritus sancti templum, hoc est, sacrosanctum corpus ejus deportatum esse ab angelis in coelum". Contudo, a maioria dos protestantes modernos não ensina e não acredita na Assunção de Maria, uma vez que eles não vêem uma base bíblica para a doutrina. Embora a maior parte das igrejas do luteranismo não ensinem a Assunção de Maria, o dia 15 de agosto é uma festa menor em honra a "Maria, Mãe de Nosso Senhor", de acordo com o calendário luterano de santos.

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Festas

Imagem: Giuseppe Bernardi · BY · Openverse

A festa da Assunção é um feriado nacional em muitos países, incluindo partes da Alemanha (Baviera e Saarland), Áustria, Bélgica, Chile, Colômbia, Croácia, Eslovênia, Espanha, Equador, França, Grécia, Líbano, Lituânia, Itália, Malta, Maurício, Paraguai, Polônia, Portugal, Romênia, Senegal, Suíça (em 8 cantões) e Vanuatu. Em muitos outros, festividades populares e procissões se realizam neste dia. Entre os países católicos e ortodoxos nos quais a data é importante, mas não é reconhecida como feriado, estão Argentina, Brasil, Filipinas, Irlanda, México, República Tcheca e a Rússia. No Canadá, celebra-se uma fête nationale entre os acadianos, que a têm por padroeira. O comércio fecha nas partes mais francofónas de Nova Brunswick. O nome da festa em italiano, "Ferragosto", pode ter sua origem no nome em latim Feriae Augusti ("Feriados de Agosto"). A solenidade da Assunção é celebrada nesta data no oriente já desde o século VI.

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Fontes consultadas

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